Arquivo da categoria: Pensamentos

Elogio

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Um elogio possível a alguém que carrega o peso da originalidade:

“Sabendo da rejeição violenta da cultura contra pessoas que escapam de um padrão (físico, intelectual, sexual ou estético) normativo e reconhecendo a alternativa sedutora de simplesmente se esconder ou se camuflar na paisagem, é bom saber que lhe sobra suficiente ousadia e coragem para ser você mesmo neste ambiente que sempre lhe empurra em direção à mediocridade”.

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O Amor

Reflexões de aeroporto,

Instigado por Camille Paglia eu resolvi assistir o filme “A Vingança dos Siths“, cuja batalha final entre Obi-wan Kenobi e Anakin é descrita por ela como uma grandiosa peça de arte visual contemporânea. Neste capítulo da saga ocorre a degeneração de um mestre Jedi e o surgimento do grande líder do lado escuro da força, Darth Vader. Este último não é nada mais que o mestre Anakin Skywalker, que abandonou seu amigo Obi-wan Kenobi e uma lealdade que os unia por muitos anos. A magnífica batalha final acaba por selar esta separação. Mas qual a razão por ter se tornado uma figura grotesca e maligna, capaz de trair uma amizade profunda e abandonar todos os seus ideais de autonomia, liberdade e democracia?

Sim, o amor.

Força descomunal, incontrolável e violenta, ela foi o ponto inicial para a criação do pior vilão do cinema do século XX. George Lucas deve ter se perguntado: se eu precisar transformar um herói destemido e leal em um assassino destruidor e vingativo, qual poderia ser sua motivação profunda? Sim, o amor seria a única força humana com essa potencialidade. Nada mobilizaria nossas emoções mais densas e primitivas com tamanho efeito destruidor quanto o amor. Ele é a grande mola da criatividade humana, para o bem e para o mal.

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Frankenstein

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O assassino era como o monstro de Frankenstein, composto por centenas de pequenos fragmentos de rancor e decepção. Uma estrutura de ódio, retalhos de misoginia, um pouco de raiva, umas pitadas de indignação seletiva e um punhado generoso de auto condescendência. E como pano de fundo o amor deteriorado e doentio.

Não há nada de novo na sua fala e nos seus sentimentos, assim como não há nenhuma novidade em salitre, carvão e enxofre. Entretanto a mistura desses elementos produz a força destruidora da pólvora, enquanto agora a combinação de indignação, culpa, frustração, banalização da violência, machismo e uma mente frágil e doente produzem tantas tragédias.

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Minority Report

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Quanto mais leio sobre a chacina em Campinas mais me lembro do filme “Minority Report” de Stephen Spielberg, e fico pensando na possibilidade de sermos avisados quando um psicopata como este venha a agir. Quem não gostaria de saber a tempo e correr para impedir tantas mortes? A sensação foi a mesma quando um pai matou 3 filhos pequenos em Porto Alegre há alguns anos e um conhecido meu falou “Ele era o mecânico do meu carro e eu jamais reparei nada. Parecia uma ótima pessoa”. Nunca sabemos dos monstros que habitam em nós, mas eles estão sempre esperando uma brecha para mostrar sua face de horror.

Nesse caso havia sinais prévios de violência, mas se fôssemos encarcerar todos os homens violentos ou que ameaçam faltaria cadeia para tanta gente descompensada.

Talvez a chance de diminuir a ocorrência dessas tragédias, no terreno individual, seja estudando os gatilhos que cada um dos agressores carrega e trabalhá-los com psicoterapia compulsória. Já no aspecto social, podemos agir muito precocemente através da educação para a equidade de gêneros e para uma sociedade menos violenta, onde os conflitos possam ser resolvidos sem agressões físicas ou morais. Podemos também  estabelecer em nível comunitário uma vigilância severa sobre sinais precoces de agressividade descontrolada, em especial relacionada a gênero e em populações de risco.

Se não funcionar podemos tentar mergulhar sensitivos em uma banheira e esperar que tenham visões. Ou apenas lamentar o ocorrido e amaldiçoar a alma do malfeitor.

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Chacina

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O assassino era como o monstro de Frankenstein, composto por centenas de pequenos fragmentos de rancor e decepção. Uma estrutura de ódio, retalhos de misoginia, um pouco de raiva, umas pitadas de indignação seletiva e um punhado generoso de auto condescendência. E como pano de fundo, o amor deteriorado e doentio.

Não há nada de novo na sua fala e nos seus sentimentos, assim como não há nenhuma novidade em salitre, carvão e enxofre. Entretanto a mistura desses elementos produz a força destruidora da pólvora, enquanto a combinação de indignação, culpa, frustração, banalização da violência, machismo e uma mente frágil e doente produz incontáveis tragédias.

Só o amor é capaz de produzir este tipo de horror que nos agride e tritura a alma. O amor, quando desvirtuado, é maligno e destrutivo, mas ainda assim é amor. Sim, é domínio, é ódio, é desprezo, é possessividade e angústia. E ainda assim é amor. O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença, mas a loucura e o ciúme não conseguem brotar da aridez de um coração indiferente.

O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença, mas a loucura e o ciúme não conseguem brotar da aridez de um coração indiferente.

Não é justo “romantizar o amor”, no sentido de enxergar nele apenas sua potencialidade positiva. O amor pode ser doce e calmo, mas também furioso e agitado. Preferimos não olhar para esta face do amor, mas ela é igualmente verdadeira.

