A imagem de Netanyahu postado à frente de seus soldados não é apenas uma demonstração de autoridade e poder sobre seus comandados; ela é o que se costumou chamar de sinais semióticos que nos remetem para sentidos que vão além do meramente explícito. O mesmo acontece em muitos governos de extrema direita – de Milei à Orbán, passando por Trump – e por certo também ocorreu no governo Bolsonaro: os nazistas daqui adoravam mandar sinais codificados e “apitos de cachorro” para deixar claro para os seus grupos – em especial as células nazistas – a ligação visceral que tinham com os fascistas. Por isso durante 4 anos testemunhamos defensores do governo Bolsonaro fazendo sinais nazistas com as mãos – inclusive parlamentares – a cerimônia de “beber leite“, a adoração aos slogans nazistas (Deus, pátria, família), a tiara de flores nas mulheres nazi, o culto às armas, a eterna celebração do “cidadão de bem”, o “übermensch”, a perspectiva supremacista, o racismo, a ignorância como virtude e a vinculação com a mística religiosa. No nazisionismo a estética é a mesma. Netanyahu adora mostrar que ele é o “Führer” do exército supremacista de Israel. Espero que a civilização ofereça ao sionismo a mesma lição que deu ao nazismo de Adolf. Com fascistas não há diálogo; há combate.
Frida
O amante de Frida ligou para a casa dela mas seu marido Diego estava ao lado. Quando reconheceu a voz do amante ela imediatamente desligou.
Diego, desconfiado, perguntou:
– Quem era, Frida?
Ela, tentando dissimular a tensão, respondeu:
– Não era nada… era Trotsky.
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O Mistério dos Túneis
Há muitos anos desenvolvi o costume de contar histórias de aventura para os meus netos mais velhos, a exemplo do que minha mãe fazia quando éramos pequenos; ela criou uma espécie de “propina” para que eu e meu irmão ajudássemos a secar a louça do almoço. Talvez eu tenha aprendido nessa época o quanto estas narrativas são cativantes. Nada mais magnetizante do que contar uma história e perceber a emoção tomar conta de quem a escuta.
As aventuras que conto para eles são sempre sobre fatos que acontecem a uma dupla de pré-adolescentes, da idade deles, que se envolvem em atos heróicos. São invenções minhas, que normalmente crio na hora, por cima de um roteiro prévio. Sobre a linha básica de criar nas histórias a identificação com suas próprias vidas, sonhos e ideias, já se foram dezenas de pequenas epopeias contadas. A história atual se chama “O Mistério dos Túneis”, e mistura um drama familiar com o roubo de um banco, onde os garotos, munidos apenas de sagacidade e coragem, encontram pistas que levam aos antigos túneis de esgoto da cidade, o que pode fazê-los encontrar os criminosos. No meio dessa trajetória de descoberta são obrigados a debater sobre o drama que se abate sobre seu pai.
As histórias são contadas em capítulos, um por noite, e não podem ultrapassar 1 hora. É curioso o fato de que sou interrompido frequentemente com as ideias que eles formulam sobre a trama, tentando adivinhar o fim e a solução do caso. É impressionante a tensão que criam com uma simples narrativa de suspense e mistério; não existe “dopping” mais forte que esse.
Tudo isso seria apenas o fato corriqueiro de um velho contando histórias para seus netos, não fosse o que eu escutei ontem. Quando chegou da escola, meu neto Henry, de 8 anos, me disse:
– Vô, contei o capítulo do “Mistério dos Túneis” para todos os meus colegas. Eles querem muito saber o resto da história.
– Sério?
Meu outro neto, Oliver, de 11 anos, emendou:
– Vô, tu poderias ficar milionário escrevendo um livro com estas aventuras.
O que era só diversão agora tomou um caminho muito mais sério…
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Quem decide por nós?
No Brasil você é proibido de defender a legalização de um partido nazista; isso está na legislação. Entretanto, a gente sabe que nossa constituição é maleável; ela pode ser suplantada pelo simples desejo de um ministro do STF, bastando para isso que ele sinta ameaçada sua perspectiva burguesa e liberal. E vejam: não se trata sequer de defender um partido nazista ou sua plataforma racista, opressora e excludente, mas simplesmente reconhecer o direito de fascistas aparecerem à luz do dia e saírem do esgoto. Pois isso, para Alexandre de Moraes, já é motivo para perseguições. Monark, o menino ancap, está sendo perseguido por querer bancar o Voltaire em terra de Xandão (*).
