“Uma generalização negativa e demeritória sobre grupos, etnias, gêneros, religiões etc. com a qual não concordo. Caso concorde, então é apenas a verdade dura que precisa ser dita”.
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Esperança
“Não esmoreça. Passe pela vida e deixe seu testemunho. A vida é curta demais para covardias e vaidades. Faça esse tempo curto de convívio conosco valer a pena. Deixe seu tijolo para a construção de um mundo melhor e permita que sua consciência e sua ética guiem seus passos em meio à artilharia pesada das forças do atraso. Siga em frente de peito aberto. Não se iluda: muitos acompanham teus passos em silêncio e seguem teu exemplo.”
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Latitudes e semelhanças
Uma das coisas que sempre me impressionou ao visitar lugares muito distante e culturas bastante afastadas da minha é a curiosa proximidade que sinto ao constatar o cotidiano de suas vidas. Por mais que aspectos culturais pareçam ser relevantes ainda sinto como válido um comentário do meu velho pai: “Se um viajante de um universo longínquo chegasse à terra lhe assombrariam muito mais as nossas gritantes semelhanças do que nossas minúsculas diferenças”.
Quando vejo línguas tão distintas quanto enigmáticas sendo faladas, como tcheco, búlgaro ou mandarín, me encanto com as tentativas de decifrá-las pelas entonações, ênfases, silêncios e paradas. Percebo que todas elas não me são estranhas; o riso, o espanto, a alegria, a preocupação, a timidez, a paixão e a raiva me são todos familiares. Isso deixa claro que somos de verdade uma grande família cujos muitos filhos se separaram há pouco tempo, e nossas tímidas diferenças surgiram nos poucos minutos em que nos distanciamos do olhar da terra mãe que nos abriga.
Nosso idioma não falado mais ancestral – com o qual convivemos 75% da nossa historia – continua comum a todos nós. Por esta razão, por sermos tão semelhantes, parece muito tolo que ainda exista racismo. Se há uma coisa que o convívio com as aparências díspares pode oferecer é a capacidade de reconhecer-se no outro, mesmo quando a cor da pele e a sonoridade da língua parecem tão diferentes.
No meio dos diferentes nunca me senti tão igual.
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Sexismo
E mais fácil estereotipar e ter preconceito com homem, né? Não dá nada, afinal eles são os opressores, certo?
Podemos rotular e pré julgar sem correr o risco de sermos chamados(as) de sexistas. Barbada. É só dizer que homem não pode ser doula ou não pode cuidar de criança e tudo bem; ninguém faz um escândalo por isso. Mas experimenta dizer que mulher não pode ser cientista nuclear, tomar conta de uma empresa, de um avião, de uma cirurgia delicada, que isso não é algo “feminino” pra ver o mundo cair na sua cabeça.
O teste preciso para o preconceito é quando combatemos um que nos beneficia.
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Futebol
O futebol carrega em seu âmago uma brutal e incontornável contradição. Se futebol fosse encarado como as mulheres gostariam (ok, um exagero que serve apenas para este debate) ele seria arte pura. O problema é ninguém vai ao estádio para ver arte; vai para ver guerra. Queremos gladiadores carregando nossa bandeira. “Meio a zero de mão já me serve“, diz o apaixonado tresloucado torcedor enrolado na bandeira. Esse futebol em que todo mundo é civilizado prenunciaria a morte do futebol como nós o conhecemos.
Todo dirigente sabe que o torcedor precisa ser domado, controlado, cerceado em sua volúpia clubística …. mas não tanto. Se ele for domado a ponto de racionalizar o futebol ele acorda do seu sono futebolístico e começa a questionar porque paga 1 milhão por mês para um cara chutar uma bola. Futebol enquanto esporte de massas só (sobre)vive da nossa neurose. Ela é um torpor, um inebriamento, uma catarse irracional e poderosa. Civilizá-lo é matá-lo.
