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Socialista de IPhone

Vamos parar de repetir clichês da guerra fria?

iPhone é um produto feito por socialistas proletários chineses. Uma máxima marxista famosa é “Se o proletariado tudo produz a ele tudo pertence”. Portanto, “socialista de iPhone” é EXATAMENTE o que uma revolução proletária propõe.

Por outro lado, o que os capitalistas pretendem é que o iPhone seja exclusivo dos ricos, de quem explora a força de trabalho alheia, sendo assim inacessível para quem efetivamente o produz. Poucas coisas são mais perversas no capitalismo do que impedir o trabalhador de usufruir os benefícios do seu próprio trabalho.

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Ninguém deseja Cuba

Ahh, mas eu nunca vejo gente que quer se mudar para Cuba ou Venezuela. Estes esquerdistas todos vão para a França, Japão ou Estados Unidos. Por que isso? Afinal, Cuba socialista não é o paraíso na terra? Meus amigos todos viajam pelo mundo inteiro, alguns até decidem viver no Brasil, mas porque ninguém quer viver em Cuba?

Que legal…. Mas o que essa declaração tem a ver com Cuba e a democratização das riquezas produzidas em um país? Fica a pergunta: o que para você significa a liberdade e qual o preço de oferecer a uma classe um valor que nega à outra?

Você pelo menos se deu conta que seus amigos são pequenos burgueses, classe média, e que esta sociedade lhes dá o direito de viajarem para onde querem? Por outro lado, você percebeu que você não tem amigos entre os entregadores de pizza, marceneiros, pedreiros, motoristas de ônibus, lixeiros? Percebeu que sua noção de “liberdade” – o direito de viajar para qualquer país do mundo – está conectada a essa estreita faixa de amigos de classe média ou mais abastados? Você é capaz de vislumbrar a gigantesca multidão de pessoas que se obrigam a trabalhar sem o direito de usufruir uma vida de “liberdade” e viagens como você e seus amigos?

Agora pense em Cuba, uma ilha linda e cheia de encantos, cuja principal fonte de renda é o turismo, o que explica as dificuldades econômicas terríveis pela qual passa em função da pandemia. Apesar de ser um país muito pobre (se fosse no Brasil teria um PIB como o Piauí) é riquíssimo em música, dança, cultura, medicina e tem saúde públicas invejável. A China (curioso não falarem mais tanto da China) tem tudo isso e hoje já é um país riquíssimo. Só para lembrar, em Fortaleza existem edifícios na beira da praia onde só moram imigrantes chineses.

Pergunto de novo: quantos dos seus amigos da classe média brasileira escolheriam a Burquina Faso capitalista para morar? Quantos escolheriam Moçambique? Quantos optariam por morar na Colômbia? Por que então escolheriam Cuba? Seus amigos pequeno burgueses escolhem países mais ricos, onde o capitalismo explora os pobres e oferece aos burgueses uma vida mais fácil. Se eles fossem à Cuba teriam que trabalhar como todos os cubanos e não seriam considerados de “outra classe”, como você tanto admira.

Resumindo: como é bom ter a liberdade de escolher onde viver sabendo que qualquer lugar vai recebê-lo como pertencente à classe superior. E além disso, como é mais simples analisar o mundo como se ele fosse composto apenas desses 10% de classe média que o compõe.

O comunismo, por seu lado, olha para todos sem exceção, e procura enxerga neles a igualdade que o capitalismo lhes sonega. Essa é a diferença das nossas perspectivas. Para você o mundo será bom se os seus amigos puderem fazer escolhas livres e boas. Para mim – e para todos os comunistas – ele será adequado e justo apenas quando nenhuma criança mais passar fome ou dormir ao relento.]

Para os admiradores dos Estados Unidos – e críticos de um comunismo que só existe em suas cabeças – entendam que este país se tornou um Império brutal e assassino, e todo o “American Way of Life” que exibem na TV é construído pela morte, destruição e expropriação de recursos de outros países. Para que exista a opulência americana é preciso que uma centena de países trabalhem incansavelmente para garantir a eles esta prosperidade.

Seus amigos que viajam pelo mundo só tem dinheiro para estas aventuras porque essa sociedade é construída sobre valores que os beneficiam. Muita gente tem que morrer e se sacrificar para que essa “liberdade” seja usufruída.

O capitalismo é construído dessa forma. Pessoas “livres” caminhando sobre cadáveres.