Por outro lado, você pode criar um partido de inspiração e financiamento sionista no Brasil de forma absolutamente livre. O sionismo é uma ideologia supremacista e colonial que já matou milhões de palestinos, direta ou indiretamente, nos últimos 75 anos. Durante o Nakba, em 1948, expulsou 750 mil palestinos de suas casas e criou um país artificial, roubando a terra dos seus moradores originais. Israel se tornou a última colônia opressora ocidental, onde só uma identidade tem plenos direitos, em detrimento de todas as outras. Estabeleceu um regime explícito de Apartheid, separando os judeus do “resto”, em especial os árabes – a população nativa do local. No último massacre, ainda em vigor, mais de 30 mil pessoas, a maioria de mulheres e crianças foram mortas. Os crimes de guerra – ataque a hospitais, aos campos de refugiados, aos médicos, enfermeiras e jornalistas, etc. – são difundidos abertamente pela Internet e pela TV, crimes escancarados, vistos por milhões de pessoas no mundo inteiro. Cinicamente matam, prendem, humilham e abusam. Apesar disso, as redes de TV e os jornais podem defender abertamente esse regime, sem sofrer qualquer admoestação por parte das instituições jurídicas.
Ou seja, o problema não é a defesa de sistemas de poder fascistas, racistas e opressivos; isso podemos ver como acontece abertamente pela defesa de um país terrorista como Israel. O drama está em quem tem o poder de discriminar o que pode ou não ser proibido. Por certo que não é o povo brasileiro, mas uma elite jurídica que determina o que pode ou não ser visto por nós. No caso brasileiro, os ministros do STF concentram esse poder, atuando por cima de todos os outros poderes; a palavra de um Xandão vale mais do que a do presidente ou mesmo do Congresso Nacional inteiro – que ao contrário daquele, foram escolhidos diretamente pelo povo.
Assim, dá para entender as razões pelas quais a extrema direita autoritária e a extrema esquerda focam no mesmo ponto: o autoritarismo do STF é perigoso. A extrema direita fascista, por certo, por questões oportunistas: eles são as vítimas de hoje, uma vez que seus líderes estão a ponto de serem encarcerados pela ação do STF. Porém, seria uma suprema ingenuidade acreditar que a extrema direita preza valores como a liberdade, se estão sempre à frente das ditaduras que destroçaram a democracia no mundo inteiro. Já para a esquerda radical a questão é mais estrutural; entende que o mesmo Alexandre que deseja “limpar” as redes sociais foi o sujeito que apoiou o golpe contra Dilma, a prisão ilegal de Lula e rasga elogios ao traidor da pátria Michel Temer sempre que pode. Portanto, Xandão está longe de ser um legalista e alguém que defende a democracia e a constituição; ele é de fato um golpista e mais um árduo defensor dos poderes burgueses. Repetindo: é possível denunciar Alexandre de Moraes como um autoritário – um sujeito colocado no poder por um traidor e que abusa do seu poder – sem ser simpático ao bilionário, drogadito, ancap, golpista que estimula e patrocina golpes na América Latina.
(*) sim, eu sei que Voltaire não disse aquela famosa frase, mas se eu colocasse o nome de sua verdadeira autora – Evelyn Beatrice Hall, biógrafa de Voltaire – ninguém iria sacar a analogia.
Arquivado em Causa Operária, Política
Incertezas
Bitello foi vendido pelo valor de mercado; ninguém quis pagar mais por ele. Sim, desmancharam o ataque porque precisavam de uma venda para não afundar o clube. E vamos precisar de mais vendas. Gustavo Nunes é o próximo. Não gostaram? Então torçam para o Real Madri ou o Bayern de Munique que não tem problema de grana. João Pedro Galvão foi um excelente jogador, mas que não deu certo por aqui. Todavia, tudo no futebol é aposta. Borré até agora não fez gol e não jogou nada. Suárez deu certo; um fenômeno. Já Forlán (melhor jogador da Copa anterior) foi um desastre e um escândalo financeiro; para ele deu tudo errado. Até grandes jogadores naufragam.
