Justicia Adhatoda para Corona virus

O uso homeopático de Justicia Adhatoda não se contrapõe aos cuidados de ISOLAMENTO que estão sendo utilizados em todo o mundo.

Trata-se de um medicamento complementar para ser usado nos quadros gripais leves, sem falta de ar, sem febre alta e sem fadiga extrema – os quais devem ser encaminhados para o hospital. Informe-se com um homeopata de sua região.

Também conhecida como Vasaka, é uma planta de origem asiática cujo nome oficial é Justicia Adhatoda, mas também é comumente conhecidos como “noz Vasaka” ou “Malabar”. É um arbusto perene e altamente ramificado (1,0 a 2,5 mm de altura), com cheiro desagradável e sabor amargo. Possui ramos ascendentes opostos com flores brancas, rosa ou roxas. É uma planta medicinal altamente valiosa usada para tratar resfriado, tosse, asma e tuberculose (Sharma et al., 1992). Sua principal ação é expectorante e antiespasmódico (broncodilatador) (Karthikeyan et al., 2009).

Além disso, a importância da planta Vasaka no tratamento de distúrbios respiratórios pode ser entendida a partir do antigo ditado indiano: “Nenhum homem que sofre de tuberculose precisa de desespero enquanto a planta Justicia adhatoda existir” (Dymock et al., 1893).

Assim, o uso frequente de J. adhatoda resultou na sua inclusão no manual da OMS “O uso da medicina tradicional na atenção primária à saúde”, destinado aos profissionais de saúde do sudeste da Ásia (OMS, 1990). Os principais alcalóides da planta, vasicina e vasicinona, são biologicamente ativos e são a área em discussão de muitos compostos químicos e estudos farmacológicos.

Maiores informações aqui.

1 comentário

Arquivado em Medicina

Caridade

“Quero vê qual profissional da saúde que vai atender domiciliar nas favelas de suas cidades, de forma gratuita e sem infra estrutura! Mandem fotos.”

Por quê profissionais deveriam atender de graça em favelas??? Por acaso professores entram de graça em favelas para dar aula? Bombeiros apagam incêndios sem salário? Policiais garantem segurança sem pagamento? Por que tratar profissionais da saúde como vestais, infensos às necessidades humanas?

Vamos deixar bem claro: Não existe nenhuma contradição entre humanização do nascimento e qualquer recorte de classe e/ou raça. Humanização é direito humano reprodutivo e sexual para todos, e não apenas para uma parcela da população que pode pagar por estes serviços. Entretanto, também é dever do Estado, e cabe a NÓS cobrarmos que tais deveres sejam cumpridos e nossos direitos respeitados.

Médicos, parteiras ou doulas não são monges; são profissionais que devotam tempo e dinheiro nas suas formações. A falta de profissionais humanizados em áreas pobres e carentes NÃO É culpa dos raros profissionais que enfrentam suas corporações e a ignorância provinciana da nossa mídia financiada pela elite, mas do Estado frágil e dominado pelas corporações financeiras, que relega essa parcela majoritária da população carente à própria sorte.

Transferir a responsabilidade da atenção à saúde dos negros, pobres, favelados e destituídos para os profissionais não é justo ou honesto. “Saúde é um direito do povo e um dever do Estado”, como diz nossa carta, tão jovem e tão depauperada. Assim, é importante reconhecer que os bravos profissionais que enfrentam um sistema injusto e cruel deveriam ser aplaudidos, e não tratados com desdém ou desconfiança. A eles devemos o exemplo para a mudança necessária. Sua coragem e resiliência devem ser exaltadas e celebradas.

