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Sabemos pouco…

Maurice

Esta é uma das melhores frases do meu pai, na orelha de um livro sobre “Espiritismo Laico” do amigo Salomão Benchaya.

Outra frase que eu gosto muito é: “Depois de certa idade percebi que não passa um dia sequer sem que eu me assombre com o desmoronamento de uma antiga certeza, por muitos anos acalentada“.

Envelhecer também é despir-se da arrogância que nos protege. Somente os fortes desconfiam de si mesmos; os fracos e frágeis jamais abandonam-se ao vácuo angustiante da dúvida.

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Religião

Sobre o que não se pode provar…

O espiritismo carece de comprovações, pelo menos daquelas exigidas pela ciência cartesiana. Ele é um sistema lógico, como a psicanálise. Nem tudo se pode comprovar, pelo menos não com o instrumental que possuímos.

Todavia, lembremos apenas que o ar já existia antes de sabermos do que ele é feito, assim como as estrelas quando acreditávamos que elas não eram mais do que furos na abóbada celeste. Se não posso provar a sobrevivência da alma, tampouco o ego, o superego, a alegria, a tristeza, o ciúme, a desconfiança ou o narcisismo podem ser reproduzidos em laboratório. Tais modelos de compreensão, todavia, nos auxiliam a explicar os buracos deixados pela ciência. Essa, por sua vez, tentará indefinidamente desvendar tais mistérios para um dia, quiçá, ser capaz de descortiná-los.

Não peço que acreditem em Deus ou nos espíritos, até porque não exijo isso sequer de mim. Entretanto peço um pouco de respeito com a forma com a qual as pessoas traduzem para si o enigma da existência. Para além disso, pergunto por que a nossa necessidade de desaprovar as crenças alheias? Em quê elas nos incomodam?

Para isso é importante entender do que é constituída uma crença. Uma crença é essencialmente uma linguagem, um idioma que se usa para ser compreendido pelos outros. É uma forma de expressar uma cosmologia teleológica que oferece sentido ao universo através de símbolos, metáforas e histórias. Por esta razão, as religiões não se interessam pelos “fatos” – científicos ou não – mas pela “verdade” que existe por trás destes fatos. Esta verdade, que carrega valores múltiplos e significados morais e políticos, é uma plataforma por sobre a qual transitamos e encontramos interlocução. As religiões servem como a mais relevante e consistente amálgama social, para que os propósitos de convivência e cooperação – essenciais para a sobrevida de nossa espécie – possam encontrar expressão e difusão.

Os fatos, da forma como ocorreram no mundo real, são totalmente irrelevantes neste sentido. O debate sobre o peso de Jesus, um judeu que falava para judeus numa Palestina dominada, não tem nenhuma importância ao se debater biblicamente o episódio em que “caminhou abre as águas”. Não é da física ou da matemática que trata a religião, pois estes são fatos do mundo físico. Ela se ocupa da “Verdade”, que preexiste e sobrevive à senescência da matéria.

Não se analisa religião através da comprovação de suas histórias, mas a partir da compreensão histórica de suas premissas compartilhadas, seus valores e ideias. Tratar a religião como uma série de “histórias bobas“, “fatos não comprovados” ou “manipulação” ou também “má ciência” é confessar a ignorância nas origens e no sentido último desses modelos de comunhão social.

Ao mesmo tempo, tentar entendê-la literalmente tratando os símbolos contidos como fatos para assim justificar desejos e aspirações momentâneas – políticas ou pessoais – é fundamentalismo, e ele nada tem a auxiliar no progresso do conhecimento.

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Religião e sexualidade


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Eu tenho queridos amigos muito religiosos, cujas vidas são plenas de harmonia e respeito ao próximo. Eles são os melhores exemplos de uma vida dedicada à família, e por eles nutro grande carinho e admiração.

Entretanto, fico feliz de ver uma manifestação tão expressiva como a desvinculação coletiva em Salt Lake City, de membros da congregação contrários aos valores mais anacrônicos da moralidade humana. Como bem disse uma amiga da minha, estas religiões discriminam pessoas por algo que não é passível de escolha. Talvez seja possível impedir um sujeito de exercer livremente a sua sexualidade através de um torniquete mental, a exemplo do que ocorre nas igrejas evangélicas, mas as custas de um brutal sofrimento e uma violação dos sentimentos mais profundos de carinho e afeto. Pior, através da supressão daquilo que constitui o próprio sujeito.