No jogo Brasil x França na copa em que perdemos de 1 x 0 para eles o jogador Roberto Carlos confraternizava com Zidane antes da partida no túnel de acesso (eram colegas no Real Madrid) e jamais foi perdoado por isso. Ser um pouco cordial é aceitável, mas ninguém suporta ver amizade entre as pessoas que lutam por nós. Essa é a contradição inerente desse jogo e o futebol se equilibra entre a razão e a paixão. É mesmo como o amor… precisa ser racional para não haver arrependimentos e tragédias, mas se passar da conta morre estrangulado pela própria racionalidade insossa. O futebol europeu é, via de regra, odiado pelo torcedor da geral, o sujeito que se exalta agarrado ao alambrado. Esse gosta da animalidade do grito, da lama, do sangue, da raiva e da conquista, mas também da depressão, da tristeza e dos sonhos de um porvir radiante.
Tratar o futebol como “arte” – para gente sofisticada e educada – determinaria o fim da paixão que torna o futebol o que é. Futebol é como o amor: se você traduz a paixão em palavras ou ideias racionais ele se desfaz como poeira diante dos seus olhos. Para mantê-los – o amor e o futebol – é necessário reconhecer que o universo em que habitam está muito distante do mundo dominado pelas nossas vãs filosofias.
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Bolhas
Existe uma série de assuntos que eu adoraria debater até para diminuir um pouco a minha ignorância sobre eles. Quando você vive em uma sociedade branca, num estado branco, sendo de classe média e heterossexual acaba tendo dificuldade para entender as queixas das pessoas que sofrem as consequências por NÃO SEREM como você, as quais não tem a possibilidade de deixar que o fluxo do mainstream as carregue para posições mais privilegiadas. Lembro muito do ativista israelense Miko Peled que, sendo israelense e branco, tinha dificuldades de entender o ponto de vista dos palestinos, pessoas a quem NUNCA via no seu dia-a-dia, e por isso mesmo podiam ser estereotipados e/ou demonizados pela cultura em que estava embebido. Foi apenas o encontro fortuito com palestinos quando moravam em San Diego, nos Estados Unidos (!!!), que o fez acordar para a questão da Palestina, o Nakba, a limpeza étnica e as reivindicações daquele povo.
Miko Peled em seu livro “O Filho do General” agradece de forma comovente a recepção afetiva e compreensiva que teve por parte dos ativistas palestinos, os quais tinham TODAS AS RAZÕES do mundo para odiá-lo, não apenas por ser israelense, mas por ser filho de um general invasor, responsável por boa parte da desgraça afligida ao seu povo. Sem esse carinho e essa fraternidade explícita de pessoas em uma posição aparentemente tão distante, seria muito fácil para Miko manter-se dentro de sua bolha de demonização e ódio ao “inimigo”. Para mim, não foram os argumentos racionais que o convenceram que sua postura estava errada, muito menos os registros históricos a que teve acesso em sua busca pela verdade, mas o afeto e a acolhida amorosa que recebeu daqueles que por muito tempo considerou como adversários e inimigos mortais.
Para as pessoas que tem as mesmas condições que eu é importante serem apresentadas às questões femininas, raciais, de gênero e sociais para que possamos pensar fora de nossa bolha de amizades e relações cotidianas. Sem esse confronto com vivências diversas e sem o contraditório é difícil sair da zona de conforto das nossas convicções e nossas perspectivas. Por isso o confronto de ideias é tão importante.
Infelizmente, em tempos de ódio, isso é cada vez mais difícil. Fiz um comentário na página de uma doula a respeito de uma mensagem que ela postou com um texto assinado por Andrea Dworkin. Disse que o texto (sobre ser lésbica) era sensível e bonito, mas foi escrito por alguém que sofre muito mais criticas do que elogios de dentro do movimento feminista por suas lutas anti-pornografia e acima de tudo por suas atitudes controversas (liberdade para mulheres que mataram maridos abusadores). Ela, por exemplo, era extremamente conservadora e escreveu um livro cujo título era “Right-wing women”. Faleceu aos 58 anos com um quadro avançado de artrite e complicações de obesidade mórbida, mas se estivesse viva estaria ao lado de Trump fazendo campanha por ele e por sua visão de extrema direita.
