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Bloqueio a Cuba

Os Estados Unidos são prisioneiros do embargo e não podem abandonar esta estratégia. Imaginem o que aconteceria se, findo o bloqueio a Cuba, a pequena ilha caribenha começasse a resplandecer, com investimentos, crescimento econômico, turismo, abertura comercial com o BRICS, etc. “Uma nação socialista “dando certo” a 100 km da costa da Flórida? Não podemos permitir!! Uma nação autônoma, independente e rebelde desafiando o imperialismo, sendo exemplo de educação, segurança e saúde sem baixar a cabeça para os gringos? Jamais!!”

Não, eles não vão aceitar. Entretanto, a maior prova do sucesso do socialismo é o próprio embargo americano. Se o socialismo fosse assim tão ruim e ineficiente, como afirmam os apologistas do capitalismo, bastaria deixá-lo se desmanchar por si mesmo, em Cuba e na Coreia Popular. Não… é necessário estrangular estes países para não dar chance ao poder popular. Porém, como o Império sabe a potencialidade de uma sociedade solidária, fraterna e planejada para o desenvolvimento das nações, sobra como estratégia sufocar a pequena ilha, impedindo-a de cumprir seus altos fins.

A votação da assembleia da ONU em outubro 2024, mais uma vez condenando quase que de forma unânime o embargo a Cuba, apenas confirma o fato de que o mundo inteiro repudia o imperialismo americano e que já não suporta mais sua intervenção no planeta. O voto de Israel, igualmente contrário ao fim do bloqueio, não é senão outra prova de que este país falso, imoral, corrupto e bandido é apenas um apêndice dos interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio. Todavia, também nos dá a certeza de que mundo será muito melhor e pacífico sem a existência de Israel e sem as garras do imperialismo sugando as nações. Oxalá, mais cedo do que esperamos, isso será realidade.

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Pós eleições

Muitos dos que agora criticam o PT por abandonar as ruas são responsáveis pelo afastamento das raízes operárias do partido. Falo daqueles que, da posição de formadores de opinião, agora criticam o Partido dos Trabalhadores mas que há poucos anos aceitavam que a melhor estratégia era apostar no reformismo. Entre eles um professor de sociologia de Brasília, cuja postura sempre foi de apoio a uma esquerda “moderada” e reformista. Lembro bem quando da grande vitória do Talibã sobre as forças imperialistas de ocupação de ver o professor choramingando pelas “meninas que não iriam às aulas”, sem levar em conta a barbárie do imperialismo, a rede de prostituição das crianças afegãs patrocinada pelo exército americano, a destruição da infraestrutura do país, o lucro com a Papoula e as milhares de mortes dos cidadãos do país, enquanto sua preocupação mais firme era com as questões identitárias. Sua vinculação e seu apoio a Guilherme Boulos é a prova definitiva de que ele não tem – e e nunca teve – uma postura de esquerda raiz. Jamais se importou com as vinculações de Boulos com o IREE e com think tanks imperialistas. Curiosamente, agora quer cobrar isso do PT. Essa postura de muitos de “ahhh, o PT esqueceu suas bases”, apesar de estar correta, permite esconder as opções pessoais que durante anos tiveram em favor de uma política de conciliação.

Quanto a Porto Alegre, muitos (como ele) dizem que a escolha por Maria do Rosário foi equivocada, mas todos se negam a dizer qual teria sido a escolha certa. Ou seja: criticam sem apontar a alternativa. Mello ganhou porque tinha a máquina municipal, por ser apoiado pelas grandes empreiteiras, pela especulação imobiliária, por causa da campanha antipetista feroz que se faz há duas décadas na cidade, pelo sentimento anticomunista propagado pela direita nacional, e também por não termos nomes fortes para a majoritária. Colocar a culpa em Maria do Rosário é uma postura errada, cruel e que serve aos interesses da direita. Não esqueçam que o candidato para a câmara de vereadores mais votado da capital foi um sujeito cujo slogan é “direita de verdade”. Também reelegemos uma comandante da PM, uma notória fascista que vai às seções legislativas fardada, e agora a cereja do bolo: elegemos o “Comandante Ustra”, primo do mais famoso torturador da ditadura, ídolo de Bolsonaro, que fez campanha exaltando o que existe de mais abjeto em um ser humano. Ou seja: essa cidade mergulhou de cabeça no obscurantismo, na violência, no punitivismo e nas soluções cosméticas. Ainda teremos muito trabalho de base pela frente para mostrar a este povo como as alternativas à direita são mais do mesmo, e que não apresentarão jamais bons resultados em médio e longo prazo. É preciso, como eu já disse, limpar a esquerda do discurso identitário e voltar a fazer campanha política no chão de fábrica e nas ruas.