Por outro lado, nenhuma dessas religiões poderá – por mais que a pressão seja violenta e cruel – penetrar no espírito de alguém e vigiar os caminhos por onde transita seu desejo. Assim, as barreiras moralistas das crenças mal conseguem mudar a fina superfície da expressão sexual, produzindo uma fachada de normalidade, que nos afugenta do medo espelhar ao nos oferecer uma ilusão.

Encarar a riqueza da diversidade sexual seria um salto adiante, um impulso de liberdade, mas para o qual a maioria das religiões não está preparada. Afinal, é provável que “religião” e “liberdade” sejam conceitos antagônicos, em essência e inexoravelmente distantes. Quem procura uma, está abrindo mão da outra.

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Jesus Cura

Jesus cura

Como eu acredito que a cura é um processo interno, que se instala a partir da alterações profundas de rotas adaptativas inconscientes, eu não acredito que drogas, cirurgias, psicólogos ou médicos tenham a capacidade de curar um sujeito. Tais instâncias são elementos de auxílio para um caminho que é fundamentalmente solitário, e não a fonte da cura.

Por isso eu acho que Jesus não cura homofobia, como afirma o cartaz dos evangélicos “moderados”. Se curasse os cristãos seriam menos homofóbicos do que os ateus, mas o que observo é o oposto disso; os Felicianos e Malafaias não me deixam mentir…

Dizer que Jesus cura a homofobia tem tanto sentido para mim quanto dizer que a Bíblia condena os gays. Se Jesus foi mesmo o ser superior que nos fazem crer ele não se importaria com quem seus fiéis dormem. Isso, do ponto de vista do caráter ou da evolução espiritual não nos diz nada…

Deixem Jesus fora disso…

Se vc não acreditar em Jesus como divindade, realmente não fará nenhum sentido para você dizer que Ele pode curar!

É exatamente isso… Eu não acredito em nenhum guru, Messias, salvador…. nada. Não quero, não aceito e não desejo ser salvo por ninguém. Se alguma salvação existe ela será feita tão somente por mim.

Os evangélicos são os maiores porta-vozes da homofobia nacional, e é muito triste constatar que isso venha de uma organização religiosa que, a princípio, deveria se nortear pela fraternidade e pelo amor ao próximo. Aquele que for evangélico e não aceitar as palavras contra a opção sexual do seu semelhante que se manifeste publicamente contra isso, e mostre sua aversão aos Malafaias e Felicianos que pregam a exclusão. Eles disseminam de forma muito clara essa visão demeritória aos homossexuais e, quer aceitemos ou não, essa é a face dos evangélicos hoje em dia.

Sei que minhas palavras não agradarão boa parte das pessoas que cultivam suas crenças, mas sofro isso na carne há 30 anos, desde que iniciei a escrever. Ter coragem de desagradar as pessoas é tarefa que poucos aceitam. A maioria faz avaliações de suas opiniões baseadas na popularidade. Sou contra muitas coisas que as pessoas consideram óbvias, mas não por isso deixo de expressá-las, pois elas significam a minha verdade, parcial, passageira e frágil. Mas não foi Jesus ou Maomé quem me mandou dizê-las: elas são de total responsabilidade minha.

Aliás, há alguns poucos anos (uns 30) eu era crente nas realidades cristãs. Participei na minha juventude de grupos de jovens, algo que muito me ajudou a passar pelas atribulações da juventude. Depois joguei para longe toda e qualquer crença baseada em “livros sagrados“, “palavras do mestre“, etc. Entretanto, enganam-se os que pensam que eu me decepcionei com o tímido humanismo cristão. Não, eu me desencantei com a ideologia por trás de qualquer religião, que afasta os indivíduos do verdadeiro humanismo. Os evangélicos que combaterem de maneira FEROZ as religiões africanas não seguem nenhum preceito de fraternidade. Os católicos que fazem o mesmo sofrem da mesma falha ética. E assim com todas as religiões.

