Arquivo da categoria: Ativismo

Voiceless Women

Human Rights in Childbirth

Excerpts from a discussion on the Facebook page “Human Rights in Childbirth”

Ric Jones

“I still prefer the foolish free choices than the wise things women are obliged to do for their own safe”.

Plus, are we really thinking on women and baby’s safety when we demand them to be in a hospital instead of remaining at home? Are we “pure scientists” offering pregnant couples the best our knowledge is able to give? Or, in fact, are the decisions that we – doctors and midwives – make based in other interests, like money, time, convenience, power, political and moral pressures? The differences we see today concerning the violent practices from the past happened because the medical staff became more “human” and “respectful” or because now women can make choices and (also) complaints?

For a humanistic obstetrician it’s a pain on the heart to witness a woman choosing an unnecessary abdominal surgery without using her perfect and ancient own equipment. But, for me, that’s the price to pay for free choice. That’s the same feeling I have when I meet my daughter’s boyfriends. I guess I could find a better guy for her, but I still prefer that she chooses that, even if she makes terrible mistakes…

A clear example for what I call “ideological violence” is when a woman makes a “free choice” for a c-section based in the fear that her baby will get “stuck” in the birth canal or the cord wrapped around the neck will sufocate the newborn. Or even based in the notion that c-sections are cleaner, safer and more “humane” than the “animalistic births” she sees on TV. So, my question is: How free are her choices? How deep is the misunderstanding of birth she carries thru her entire life, based on media and doctor’s wrong informations? How can she receive TRUE and unbiased (as far as it is possible) information about risks, but also about pleasure and empowerment during the transcedental experience of birth?

The problem is not just “rational information”, the ones we can find in pamphlets or books, but the entire society that percieves birth as an emergency and a terrible threat to babies. So, along with the information we need “education”, and that begins in early stages of life, like in the kindergarten. Besides that, I totally agree with Robbie’s famous quote: “We shall not become the Gestapo of normal birth”. That’s it.

One of the problems I see a lot in the birth movement is the widespread notion that “she decided for a c-section because she is….. (stupid, weak, bad informed, decieved by doctors, etc…)” and in these situations women are ALWAYS victims of someone else. But, in fact, many of these decisions were done AGAINST doctor’s best advices, done by well informed women !!! They did it by themselves, and they had their reasons (what Penny Simkin once stressed on her book “When survivors give birth”). So, we need to respect these choices and stop saying that women make them for “silly” reasons. Good practices, good births, natural births, orgasmic births can’t become a “dogma” or, again, something that we must submit women to do, “on their best interest”.

“Many of the things you can count, don’t count. Many of the things you can’t count really count.” Albert Einstein (and that has to do with birth, as far as we cannot – yet – measure love, empowerment, affection, and faith)

I can describe technically – based in hormonal, physiological, mechanical and behavioral measurements – a sexual relationship, that even results in a healthy baby as a very successful one. But, at the same time, I may listen to that specific mother’s description of the sex, pregnancy and birth as the most horrifying experiences she has ever experienced in her life. So, what counts here (the biological parameters) are meaningless in a world ruled by language and symbolic values.

Why is it SO difficult to talk about “free informed choices” for women?

See… I can decide to climb the Everest, even thou the risks I am running by doing such a “foolish choice” (concerning the fact that I can get to the top without my toes or my own life) are “evidence based”. No one discuss that playing chess at home is safer than mountaineering. But no one dares to question me!! Men’s choices are sacred !

Ok, there’s a baby in a woman’s womb, and I respect that difference. But even when the woman is not pregnant we see that they don’t have the same spectrum of choices that a man has. And, when we discuss that issue (and that’s the point of view that I totally agree) we always put somebody else to decide for her, as the best person to make “good” decisions. The mother is always seen as unreliable.

There’s no humanization of childbirth with voiceless women…

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A Cesariana da Celebridade

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Mais um pouquinho sobre as críticas à cesariana da cantora Sandy…

Bem… Muitas ativistas exageram mesmo, mas isso é normal quando se luta por ideias. Eu já sofri na carne o ataque de algumas pessoas por ter uma postura mais aberta nas questões feministas, mas entendo que seja normal o exagero diante da barbárie da condição da mulher. Como diria John Lennon, “A mulher é o negro do mundo”. Como não perder o rumo diante de tanta energia para a mudança? A injustiça, mesmo condenável, tem um sentido, que é a transformação social. Mas essa energia precisa ser domada e controlada, para que não sirva de armamento contra pessoas que fazem suas escolhas, certas ou não.