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Maria

Não há dúvida que a rejeição a Maria do Rosário é porque ela defende direitos humanos. Todos os defeitos que possam porventura ser mencionados sobre sua atuação parlamentar sucumbem diante deste fato: as pessoas não aceitam quem defenda simples direitos básicos das pessoas comuns, como não ser torturado, não ser perseguido por suas ideias, ter tratamento digno na prisão, não ser preso sem uma clara justificativa, direito à ampla defesa, etc. Todavia, para o cidadão médio, contaminado pela propaganda odiosa da direita fascista, isso nada mais é do que “defender bandido”. Mas, e porque mesmo os bandidos não poderiam ser defendidos?

Ao Estado não cabe combater criminosos, mas o crime. A justiça não deve combater o malfeitor, mas suas ações ilegais, pois a ninguém é lícito julgar as razões pelas quais alguém comete delitos; ao judiciário cabe analisar os fatos, não os sujeitos. Esse é um fundamento basilar do direito. Não se pode usar da justiça para atacar indivíduos, a não ser que tenham cometidos atos ilegais e criminosos.

Por mais que os punitivistas tenham dificuldade em aceitar, todo bandido compartilha conosco algo fundamental: a condição humana. Em verdade, quando analisados de perto, os “bandidos” são incomodamente semelhantes a nós, com a diferença que tiveram obstáculos em suas vidas que nós nunca tivemos. Julgar a criminalidade sob um prisma moralista é a marca registrada do fascismo, mas somos parecidos demais para que se possa usar classificações como “bandidos” e “cidadãos de bem”. A experiência recente mostrou que alguns dos crimes mais horrendos realizados no Brasil no período Temer/Bolsonaro vieram daqueles a quem se outorgava o título de “cidadãos de bem”.

Assim, aqueles que defendem os direitos humanos inerentes à esta condição, não estão defendendo ou estimulando o crime, mas resguardando as camadas pobres e desassistidas da sociedade da vingança brutal daqueles que, para defender o modelo concentrador de renda e a propriedade privada, agem de forma vingativa e cruel contra todos que que rebelam e entram na senda do crime. Maria do Rosário escolheu a tarefa mais difícil e mais ingrata. Defender estes direitos essenciais em um país no qual um antigo presidente se jactava em dizer “minha especialidade é matar”, é tarefa para poucos. Precisa coragem e integridade para se manter firme em seus princípios quando o entorno lhe empurra na direção do fascismo mais abjeto e desumano.

Tenho muitas discordâncias com Maria do Rosário em outros pontos. Sendo comunista, é fácil entender o quanto a democracia liberal e o identitarismo estão corroendo as esquerdas no mundo inteiro. Não acredito que essa esquerda possa oferecer um grande diferencial em longo prazo ao abandonar a luta anticapitalista e apostar na divisão planejada da classe operária em identidades digladiantes. Por isso, no primeiro turno, voto em Cesar Augusto Ferreira, candidato do PCO à prefeitura de Porto Alegre. Entretanto, bem sei que as pessoas rejeitam em Maria do Rosário exatamente aquilo que ela tem de mais virtuoso: a luta pela dignidade humana, de qualquer cidadão, inobstante os erros que tenha cometido. No segundo turno, voto com ela.

Por isso, espero que ela vença os candidatos do atraso e seja uma ótima prefeita.