O salvacionismo evangélico leva a dissoluções e, acima de tudo, no caso dos pentecostais, uma “desmoralização” da religião, que de um artigo de fé passa a ser um produto a ser comprado no balcão dos bispos para o sucesso profissional. Basta ligar a TV e ver as vendas de “vassouras”, “pedaços da cruz”, “aspiradores de más energias”, e tantas outras bobagens que tentam enganar as pessoas e ludibriar fiéis, enclausurados em suas crenças e no seu misticismo.

Minha crítica, como pode perceber, não é ao católico fervoroso que tenta ser um bom cidadão, nem ao espírita religioso, ao umbandista caridoso ou ao evangélico que deu sua mente e seu coração para um ser etéreo (Jesus), mas para as religiões, criações humanas que lucram com uma visão mística, alienante, baseada em histórias que, quando literalmente entendidas, nos levaram a guerras, destruição, morte e dor.

Apesar das opiniões contrárias, continuarei pedindo que deixem Jesus fora deste tipo de debate sobre a homossexualidade, seja para acolher ou para repudiar os homossexuais. Se esse Jesus realmente existiu e foi o responsável pelo Sermão da Montanha, que é a síntese humanista da sua obra (e todo o resto – ressurreição, cruz, traições, etc. são apenas ficções que se repetem em quase todas as tradições para reforçar a mística do salvador) ele realmente não se importaria com a vida sexual das pessoas de bem.

Para Jesus, o “mestre nazareno”, tanto quanto para mim, qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá, e toda e qualquer segregação deve ser repudiada…

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Xiitas

mulher_islamica

Apenas para destacar um pensamento sobre a construção do campo simbólico e o fluxo incessante de valores e conceitos que transitam pelas palavras.

“Já fiz comentários xiitas no passado, e hoje em dia sou muito mais comedido.(…) Achei demais e penso que isso merece um contraponto.”

PS: Usei a palavra “xiita” apenas para dar continuidade ao argumento anterior, mas – mea culpa, mea máxima culpa – acho que ela precisa ser abandonada. Os xiitas são um ramo do islamismo, assim como os Batistas e Luteranos o são do protestantismo. Chamar de “xiitas” alguns radicais e intolerantes apenas porque alguns xiitas o foram no passado (e alguns ainda são) é o mesmo que chamar homofóbicos de “evangélicos”, apenas porque Malafaias e Felicianos assim se comportam. “Fulano tem um comportamento evangélico contra as minorias” soa agressivo, não lhes parece? Pois assim os xiitas devem se sentir quando conectamos sua religião ao extremismo fundamentalista.

Nossas expressões contribuem para a vilificação do Islã, um tratamento injusto, cruel e violento com essa cultura. A construção da islamofobia também se faz através destas expressões corriqueiras, assim como construímos o medo do parto ao dizer que tal trabalho “foi um parto” e banalizamos a cesariana ao dizer “parto cesárea”. Atenção e vigilância com a forma de se expressar é importante para quem deseja mudanças na cultura, mas sem apelar para o “abuso de correção”.

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Guerras Religiosas

Guerra Israel

Um erro plantado na cultura ocidental contemporânea é a crença de que as guerras entre israelenses e palestinos ou entre britânicos e nacionalistas na Irlanda tem alguma conotação religiosa. A religião é apenas uma coincidência. Da mesma forma que brancos e negros poderiam ter religiões diferentes na África do Sul, ela nunca foi a origem do Apartheid. Israel domina o território palestino, mas isso nada tem a ver com a religião, até porque os ideólogos sionistas eram declaradamente ateus. O mesmo se dá com as lutas entre “católicos” e “protestantes” na Irlanda, que nada mais são que uma forma de desviar a atenção sobre o colonialismo britânico e colocar sobre a disputa uma conotação religiosa e de intolerância com as crenças alheias.

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Milícias, brigadas, fundamentalismo e …. medo

Há algumas semanas eu escrevi um post perguntando as razões para que a Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, mudasse de uma forma tão radical sua forma de expressão. Basicamente eu perguntava porque o foco deixava de ser o Evangelho – a Boa Nova, o novo testamento – para buscar uma ligação intensa e absoluta com o judaísmo, o velho testamento e o sionismo. Os detalhes da cerimônia de inauguração do “Templo de Salomão” (obra que custou mais do que a Arena do Corinthians) são inacreditáveis.