Não se trata de macular o amor, mas tirar-lhe a máscara. Ódio e desprezo são legítimos filhos do amor, e por isso mesmo, onde houver ódio e desprezo podemos procurar um amor corrompido que de imediato ele se mostra em todas as suas nuances.

É preciso enxergar o amor em suas infinitas dimensões, e entender que até a lua, por mais resplandecente e brilhante que seja, possui seu lado escuro.

Para reflexão, trago este texto de Slavoj Zizek:

“Mas o conjunto da realidade é só isto. É estúpido. Está lá fora e eu não ligo pra isso. Amor, para mim, é um ato extremamente violento. Amor não é “eu amo todos vocês”. Amor significa que eu seleciono algo e é, de novo, esta estrutura de desequilíbrio, ainda que este algo seja só um pequeno detalhe, uma frágil pessoa individual. Eu digo “eu amo você mais que qualquer coisa” e neste preciso sentido formal, o amor é o mal.” 

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“Revelhom”

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Fotos de revelhom:

Mulheres: lindas e sorridentes (ok, já disse), arrumadas, produzidas, pintadas, batom, lápis, delineador, cabelos (ohhhh!!!), sapatos, poses, caras e bocas, blusas, vestidos, tubinhos, mini-tubinhos, pretinhos, adereços, gloss (não sei exatamente o que é), calcinhas (não vi nenhuma, mas sei da preocupação), bijuteróias (um blend das duas), filhos e filhas.

Homens: Bermuda, chinelo e cerveja na mão.

Na maior parte do tempo ser homem é algo muito pesado. Morremos mais cedo, infartamos, brigamos, somos feridos e mutilados, precisamos matar o leão todos os dias para apresentar ao Pai. Mas nas festas temos uma folga. Casamentos, batizados, velórios, Natal e Ano Novo nossa preocupação com a apresentação é quase nula. Isso é uma bênção.

Durante 1 ano antes de me formar escutei as conversas das colegas sobre as “provas” que tinham a fazer, mas não eram os exames da residência médica, e sim as provas de roupa de formatura nas suas exigentes costureiras. Pior ainda, algumas delas me mostravam desenhos de roupas e pediam minha opinião!!

Toda a preocupação que tive com minha roupa de formatura foi engraxar meu sapato no dia da cerimônia e vestir exatamente a mesma roupa do meu casamento, que eu havia usado há 3 anos.

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Calabouço dos desejos


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Das minhas motivações sei eu; as dos outros, só eles mesmos poderiam saber. Também não carrego a esperança de um dia entendê-las ou descobrir-lhes a intimidade, pois sequer os autores dos crimes mais hediondos as conhecem plenamente.

Fico feliz de saber que as pessoas  que condenam os sujeitos (e não seus atos) o fazem agindo pelo primado da consciência e jamais tenham feito algo de forma claramente irracional e irrefletida. Nestes momentos é que percebo que durante toda a minha vida muito me afastei da lucidez e da clarividência das condutas acertadas pois que 99% das minhas ações diárias tem quase nenhum controle consciente.

Minha racionalidade é mesmo um verniz intelectual, uma fachada altiva que me dá a sensação de afastar os medos e as superstições através de uma ilusão de controle, mas que funciona como um soberano cuja imponência apenas esconde sua fragilidade.

Somos governados pelas sombras e as vozes mais poderosas que proferimos vem dos porões úmidos e frios, e não das altas e ensolaradas torres.

Condenar os que se afastam do nosso horizonte de ações não nos torna superiores, mas demonstra o quão limitado é o nosso conhecimento da alma humana no que ela guarda de luz, penumbra e profunda escuridão.

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Empatia

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A primeira vez que me deparei com essa perspectiva foi há muitos anos quando li a história de um sociólogo americano que foi estudar as comunidades negras e latinas do Harlem, em Nova York, e sua vinculação com o crime. Seu interesse era saber quais as razões levavam os jovens a entrar no mundo do tráfico  de drogas.

Sua resposta a esta pergunta me chocou pela simplicidade. Ao invés de elencar as conhecidas explicações educacionais, familiares, morais etc. ele respondia com outra pergunta: “Por que deveriam eles NÃO entrar para este mundo?

O que ele testemunhou foi um universo de valores muito semelhante aos que controlavam nosso mundo branco e de classe média. As pessoas daquele espaço amavam, sofriam, cantavam, choravam, tinham ciúme e inveja e sonhavam como todos os humanos. Entretanto, ao contrário dos outros, eram marginalizados por não ter acesso ao consumo. Em uma sociedade em que a cidadania é constituída pela capacidade de consumir seu estatuto de pessoa era frágil, tornando-os sujeitos à margem.

Sim, marginais.

Nesse contexto, por que não aderir a uma proposta que poderia lhes oferecer acesso ao mundo do consumo, dando-lhes a possibilidade de ser, em fim, cidadãos?

“Mata!!”

“Bandido!!”

“Deixa apodrecer na cadeia!!”

Das virtudes humanas a que anda mais escassa é a empatia. Tão ocupados estamos com a periferia de nossos próprios umbigos que pouco tempo sobra para nos preocuparmos com a dor e o sofrimento alheios.

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Protegido: Para entender o caso

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Amor demais

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Lembrei de um conceito que escutei quando meus filhos eram muito pequenos: “Ame seus filhos bastante para que eles tenham autoconfiança, mas não demais para que eles nunca precisem procurar amor por si mesmos”.

A pior coisa do mundo é não ser amado; a segunda pior é ser amado demais. Amor em falta faz definhar; demais faz enlouquecer. O mundo nos impõe a falta; o desejo nos empurra ao excesso.

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