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Psicologismo

A ideia ultimamente difundida de que o fascismo surgiria pela proliferação dos “machos inseguros”, produzidos por uma sociedade onde as mulheres estão assumindo cada dia mais postos de comando, é outra tolice que vem sendo espalhada pela camada nas redes sociais, em especial nas franjas mais religiosas e beatas das esquerdas liberais. A redução dos problemas sociais a transtornos ou dificuldades dos indivíduos é uma bobagem que deve ser combatida por quem se situa na porção radical da esquerda, pois que nada mais é que um novo golpe identitário, cujo objetivo é atacar as bases do movimento operário. Isso é infantil demais até para ser debatido.

Por certo que o fascismo encontra um terreno fértil entre os “machos inseguros”, mas nem todos os machinhos em crise reunidos do planeta seriam capazes de criar um modelo de opressão burguesa sobre as massas operárias, usando o aparato repressivo do Estado e da polícia. Isso é puro suco de ideologia. Essa “psicologização” dos fenômenos sociais serve apenas para desviar o foco das questões estruturais que nos impedem de progredir e da inevitabilidade da luta de classes.

A tendência contemporânea de interpretar as tendências sociais em direção ao fascismo utilizando o ferramental produzido pela psicanálise é muito sedutora, e por esta razão largamente usada pelos identitários. Para estes, o rechaço à cultura “woke” não passaria de uma reação aos direitos recentemente conquistados pelas comunidades oprimidas, e os ataques partiriam do opressor-mor da nossa sociedade: o macho branco, cis e heterossexual. Se é verdade que existem homens que não suportam qualquer ideia de equidade, desprezando e se sentindo ameaçados pela maior visibilidade e reconhecimento do trabalho das mulheres, estes não seriam capazes de criar um movimento de supressão das liberdades em direção a um controle opressivo do Estado, como se pode ver nos fascismos clássicos. Tais “machos inseguros” normalmente se reúnem nos bolsões bolsonaristas e nos “chans” compostos por supremacistas e incels, mas não representam uma ameaça concreta, a não ser que se unam aos burgueses que, encampando suas ideias, os usam como massa de manobra para atacar a classe trabalhadora. 

Para os apologistas desta perspectiva o fim do fascismo ocorreria com a abordagem psicanalítica dos seus constituintes individuais ou, quem sabe, por um “outing coletivo”, quando milhões de machos reprimidos e multidões de machistas com comportamentos odiosos e vingativos sairiam do armário, dando vazão aos seus impulsos homoeróticos. Ora, nada poderia ser mais ingênuo e errado do que isso.

O fascismo se combate com política, força, consciência de classe, união popular e revolução. O resto é papo furado.

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Pastelão

A cadeirada do Datena sobre o patético Marçal representa a pá de cal sobre a democracia liberal. Só esse modelo político facilitaria o aparecimento de duas figuras midiáticas – como um apresentador de programas policiais de viés fascista e um criminoso com passado de estelionato e pequenos golpes cibernéticos – como candidatos a comandar a maior cidade da América do Sul. Espero que esse episódio bizarro e constrangedor inicie o fim de um ciclo dos candidatos populistas e que seja um passo na direção da consciência de classe. Claro, sou um otimista. Tanto um quanto o outro são comunicadores de fala mansa, mas fica evidente em suas manifestações que só estão dispostos a debater o próprio ego. Ambos adoram desmerecer e debochar da população pobre do país. Datena inaugurou o jornalismo do “bandido bom, bandido morto”; já o Pablo é um mitômano criminoso, com uma gigantesca capivara de falcatruas em seu currículo. São vedetes cujo único interesse é se pavonear diante das suas próprias plateias. Vazios de ideias e sem a paixão da politica e do bem público a lhes direcionar, não conseguem senão falar de si mesmos.

Dois bagaceiros e chinelões, como se diz no sul. Incompetentes e de baixo nível. Pablo se escondeu atrás dos ombros de dois seguranças e de lá disparava suas ofensas, enquanto o outro abria um compêndio de palavrões digno dos estivadores do cais do porto contra seu opositor e sua família. Um show de baixarias; ema cena patética e desmoralizante. Na minha infância a escaramuça verbal entre essas personalidades era chamada de “briga de lavadeiras”, uma disputa de xingamentos que acabava revelando os podres de ambas as contendoras; hoje em dia não se usa mais esse termo, em respeito às mulheres que dignamente lavavam roupa à beira dos riachos sem falar mal da vida de ninguém. Porém, a briga acabou mostrando a miséria de propostas e o vazio de sugestões para a agenda da cidade de São Paulo de ambos os candidatos.