Pois quando eu li (vide link abaixo) que no início da cerimônia de inauguração do templo foram entoados os hinos brasileiros e o de Israel (!!!!) minha perplexidade deu lugar à certeza de que, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos com os televangelistas, tais iniciativas tem relação ideológica e econômica com o sionismo internacional e com o suporte ao governo de ocupação racista de Israel. Os esforços para criar uma consciência global contra a limpeza étnica e o apartheid na Palestina vão esbarrar no pior fundamentalismo religioso existente. A Igreja do bispo Edir continuará sendo um baluarte do atraso e um entrave aos direitos humanos na Terra Santa. Pobres palestinos…

Não por acaso tal conluio com as forças mais violentas e agressoras dos direitos humanos partem do mesmo grupo pentecostal que acaba de anunciar a criação dos “Gladiadores do Altar“, com seus gritos fascistas, uniformes militares, ordem unida, discurso de direita e comportamento agressivo. Como diz o parlamentar Jean Wyllys, falta pouco para espancarem e matarem em nome da religião, ou para jogarem gays e lésbicas do alto das torres.

Mas aí já será em nome de Moisés e das tribos de Judá.

Leia mais no link abaixo:

O que a imprensa não disse sobre o Templo de Salomão

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Religião

Oração_religião

Desculpem-me os religiosos e crentes.

Sei das suas crenças e as respeito, pois um dia também as tive. Quando cito textos retirados das palavras de Jesus e de Deus faço-o para mostrar que a Bíblia é um livro escrito por humanos e para humanos, com valores humanos e não divinos. Qualquer pessoa retira o que bem entender dos livros “sagrados”. Podemos usar qualquer fundamentalismo sobre tais livros , seja ele a Bíblia, o Corão ou o Torá. Podemos olhar as palavras como são, ou interpretá-las da maneira como bem entendermos. É por isso que este e qualquer outro livro “sagrado” não são confiáveis para ditar normas humanas. Eles são num testemunho de histórias contadas há séculos, com valores e personagens daquela época, e que cumpriam funções políticas adaptadas à sua época também.

Quando esprememos a Bíblia e retiramos o sumo doutrinário mais essencial aparecem apenas frases como “amai-vos uns aos outros“, “seja teu falar sim-sim, não-não“, “o amor cobre a multidão de pecado” que, de forma variada, todas as outras religiões dizem no seu intento civilizatório de otimizar o esforço de progresso das sociedades humanas através da fraternidade. Portanto, não é necessário submeter-se a senhores, “intermediários de Deus”, para assumir uma atitude fraterna. Eu, pessoalmente, não procuro ser fraterno ou justo porque Jesus ou Buda me pediram ou exigiram, mas somente porque acho justas e corretas tais ações. Um Deus que criou o universo não poderia ter defeitos piores que os meus, como ódio, vaidade, rancor e raiva, mas a Bíblia é recheada de chiliques divinos, típicos de um menino manhoso e mimado, sujeito a ódios e vinganças. Certamente que a Bíblia – e menos ainda o Corão – não me oferece uma imagem adequada de criador.

Contínuo a crer que as religiões atrasam o mundo, e suas crenças mais separam do que unem os homens. A fraternidade não precisa de palavras mágicas ou gurus; ela se expressa como um roteiro natural de progresso humano, superior a qualquer outra forma de relação entre as criaturas. Esta é sua força essencial, e não as palavras de qualquer Avatar.

Eu respeito este tipo de visão de mundo, mas tenho muita dificuldade de entender. Uma coisa que me deixa atônito é os adesivos em automóveis onde pode-se ler: “Propriedade de Jesus“. Como alguém pode se sentir feliz ou orgulhoso por ser propriedade de outro, mesmo que seja um outro supostamente maravilhoso? Eu pergunto: se o seu filho fosse adulto e dissesse “sou propriedade do meu pai” você se sentiria satisfeito, orgulhoso da criação que proporcionou a ele? Você se consideraria um bom pai por ter mantido um filho atrelado a você, dependente de você, idolatrando você, sacrificando-se para agradar as suas vaidades e caprichos? Que tipo de pai acha bonito um filho subir uma escadaria destruindo os joelhos para honrar seu nome? Que tipo de pai acha bonito um filho se humilhar diante de todos confessando sua fragilidade e dependência? Pois eu não consigo entender que o “criador de todas as galáxias e mundos conhecidos” seja mais tolo, vaidoso e egoísta do que o mais mundano dos mortais.

