Político ladrão

– Ahhh, mas esses políticos são todos ladrões…

Se você acredita nisso, pare de votar na direita e vote em alguém parecido com você. Isto é: alguém pobre. Ou melhor: candidate-se e faça o trabalho que eles não estão fazendo. Participe. Pare de votar em ricos e filhos de papai. Vote em trabalhador, dona de casa, operário ou alguém pobre e honesto para lhe representar, desde que tenha ideias inovadoras e que representem seus anseios de uma cidade, estado ou país mais justos. Pesquise as ideias do partido e sua visão de sociedade. Filie-se. Participe. Seja parte da transformação social, e não um entrave às mudanças. Não caia na conversa de gente que parece boa só por que distribui ranchinho ou lhe oferece vantagens e favores. Pense no político que melhor representa a COMUNIDADE inteira, e não apenas a sua corporação ou seus interesses pessoais. Não confunda assistência social com política. Político que faz serviço miúdo pra comunidade é apenas clientelista. Um verdadeiro político pensa nas estruturas sociais profundas, e não em casos isolados ou pessoais.Vote com consciência e pensando em todos.

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Feitiço do Tempo

Eu já vi “Groundhog Day” (Feitiço do Tempo) com Bill Murray e Andy MacDowell no mínimo umas dez vezes, porque o filme conta uma história de otimismo, superação e transformação, além de ser muito engraçado. Vejo, este filme em especial, pela mesma razão pela qual as crianças pedem que contemos a elas uma história que já conhecem. “Conte pra mim algo que me deixe feliz e espante essa angústia”. Sim, a gente vê pelo prazer infantil e pelo efeito sedativo da repetição. Como crianças, queremos escutar a história de novo, e de novo e de novo.

Meu pai me falava da importância da rotina para os velhos, e só agora consigo entender o significado mais profundo disso. A rotina produz tranquilização pela previsibilidade dos fatos; não é necessário um investimento emocional e cognitivo para se adaptar às diferentes perspectivas e acontecimentos, e com isso relaxamos e podemos apenas nos deliciar com uma história que sabemos que não nos trará emoções novas e/ou negativas. Para os velhos, a ideia de que o dia pode ser programado, e as semanas assim como os meses, traz paz de espírito pelas mesmas razões: a possibilidade de desfrutar a vida sem os solavancos de acontecimentos imprevistos.

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Crachás

Uma vez nos anos 90 do século passado fui a um encontro da Secretaria Estadual da Saúde do RS falar pela Liga Homeopática em nome da adesão de medicinas complementares no âmbito dos postos de saúde estaduais. Depois da minha fala sentei e fiquei assistindo a reunião que contava com a participação de representantes das secretarias de saúde dos municípios gaúchos. Cada um deles trazia no peito um crachá com nome do seu município.

Depois de algumas apresentações técnicas a coordenadora do evento pegou o microfone e anunciou: “Caros secretários. Procurem os representantes da sua região e façam pequenos grupos para trazer à assembleia as demandas regionais. Vocês têm 15 minutos”.

Imediatamente 500 pessoas se levantaram à procura de seus vizinhos. Logo à minha frente uma senhora se ergueu e começou a olhar os crachás das pessoas próximas. Assim que lia o nome da cidade no crachá dizia:

Arvorezinha, fique aqui do meu lado. Dois Lajeados, não se afaste. Guaporé, veja se encontra Ilópolis e Putinga e peça para que venham nos encontrar aqui no canto. Vespasiano Corrêa, alguém viu?

Até que ela olhou para a moça loira, gordinha e com cara de alemoa sentada ao meu lado e disse, apertando os olhos para ler o crachá:

– Ahh, que bom que achei (passou uns instantes) você…. mocinha.

A moça ao meu lado sorriu envergonhada e se juntou ao grupo.