A entrada da saúde, educação, policiamento e saneamento nos bolsões de pobreza desse país jamais poderá depender de caridade, mas da ação conjunta e POLÍTICA da sociedade organizada, através da escolha de pessoas DESTAS COMUNIDADES – como Marielle!! – e destes estratos sociais para serem as dignas e legítimas representantes de suas reivindicações comuns.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Medicina

Catastrofismo

Uma das formas de preservar a saúde emocional nestes tempos de Corona é não dar ouvidos a prognósticos catastrofistas – mesmo que venham de profissionais confiáveis. Eles carecem de valor, assim como as análises que os economistas fazem dos rumos da economia. Tais manifestações não passam de especulações, sejam positivas ou negativas.

Não esqueçam que as visões negativistas do futuro frequentemente escondem interesses escusos, via de regra ligados ao capitalismo mais abjeto. “Se não investirmos na compra de …… morrerão 1 milhão de pessoas”. A experiência com o Tamiflu deveria nos servir de exemplo. O remédio foi comprado na epidemia do H1N1 e nunca se mostrou superior a uma prosaica aspirina. Todavia, muita gente enriqueceu com o pânico e a compra insensata dessa droga.

O que temos como verdade no momento é a ideia de ficar em casa. Preservar os idosos e os imunodeprimidos. O número de mortos – ou o tamanho do desastre financeiro que teremos adiante – são tiros no escuro. Não se deixe impressionar por isso, porque ninguém sabe exatamente a intensidade do problema que no Brasil.

Prepare-se para o pior e visualize o melhor.

Nesse momento de dados incertos e previsões conflitantes é importante evitar o catastrofismo inútil pois ele causa pânico e até imobilismo. Não esqueça: ser alarmista é diferente de ser realista. Enquanto isso, veja as pesquisas e as evidências que surgem, evitando ao máximo os reducionismos, as projeções matemáticas que ignoram outros elementos e as fantasias mórbidas que agora estão na moda.

Aos muito jovens não custa lembrar de algo que foi muito debatido no final dos anos 70: a “explosão demográfica”. Pelas contas catastrofistas da época o mundo em 2020 deveria ter uns 15 bilhões de pessoas, todas amontoadas e vivendo num mundo pós apocalíptico. Os recursos seriam escassos, as guerras constantes e a fome uma dura realidade. Nada disso aconteceu, e até o reverso se percebe em muitos países europeus. Por quê?

Ora… porque os nossos prognósticos nunca levam em consideração os OUTROS fenômenos sociais que vão ocorrer ao lado dessa tendência, mantendo congelados para o futuro os condicionantes de HOJE. Por isso é INÚTIL fazer previsões deste tipo, assim como foi ridículo e vexatório ver os economistas neoliberais prevendo dólar a 3 Reais se a Dilma viesse a cair. Barrigadas sem sentido, pois eles não sabiam (na verdade, ninguém sabia) o que ocorreria no seguimento do golpe contra a presidente.

Eu não sou contra precauções, pelo contrário, mas sou contra os mensageiros do apocalipse…

As ciências biológicas erram pra caramba todas as suas previsões. Não a tratem como ciências exatas!! Avançamos nos diagnósticos mas ainda somos fracos em prognósticos, exatamente porque o curso das doenças tem características subjetivas e únicas, impossíveis de prever com exatidão.

As epidemias, assim como os sujeitos, também tem inúmeros condicionantes (idade da população, clima, cultura, hábitos, alimentação, recursos, genética, época do ano, etc). Por esta razão, extrapolar a performance de uma pandemia de um país para outro, é quase impossível – ou no mínimo muito arriscado.

Por isso eu repito: NÃO devemos dar importância a previsões catastróficas!!! Elas não tem base na realidade, tanto quanto as pessoas que dizem que se trata de uma “gripezinha“. Só o que nos cabe no momento é tomar as ÚNICAS medidas que aparentemente funcionam bem: higiene e isolamento. Dizer que 1 milhão de pessoas morrerão no Brasil é um alarmismo que não ajuda ninguém – mesmo que ajude os gestores a se prepararem para os piores cenários – porque trata realidades diferentes como se fossem semelhantes ou iguais.

