As dores da Alma

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“Os sofrimentos da alma são os mais avassaladores para o sujeito, e isso não representa um desmerecimento das terríveis dores da carne, mas a compreensão que, por ser imaterial e não passível da anestesia química ou da radicalidade de uma amputação, estes sofrimentos se mantém e martirizam o sujeito no limite absoluto de suas forças. A culpa, o remorso, a falta de sentido na vida, a desesperança e o luto corroem aquilo que faz de nós humanos. Lidar com tais infortúnios demanda paciência, resiliência e – ouso dizer – o auxílio da transcendentalidade. Só o entendimento de que a vida tem propósitos além de nossa compreensão poderá dar àquele que sofre o sopro de esperança e alívio capaz de mitigar a dor que sua alma sente.”

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O Erro

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O erro dos outros quando nos atinge é sempre imperdoável. Já com os meus erros não esqueça os contextos, as circunstâncias e os atenuantes, além das razões que só cabe a mim entender. Não seja tão duro.

Admoeser Rufus (codinome do famoso romancista Dimitri Ustalov)

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Moro e Aécio

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“Você não vê problema algum em um juiz confraternizar com políticos delatados na Lava Jato, operação a qual o juiz Moro lidera, certo? Diga pra mim, moço inocente, se você encontrasse um juiz criminal em um churrasco na Rocinha confraternizando com traficantes (ou acusados de tráfico) daquela comunidade não acharia estranho ou comprometedor? Não? A diferença está no preço dos ternos, na boca livre que vem depois (com champanhe e caviar) e na brancura da pele dos convidados? Sim?“

QUAL A DIFERENÇA??

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Freud, sempre ele…

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A frase original é de Sigmund Freud é “O que João diz de Pedro fala mais de João do que de Pedro”.

Essa é uma técnica de análise que sempre achei válida. Nunca peça para alguém descrever a si mesmo, pois somos os piores avaliadores de nossas próprias almas. Todavia, ao descrevemos a outrem, deixamos escapar o que pensamos de nós mesmos, e estas imagens aparecem refletidas no espelho que o próximo nos oferece.

Assim, fuja daqueles que ostentam dedos acusatórios apontados contra tudo e todos; eles, na verdade, apontam para a própria sombra.

Sempre…

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Liberdade, liberdade

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A liberdade sexual das mulheres incomoda – e muito – no sexo e no parto. Incomoda porque TODA a estrutura patriarcal se assenta sobre a dominação e o controle da capacidade reprodutiva. Portanto, não se trata apenas de um sentimento subjetivo de posse sobre o corpo do outro (esse as mulheres também possuem) mas um sentimento cultural, esparso e arraigado de que o corpo da mulher precisa ser controlado para manter a ordem social. Por essa razão a liberdade sexual das mulheres nos incomoda a todos – homens e mulheres – porque desafia o paradigma atual que nos oferece alguma paz momentânea nesta zona de conforto patriarcal.

Quem assistiu o documentário sobre Amanda Knox no Netflix percebeu que, na perspectiva da opinião pública italiana, seu pior crime não foi ser suspeita de um crime bárbaro que vitimou uma menina brutalmente assassinada. Seu crime se tornou imperdoável quando descobriram seu diário na prisão. Nas páginas do diário ela assumia já ter se relacionado com 7 meninos durante toda sua vida de 20 anos. Isso fez a reviravolta da opinião pública. O roubo do diário, e estas revelações, criaram a ideia de uma puta, uma devassa que matou sua colega que se “negou a participar de uma orgia“. O crime de Amanda foi assumir publicamente sua liberdade sexual em uma comunidade conservadora e puritana.

A liberdade sexual de uma mulher abala as bases do patriarcado.

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O Ódio ao Parto Domiciliar Planejado

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O parto domiciliar causa tanto ódio, raiva e produz tantos ataques da corporação médica mesmo sendo absolutamente desimportante do ponto de vista estatístico. Ele representa bem menos de 1% dos partos. Por que tanta raiva?

Se a segurança das pacientes fosse o temor, por que se admitem cesarianas a rodo quando sabemos cientificamente que elas multiplicam o risco de morte materna e neonatal, além de elevar exponencialmente os riscos de… danos a ambos e produzir custos estratosféricos?

Se a segurança fosse a preocupação por que os hospitais privados não são obrigados a ter anestesistas de plantão exclusivos para a obstetrícia para dar conta de emergências obstétricas? A razão é que não se trata de oferecer segurança, mas de manter “controle”. Em sua casa a mulher está no comando e a corporação patriarcal não pode lhe lançar os olhos. Não se trata de “cuidar melhor”, mas de controlar esta mulher em seu momento mais íntimo. A medicina é um braço do patriarcado, ocupada em conservar e disseminar seus pressupostos. Ela é em essência, conservadora e em oposição aos movimentos que lutam pela liberdade da mulher.

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Icterícia

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Vejam bem, existe uma abordagem da icterícia neonatorum (o amarelão dos bebês ao nascer) por parte da “medicina evolucionista” que é muito criativa. Por volta de 70% dos recém nascidos nasce com algum nível de icterícia. Isso sempre foi interpretado como uma incompetência hepática do recém nascido que se resolve com luz ou apenas aguardar o tempo. Uma versão grave – e extremamente rara – desse transtorno passageiro é o “kernicterus“, um aumento muito grande com impregnação cerebral de bilirrubina. Em 30 anos atendendo partos nunca vi um caso assim.

Mas a novidade da interpretação darwinista é que talvez o aumento de bilirrubina seja benéfico e faz parte da adaptação do organismo à hiperoxigenação que ocorre depois do parto.