Era a secretária de saúde de Anta Gorda

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Corrupção nossa de cada dia

Claro que houve corrupção nos governos do PT, em especial pelos múltiplos acertos com outros partidos para alcançar a governabilidade com um congresso fisiológico e oportunista. Entretanto, foi graças às próprias iniciativas do PT em relação à transparência que essas corrupções foram descobertas. Não há porque ser menos incisivo contra a corrupção do PT ou de qualquer partido, pois todos os governantes devem ser vigiados pela população.

O problema desses debates é que esta é uma questão diversionista. A corrupção não é NEM DE LONGE o pior problema do Brasil A corrupção que nos ocupamos, aliás, é FARELO DE PÃO. Ou você acha que um triplex – mesmo que existisse – seria algo que deixou o Brasil mais pobre? Nem o roubo – que existiu com a turma do PMDB – deixou a Petrobrás mais pobre. Pelo contrário!!!! Nos governos do PT e Petrobras, com todos os desvios que foram descobertos, multiplicou por OITO VEZES o seu valor, mesmo havendo uma comprovada corrupção.

O problema do Brasil não está nessas questões menores; ela está na elite de rapina que nós temos, na concentração indecente de renda, na divisão do Brasil entre extremamente ricos e miseráveis, e em uma classe média ignorante porque compra carro novo e se acha rica. O que diferenciou o PT dos outros governos TODOS, que foram de DIREITA desde a “descoberta” por Cabral, é que o PT tinha um projeto de nação, enquanto Bolsonaro aceita a invasão americana e internacional sobre nossas riquezas. Por isso a continência à bandeira americana e o amor por Israel – uma nação criminosa e racista.

A diferença é que nos governos do PT havia crescimento continuado e felicidade. E foi exatamente PELOS ACERTOS do PT que essa mesma elite predadora que nos controla a todos fez uma campanha – orientada pelos americanos – para destruir a imagem das esquerdas usando esses argumentos morais: são corruptos, ladrões, etc. E não se importaram de apresentar mentiras escandalosas e inumeráveis: kit gay, mamadeira de piroca, Ferrari do Lulinha, Havan da filha da Dilma, Triplex, sitio em Atibaia e o fiasco de criar a fantasia da caixa preta do BNDEs – que o próprio Bolsonaro desmentiu de forma humilhante.

Se o PT for corrupto tem mais é que acusar, mas NÃO É ESSE O PONTO CENTRAL, mas sim saber que tipo de governo e que tipo de nação ele propõe, como pretende acabar com a pobreza, como vai distribuir renda, como vai taxar fortunas, como vai usar impostos, quanto vai colocar de imposto em heranças, como vai proteger mulheres e crianças, como vai defender as populações nativas, como vai proteger o SUS, como vai agir com as estatais e como vai implementar um programa de incentivo à indústria nacional que não destrua o meio ambiente.

O resto é apenas MANIPULAÇÃO e LAVAGEM CEREBRAL da mídia, ou lawfare do judiciário. Anote aí: qualquer pessoa que fale dos problemas do Brasil citando a corrupção como “mal maior” não sabe o que fala e está apenas repetindo tolices de quem deseja lhe manipular

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Mal e mau

Meu pai sempre usava essa expressão para mostrar qual a verdadeira essência da maldade:

“Você só consegue me fazer mal se me fizer mau”.

Assim, a pior vingança do bolsonarismo contra aqueles que sonham com a equidade, a justiça, a diversidade, o respeito ao outro e uma sociedade de paz é nos transformar na pior versão deles mesmos. Creio que a postura de um humanista é jamais se curvar à sedução do ódio e da vingança. Quando nos tornamos iguais àqueles que mais combatemos é porque já estamos derrotados. Quando aceitamos o ódio e o ressentimento como via de expressão então já não há mais diferença ética entre nós e nossos adversários.

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Seria pior com eles…

Aliás, este é um truque já foi utilizado para a ditadura de 64, mas passados mais de meio século é o mesmo que se usa ainda hoje. A fórmula é simples: cria-se um governo brutal e ditatorial, violento, sem respeito com minorias, levado a cabo por militares, concentrador de renda, destruidor de pequenos negócios, corrupto, defensor de milicos e a favor dos grandes empresários e bancos.