Essa gripe não tem cura exógena. Não tem remédio, nem vacina e nem droga alguma comprovadamente efetiva. Portanto, só nos resta manter o isolamento e aguardar a primeira onda do tsunami passar.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina

Distopia do parto

“Quando o absurdo se torna a regra nós perdemos a capacidade de perceber o quão distante estamos do normal. No Brasil se alguém relatasse que um hospital tem 70% de partos vaginais todos soltariam foguetes e comemorariam, mas isso significaria também que a taxa de cesarianas deste mesmo hospital estaria entre o DOBRO e o TRIPLO do valores recomendados pela OMS. Que fique claro: este lugar sequer existe.

A atenção ao parto inserida na medicina e no capitalismo produziu um monstrengo que, de tão deformado, impede que se perceba sua forma original. Uma construção social feita da matéria prima dos medos, controle social e submissão, envolta no tecido puído e desgastado do patriarcado decadente. Ou, seguindo a ideia de Baudrilhard, um mundo material que desapareceu deixando em seu lugar apenas um mapa, imagem deformada da verdade, que desenhamos de acordo com nossas conveniências egoísticas. O real desapareceu para fazer surgir uma distopia autocida.”

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Parto

Corona

Medical staff in protective suits treat coronavirus patients in an intensive care unit at the Cremona hospital in northern Italy, in this still image taken from a video, March 5, 2020.

Na minha perspectiva – e se estiver errado eu vou me retratar – sair de casa para dar uma volta sem andar de ônibus, metrô ou participar de qualquer aglomeração não produz nenhum problema em relação à pandemia. Ficar trancado sem ar livre e sem sol tem a potencialidade de piorar os resultados.

Sei que esta é uma estratégia de classe média, onde existem carro, praças, etc., mas não está errado pegar o carro com a família e caminhar ao ar livre para dar uma volta. O perigo está no CONTÁGIO, de pessoa para pessoa, ou nos objetos que outras pessoas manipulam. Digo isso porque existem alguns riscos associados ao confinamento. Um deles é a violência doméstica de toda natureza (entre os adultos e sobre as crianças). Ficar sob aprisionamento pode produzir a eclosão de processos psíquicos violentos pelo choque constante dentro de um espaço restrito.

Acrescente -se a isso o fato de que a “segunda onda do tsunami” – que é a questão econômica – vai bater à nossa porta assim que a questão médica ficar estabilizada. Isso vai acrescentar mais stress às famílias, e as consequências bem sabemos quais podem ser.Assim, sair de casa SEM ENTRAR EM CONTATO com outras pessoas pode ser uma atitude de auxílio à saúde mental. Se houver alguma evidência em contrário estarei pronto para rever essa ideia.

Não quero ser alarmista mas acho que estamos vivenciando apenas o primeiro vagalhão do Tsunami Corona, que é a própria doença e os óbitos dela decorrentes. Depois da estabilização dos casos haverá uma espécie de euforia (como se pode ver na China agora) seguida de uma consternação ao constatarmos o tamanho do estrago. Aí vem o segundo vagalhão da depressão econômica.

Como será possível reerguer o país sem um governo, sem liderança, sem planos? Como usar o Estado como motor da recuperação quando somos liderados por um bando de fanáticos, fundamentalistas de mercado, que desprezam a posição privilegiada do Estado como propulsor de desenvolvimento?

1 comentário

Arquivado em Medicina, Política

Semmelweis

O médico húngaro Ignaz Philipp Semmelweis foi o herói que enfrentou sua corporação para salvar as gestantes.

O chefe de Semmelweis na Clínica Obstétrica do Hospital Geral de Viena era o Dr. Klin, o qual Ignaz considerava “o mais idiota de todos os homens”. Foi ele quem o demitiu após receber em mãos os documentos que mostravam o sucesso de sua política de obrigar os médicos a lavarem as mãos numa bacia com ácido clórico colocada na porta de entrada da sua enfermaria. Em um mundo pré Pasteur, que ainda acreditava que as infecções eram determinadas pela direção do vento (entre outras hipóteses), esta ação parecia grosseira e ofensiva aos olhos de seus colegas..