Tanto um quanto o outro não possuem interesse algum na comunidade, nenhum projeto específico, nenhuma proposta de governança e sequer seguem alguma ideologia. “La ideologia soy yo”, dizem eles. Arrogantes propagadores de si mesmos, são bonecos desajeitados numa vitrine midiática, preocupados exclusivamente com o próprio umbigo. “F*dam-se vocês, eu quero é ganhar essa p*rra”. Toscos e caricatos, só pensam na lacração e nos cortes que farão para os próprios canais, fórmula que infelizmente, ainda não mostrou sinais de desgaste. Vale tudo para conseguir visualizações; enquanto estas “lacradas” ainda produzem engajamento, seguem na exibição dos horrores de suas falas e gestos.

Por outro lado, a cadeirada do Datena no Marçal foi pedagógica. Ela expõem de maneira muito didática para onde pode nos levar a política do espetáculo. Como um circo do ridículo, a cadeirada expôs a verdadeira essência desses políticos que fazem da sua notoriedade trampolim para carreiras políticas. Foi esse modelo que criou o falastrão Bolsonaro, e agora a trouxe à ribalta ambos os participantes desse pastelão tosco e provinciano. É óbvio que a fórmula do “enganador sedutor” um dia vai se desgastar, mas espero que até lá seja possível olhar para estes acontecimentos com a severidade que eles demandam. Espero mesmo que esta triste cena seja um passo significativo para o fim da política do grotesco. Além disso, Datena nos deu uma lição. Talvez essa também seja a derrocada da famigerada doutrina do “o amor venceu” que vicejou nas esquerdas, contaminadas pelo reformismo, e pela ideia de paz a qualquer preço. Chega. Precisamos de ódio de classe e, se necessário, mais cadeiradas. Quem topa “bancar” essa proposta?

PS: Mais grave do que as baixarias dos candidatos é a angústia dos jornalistas por descobrir se a pancadaria rendeu votos para um ou para o outro destemperado. Imaginar que tem gente que acha que isso possa ser chamado de política é tão triste quanto a briga em si…

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Bandeiras

Nessa época eleitoral é importante estar atento para as falsas bandeiras. Aqui está uma história que ficou marcada na minha memória, e que deve ter ocorrido há uns dez anos. Certa vez fui convidado a falar em uma cidade de tamanho médio no interior do Brasil. O convite veio direto da secretaria de saúde, na pessoa do seu secretário municipal. Quando lá cheguei fui amavelmente recebido pela sua assessora que me mostrou o prédio da câmara e apontou o lugar onde deveria esperar até ser chamado. Não demorou muito e pediram para que eu compusesse a mesa para os trabalhos da noite. Falei por mais de uma hora sobre a importância da garantia do protagonismo à mulher no processo de parto e nascimento e no significado de capacitar doulas – e as próprias famílias – para darem conta desse evento numa perspectiva humanista e embasada em evidências científicas. Penso que a palestra foi bem recebida pelos participantes, e a prova foi as excelentes perguntas e manifestações que se seguiram à minha fala.

Terminado o encontro, me preparei para voltar ao hotel e descansar do dia corrido, visto que meu avião sairia muito cedo. A assessora do secretário, entretanto, me fez um convite para acompanhá-lo, junto com um grupo de ativistas da cidade, a um jantar. Foi o que fiz. Lá chegando conversei animadamente com as ativistas, todas doulas e enfermeiras, que estavam entusiasmadas em trazer um curso de doulas para a cidade e para influenciar na gestão municipal no sentido de criar uma “lei de doulas”. A tudo eu respondia com o pouco de experiência que tinha pelas visitas a inúmeras cidades pelo interior do Brasil. Enquanto isso, o secretário ao meu lado apenas escutava. Era um rapaz jovem, não tinha 40 anos, estava de terno e gravata e usava “brilhantina” no cabelo. Pertencia a um partido de direita que havia elegido o prefeito três anos antes, e ele agora pretendia concorrer a uma vaga como vereador, depois de sua experiência na administração pública.