Quando depois de algum tempo apontamos todos esses erros e crimes a resposta absurda e ilógica é dizer: “se a oposição tivesse ganho seria muito pior” e passam a listar uma série de fantasias tiradas das “vozes em suas cabeças” dizendo que o grupo golpeado pela ditadura destruiria famílias, faria troca de sexo em crianças, distribuiria mamadeira de pirocas, seria uma Cuba ou Venezuela, estaríamos todos em campos de concentração laboral e seríamos obrigados a comprar os kits gay.

E tudo isso sem qualquer embasamento e sem nenhuma conexão com a realidade. Pior, dizem isso sabendo que quando o PT esteve no governo NADA DISSO OCORREU, e tivemos o período de maior crescimento da história desse país, com pleno emprego e uma imagem internacional positiva e otimista. Pagamos a dívida externa, tiramos milhões da miséria e deixamos 380 bilhões de dólares em caixa.

Esta tática de imaginar o que teria acontecido é uma fórmula para justificar QUALQUER CRIME OU ABUSO, dizendo que se a alternativa ao arbítrio fosse utilizada estaríamos muito pior. Não creio que podemos continuar aceitando esse tipo de falácia a conduzir os debates para a reconstrução do Brasil após o desastre do neoliberalismo.

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Embargo

Uma pergunta que incomoda: quando alguém tenta dizer que o socialismo não funciona e que o embargo americano não é a razão das dificuldades da ilha, então qual o sentido de manter esse embargo? Não seria mais fácil deixar aquele socialismo se desmanchar por si só? Se ele é um modelo falido, porque não permitir que ele desapareça pelas suas próprias fraquezas?

Ora… apenas porque é mentira. O embargo é imposto porque, no fundo, os americanos e suas elites não suportam a ideia de um povo livre e soberano a 100 km da costa americana. Uma “Cuba Libre”, florescendo e distribuindo riquezas entre seus habitantes, causaria uma onda de indignação com o capitalismo. Seria muito mais fácil ver que o sistema capitalista, ao mesmo tempo que produz e multiplica bilionários, é incapaz de dar casa, comida, saúde, segurança e transporte para outros MILHÕES que trabalham para sustentar a opulência indecente e obscena desses poucos.

O embargo criminoso contra Cuba se assemelha à relação tóxica do namorado que persegue sua ex e tenta prejudicar sua vida, apenas porque não suporta o fato de que ela pode ser feliz sem ser explorada e maltratada. Os Estados Unidos punem Cuba pela sua ousadia de escolher a liberdade.

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Futebol e apostas

O jornalismo de opinião do futebol está totalmente cooptado por empresas que controlam sites de apostas situadas fora do Brasil – portanto imunes à legislação nacional que as proíbe. Curiosamente, essa imoralidade (ao meu ver) é tratada pelos jornalistas como “diversão”, “brincadeira”, “entretenimento para a família” e mesmo como uma forma de investimento, para ganhar um “dinheiro extra”.

Pois eu creio que a cooptação do jornalismo para este tipo de jogatina produz uma mistura profundamente perigosa para o próprio futebol. Aqueles que acreditam que jogos de azar podem ajudar o esporte esquecem os escândalos na Itália e no Brasil onde a pressão de investidores compravam resultados improváveis, e fizeram gente esperta ganhar muito dinheiro por algum tempo.

Vejam aqui mais sobre o escândalo das apostas na Itália aqui:

Jornalistas já estão TODOS amarrados. Nenhum deles, a partir de agora, poderá criticar essas empresas de apostas e a mistura que fazem entre enormes quantias de dinheiro e os resultados das partidas. Estão todos na folha de pagamento, impedidos de criticar a invasão dessas instituições no cenário do futebol brasileiro. E já são dezenas de empresas, que compram não apenas os jornalistas, mas espaços no YouTube e Facebook.

O jornalismo corporativo – financiado pelas empresas e grandes corporações – é um modelo falido. Bastam poucos tostões para comprar a opinião de jornalistas para que algo deletério e moralmente questionável vire “diversão para a família”.