Semmelweis foi duramente perseguido por suas pesquisas sobre o agente causador da febre puerperal e pelas suas conclusões de que os “miasmas” causadores da febre vinham das mãos dos próprios médicos, que levavam os eflúvios “da matéria morta para a matéria viva”. Essa “iluminação” surgiu após a morte de um querido colega patologista, Jacob Kolletschka, causada por um corte no dedo ao realizar uma necrópsia.

“A matéria morta transmite um elemento mórbido à matéria viva através das mãos”, observou Semmelweis. Essa visão da etiologia por trás da morte de mulheres no puerpério o levou a determinar condutas de antissepsia aos médicos da enfermaria que foram por eles consideradas “radicais” e desrespeitosas.

A conduta de obrigar seus colegas à lavagem das mãos em uma bacia com ácido clórico causou primeiramente escárnio e deboche, e posteriormente furor e indignação. Sua condição de húngaro trabalhando como médico no coração do decadente Império Austro-húngaro o colocava na delicada posição de “estrangeiro”, um incômodo invasor, assim visto pela elite vienense em face das aspirações independentistas de boa parte da população da Hungria. Ele não conseguiu viver para testemunhar o que finalmente veio a ocorrer algumas décadas depois, com a morte do Rei Ferdinand em Sarajevo e a eclosão da I Guerra Mundial, que finalmente fragmentou o império liderado pela Casa dos Habsburgo.

Por suas ideias inovadoras sobre a etiologia da febre puerperal e sua condição de “estranho no ninho” na Viena do final do século XIX, ele foi impiedosamente atacado, perseguido e por fim demitido, sendo obrigado a voltar para Budapeste, sua cidade natal, mesmo diante da comprovação da justeza de suas propostas, que levaram à queda vertiginosa da mortalidade materna na enfermaria dos médicos, igualando-se à mortalidade encontrada na enfermaria contígua, comandada pelas enfermeiras.

Associe-se a estas circunstâncias o gênio explosivo e irascível de Semmelweis e temos a imagem perfeita do gênio que virou mártir. Sua personalidade marcante e indômita acabou levando-o à loucura, ao confinamento em um sanatório e à morte prematura por infecção e sépsis, a mesma condição que havia levado ao óbito seu querido amigo Kolletschka e que o fez entender a causa infecciosa das febres mortais das puérperas.

Semmelweis ficará para sempre para a história da medicina como o exemplo de coragem, o senso de propósito, a fidelidade às ideias e o compromisso com seus pacientes, mesmo sabendo do preço violento a pagar pela sua determinação em mostrar a verdade.

Hoje em dia ninguém sabe quem foi o obscuro Dr. Klin, mas todos sabem do gênio húngaro que salvou milhões de gestantes pela sua teoria infecciosa da febre puerperal, finalmente entendida como doença iatrogênica de contágio.

Nesses tempos de Corona vírus é sempre bom lembrar que um dos maiores heróis da medicina ofereceu a própria vida em nome de suas ideias e lutou incansavelmente para proteger seus semelhantes.

Veja mais aqui

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina, Pensamentos

Antibiose

Desde a revolução pasteuriana do final do século XIX que somos fixados na “antibiose”, ou seja, na ideia de que bactérias, vírus, protozoários, fungos, chlamydias, etc. são nossos “inimigos mortais” e que, para assegurarmos nosso lugar no planeta, é necessário destruí-los, aniquilá-los, esterilizando tudo ao redor pois assim – limpos e desinfetados – estaremos mais seguros.

