Pedradas virtuais

“Previsível. A falta do olhar endurece os ouvidos. Sem a presença do outro nossa fala perde o matiz; tudo fica preto ou branco. Por isso muitas pessoas usam a fala “já conheci ele pessoalmente e…”, porque esse contato humaniza o debate. Para as mulheres esse fato é mais dolorosamente verdadeiro. As mulheres têm um sistema de comunicação muito mais sofisticado em função dos milhares de anos traduzindo maneirismos e expressões sutis de bebês para entender suas necessidades. E isso, que sempre foi uma virtude, se torna um fardo num mundo de simplificações.

Pois exatamente porque a comunicação feminina é tão mais complexa e alimentada por sinais não verbais a internet se torna um tormento. Aqui “tome posse do roteiro de sua vida!!!”, ao não vir acompanhado de um abraço, um sorriso, uma lágrima doce ou uma expressão de acolhimento pode se transformar em dureza e grosseria. Para quem sempre viveu por milênios rodeada de informações sutis e subliminares sobre os seus afetos a escrita da internet é de uma pobreza assustadora.

No final sobram discursos carregados de ressentimento com direcionamento errado. Uma palavra mal colocada na tela fria acaba acertando nossa fragilidade e, num gesto impensado e inexorável, tornamos inimigo quem de nós meramente discorda e jogamos nossas dores e frustrações para alguém que sequer nos desejava mal. Usamos sujeitos ocultos do espaço cibernético como fantoches, amortecedores de nossas dores e receptores de nossa angústia.

Fogo, fumaça, carvão e terra arrasada. Depois a tentativa de reconstruir lembrando que, num tempo não muito distante, estávamos todos unidos na mesma dor e nos mesmos sonhos.”

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Escândalos

Talvez a exagerada exposição pública dos abusadores seja uma etapa necessária (ou inevitável?) para a reparação da violência contra a mulher. Para que se produza um novo patamar nas relações de gênero parece que o escândalo não pode faltar. Talvez a pletora de condenações públicas produza a mesma reação de um abscesso que, depois de causar muita dor, finalmente se rompe. Se de uma forma produz aversão, por outra nos traz alívio, pois sabemos que sua exposição é a única forma de curar o processo infeccioso.

Jaizkibel Oier Echepare, “El Correo”, Bilbao

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Diante da morte o homem de fé já sabe o que lhe espera. Sejam bons ou maus os augúrios sua vida é contemplada por sentido. Já o ateu – ou melhor, o descrente – diante do “nada” se acomete por uma angústia mais dolorida, que não se estabelece sobre o que virá (para ele o vazio), mas para encontrar significado no que já aconteceu, o que fez, pelo que passou e para o quê viveu.

Eric Donnelly, “An bradán suas an tsrutha” (O Salmão Rio Acima), Ed Landscape, pág 135

Eric Donnelly é um escritor irlandês nascido em Arklow, às margens do Mar da Irlanda, em 1900. Começou a escrever aos 12 anos de idade incentivado por sua tia Meggy e principalmente pelo lançamento em 1922 da grande obra de seu conterrâneo James Joyce – Ulisses. Também influenciado por Ezra Pound dedica-se à poesia ao mesmo tempo em que inicia a escrita de “Caderno Branco”, seu romance de estreia. Escrito em primeira pessoa, este livro aborda os conflitos de uma adolescente surda vivendo uma vida pacata no interior da Irlanda, até a chegada de uma companhia circense. A paixão da adolescente por um dos malabaristas desencadeia um torvelhinho de emoções conflituosas, tanto na perspectiva da moral católica do inicio do século XX quanto do universo psíquico de Marie, envolvida no silêncio estrondoso de sua paixão. Em “O Salmão Rio Acima”, seu quinto romance, ele trata da história de Ernest, um barqueiro irlandês que, pressentindo a morte, decide fazer sua derradeira incursão pelo mar, acompanhado por seu neto Angus. Esse filme foi vertido para o cinema com o nome “Ernest e Angus”, e lançado em 1980, com Sean O’Leary no papel de Ernest e Eamon McMillan como Angus. Eric Donnely morreu de câncer pancreático em 1988, em Dublin – Irlanda.