Meu comentário visava apenas alertar para a origem da mensagem, para não repetir o que o ator José Wilker fez numa reunião de diretores da Globo: um discurso recheado de citações que, depois dos aplausos de todos, avisou serem todas de Adolf Hitler, retiradas do “Mein Kampf”. Infelizmente bastou eu questionar uma autora como esta – mesmo elogiando a visão poética que ela tinha da homossexualidade feminina – para sofrer ataques pessoais. Aí vieram as agressões, ironias, deboches, violências e ataques pessoais que culminaram com um festival de blocks e o fim de qualquer possibilidade de conversa.
Claro, o erro foi meu. Eu não deveria ter feito aquele comentário. Afinal, não é problema meu. Quem quiser que siga, que cite, que admire e que adore. O problema é que isso mantém a bolha e as ilhas de concordância intactas, e não permite que a gente aprenda com o pensamento alheio. Ficamos todos desconectados porque as pessoas não querem debater; querem lutar, destruir opositores, querem “lacrar”, humilhar oponentes, vencer guerras de argumentos, ser o mais irônico possível, ser o super fodão da sua turma (o meme preferido é o negro aquele que é carregado pelo amigos e recebe os óculos escuros da suprema esperteza) e tratar todas as pessoas de quem discordam como inimigos a serem destroçados.
A solução momentânea é se afastar, bloquear, voltar para o seu canto frustrado e esperar que alguém de bom coração se proponha a conversar sem pedras nas mãos. Ter a paciência de aguardar a caridade de alguém sem ódio transbordante e esperar que os ânimos possam arrefecer. Infelizmente, para algumas pessoas, isso nunca vai acontecer, pois as causas são apenas desculpas passageiras para a razão principal que as move: a luta em si e a destruição dos oponentes.
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Bolhas identitárias
O documentário “Minimalist” (que eu gostei muito) que é sobre uma dupla de rapazes que abandonaram seus empregos e carreiras para investir em uma vida mais simples e sem luxos, vivendo com o que consideram necessário e essencial. É um discurso minimalista, como o nome diz, e que prega o desapego às futilidades do dia-a-dia e uma opção pelo que é realmente valioso na vida. O documentário aborda a turnê desses dois jovens pelos Estados Unidos e a venda do livro com suas ideias.
Daí alguém me marca em uma página que critica o filme. Tudo bem, até me interessei, talvez o documentário tenha um erro essencial, uma visão equivocada ou mesmo um paradoxo que eu não tinha me dado conta. Quando comecei a ler percebi que a crítica era porque o filme era “machista“, já que os protagonistas eram homens, e as mulheres deveriam estar presentes em um documentário que aborda este tema.
Eu pergunto: um documentário sobre os Beatles também seria irremediavelmente machista? Stones? O Grêmio? Como esses dois aventureiros e idealistas poderiam fazer um documentário sobre sua jornada de auto transformação e NÃO serem considerados machistas, já que são homens?
A crítica do filme deixa clara a ideia de que o crime inafiançável desses dois rapazes é o fato de serem homens e tentarem construir um caminho diferente para suas vidas.
Eu não suporto mais essas bolhas identitárias. Eu simplesmente não aguento esse discurso pois vejo que ele está destruindo a solidariedade e as próprias esquerdas. Agora não é para o bem de todos, o que vale é “minha bolha primeiro, afinal...” e aí você coloca o discurso pré determinado para defender os interesses do seu grupo em detrimento de todos os outros. Vale mais quem puder ser mais vítima.
O identitarismo é uma ação de direita travestida de movimento por direitos humanos. Ele oferece todas as armas para os fascistas que odeiam igualdade e faz de inimigos pessoas que poderiam estar do mesmo lado. Que tristeza. Passei a ter alergia a qualquer manifestação dessa natureza
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Desafio do Casal
Desafio do casal
Onde se conheceram? Na festa pela proclamação da República. Ela segurava um cartaz “Tchau querida princesa Isabel” e eu carregava um banner “Somos todos Deodoro”. Amor à primeira cacetada.