Durante anos este foi o “paradigm drift” que nos falava Thomas Kuhn. Uma ideia tão poderosa, e tão perfeita, que assumia merecidamente a posição de paradigma hegemônico, reinando por sobre as outras formas de encarar a realidade científica. Tão poderosa essa ideia que acabou impondo tentáculos por toda a sociedade, desde as concepções de saúde e doença, higiene, limpeza, segurança biológica e terapêutica, impulsionando a nascente indústria farmacêutica para a criação de antibióticos após a segunda guerra mundial.

Entretanto, como previa o mestre Kuhn, qualquer paradigma fatalmente encontra sua crise, e não seria diferente com a antibiose. Após um reinado de um século, desde as experimentações iniciais de Koch e Pasteur, a ideia dos “micróbios inimigos” começa a mostrar suas fragilidades. A ação – devastadora em muitos casos – sobre a flora bacteriana normal do corpo humano passou a ser investigada e pesquisada. O efeito imunossupressor dos antibióticos mostrou uma imagem um pouco diferente dos “salvadores” de outrora. O resistência bacteriana causada, em especial, pelo abuso de antibióticos e pela assepsia dos hospitais nos coloca diante de “super bugs” – bactérias resistentes a tudo, o terror das UTIs. A ação antibacteriana desses quimioterápico agora mostra seu preço, e o mundo inteiro fica em alerta.

Ao mesmo tempo, nos últimos anos, cresce a consciência de que a humanidade não deixa de ser uma parte da natureza e não a culminância dos esforços divinos pela perfeição, como arrogantemente nos comportamos. Darwin deixou claro que somos parte do todo biológico da Terra e temos o mesmo direito à vida quanto qualquer outra espécie – incluindo aí as minúsculas bactérias e vírus. Apenas um especifismo místico pode nos considerar “superiores” e mais merecedores de bênçãos do que o resto dos seres vivos com os quais convivemos.

Novas pesquisas ainda vão mais longe. Temos uma quantidade gigantesca de bactérias que coabitam nosso espaço corporal, de mesma massa que as próprias células do nosso corpo. Somos, em verdade, um “condomínio de vidas”, em que nosso lugar é de zeladoria, resguardando, nutrindo e sendo nutridos por estes micróbios que nos acompanham. No parto, como pode ser visto no documentário “Microbirth”, a boa qualidade das bactérias(!!!) a nos contaminar (enterobactérias maternas) imediatamente após o nascimento será fundamental para nossa vida e nossa saúde.

Segundo a visão da medicina darwinista, chegou a hora de encarar nossa relação com os outros seres de forma mais razoável e respeitosa. A era da “antibiose” encontra seu ocaso, enquanto surge o alvorecer da “probiose” que, ao contrário de se contrapor aos outros seres vivos da Terra – aqui incluídas tanto as baleias jubarte quanto as bactérias minúsculas do nosso sistema intestinal – propõe um respeito ao direito de que todos têm de conviver com harmonia em Gaia.

Evidentemente que não se trata de jogar os antibióticos no lixo e condenar infectados à morte, mas questionar até onde este modelo pode nos levar. Estamos diante de um “paradigm shift” pela evidente falência do modelo anterior de solucionar os problemas em grande escala.

A crise do Corona vírus talvez traga em seu bojo algumas lições muito importantes. O respeito à todas as formas de vida talvez seja uma delas, e a própria crise talvez seja um sintoma claro da reiterada agressão que nosso planeta vem sofrendo de todas as formas.

Sejamos conscientes da nossa responsabilidade nesse episódio global.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina

Corona vírus e Homeopatia

As prescrições homeopáticas que estão surgindo nas mídias sociais para uso no quadro gripal causado pelo corona virus são nitidamente genéricas – para sintomas virais comuns – e não devem ser usadas para “prevenção”. Regra básica da homeopatia: se estiver assintomático não use nada. Além disso, evite as drogas, mesmo as aparentemente inocentes. Algumas drogas, como os anti inflamatórios, são prejudiciais em casos de infecção por corona virus. Seja moderado e procure ajuda se sentir que as coisas estão fugindo do controle.