Um Deus poderoso o suficiente para construir o Universo teria que ser pelo menos melhor do que eu. E eu não trataria um filho com tanta displicência como Deus – todo poderoso – trata seus filhos.

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Progresso

Artemis

É importante ter em mente que a que a ideia de resgatar elementos perdidos na aventura tecnocrática humana em relação ao parto, amamentação e maternagem não deve nos seduzir em direção a uma visão nostálgica e ingênua do passado, aquele tempo “perfeito” e estável onde as mulheres podiam livremente amar e cuidar de seus filhos. O progresso (se é que ele existe, pois para cada avanço notável sofremos perdas invisíveis mas igualmente profundas) pressupõe mudança e entropia; choque, atrito, destruição e reconstrução.

O papel da mulher e – por conseguinte – da maternidade haveria de se transformar com o fim do paleolítico superior e a chegada do neolítico, com o sedentarismo, a posse – de coisas e pessoas, a religião, a guerra e o patriarcado. Assim estamos falando de uma transformação adaptativa obrigatória, e não uma mera escolha racional por caminhos distintos. As mulheres de hoje são um produto de milhares de pequenas transformações culturais adaptativas dos últimos cem séculos, que nos leva da “mãe essencial” à algo que se aproxima de Ártemis, a deusa tríplice.

Se é verdade que a forma como as mulheres pariam, amamentavam e cuidavam de suas crias nos tempos distantes nos causa saudade, também é verdadeiro que os avanços em termos de liberdade e autonomia garantidos hoje a elas nos impedem de voltar à ilusória estabilidade de outrora. Nosso desafio é encontrar um paradigma que, ao mesmo tempo que garanta as conquistas modernas de autonomia e segurança, também ofereça às mulheres a possibilidade de viver a maternidade com plenitude.

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O humor e seus limites

jesus-manero

Muitas pessoas me falam sobre a “indecência” de fazer piadinhas com Jesus. Dizem que deveria haver mais respeito com a religião e com o “pai”, e que tais chistes deveriam ser proibidos ou, no mínimo, sofrer uma dura recriminação.

Mas qual a alternativa? Criar uma instância de fé intocável pelo humor? Pois eu ainda prefiro que Jesus seja zoado a “protegido”. Não esqueçam que até os reis permitiam que os menestréis fizessem chacota com o reino e a corte. E se Jesus for mesmo o que dizem que é deve até se divertir com a criatividade dos seus “filhos” em criar piadas e chistes com seu santo nome. Ficar chateado com as brincadeiras denuncia certa insegurança nossa com o valor da mensagem, a exemplo dos islâmicos que até juram de morte quem profanar o nome de Maomé.

Não tenho religião e respeito todas as crenças, mas não coloco nenhuma delas num local inatingível pelo humor, pois isso significa admitir que ela é frágil demais para ser ameaçada. JESUS, seja quem for, deve dar barrigadas intermináveis com algumas boas piadas surgidas em seu nome…

Eu digo isso porque as piadas com Parto Humanizado – minha especialidade é a obstetrícia – devem ser respeitadas. Eu realmente não me importo e acho algumas engraçadíssimas. Certa vez assisti um stand up do Bill Cosby chamado “Natural Birth” – em que ele debocha do método Lamaze – que é simplesmente espetacular!!!

Não existe limite para o humor, e ele é a grande ferramenta contra a opressão. Nem todo o humor precisa investir na humilhação e no escárnio; podemos fazer dele uma arma contra os poderosos. Onde houver poder, haverá humor para relativizá-lo. Fazer troça com Jesus eu não vejo nada demais. Aliás, Monty Python fez isso com maestria… E é muito importante criticar todas as figuras históricas, pois isso as humaniza e até enaltece.

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