Jogadores médios muitas vezes se sobressaem por causa do time. Paulo Nunes é um bom exemplo. Jardel era um “perna de pau” (ok, exagero da crônica) desengonçado, mas que deu certo – aqui e na Europa, um fantástico fazedor de gols. JP Galvão tinha nome, tinha mercado, era goleador e não deu certo, mas sabemos que não existem certezas no futebol. Quando foi contratado nós vibramos com a promessa de gols. Luan deu certo algum tempo, mas o alcoolismo destruiu sua carreira aos 26 anos. Como seria possível prever isso? Quem, em dezembro 2017, aceitaria sua venda? Hoje sabemos que seria o melhor a fazer. Errou o Corinthians ao comprar? Parece que sim, mas quando chegou ao clube foi tratado como o Salvador, o Messias.
Muitos acham que futebol se gerencia como um botequim, mas são milhões em jogo, além de pessoas, famílias, carreiras, a paixão da torcida etc. E no futebol sempre se aposta no alto risco. Quem acreditaria que Jean Pierre abandonaria o futebol aos 24 anos de idade? Quem acreditaria que Luis Suárez teria o comportamento aguerrido de um garoto recém saído dos juvenis? Quem apostaria que ele seria o maior fenômeno do futebol brasileiro em 2023? Quem acertaria que Douglas Costa seria uma brutal frustração?
Não há como adivinhar. Ou melhor: tem como acertar se você tem bilhões nos cofres e pode comprar o jogador cujo talento já foi comprovado sem destruir os cofres da instituição. Não é o caso do Gremio…
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Liberdade e Imprensa

Estes que agora levantam a bandeira da “liberdade de expressão”, democratas de fachada e oportunistas da livre expressão, sempre foram vorazes defensores do capitalismo – um sistema que torna a cidadania e os direitos humanos produtos que se compram na prateleira. Este modelo de sociedade, ao exaltar uma sociedade de classes dividida entre capitalistas e trabalhadores, cerceia a liberdade de quem, alijado do capital, se torna incapaz de exercer sua cidadania com plenitude. Estes são os mesmos “libertários” que há poucos meses se mobilizaram, com slogans, cartazes e povo na rua, por uma nova ditadura militar no Brasil. Com bandeiras verde-amarelas, laquê nos cabelos alourados e gritos de “eu autorizo”, conclamavam as forças militares à tomada do poder, mesmo com o uso da força, desprezando os resultados eleitorais.
Estiveram todo o tempo alinhados com a extrema direita prestando continência para pneus e chamando ETs com o celular. Esperavam que uma ditadura militar, com a volta dos mesmos personagens violentos e estúpidos do passado retornassem de suas tumbas. Se pudessem, trariam Newton Cruz e Coronel Ustra de volta ao nosso convívio, para junto com Geisel, Médici e Figueiredo impor a “disciplina” e a “ordem” no Brasil.
Isso nos deixa uma importante lição: não há porque desistir do sonho de uma sociedade sem censura onde as mentiras sejam combatidas com a verdade e o exercício pleno do contraditório. Entretanto, não é admissível aceitar o discurso falso e dissimulado de quem há pouco tempo apoiaria a desaparição de todas as nossas garantias constitucionais e até mesmo os resquícios de liberdade política garantidos pela constituição de 1988. É preciso estar atendo às narrativas tortas da direita: quando os liberais falam de “valores democráticos”, “liberdade”, “livre expressão” nunca estão se referindo à garantia desses direitos às pessoas simples, o povo, o motorista de aplicativo, a doméstica, o rapaz da bicicleta do IFood ou o servente de pedreiro. Jamais estarão tratando dos direitos de todos, mas apenas dos deveres que a classe operária tem para com os ricos, para que estes últimos possam desfrutar da liberdade, um valor que pode ser usufruído apenas por quem “merece”.
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Um poder que se protege
O Supremo Tribunal Federal vota por unanimidade contra a interpretação do artigo 142 da constituição que oferecia às forças armadas um poder “moderador”, podendo agir para estabilizar conflitos internos.