Em determinado momento, ele me disse:

– Olha doutor, muito obrigado pela sua presença na cidade. Gostei da sua palestra. Entretanto, não entendo nada desse assunto. Sou um completo ignorante neste tema. Sou da área de gestão, entende? Tenho dois filhos e ambos nasceram de cesariana, porque assim minha mulher escolheu. Sabe, para mim tanto faz, cesariana, parto normal, essas coisas todas. Afinal, o corpo é dela não é? Minha esposa não queria correr riscos, acho que o senhor entende. Também não estava interessada em sentir dor; ela é muito fiasquenta sabe? Qualquer dorzinha já a abala muito; jamais suportaria as dores de um parto.

Escutei silenciosamente e não fiz comentários. Aprendi a duras penas que as convicções fortemente arraigadas surgidas de estratos irracionais não podem ser confrontadas em curto prazo com qualquer abordagem racional, mesmo quando apresentamos fatos, estudos e evidências. Estes recursos retóricos simplesmente se chocam contra uma parede rígida de crenças, as quais ajudam a suportar as contradições. Ele continuou:

– Porém, minha assessora teve o parto dela com uma doula e descobriu seu nome na Internet. Achei que isso poderia ser uma bandeira para utilizar na próxima eleição. Serei candidato à vereança. Acho que isso pode atrair a atenção do eleitorado feminino. Que acha?

Pôs a mão no bolso, retirou um santinho e me entregou. Nele o perfil era característico dos agroboys: a mesma brilhantina e o terno com gravata, misturados com palavras impactantes como “progresso”, “renovação”, “juventude”, “dinamismo”, etc. Entretanto, neste momento eu percebi, com vergonha e um pouco de tristeza, que para ele eu era um “santinho ambulante” e uma peça de propaganda de sua campanha. Pelas suas palavras ficou claro que ele estava tão distante dos ideais da humanização do nascimento quanto um urso polar está da Antártida. Eu estava, sem o saber, fazendo parte de um esquema que pretendia angariar votos usando a isca do parto humanizado, mas para um candidato que não tinha nenhum compromisso real com a ideia. Pensei que, de certa forma, a culpa era minha por não saber o que havia por trás do convite. Por outro lado, a mensagem havia sido transmitida, o recado havia sido dado e as pessoas que participaram do evento receberam uma semente do que poderia ser um mundo em que o parto fosse mais livre, sem ser dominado despoticamente por interesses de outra ordem. Não sei o quanto estive errado em aceitar o convite, e até hoje guardo essa dúvida.

De qualquer forma, passei a pensar que, muito mais do que as palavras de apoio e de suporte aos nossos ideais, um candidato precisa ser aquele que vive intensamente o que prega. É necessário que seu discurso não fique confinado às palavras, mas que esteja em sua história, no seu trabalho, no seu cotidiano, na educação dos filhos, na forma como conversa com os colegas de trabalho e como interage com os amigos. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, as máscaras acabam caindo e por fim nos mostra a real essência que se esconde por detrás dos disfarces.

Nessa eleição vote pensando nisso…

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Cavalo de Troia

Inobstante o resultado das investigações sobre pretensos abusos, porque ainda mantemos uma representante do George Soros e da Open Society como ministra do governo Lula? O que falta para entender que haverá inexoravelmente um conflito de interesses através da interferência de Think Tanks imperialistas num governo popular? Quando iremos acordar para o fato de que a própria pauta identitária – direitista, divisionista e sectária – terá mais cedo ou mais tarde um efeito corrosivo no governo?

Muitos ainda não se deram conta que a ascensão da direita em todo o mundo está precisamente ligada ao rechaço dos trabalhadores comuns às pautas trazidas pelos identitários, desde as ideias de culpabilizar os brancos por tudo, as denúncias por abuso, o “letramento” racial, a briga por pronomes neutros, a queima de estátuas e até as trocas de palavras nos hinos. O povo não aceita isso, sejam os trabalhadores de esquerda ou de direita, mas uma parcela mais barulhenta pretende impor esse debate ao conjunto do proletariado.