Em que ano se conheceram? 1889
Quem roubou o primeiro beijo? Eu. Ela é honesta demais.
Quem é o mais ciumento? Ela. Tem ciúme das minhas canetas. “Precisa segurar elas desse jeito indecente, seu velho babão!!!”
Quem é o mais bagunceiro? Eu. Quando meu filhos eram pequenos esqueci o Lucas no cesto de roupa suja e quando o tintureiro veio devolver eu fiquei embaraçado.
Quem é o mais falante? Eu. Mas ela fala melhor.
Quem sempre pede desculpas? Eu sempre, porque só eu faço coisas erradas
Quem é mais briguento? Sem dúvida eu. Brigo porque uma vida sem brigas é como uma ponte sem faróis, mas a analogia agora me escapa.
Quem nunca esquece o aniversário de casamento? Os dois, mas confundimos sempre com o aniversário da independência do Camboja.
Quem gasta mais? Eu claro. Eu gasto saliva explicando porque precisamos economizar em tempos difíceis.
Quem é mais romântico? Uma vez comprei dois kg de bacon e dei a ela no dia dos namorados. Acharam insensibilidade minha, mas era uma oferta imperdível!!
Quem gosta mais de sair? Eu. Quando a coisa esquenta saio de si
Quem se atrasa? Eu
Quem cozinha melhor? Acho que eu, mas como nunca cozinhei na vida fica difícil provar o meu argumento
Quem come mais? Eu
Quem dorme mais? Ela. E não se atreva a acordá-la antes da hora!!
Quem é mais chato? Eu, mas como recebi recentemente o “Stubborn Award” como o cara mais chato das Américas é difícil para ela competir comigo. Continue tentando!!!
Quem dirige mais? Eu dirijo mais o carro e ela dirige mais as nossas vidas
Quem chora mais? Ela chora em qualquer filme que no final a moça-morre-porque-estava-com-doença-terminal. Eu só choro com replay de gol do Grêmio.
Quem tem paciência? Ela. Eu fico muito impaciente com o excesso de paciência dela
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Mãe de “Pet”
Gostar de pets (outro anglicismo horroroso) não me parece doentio, e penso que tenho autoridade para falar isso porque nasci sem o “chip” do amor aos animais domésticos. Meu amor é pela natureza, e não só pelos animais com os quais podemos nos identificar. Mas o debate sobre “maternidade pet” sim é doentio. Mais do que uma discussão sobre direitos dos animais ou a responsabilidades dos humanos sobre eles esta discussão mostra o quanto estamos distantes de um entendimento mais profundo dos cuidados parentais. É como debater homossexualidade. A orientação sexual em si não tem nenhum grande problema; por ser estabelecida para aquém da consciência ela não pode ser julgada por quem quer que seja, mas o debate que se estabelece sobre a sexualidade alheia sim, este é revelador dos valores de uma sociedade.
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O início do mundo
Queria aproveitar a oportunidade para discutir as razões profundas pelas quais nos (des)conectamos a uma pessoa. Não acredito que qualquer resposta racional possa seguir a esta pergunta. Eu sempre me lembro da história da criação do mundo.
Dois sujeitos há 200 mil anos andando no meio da floresta e encontram duas mulheres lavando carne na beira do rio. Um cutuca o outro e diz: “vamos pegar?” O outro responde afirmativamente.
“Ok, mas qual delas tu queres?”, diz o primeiro, procurando evitar uma briga. O segundo, sem desviar os olhos de uma delas, responde: “a gordinha”.
O primeiro se conforma com a escolha, mas resolve fazer a pergunta cuja resposta iria inaugurar o gênero humano: “Mas, por que ela?”, ao que seu amigo solenemente responde: “Eu não sei”… (a desenvolver)Arquivado em Pensamentos