Sempre é justo e correto individualizar os casos de qualquer doença, em especial as agudas. Nossas doenças são construções subjetivas e demandam uma observação cuidadosa com a forma como são construídas. Entretanto, a exemplo do que já foi observado em outras epidemias (inclusive a “espanhola”), é importante caracterizar o “genus epidemicus”, ou seja, a forma como a epidemia se comporta na maioria dos casos. Para isso será necessário observar centenas (ou milhares) de casos para se perceber a maneira específica como esse patógeno interage com o organismo humano e quais as reações fisiopatológicas mais comuns nos doentes. Algumas observações boas já foram produzidas, e elas poderão ser muito úteis para a seleção do(s) remédio(s) homeopático(s) mais adequado(s).

Muito importante lembrar que o medicamento homeopático não trata doenças, mas produz reações orgânicas no sujeito doente no sentido da cura, oportunizando uma cura pelos processos fisiológicos (e não artificiais) de reação. Entretanto, nenhuma homeopatia – e nenhum outro medicamento!!! – substitui as medidas fundamentais para a erradicação das pandemias:

* Lavar as mãos
* Proteger-se e proteger os mais frágeis
* Isolamento
* Medidas gerais de cuidado e conforto (hidratação, descanso, sono, alimentação, etc)
* Se sintomático (tosse, febre, espirros, mal estar, fraqueza, etc.), não se aproximar de outros sujeitos, em especial velhos, crianças e imunodeprimidos.
* Não comparecer a reuniões, em especial aquelas que desejam o extermínio da democracia. Nesses lugares a contaminação é pior, pois o vírus se mistura com ódio e preconceito e tem seus efeitos potencializados.

Consulte o sistema público de saúde diante de qualquer sinal de agravamento, em especial dificuldade respiratória. Evite procurar serviços de saúde – em especial as emergências – se o quadro não for realmente preocupante. Deixe lugar para quem precisa!!

Acima de tudo seja compreensivo e fraterno. Pense nos outros. Seja um farol de positividade e esperança em um mundo cheio de medos e paranoias. Faça a diferença.

Em verdade Leonardo Boff já dizia que a nossa espécie se caracteriza pelo fato de valorizarmos de forma especial o ato de cuidar. Somos uma espécie em que o cuidado com o outro assumiu importância vital. É hora de mostrar que merecemos pertencer à coletividade humana, cuidando de todos à nossa volta.

Veja aqui as orientações sobre o uso de Justicia Adhatoda para a pandemia de Corona virus.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina

Jogados à direita

O grande número de homens brancos e cis que foram jogados para os braços da direita por serem tratados diariamente como inimigos, “machistas“, “esquerdomachos“, “mascus” e todo tipo de agressão (bastando para isso discordar do catecismo fechado das lideres) mostra porque a esquerda identitária se tornou um ambiente tóxico para os homens que gostariam de uma sociedade com justiça e equidade de gênero.

Por mais que a mídia transforme o homem contemporâneo como um predador – muitas vezes com justiça – alguns homens querem equidade de gênero e justiça social e desejam uma sociedade mais igual para todos. Ou deveríamos achar que só os negros queriam o fim da escravidão? Ou podemos presumir que apenas as mulheres querem o fim do patriarcado, um modelo social em que 90% dos assassinados são homens e 80% dos suicídios são também entre os eles?

Eu pergunto: Que tipo de homem não deseja mudar uma sociedade onde mulheres são vítimas de feminicídio cada duas horas, onde uma dessas vítimas pode ser a sua mãe, sua filha ou a sua irmã?

Que tipo de sexismo absurdo é esse que imagina que só mulheres querem uma sociedade mais equilibrada? As mulheres com quem convivo não lutam por uma sociedade boa para si mesmas; pelo que elas falam, essa luta só faz sentido se for bom para todos (ou todxs).