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Política

Em verdade tudo é política. Nada há em nossas vidas que fuja da relação do sujeito com o outro, e esse choque ocorre na polis, na egrégia, no atrito dos comuns. Falar de política é falar da vida no seu aspecto mais humano; fugir dela é negar o que nos diferencia como grupo.

Cleônides de Andríaca, “ποιητική του πολέμου” (Poética da Guerra, sec. IV AC), Ed. Belas Artes, pág. 135

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Mata!!!

Se eu fosse exposto à sanha justiceira de uma massa ensandecida, você me defenderia? Pense bem: ajudaria a colocar uns gravetos em solidariedade às mulheres e às crianças ou pensaria nas outras hipóteses (exagero, ilusão, mentira, fantasia)? Vou mais longe: se fosse um filho, marido, namorado, amigo, seu pai você teria o mesmo sangue frio e decretaria que “criança não mente” ou “não se duvida da vítima“? Ou diria “ah, mas esse caso é diferente“?

Eu não li nada sobre o caso de abuso da menina no avião além da manchete que é jogada na nossa cara pelas redes sociais. Em verdade eu me nego a ler sobre isso porque me dói pelas duas possibilidades: se for verdade e se não for. Se for um caso verdadeiro de abuso a descrição do que ocorreu me faz identificar com a indignação da família e com a sensação de impotência diante da violência cometida. Porém, se não for verdade, penso na dor terrível de sofrer uma acusação dessa gravidade sem ter cometido crime algum. Posso sentir ambas as dores e por esta razão me protejo ao não querer saber nenhum detalhe. Se alguém tiver curiosidade em entender como me sinto diante desses relatos assista “The Hunt”, um filme brilhante e sensível sobre uma acusação de pedofilia. Qualquer um que já tenha sido vítima de uma injustiça e sofreu julgamentos pelo “senso comum” poderá entender a minha angústia.

Já participei de perto de uma situação que ocorreu com um amigo de parentes meus. Uma menina acusou na policia o ex-namorado de abuso em uma situação aparentemente normal. O caso teve seguimento na justiça, não houve nenhuma prova substancial que sustentasse a acusação e nenhuma evidência de que o rapaz que tivesse agido com violência. Por isso foi absolvido. Essa foi a decisão do processo, mas nunca fiquei sabendo dos detalhes pelas razões que expus acima. Se houve ou não algum abuso é algo que ficará sepultado na memória dos dois envolvidos.

Entretanto, pude ver como as mulheres próximas apoiaram o rapaz diante da acusação. A irmã, a mãe, as amigas e outras mulheres próximas ofereceram a ele o apoio fundamental para suportar os ataques. Desta forma percebi que a adoção de uma postura de defesa irrestrita à narrativa feminina não é automática ou natural; outros afetos entram em pauta.

Quando vejo linchamentos assim (ou desejos de justiciamento) sou sempre tomado de uma espécie de pânico, talvez por coisas bem pessoais e subjetivas. Consigo entender o mal que um abuso pode causar à uma criança, uma mulher e sua família, mas já vi tantas injustiças sendo cometidas pelo “fenômeno de boiada” que sempre temo que esse possa ser mais um sujeito destruído pela ânsia de linchamentos causados por uma raiva esparsa que se concentra em um sujeito, como ocorre com o menino que rouba seu celular e é espancado à morte por uma multidão que encontra nessa catarse de ódio uma espécie de alívio para suas tragédias pessoais.

Diante de uma acusação dessa gravidade  como o abuso sexual, eu jamais correria a dizer que o sujeito é culpado sem ter plena certeza disso. A possibilidade de atingir um inocente me paralisa. A ideia de sacrificar alguém que nada fez apenas por sentimentos de raiva e indignação me causam profundo horror. A sensação é semelhante àquela de quando algo desapareceu da sua casa e todas as suspeitas recaem sobre a faxineira negra e pobre. A possibilidade, mesmo minúscula, de não ser ela a culpada pelo desaparecimento me impede de tomar qualquer atitude acusatória, pois para mim é simples e fácil me identificar com a dor de ser acusado desta forma, ainda mais por gente poderosa contra a qual não se tem chance alguma.