Mas a proposta de não atacar as escolhas das “celebridades” me parece adequada. Acusar as mulheres que fazem cesarianas é continuar a agredir a vítima, e isso não podemos admitir.

A escolha pela cesariana é triste, mas é uma escolha como tantas outras que fazemos na vida. Mulheres que “escolhem” cesarianas sofrem do que eu chamei anteriormente de “violência ideológica”. O mesmo tipo de violência silenciosa que fazia as chinesas esmagarem seus pés para deixá-los pequeninos e delicados. O mesmo tipo de agressão ideológica que faz mulheres escolherem cesarianas por acreditarem que elas são “limpas, civilizadas, indolores e seguras”. Também se expressa na pressão que as meninas sofrem para ter um corpo magro e perfeito, até que a anorexia as conquiste. É também aquela usada contra mulheres que optam pelo parto normal. De longe parece mesmo que estas mulheres fizeram escolhas: malhar, comer pouco, esmagar seus pés ou abrir o ventre para extirpar um bebê, mas quão livres terão sido elas? Que tipo de pressão foi exercida para que elas tomassem estas decisões? Que carga tiveram elas que suportar – psicológica, emocional, física – para optar por um caminho com a qual não concordamos? Afinal, quem atira esta pedra?

É o que penso: que tipo de forças houve em cada caso de cesariana a ponto de fazer uma mulher esquecer sua escolha anterior pelo parto normal e refugiar-se na cirurgia? Culpá-la por ter sucumbido a estas pressões não é justo. Precisamos cultivar uma postura compreensiva, onde o parto será exposto como uma forma segura, tranquila e bonita de parir, mas jamais um modelo imposto por um grupo fechado em sua ideologia. Para isso já temos os cesaristas…

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Violência gera violência

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Eu entendo a indignação de quem se horroriza com algumas atitudes que são cometidas contra mulheres e seus filhos. Eu também me solidarizo com todas as mulheres que tiveram seus sonhos rasgados por uma cultura que criminaliza o afeto, a proximidade, a doçura e estimula o autoritarismo. Entretanto, concordo com o meu amigo Luis Tavares de que a nossa resposta NÃO pode ser no mesmo nível vibratório. Xingar profissionais, atacá-los, processá-los (como algumas pessoas estão sempre prontas a sugerir) pode apenas recrudescer a violência, fazendo com que aumente a distância entre cuidadores e clientes.

Nos Estados Unidos temos exatamente este cenário: processos diários, e por qualquer razão, cheios de ódio, ressentimento e (como evitar?) oportunismo de pacientes e advogados espertos. O resultado é uma catástrofe: médicos encaram seus pacientes como potenciais inimigos, e os pacientes desconfiam de seus médicos, imaginando-os torturadores arrogantes e insensíveis. Desarmamento dos espíritos – e não a insensata e compulsiva confrontação – é a chave. Sei que minhas palavras podem parecer uma fraqueza, mas já vi como a guerra funciona. Não há saída para este tipo de cilada: “eu desconfio de você e por isso você age apenas para se proteger, e não para NOS proteger”. Por favor: prestem atenção nas palavras dos poetas, pois ele tem muito a nos ensinar. Aliás, onde o entendimento cru e racional patina, a poesia desliza.

Há muito que se critica a passividade feminina diante dos desmandos sobre seus corpo, sua autonomia, sua liberdade e sua sexualidade. Ninguém suficientemente honesto deixa de perceber o quanto ainda temos que progredir para alcançar uma sociedade igualitária para os gêneros. Mas lembrem-se, que reagir a uma situação como essa não significa usar as mesmas armas do agressor. Reagir não é o mesmo que “contra-atacar”. Indignar-se não é o mesmo que usar a Lei de Talião, onde um olho vazado se trocava por outro, um dente também. Reagir significa agir em resposta, mas esta resposta PODE SIM ser repleta de compreensão, carinho ternura e…. FIRMEZA. Em Gandhi, temos a resposta e o exemplo de sucesso; a resistência pacífica dos Palestinos desarmados, também. Podemos responder aos médicos cesaristas com palavras, críticas de nível, artigos, blogs, páginas do Facebook e tantas outras formas de ativismo sem generalizar (os “médicos maus”, as “pacientes vítimas”) e sem crucificar.