Os fetos vivem em um ambiente pobre em oxigênio. Não é à toa que nascem azulados, arroxeados; essa é sua cor natural no útero. No momento do nascimento e com o surgimento abrupto da respiração pulmonar o corpo do bebê é inundado com altas quantidades de oxigênio. O corpo todo se “oxida”, o que pode causar problemas, em especial para os receptores cerebrais. Para contrabalançar essa entrada abrupta de O2 no corpo o organismo lança mão de um potente antioxidante. Qual?

Isso mesmo, a bilirrubina. Ela se combina com o oxigênio absorvido e freia seus efeitos. Portanto, ao invés de entender como um “erro metabólico passageiro potencialmente perigoso” talvez seja mais útil olhar para a icterícia causada pela concentração de bilirrubina como um evento ADAPTATIVO milenarmente construído pelo nosso corpo para se adaptar ao ambiente aerado.

“O mundo não se descortina diferente procurando novas paisagens, mas construindo novos olhares”. (Marcel Proust)

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Sorrisos

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Existem dificuldades inquestionáveis em toda a tentativa de modular nossa ação e nossa fala em função do outro. Como será recebida a mensagem? Por mais que a intenção seja clara em nossa mente a chegada aos olhos e ouvidos alheios dependerá do meio (palavras, gestos, entonação, local, circunstância, etc.) e do universo de signos que dão sentido a quem as escuta e vê.

Por isso mesmo, eu entendo o quanto deve ser difícil para uma mulher controlar o conta-gotas da simpatia para …não errar o ponto e oferecer aos outros uma falsa sensação de abertura. Enganam-se, portanto, os que pensam que ao homem cabe o ônus da iniciativa. Não, ela é sempre feminina e, via de regra, não verbal. E é nesse gestual intrincado e sofisticado, elaborado em milhões de anos de aprimoramento, que um sorriso simpático dirigido a uma alma sequiosa de atenção e carinho pode ser confundido com um convite.

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Fetiches

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Fiquei pensando sobre os fetiches e me veio à mente a pergunta é: não temos um preconceito irracional sobre a expressão dos fetiches, desconsiderando sua natureza e aplicando sobre eles valores morais? Poderia um homem que expressa seus fetiches aparentemente bizarros – fazer sexo vestido de mulher, vestido de bebê ou caubói, em lugares exóticos, com múltiplas(os) parceiras(os), etc. – ser criticado, humilhado e censurado pelas sua “escolhas”, a forma como recobre de realidade suas fantasias?

A questão, entretanto é mais complexa. Os fetiches e as fantasias não são escolhas racionais e livres; são emanações do inconsciente e vinculadas aos estratos mais profundos do psiquismo humano. Nenhum sujeito escolhe racionalmente (apesar da expressão do desejo ser racional) ser espancado durante o sexo como forma de gozo, mas estas atitudes expressam significados muito profundos e da ordem do inconsciente.

Todavia, não seria o romantismo uma manifestação fetichista socialmente aceita e valorizada? Essa foi a ideia que algumas amigas mulheres me trouxeram e que eu achei muito interessantes. O romantismo de homens e mulheres é tão fetichista quanto uma orgia ou uma fantasia “bizarra”. O romantismo pode fazer diferença para o(s) parceiro(s), pois que são convidados a participar ou ser cúmplices dele; todavia ele é igual a qualquer outra fantasia para o sujeito que a produz.

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Desejos, Fantasias e Vibradores

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Sobre desejos, fantasias e vibradores…

A propósito de um debate sobre uso de vibradores por mulheres casadas – ou com parceiros fixos – eu lembrei de uma frase que ele tratava de algumas particularidades da sexualidade feminina: “o pênis é uma parte do corpo feminino que fica pendurada nos homens“. Mas, se a discussão é sobre a fantasia feminina e o prazer que dela se produz, o auto erotismo, a luxúria solitária, o que haveria a debater? Um homem pode até esconder um vibrador, mas pode amarrar os dedos, queimar o travesseiro, aplicar um torniquete nas fantasias? Não creio…

Mas se o debate for sobre a representatividade do falo no vibrador… bem, essa seria uma linda discussão.

Tenho a ideia de que a fantasia feminina é insuperável. Em “Eyes Wide Shut”, derradeiro filme de Stanley Kubrick (2001, uma Odisseia no Espaço) ele explora isso, baseado na obra Traumnovelle de Schnitzler. No filme a fantasia erótica de Alice (Nicole Kidman) aparece em todas as suas nuances, detalhes e riquezas. A descrição pormenorizada ao marido Bill do não-encontro com o capitão do navio deixou o protagonista, Dr Bill (Tom Cruise), absolutamente abalado. Não se tratava de um ciúme materializado por um ato de infidelidade; era a fantasia inalcançável, impossível de controlar ou proibir; era a riqueza do erotismo feminino, o espaço infinito no qual suas mãos jamais poderiam controlar ou alcançar, constituindo-se no fato que que mais lhe torturava. Esse relato sôfrego, é interrompido bruscamente pelo telefonema de uma cliente, e ali se inicia sua busca, uma aventura angustiante através de um percurso masculino.

O que ele encontrou foi um universo gélido, tétrico e insípido criado por mulheres nuas e sem rosto. Sobrava-lhes corpo, matéria; faltava a elas alma e desejo.

Quanto a estes fantasmas femininos, que os deixemos livres.

(essa foto é do momento em que Alice descreve suas fantasias ao marido, deixando-o atônito e em pânico)

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