Tentem enxergar essa história pelo outro lado. Procurem imaginar-se na outra ponta do dedo em riste. Mais uma vez: nada sei do que houve nesse e em outros relatos. Não sei qual a narrativa da mãe ou quais as provas que ela possui. Este é apenas um desabafo diante do monstro de indignação que se forma, cujos olhos ficam muitas vezes embaciados pelo calor de uma raiva justa, mas que não raro acusa e destrói inocentes.

Posso, todavia, afirmar que se a acusação fosse contra um amigo dileto eu correria para lhe defender, mesmo correndo o risco de “quebrar a cara”. Prefiro mil vezes errar por proteger meus amigos de uma possível injustiça do que ser fiel a conceitos abstratos e, assim, acabar por permitir – por ação ou omissão – que um afeto seja levado à fogueira.

Alguns argumentos deste debate me deixam com muito medo. Tipo “a mulher nunca é escutada“, ou “o depoimento dela não vale nada“. Ora, isso é verdadeiro na maioria das situações, mas ninguém pode ser julgado por ser homem ou por vivermos em um mundo machista. Precisa haver provas concretas de que um crime foi cometido, caso contrário haverá um caos jurídico onde qualquer acusação é tomada como verdadeira apenas por ter sido feita por um sujeito que pertence a um grupo oprimido. Lembrem que há poucos séculos as bruxas eram julgadas assim. Diante de um mal social qualquer os dedos eram apontados para elas, de forma imediata. Talvez tenha sido a partir daí que eu desenvolvi minha aflição.

Eu reconheço o sentimento de pessoas que acham que a solidariedade a uma causa (as mulheres, as crianças, o fim da impunidade, etc.) se sobrepõe à dor de alguém que pode estar sendo injustiçado. Eu entendo está atitude, mas só de pensar sinto calafrios.

Podemos então aceitar como verdade que qualquer ação peremptória de acusação é errada, seja ela dirigida ao suposto autor ou quando dirigida à queixosa. Mas eu defenderei a inocência de qualquer um até prova em contrário e trânsito julgado. E não sou eu que defendo esta posição; a própria evolução civilizatória escreveu este preceito de presunção de inocência nas constituições.

Como eu disse, defendo qualquer pessoa que está sendo acusada e se julga inocente, exatamente porque ela É inocente…. até se provar o oposto. Defender um homem só porque ele é homem é tão errado quanto defender uma mulher por ser mulher, ou uma criança por ser assim. Isso é preconceito. Eu não me identifico com os homens e não faço para eles defesas peremptória, mas me identifico com o sujeito – homem ou mulher – que vê a horda sequiosa de sangue se aproximar com a lenha e a gasolina sem que sua voz possa ser escutada.

Exemplo: um negro rouba um celular e tem várias testemunhas. Ele se diz inocente. O juiz o absolve porque nessa sociedade “ninguém escuta os negros”. Sério???? Seria lícito a um juiz falsear a realidade para contrabalançar a injustiça social histórica contra os negros????

Existe um preconceito histórico contra as mulheres e uma desconsideração da fala das crianças. Entretanto, não se conserta estes erros milenares criando outras injustiças ou oferecendo às mulheres uma voz que não possa ser contestada. Está errado. Não são a polícia e o juiz que vão consertar os preconceitos deixando de agir dentro da lei. O fato de crianças e mulheres serem desconsideradas nesta sociedade é um problema cultural que precisa ser resolvido…. pela cultura, e não pela justiça!!!

Quero apenas que as pessoas que o julgarem o façam sem preconceitos contra ou a favor, e que a verdade prevaleça. Espero que essa menina esteja bem e ouso esperar que o próprio acusado também fique bem. Se for inocente que consiga suportar os ódios que recebe; se for culpado que possa suportar o castigo merecido e que isso sirva de lição para o que resta de sua vida.

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Biopoder e controle

Houve recentemente um questionamento sobre usar o pré-natal para avaliar a saúde dos companheiros, usando sua presença nas consultas como uma “janela de oportunidade” para avaliar doenças, fazer exames de rastreio e tratar transtornos que porventura tenham. Minha posição diante desta proposta foi, como de costume, contra-hegemônica.