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Fuga para o Paraíso

Acha mesmo que as pessoas fogem do “comunismo”? Explique porque o tetra campeão Olímpico de luta Greco-romana por Cuba não o fez. Você acredita mesmo que apenas o luxo e os valores materiais movem os desígnios da humanidade? Não acredita que a solidariedade possa ser um valor a moldar nossa ação em sociedade?

Explique porque as pessoas fogem do capitalismo brasileiro para ir aos Estados Unidos. Se o capitalismo já havia aqui, qual a razão da troca? Explique porque durante décadas as pessoas saíam do Brasil capitalista em direção à…. Europa capitalista, mas no século XIX o fluxo era o inverso. Explique porque pessoas fogem do Haiti “capitalista de livre mercado” para os Estados Unidos. Explique porque na União Soviética comunista havia milhares de imigrantes turcos e asiáticos, vindo de países capitalistas.

As pessoas não fogem do comunismo, fogem da pobreza e procuram melhores condições, e para isso vão para a sede do Império. Para muitos bolsonaristas os Estados Unidos são bons e Cuba é ruim, mas você certamente não assistiu “Breaking Bad”, uma série que só poderia ser feita tendo como pano de fundo o descalabro do sistema médico americano. Também não assistiu “Sicko”.

É justo viver na opulência sabendo que sua vida saborosa e doce precisa do amargor e do sofrimento de milhões que a sustentam? Muitos curtem os Estados Unidos porque não estão em Skid Row, em Los Angeles, dormindo na rua e mijando em canteiros. São estes mesmo que não se importam em viver numa sociedade desnivelada onde gente miserável morre sem atendimento médico – como nos Estados Unidos – para que uma burguesia hedonista possa se entupir de Iphones, carros novos e passeios de astronauta às custas da exploração do resto do mundo.

Lembre: para manter a dominação e o controle do trabalho de suas colônias o Império precisa que pessoas comuns acreditem que o capitalismo é bom e justo e que a fome, a opressão e a miséria que ele inexoravelmente produz são causados pela “preguiça” ou falta de “empenho” – nada mais do que mentiras criadas para manter a hipnose da subserviência.

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Onde você está?

O isolamento me impede de visitar o meu pai. Com 90 anos, lúcido, sobrevivente de um AVC (que não deixou sequelas físicas) e confinado em casa, recebe apenas a visita da minha irmã. Desde que enviuvou há algumas semanas não saiu mais de casa. Nossas conversas são agora por telefone e, quase sempre, acabam na política. Eu “comuna”, ele um “coxinha”. Por vezes a conversa fica áspera, mas eu entendo o porquê. Ele deve pensar: “Daqui a pouco vou morrer e vou deixar esse comunista desamparado”.

Ontem foi a mesma coisa. Risadas, histórias, críticas e a espiral concêntricas sobre crise-capitalismo-Lula-comunismo. Ele se irrita com o meu idealismo, que lhe parece estéril. Eu me incomodo com sua cabeça dura para aceitar as mudanças necessárias – e inevitáveis. Por outro lado, esse confronto de ideias sempre foi uma marca da família; somos uma família de conversadores e debatedores. Ninguém fica bravo com os exageros retóricos alheios. Como ele sempre diz, “os debates se concentram apenas no terreno das ideias”.

Ontem, depois de quase duas horas de conversa animada a ligação caiu…

– Alô? Pai, está aí?
Silêncio…

Resolvo ligar de novo. Ele atende.

– Puxa, tua irmã ligou e caiu nossa ligação. Ela está chegando aqui com as compras.
– Não tem problema pai, eu tenho mesmo que almoçar, disse. Até outra hora. Assim que passar tudo eu e o Lucas vamos te visitar.

Ele ficou uns segundos em silêncio e perguntou:
– Onde tu estás?
– Ora, na Comuna. Não saio daqui há quase um mês. Estamos completamente confinados.
– Na comuna? Não pode…
– Por quê?
– Tu foi no banheiro? Está ligando daí? Há 5 minutos atrás estavas aqui comigo, conversando na sala!!

Não consegui conter a risada…
– Pai, a gente estava conversando o tempo todo pelo telefone!!
– Sério? (escuto ele levantar para ver se tem alguém no banheiro). Bahhh, a conversa estava tão animada que achei que estavas aqui comigo. Diz isso e cai na gargalhada. Eu também…

Acho que envelhecer bem é conseguir rir até das suas próprias limitações….

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