Claro que existe um problema sério de machismo e racismo na sociedade, mas quando o “branco“, o “cis” e o “homem” são vistos e tratados como inimigos – e não os machistas, os racistas e os homofóbicos – a decisão óbvia, natural e JUSTA que muitos deles tomam é procurar um lado na disputa de ideias que não os trate como inimigos e não os veja com desprezo.

Sério que alguém acha que essa sociedade é boa para os homens? Por que então se matam uns aos outros? Por que arrancam a própria vida às pencas? Por são os mais afetados pela depressão? Por que são os que mais se destroem pelo álcool, pela cocaína, pela maconha, pelo cigarro? Se é tão bom ser homem porque tantos querem acabar com a dor que sentem, e que está obviamente ligada à sua condição masculina?

Sério que alguém enxerga o mundo como um lugar de prazer desmedido para os homens e um martírio sem fim para as mulheres? Exercitemos a empatia, se é que queremos mais homens entendendo o sofrimento e as dificuldades de ser mulher.

Por isso mesmo que estes homens – que geralmente são bons pais e excelentes amigos, apesar de ainda reproduzirem algo da herança preconceituosa que receberam – desistem de somar nesta luta quando percebem que serão vistos como eternos adversários.

O presidente do Brasil e seus filhos foram eleitos por serem machistas e racistas (e não apesar disso), mas ninguém teve coragem (ou muito poucos) de perguntar quais os erros cometidos pelos movimentos identitários nesse processo. Por que tanta gente de centro foi jogada para a direita mais abjeta?

Palestinos perceberam muito cedo esse dilema ao não desprezarem o auxílio valioso de judeus que se somaram à sua luta por uma Palestina livre. Entre os meus amigos não se permite nenhum ataque aos judeus ou ao judaísmo, mas apenas ao sionismo e sua ideologia de colonização, limpeza étnica e supremacia racial. Por isso os autores judeus por uma Palestina livre são tão celebrados entre os árabes – para não serem jogados no colo dos supremacistas.

Existem, por certo, mulheres machistas, e eu arrisco dizer que são a maioria nesse país – mas não na minha bolha de classe média. Entretanto, não acho justo dizer que “as mulheres cis e brancas no Brasil são machistas“. Algumas realmente são, mas não quero jogar toda as mulheres com boas ideias no colo dos liberais.

Até porque, como estamos vendo, o nome disso é suicídio.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Moda personalizada

Curiosamente, no contrafluxo do paradigma individualista, eu não gostaria de um comprar um tênis que fosse único, diferente de todos os outros, com a minha “marca pessoal”, um elemento de distinção no vestuário. Não acho justo colocar tamanha responsabilidade em um item externo, algo que pode ser comprado por alguns dinheiros e que apresenta muitas vezes uma falsa originalidade, pois que os pensamentos que habitam essa roupa “diferente” nada diferem do senso comum, tantas vezes escondendo ideias e posturas conservadoras e preconceituosas.

Pelo contrario; eu gostaria de usar uma roupa – incluindo um tênis – que me deixasse igual a todo mundo, que me fizesse desaparecer visualmente na multidão, que me tornasse igual à massa ao redor, assim oferecendo a oportunidade para que a minha fala e meu discurso fossem os elementos a expressar meu caráter único e distinto. Quando delegamos aos elementos exteriores a função de expor características subjetivas é porque admitimos que o interior se sente frágil ou incapaz para essa tarefa.

Menos roupas únicas e mais ideias originais e corajosas.”

Antoine Marcel-Dupré, “La pensée à la fin de la ligne. Haute couture, idées basses.” (Pensando no fim da linha: Alta costura, baixas ideias) Ed. Parnasse, pág. 135

Antoine Marcel-Dupré é um sociólogo francês escritor de várias obras de cunho didático na área da sociologia. Trabalhou na Ecole Parisienne d´Estudes de Sociologie durante 30 anos, e se aposentou um ano antes de morrer em 2017.

Deixe um comentário

Arquivado em Citações