Mas…quem se importa, né?

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Escritores

Eu sempre achei que o bom cronista deveria se irritar com os elogios. Não à forma, sua escrita ou ao seu estilo, mas ao próprio conteúdo. Aceitá-los é a rota mais segura em direção ao fracasso. Claro que a todos é sedutora a sintonia da nossa perspectiva com as linhas à frente, e por certo que desperta alegria ver nossa face no espelho de um texto. Muitas vezes nos entusiasma e emociona ver um articulista fazer eco com as nossas ideias, a ponto de sermos capazes de terminar as frases em pensamento, tamanha a identidade que com elas criamos.

Entretanto, essa é a paz do escritor, uma praga entre aqueles que escrevem, e o homem de ideias jamais deveria se contentar com ela. A escrita deveria ser sua espada, para ferir e separar; cortar e destruir. O homem das palavras nunca poderia se deixar seduzir pela glória fugaz das concordâncias. Deveria, isto sim, por um ato de fé, fugir dos elogios e das palavras de estímulo. Em verdade, deveria se esconder de quem o segue e admira.

Criar é ferir. Quem produz ideias não pode esperar que aqueles, acostumados com os padrões, aceitem pacificamente o sopro da mudança. Se há algo de transformador em um pensamento feito letra é o seu espírito de destruição.

Escrever é afrontar. Quem escreve pretendendo ser aceito desperdiça o que existe de melhor em sua arte.

Juan Irigaray, “Cien Díaz para Entenderte”, ed. Solimar, pág. 135

Juan Rodriguez de Irigaray é um escritor cubano, nascido em Matanzas em 1935. Participou da primeira investida guerrilheira na ilha no “Assalto ao quartel de Moncada” em 1953 e acabou preso junto com seus parceiros de luta. Foi companheiro de cela de Fidel Castro e junto com ele foi para o México quando da anistia oferecida aos revolucionários pelo presidente recém reeleito Fulgêncio Batista. Escreveu na prisão um livro de “poesias de guerra” chamado “Se eu morrer chamem Amália”. Participou da tomada de Havana em 1o de janeiro de 1959 e depois foi auxiliar na construção do sistema público educacional do governo revolucionário. Casou-se com Maria Teresa Barrios, uma grande dama da música cubana. Escreveu vários livros de contos e um romance ambientado na guerrilha da revolução cubana chamado “Lágrimas sobre Havana”. Morreu em 2005 de causas naturais.

* Na foto, especula-se que Juan Irigaray seja o de pé à esquerda, marcado com um “X”

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Escândalos

Lembram que Lula, depois de terminado seu mandato, foi acusado de fazer lobby para empreiteiras brasileiras na África? Sobre isso se disse que ele recebia “propina”, e que até as palestras de Lula na África eram falsas e não passavam de fachada para “corrupção”. No processo não apareceu nenhuma prova, nenhuma evidência, nenhuma materialidade. Nada.

Agora o vice-presidente em exercício vai até Angola defender uma EMPRESA PRIVADA milionária que comercializa serviços religiosos cujos dirigentes estão envolvidos em crimes que variam de lavagem de dinheiro até sequestro de crianças e esterilização forçada. Sobre isso, o que diz a imprensa corporativa?

Pergunto: qual a contrapartida que o vice-presidente está ganhando para este serviço prestado à empresa Universal? Como podemos admitir que esse lobby para uma iniciativa comercial particular seja pago com dinheiro público?

Quando Lula divulgava empresas brasileiras no exterior – como Obama, Merkel e qualquer mandatário – e exportava força de trabalho e tecnologia para fora de nossas fronteiras isso era considerado corrupção. Quando o vice-presidente defende no exterior uma Igreja que explora a fé de pessoas pobres achamos normal e não tratamos isso com o escândalo que merece.

Gostaria de saber porque a diferença de tratamento…

PS: em contrapartida, foi um prazer ver o presidente de Angola colocando o Mourão no seu devido lugar. Independência e autonomia se faz assim.

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