Eu acho o contato com médicos extremamente perigoso à saúde. Eu sempre disse isso e sempre aconselhei as pessoas s evitarem check-ups, exames de rotina, avaliações com especialistas e tratamentos químicos para sintomas simples. Jogar os homens no redemoinho do intervencionismo médico é um risco muito grande. Deixem os homens em paz.

Os homens, por força do patriarcado, nunca foram as vítimas mais fáceis para o biopoder médico. Já com as mulheres esta expropriação foi sempre mais facilitada. A violência e os abusos que testemunhamos contra as mulheres no momento de parir nunca acontecem com os homens no seu percurso pela medicina, pelo menos nessa intensidade. Mas engana-se que isso seja negligência ou pânico.

Experimente meter o dedo nos orifícios de um homem sem uma enorme explicação de riscos e benefícios. Experimente “mandar” um homem parar com qualquer um dos seus vícios. Experimente abrir a barriga de um homem sem uma justificativa clara e cristalina. É pura tolice pensar que esta reserva quanto à invasão de seus corpos pode se explicar usando o clichê de que os “homens são medrosos”. Ora, quem enfrenta guerras, frio, risco de morte, tormentas e violência não tem medo de ter o corpo aberto à facão. O que os homens têm é respeito à sua integridade corporal.

Por outro lado, o corpo da mulher é um objeto social, o qual manipulamos de acordo com os nossos interesses. Nesse corpo existem deveres; já no corpo do homem é possível enxergar a autonomia e os direitos que naquele outro não percebemos. São corpos socialmente distintos, muito além da anatomia.

Se o pré-natal pode ser uma janela de oportunidade para os homens que ela seja aberta para que falem, que digam dos seus medos e expectativas. Peça aos homens que abram sua voz, não seus corpos. Não vamos melhorar a saúde dos homens convertendo-os à mesma religião de medo e controle na qual as mulheres foram batizadas desde a mais tenra idade.

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Big Brother de Comida

Sobre os “Reality Shows de Culinária”…

Escrevi sobre o tema há alguns meses dizendo que o programa tinha como pano de fundo cozinha e comidas, mas teria igual formato e quase a mesma audiência se fosse uma oficina de conserto de bicicletas. Nunca assisti o programa, exatamente porque não aceitaria ser enganado por um esquema tão óbvio.

Na época chamei de “Big Brother de Comida” e fui criticado. Não concordei com a crítica e mantive minha opinião. Em uma das edições a discussão ficou centrada no machismo dos concorrentes contra uma menina (que disse não ser feminista, mesmo tendo sido colocada nas alturas por estas).

Este episódio me comprovou que os concorrentes eram escolhidos por qualidades alheias às suas habilidades de fazer boa comida ou ao paladar aguçado, mas pela capacidade de gerar identificações com estereótipos (a tímida, o palhaço, o sóbrio, o pobre batalhador, o arrogante, a gordinha simpática, a bonita, etc) e a chance de gerar tretas e brigas sobre temas alheio à culinária. Essa interpretação dos programas de culinária me representa, mas sei que muitos vão continuar discordando de mim. Abaixo um fragmento do texto de Marcos Nogueira (na coluna Cozinha Bruta) publicado na Folha de São Paulo sobre estes reality shows gastronômicos:

“Quem liga a TV em um reality culinário não quer aprender a cozinhar. Tanto faz se queimou o “beef Wellington” do gordo simpático, ou se a menina que chora esqueceu o açúcar do merengue. O espectador está faminto pelo cardápio de maldades oferecido nos bastidores. As intrigas, as panelinhas, os conchavos.”

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Espetáculos

“A ninguém interessa saber que máquina é essa que produziu Rogério 157. Policiais exibicionistas e uma grande imprensa miserável fazem um carnaval estúpido associado a uma publicidade tosca da prisão do meliante. Tola ilusão de controle. A essa hora o comando das drogas já conduziu o sucessor de Rogério nos seus negócios e o sistema mal se abalou com essa substituição. Se há procura a oferta se organiza naturalmente. Continuamos a tirar o sofá da sala.