Bem, era de esperar que o STF não endossasse a tese das Forças Armadas como “poder moderador”. Afinal, qual o poder de Estado que votaria contra as suas prerrogativas e para diminuir seus próprios poderes? Porém, este é o mesmo poder que, há pouco tempo, votou pela prisão de Lula em segunda instância de forma contrária à constituição. Assim, se é possível comemorar a derrota dos golpistas, é preciso calma com o STF, pois que se trata de um poder historicamente interessado na manutenção do poder nas mãos da burguesia.
Assim como aconteceu na prisão criminosa de Lula, na primeira oportunidade o STF retorna à sua histórica posição conservadora, direitista e contrária aos interesses das forças progressistas e populares. Muita calma ao celebrar qualquer ação da suprema corte.
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Netanyahu
A nova/velha tática de sionistas confrontados com imagens, relatos e depoimentos sobre o massacre de mulheres e crianças – além da morte de membros de uma ONG que levaria comida aos famintos de Gaza – é afirmar que estas verdades insofismáveis não são decorrentes da ideologia racista e supremacista que abraçam, mas do governo Netanyahu, que faz parte de uma extrema direita impopular e “extremista”. Esta é, aliás, a retórica mais preponderante entre os ditos “sionistas de esquerda”, um oximoro que ocupa posição de destaque na imprensa corporativa. Tentam retirar a culpa da estrutura que sustenta o Estado terrorista de Israel para colocá-la numa contingência eleitoral, como a presença de um radical de direita à frente do seu governo. Todavia, ao contrário do que os sionistas mais ufanistas acreditavam, Israel se mostrou incapaz de quebrar a resistência palestina. O apoio internacional à causa Palestina aumenta no mundo inteiro e o sionismo racista e supremacista se isola, restando apenas o apoio do Império Americano. Porém, mesmo no seio da América este suporte está enfraquecendo rapidamente, na medida em que as mentiras de Israel são reveladas e as pessoas aos poucos começam a conhecer a realidade da ocupação brutal de Israel. A Palestina vencerá porque o mundo não pode mais aceitar o racismo e a brutalidade fascista que são o coração do sionismo, porém, antes que isso aconteça, muitos sionistas tentarão oferecer a simples troca de um governo fascista por um personagem mais moderado como solução para o drama palestino. Todos sabemos o quanto isso é falso.
Ora, todos sabemos que a imensa maioria da população de Israel apoia os massacres aplicados à população palestina. Os descontentes que saem às ruas contra o governo atual clamam por ações mais enérgicas (ou seja, mais mortes) para o resgate dos reféns e pelo fim do governo corrupto de Netanyahu. Não são movidos por interesses humanitários, por certo. Também é fácil perceber que, entre a elite política de Israel, Netanyahu é visto como moderado; por mais bizarro que possa parecer, os chacais ao seu redor são ainda mais radicais no uso da violência. A possível troca de Netanyahu por Benny Gantz ou Yair Lapid – seus principais opositores – produziria mais radicalismo, pois que suas posições são ainda mais virulentas, racistas e genocidas que as utilizadas até agora.
A sociedade israelense foi se deteriorando com o passar dos anos, radicalizando-se no arbítrio e na opressão, mergulhada no fascismo mais abjeto, em um nível e em que o desprezo pelos árabes, a postura supremacista, o excepcionalismo e a desumanização do povo palestino permitem que o massacre cruel e abjeto seja a cola social que unifica seu povo. Não há diferença alguma em suas práticas que os diferencie dos seguidores de Adolf.
Por outro lado, é certo que esta “solução” – a queda e a prisão do primeiro ministro Netanyahu – mais cedo ou mais tarde poderá ser aventada, mas não nos enganemos; caso venha a correr a proposta terá como objetivo “mudar para não mudar”. Ou seja, “oferecemos a cabeça de Netanyahu em uma bandeja para o ocidente para que nossa proposta de extermínio da Palestina siga intocada”. A população da Palestina, que de forma intensa apoia as medidas dos grupos de defesa e de resistência armada, não vai aceitar a queda de um político corrupto como sinal de paz ou como solução para o colonialismo e a ocupação. Este truque também poderá ser utilizado na nossa questão doméstica: a prisão de Bolsonaro. Ao mesmo tempo em que coloca um criminoso na prisão esta ação pode manter vivo o bolsonarismo, deixando protegido o radicalismo fascista de extrema direita.