Quando a direita voltar ao poder, pelo esgotamento do discurso que valoriza as identidades separando-nos em nichos estanques, talvez sejamos obrigados a suportar mais um período de trevas, com a volta ao mapa da fome, a inflação, o desemprego crescente, o isolamento internacional e o consequente desinvestimento na indústria, na educação e na saúde. Sabemos o quanto a direita aposta na transformação do Brasil numa enorme “plantation“, um engenho de cana de açúcar de dimensão continental, com os coronéis de Hilux, escravos da MEI e uma minúscula franja de classe média, a qual servirá como os capatazes da imensa Fazenda Brasil.

Se a esquerda não expurgar estas ONGs imperialistas isso é o que fatalmente irá ocorrer, e se nossa luta não for pelo fim da sociedade de classes, contra o capitalismo e o imperialismo, então teremos perdido o trem da história, e só voltaremos aos trilhos quando encontrarmos coragem para limpar a esquerda dos cavalos de Troia colocados pelo imperialismo.

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Provas

A ideia de que um sujeito pode ser cancelado e incinerado publicamente por uma acusação sem provas deveria deixar a sociedade em alerta, em especial mulheres e negros. Para aqueles que celebram este tipo de cancelamento entendam que isso tem um preço muito alto. A não ser que apareçam provas contundentes, o uso de um rito sumário para a condenação de alguém deixará qualquer um desconfortável para interagir com muitos representantes desse governo.

Eu só pensei que a pessoa que fez as graves acusações contra um colega ministro é a mesma que há poucas semanas declarou que considera a expressão astronômica “buraco negro” um termo racista (ou raciste). Será que ela também interpreta abuso sexual com esse “freestyle“? Como saber? Haverá outros interesses por trás da fritura do ministro identitário? É possível condenar publicamente alguém sem que provas sejam oferecidas? Por que essa disputa veio a público, e não foi tratada a portas fechadas? Quem ganha com a saída do ministro?

Não tenho respostas, mas essa crise me parece bem estranha…

Todavia, este caso descortina uma situação ainda mais grave. A crença absurda de que acusações de cunho sexual são sempre verdadeiras – produzindo condenações e cancelamentos antes que o sujeito possa se defender – cria uma forma simples e fácil de destruir inimigos pessoais e/ou políticos, sejam eles culpados ou não. Existem milhares de exemplos de denúncias infundadas, falsas e até fraudulentas sobre abusos, misturadas com milhões de outras verdadeiras – mas que, pelo abuso das falsas acusações, passam a ser vistas com desconfiança.

A ideia justa de que devemos dar voz às vítimas não pode ser interpretada como um passe livre, como se a condição de vítima retirasse a necessidade de apresentar provas. “Basta falar e todos acreditarão”. Esse monstrengo jurídico, fruto de uma perspectiva sexista e supremacista, cria um ambiente de insegurança jurídica, péssimo para as relações humanas. Levar em consideração as acusações da vítima não significa transformá-las automaticamente em verdades.

Eu sei que é difícil e que as vezes é até impossível, mas não há justiça sem provas. Já dizia o famoso economista W. Edwards Deming quando afirmou: “Em Deus eu acredito; todos os outros favor trazer evidências” (“In God I believe; all the others please bring data”). Se aplicamos essa máxima aos experimentos científicos e àqueles da área da economia, porque deveria esta exigência ser negligenciada diante de acusações graves?

Aguardem as provas…

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Aplausos

Quando aplaudimos as arbitrariedades de um mero Ministro do Supremo como Alexandre – cujo poder não é popular, não passa pelo voto e que foi colocado nessa posição por um golpista – estamos aplaudindo o fim das liberdades e da democracia, o poder que emana do povo. O que agora nos parece benéfico (a derrota de um asqueroso e maléfico bilionário fascista como Elon Musk) em um futuro próximo (ali na esquina, podem apostar) será contra a esquerda, com uma canetada, contra Lula ou contra o PT, contra a liberdade de protestar, contra os partidos revolucionários (como sempre ocorre), contra os comunistas e contra a imensa maioria do povo brasileiro. Colocar um poder ilimitado nas mãos de um autoritário como Alexandre de Moraes é uma temeridade inadmissível. Nossa memória recente nos apresenta inúmeras vezes nas quais, diante dos dilemas da interpretação adequada da lei, o Supremo Tribunal Federal se manteve ao lado da burguesia brasileira e contra a escolha legítima do povo por seus representantes. Foi assim também no golpe de 64, na deposição injustificável da presidenta Dilma e na prisão de Lula.