Tudo o que a mentalidade primitiva dos punitivistas faz é criar a ilusão de que o mal reside nos sujeitos “degenerados” e não na iniquidade e na injustiça social que o produz. A mesma tolice se faz imaginando que o terrorismo é fruto de mentes doentias e fanatizadas, negando-se a olhar o entorno de abuso, genocídio, ocupação e exploração que fizeram da violência a granel a única forma possível de resistência. Ações espetaculosas como esta apenas mantém intocado um modelo equivocado de encarar nossas mais profundas feridas.

O combate ao crime continua apresentando negros e pobres como a gênese do Mal, talvez porque um empresário ou um banqueiro branco engravatado não ficasse bem na foto.”

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Festa fora de casa

Analisem com isenção estes dados: o Inter tem 10 grandes títulos em nível nacional e internacional, enquanto o Grêmio, por esse critério, tem 15. Não há como contestar esses números. Falo de campeonatos importantes e reconhecidos, e não de copas Surugas, Juan Gamper, torneio de Futsal, sub-15 etc. Caso queiram juntar tudo isso o Grêmio tem 33 conquistas e o Inter 19 (vejam no site dos clubes). Analisei apenas as grandes conquistas e ainda coloquei a sul-americana neste balaio, mesmo sendo contestado o seu valor porque é necessário ir muito mal no campeonato do seu país para poder disputar esta competição. Além disso o Inter venceu jogando contra clubes com times reservas e, na época, sem garantia de acesso à Libertadores. Analisando os títulos importantes, o quadro comparativo ficaria assim;

Inter:

3 Nacionais série A,

1 Copa do Brasil

2 Libertadores

1 Sul-americana (série B da América) e

1 Mundial

2 Recopas

Total 10 títulos

Um fato chamativo é que o Inter jamais conquistou nenhum desses títulos importantes na casa do adversário. Os campeonatos nacionais e as duas Libertadores foram conquistadas em sua casa. Agora compare com as conquistas do seu rival:

Grêmio:

2 Nacionais série A

1 Nacional série B

1 Copa Sul

5 Copas do Brasil

3 Libertadores

1 Mundial

2 Recopas

Total 15 títulos

Houve duas Libertadores do Grêmio vencidas fora (Buenos Aires e Medelín), um campeonato brasileiro vencendo o São Paulo no Morumbi lotado, e duas Copas do Brasil vencidas na casa dos adversários, exatamente contra Corinthians e Flamengo, as maiores torcidas do Brasil e os clubes queridinhos da Rede Globo. (O Grêmio é um dos poucos clubes que calou São Paulo, Corinthians e Flamengo em seus domínios em final de campeonato nacional). Além disso a Batalha dos Aflitos foi em Recife contra o Náutico e a final da Copa Sul foi em Curitiba, contra o Paraná Clube.

Assim sendo, dos 15 grandes títulos conquistados pelo tricolor gaúcho fizemos festa na casa do adversário em 7, quase a metade!! Isso porque resolvemos não acrescentar os Mundiais de Clubes (em campo neutro), que não ocorrem no estádio do adversário, mesmo sendo longe de casa. E vamos combinar que festejar e ver o adversário pagar a conta da festa é muito mais divertido.

O nome disso é CAMISETA, o a história e a tradição que se impõe sobre os adversários.

Quer comparar?

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Consumismo Médico

Depois que a indústria consegue criar em você a necessidade de consumir um produto, qualquer argumento contrário ao seu uso disseminado parece contraintuitivo, herético ou anacrônico. Exames para saber o sexo do bebê seguem esse roteiro.

Experimente dizer que não há necessidade de saber o gênero do bebê ante dele nascer e receberá desde olhares desconfiados até xingamentos explícitos e desaforados. Além das ultrassonografias “recreativas”, o mesmo aconteceu com as episiotomias, com a monitorização eletrônica fetal, com a própria hospitalização do parto e tantas outras “rotinas”.

Desconstruir estes desvios em direção a uma atitude mais racional é obra de uma geração inteira.

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