É preciso entender a delicadeza da situação na Palestina para não se deixar aprisionar pelo emocionalismo. O ataque ao sionismo e sua ideologia fascista precisa muito mais de cérebro e paciência do que pressa e ações apaixonadas. É necessário ser frio e entender que a luta de 75 anos pela Palestina livre não vai terminar da noite para o dia e muito menos vai se dar por ações atabalhoadas e midiáticas.
Arquivado em Causa Operária, Palestina
Chuva
… e de repente as cores se modificaram. Um silêncio oco se apressou a sussurrar nos meu ouvidos que a tempestade dobrava a esquina e vinha bater à porta. De súbito o hálito frio da chuva trouxe às minhas narinas o cheiro do saibro molhado misturado com as folhas da laranjeira. Vou sentir saudades quando tamanha explosão de vida me for interditada. Guardarei o frescor destas gotas por sobre as rugas da pele como uma tatuagem colorida na memória dos sentidos.
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Empatia

Ficamos naturalmente horrorizados com o holocausto judeu na segunda guerra mundial ou com as circunstâncias terríveis para os habitantes da Ucrânia na atualidade. Para quem tem mais idade, os horrores causados pelos nazistas contra a população de judeus, ciganos, homossexuais etc. ainda estão em nossa memória, mostrando o poço profundo de maldade e miséria humana em que a humanidade é capaz de se envolver em busca de poder. Imagens desses desastres humanos, quando mostradas, ainda hoje causam imediata reação. É simples e natural sentir em nós mesmos o sofrimento a que foram (ou ainda são) submetidos aqueles que sofreram a perversidade de uma guerra. Entretanto, se houver uma consciência mais ampla das razões que nos fazem sofrer pela dor alheia, é forçoso considerar que tais dores são consideradas indignas e insuportáveis apenas porque as vítimas são brancas, falam nossas línguas e parecem muito conosco. É esse este espelho de nós mesmos que torna possível estabelecer uma conexão com elas. A semelhança permite que nos vejamos dentro de suas peles claras e europeias.
Por outro lado, para nós é fácil produzir uma capa de proteção contra o horror da opressão criando um isolamento emocional. Basta para isso que os martirizados sejam os congoleses – destruídos pelo Rei Leopoldo – quando são os milhões de chineses as vítimas – massacrados pelos japoneses – ou quando quem sofre são os vietnamitas, os coreanos, os afegãos e os sírios destruídos pelo Império americano, composto por brancos cristãos e tementes a Deus – como nós. Essa é a razão que nos faz chorar por uma falsa agressão contra mulheres israelenses mas não nos faz pegar em armas ao ver a brutalidade do holocausto palestino, a morte de milhares de mulheres e crianças, o bombardeio de hospitais, a morte de médicos, enfermeiras e jornalistas e a fome e a sede produzidas pelo sionismo.
Nossa empatia é por semelhança; temos afeto por golfinhos – que parecem sentir e agir como humanos – mas não por atuns, que vivem no mar e são tão grandes e bonitos quanto os golfinhos. Nossa simpatia é seletiva, e parece ser despertada apenas com gente parecida com a gente e por esta razão, para que a paixão de Cristo fosse dolorida em nossa própria carne, era preciso construir um Jesus loiro, caucasiano e de olhos azuis. Pouca importância seria dada a um preto revolucionário, anti-imperialista, revisionista judeu, se sua pele fosse morena e seu cabelo preto e enrolado. Foi preciso ocidentalizar o Cristo, torná-lo palatável para, só assim, ser consumido pelos consumidores europeus. . Isso pode ser visto de forma muito simples nas coberturas de guerra, tanto nos conflitos da Ucrânia, ode os jornalistas deixavam claro que as mortes aconteciam com “gente loira e de olhos azuis” e que por isso deveriam ser repudiadas, ao mesmo tempo em que mortes de israelenses ganham muito mais atenção – e impacto – do que as milhares de mortes que ocorrem há mais de sete décadas na Palestina, e que agora atingem sua face genocida mais explícita.
Enquanto nossa empatia for pela cor da pele – qualquer uma – e não pelo que existe de humano que habita em cada um de nós, não poderemos receber o nome de “humanidade”
Arquivado em Causa Operária, Pensamentos