Não esqueçam que Alexandre de Moraes foi o secretário de justiça do Estado de São Paulo que, em um ato de extremo oportunismo e hipocrisia, protagonizou um espetáculo onde cortava pés de maconha vestido como uma variante sem cabelo do Rambo. Esse foi o sujeito que manteve Lula preso para facilitar a vitória da extrema direita, mesmo contra o artigo 5o da Constituição. Foi ele quem tirou os canais do PCO do ar sem qualquer justificativa – a não ser por encontrar neles muitas críticas contundentes à sua atuação. Apostar em Alexandre de Moraes como “protagonista” da democracia ou das liberdades é uma tolice imensa – tão equivocado quanto apostar em Sergio Moro como “guerreiro anticorrupção”, ou acreditar nos paladinos do Ministério Público (Deltan & Cia) como “ilibados defensores da lisura administrativa”. A tarefa dos Ministros do Supremo se restringe apenas a fazer com que se cumpra a lei, não inventar novos regramentos baseados em sua particular visão de mundo ou interpretar as leis já existentes de acordo com interesses pouco republicanos das classes dominantes. Quando a vítima for a esquerda – repito, apenas aguardem – para quem vamos reclamar? Vamos questionar a perda dos nossos direitos para este mesmo poder supremo que inventa leis e espreme a constituição para tirar dela o que lhe interessa? Será que, mais breve do que esperamos, estaremos escutando um sonoro “Eu avisei!!” pela nossa insistência em oferecer poder a quem não pode ser questionado?

A liberdade não desaparece com lágrimas; como um por do sol no Arpoador, ela morre sob aplausos.

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Fraqueza

A questão da Venezuela divide de uma forma bem didática a esquerda. De um lado situam-se aqueles movidos pelo fervor anti-imperialista e que reconhecem que os problemas desta região abaixo do Equador têm nas inúmeras intervenções imperialistas a raiz de muitos de nossos males. Para estes, a busca por autonomia plena e o fim da influência danosa dos Estados Unidos na região é um ponto fundamental para a plena independência das nações e a posterior união das nações latinas. Do outro lado encontram-se aqueles que adotam uma perspectiva liberal e identitária, os direitistas que se colocam enganosamente à esquerda do espectro político. Para quem se situa mais à esquerda no matiz progressista ficou muito claro que a esquerda precisa derrotar essa perspectiva esquerdista subserviente aos interesses capitalistas para criar um bloco forte com propostas firmes. O direitismo dentro da esquerda é uma praga que necessita ser exterminada.

A propósito, Maduro teve uma postura digna e …. madura diante da crise com as eleições em seu país. Lula foi frouxo, fraco, pusilânime e irresponsável. Não cabe a Lula questionar as eleições de um país amigo e que tem instituições eleitorais reconhecidas e um sistema de contagem de votos ainda mais sofisticado que o brasileiro. A Venezuela tem uma modelo de voto impresso que deveria ser adotado no Brasil, mas fica claro que para a direita golpista nem mesmo esse tipo de segurança impede sua ação de subverter a vontade popular. A posição do nosso presidente fortalece a direita de toda a América Latina, além de dar respaldo às posições imperialistas na região. Sem uma posição firme de Lula, reconhecendo as instituições venezuelanas, a direita se sentirá livre para questionar qualquer eleição, inclusive as próprias eleições brasileiras. Não se trata de apoiar Maduro, mas as sistema eleitoral venezuelano, um dos 5 poderes constitucionais do país, mas de dar apoio a todas as escolhas livres e democráticas da América Latina. Se não acreditarmos na justiça eleitoral dos países latino-americanos, o imperialismo vai continuar a dar as cartas e sugar nossas riquezas. Esse corvo que Lula soltou agora vai querer comer nossos olhos logo ali na frente.

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