Existem sim alternativas. A violência gera mais violência. Podemos educar (os médicos, os pacientes e a sociedade) sem PALMADAS !!! Para isso é importante paciência e “paralaxe” (a capacidade de ver o que o outro vê, por suas próprias perspectivas).

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Ativismo e Julgamentos

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É impossível exercer ativismo sem parecer estar julgando. Quando comecei a falar sobre partos humanizados, partos em paz, partos com prazer, amamentação por livre demanda e autonomia para as gestantes fazerem escolhas informadas muitas mulheres se sentiam atingidas pela força das minhas palavras. Qualquer elogio à uma mulher que havia parido livremente parecia ser uma ofensa àquelas que haviam optado pela cesariana, ou mesmo que haviam realizado uma com indicações dúbias. Falar da alegria e da suavidade de parir parecia – apesar do paradoxo – algo rude e insensível.

Não culpo as mulheres que se sentiram atingidas por estas descrições de parto. Escutar tais relatos parece ofensivo; é como relatar a nossa felicidade diante de alguém que sofre. Entretanto, se é importante manter a chama de paixão sobre estes temas, pois que eles nos falam de nossa vinculação mais profunda e perene com a vida, há também que se cuidar dos interlocutores, os quais podem se ferir com as nossas palavras, mesmo quando repletas de esperança e otimismo.

Aprendi errando, sem dúvida. Entretanto, entender a visão diferente que as mulheres podem ter do próprio corpo e seus partos é fundamental, assim como compreender os diferentes estágios de percepção que temos diante de um determinado problema. Algumas pessoas podem discordar à primeira vista dos pressupostos da humanização do nascimento, ou do combate ao consumismo infantil, da alimentação saudável e tantas outras questões, mas podem mudar sua ideia de acordo com o amadurecimento de suas concepções. Propostas como estas, que atingem valores muito profundos de uma cultura, não podem ser impostas; precisam ser cozidas em fogo lento, vagarosamente, com a chama das evidências. Por isso é que elas precisam ser necessariamente vagarosas, para que possam ser efetivamente assimiladas.

Nunca abandone teus sonhos, tuas lutas e tua dedicação a estas causas, e continue com esta postura de acolher a todas que porventura quiserem aprender com tua experiência. Auxiliar sem julgar, oferecendo a mão a quem desejar, é o centro de qualquer proposta de sociedade digna e justa, que entende e estimula a diversidade.

Qualquer postura radical e que não respeita a visão discordante do outro tende a produzir uma atitude defensiva dos oponentes. O que me parece mais sensato é cultivar a paciência e aguardar o amadurecimento, mesmo que demorado. Aliás, é assim que educamos crianças: com paciência, amor, carinho e a inevitável paixão, que deve permear todas as relações humanas.

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Explicações

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Vou explicar de uma maneira mais simples, ok?

Pensem da seguinte forma: nós que lutamos pela humanização do nascimento não temos NADA contra comida, pois se não fosse pela comida nós morreríamos de fome e inanição. Entretanto, o ABUSO DE COMIDA, a propaganda de açúcares, chocolates, cheeseburgers, e outras tantas comidas com gordura, carboidratos e glicose para CRIANÇAS criou um país de DIABÉTICOS E OBESOS. O abuso, e não a comida em si, é que é o problema. Aliás, não é apenas um “problema”; é uma questão de saúde pública. Muitas pessoas morrem todos os dias por doenças criadas e mantidas por hábitos alimentares equivocados.

Agora use este mesmo raciocínio para entender o problema dramático do crescimento de cesarianas no nosso país (como de resto no mundo inteiro). A cesariana abusiva e excessiva que ocorre no Brasil faz com que a mortalidade materna continue vergonhosamente alta, e nos Estados Unidos ela está (pasmem!!) crescendo. É hora de as autoridades do Brasil começarem a pensar nesse exagero operatório com mais seriedade. É o momento de dar um BASTA no excesso de cesarianas. Se a sua cesariana foi bem indicada, não é preciso se sentir atingida pela campanha que fazem as organizações que defendem o parto. Mas, se ela está entre as milhares de cesarianas feitas TODOS OS DIAS sem indicações clínicas, junte-se a nós nesta luta. É preciso que as mulheres percebam que a utilização do recurso cirúrgico para o nascimento só se justifica quando os ÓBVIOS RISCOS de uma cesariana são menores do que a continuidade do parto normal. Mas isso ocorre em uma parcela muito pequena, por volta de 10 a 15% dos nascimentos, e não em 54%, como tristemente percebemos no Brasil.

Vamos fazer do Brasil um país que respeita a integridade física e psicológica das mulheres. Já chega de cesarianas desnecessárias.

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Via de Nascer

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Não há problema algum em disseminar pela Internet (ou pelo rádio, TV ou conversas privadas) que o parto normal é uma via MUITO melhor e mais segura do que a cesariana, e que esta só deve ser realizada em situações extremas, para garantir menor risco para mães e bebês.  Isso é o que as evidências científicas nos demonstram há décadas; não se trata portanto de uma questão de gosto. Existem diferenças marcantes nos resultados – tanto para a mãe quanto para o bebê – em relação à via de parto. Mas o que encontramos na prática médica se opõe às evidências e vai de encontro à boa conduta médica. Infelizmente constatamos um abuso claro e insofismável das indicações cirúrgicas e 52% das gestantes acabam ganhando seus filhos através da cesariana, quando esse número não deveria ser maior do que 10 a 15% de acordo com valores históricos apregoados pela OMS e baseados em estudos bem conduzidos.

Portanto o risco verdadeiro NÃO é o de mulheres rejeitarem indicações adequadas de cesariana por conta de uma “campanha” de rejeição a esta cirurgia. O problema está nas gestantes continuarem acreditando que não existe “nada de ruim” em ter feito uma.

EXISTE SIM!!!! Pelos aspectos médicos, psicológicos, microbiológicos, emocionais, econômicos e sociais a cesariana no Brasil é uma barbárie, na qual as mulheres são as vítimas. O número de cesarianas verdadeiramente bem indicadas é pequeno e a grande maioria destas intervenções é empurrada com falsas verdades e mitos, como “pouco líquido”, “cordão enrolado”, “placenta velha” e tantas outras formas de apavorar uma futura mãe. Ainda vivemos em um mundo onde as mulheres são conduzidas a procedimentos pela autoridade dos profissionais, e não pelo amplo esclarecimento de vantagens e riscos.

Não tenhamos medo de uma mulher empoderada, bem informada e com argumentos, capaz de enfrentar o poder de um profissional médico. Isso é o que se espera da civilização. Tenhamos, sim, medo de mulheres emburrecidas e alienadas, incapazes de questionar o que fazem sobre seus corpos.

Isso é o que ocorre na selva, no reino da alienação.

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Crescer precisa Crescer

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Comentário sobre a Matéria da Revista Crescer com o título de “Tudo o que acontece nos primeiros 60 minutos de vida do seu bebê“

Meu nome é Ricardo e sou médico obstetra. Infelizmente virou rotina que empresas jornalísticas escrevam matérias sobre parto e nascimento baseadas em mitologias, informações enviesadas e protocolos anacrônicos. A matéria acima não foge à regra, e esta poderia ser categorizada entre as matérias mais desatualizadas e fracas sobre parto e nascimentos dos últimos tempos. Certamente que o(a) profissional que a assina colocará a responsabilidade nos entrevistados, mas isso não o(a) exime de culpa. Não se admite mais TANTA desinformação e tantos equívocos. Seria enfadonho listar todos os erros graves na reportagem, mas atentem apenas para um deles: as episiotomias são procedimentos agressivos e injustificados, comprovadamente INÚTEIS para mães e bebês desde os trabalhos clássicos de 1987 (Thacker & Banta). Já se passaram 27 anos e existem jornalistas que ainda disseminam este tipo de violência obstétrica!

Para haver uma imprensa responsável, ética e correta é preciso que este tipo de informação venha de mais de uma fonte, para evitar que um entrevistado com carência de boas informações e com condutas ultrapassadas e erradas dissemine conceitos que não tem mais espaço na medicina moderna. Os erros sobre o corte do cordão e aspiração de líquido amniótico são constrangedores. Para um leitor desavisado, mas com conhecimento na área da saúde, pareceria estar abrindo uma revista “Seleções do Readers’s Digest” de 1955, tamanha a desatualização de conceitos. Numa época em que se fala incessantemente de Violência Obstétrica, uma matéria como essa serve de exemplo de como o (mau) jornalismo pode ser violento com a inteligência dos seus leitores.

É importante lembrar os 3 pilares que sustentam a humanização do nascimento:

  1. Protagonismo restituído à mulher, para que ela deixe de ser “tutelada” pelo sistema de saúde, e possa ser a condutora de seu próprio destino;
  2. Parto como evento humano, e não como procedimento médico (mesmo que a visão médica seja uma das importantes formas e perspectivas para avaliar o parto e o nascimento) e…
  3. Vinculação visceral com a MBE (Medicina Baseada em Evidências).

Na matéria da Revista Crescer a mulher não aparece como protagonista, mas como um ser passivo sobre a qual um grande número de procedimentos desnecessários e perigosos serão executados, em sua grande maioria sem a autorização expressa por parte da mulher para a sua realização. As descrições dos procedimentos partem de uma visão absolutamente médica, sem levar em consideração os aspectos emocionais da mãe (afastada de seu filho imediatamente depois do parto para ser “secado” – ???, tendo feito uma episiotomia, mas “sem machucar a mãe” – ?????), psicológicos, sociais, culturais, antropológicos, econômicos e espirituais. E, de forma conclusiva e marcante, as “recomendações” não se baseiam em ciência, mas em mitos, procedimentos antigos, exercício de poder e rituais sem a devida comprovação científica de sua validade. Isso precisa acabar, para que possamos atingir em um futuro próximo a condição de “país civilizado” que, pelo menos no que tange à garantia da integridade física de mães e bebês, ainda não alcançamos.

Modernizar a atenção ao parto é uma URGÊNCIA na saúde brasileira.

Ric Jones
Médico Obstetra Humanista

http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Rotina/noticia/2014/03/saiba-tudo-o-que-acontece-nos-primeiros-60-minutos-de-vida-do-seu-bebe.html

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Sobre uma Crítica à Humanização

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Fiquei um pouco surpreso ao ler um texto escrito por um médico e que parece ter sido escrito nos anos 80. O articulista parece estar genuinamente preocupado com a questão da humanização e o problema da violência obstétrica, mas curiosamente o texto fala pouco das questões contemporâneas de violência contra a mulher no momento de parir, e preocupa-se mais com a questão por um viés corporativistas e de proteção do mercado para os médicos. Desta maneira, o colega parece ter descoberto que a humanização do nascimento não deve prescindir da tecnologia e dos médicos.

Eureka !!! No texto ele parece ter avistado a América e ficou maravilhado com sua descoberta, mas ainda não teve tempo de se dar conta que tudo isso já é velho, e que logo ali na frente está o porto e a cidade, construídas há muito tempo.

No texto aparece a frase “…e fôssemos falar em parto e quiçá gestação totalmente “humanizada”, conceituando mínima ou ausente tecnificação..”

“Mínima ou ausente tecnificação?” Diante desta insinuação eu pergunto: A quem ainda interessa este conceito anacrônico de confundir humanização com desassistência e repulsa à tecnologia? Tal confusão foi sepultada há anos !!! O articulista prefere se defender de algo que não interessa a mais ninguém, ou seja, a falsa idéia de que a humanização do nascimento prega a ausência de atendimento e a supressão da figura do médico.

Desinformação ou interesse em criar confusão?

No mais o texto revela mais pelo que não diz do que pelo que expressa. A simples existência de um texto em defesa da boa prática médica demonstra uma preocupação crescente da corporação com as acusações cada dia mais consistentes de que o nascimento é local frequente de práticas envelhecidas, inconsistentes e com muita violência. Isso é positivo.

Espero que os equívocos do texto não desmereçam a nobre e positiva tentativa do seu autor em ajudar na construção de uma assistência mais digna e respeitosa às mulheres.

A quem realmente interessa a manutenção desses mitos? A quem interessa a ideia de que a humanização despreza tecnologia e médicos? A quem favorece a noção anacrônica de que a tecnologia pode ser aplicada indiscriminadamente, pois ela representaria o “progresso” e a “evolução” , e que só através dela poderemos nos proteger das incertezas da natureza?

Ora… a pergunta é: Quem se sente ameaçado com a justiça e a dignidade restituída às mulheres? Quem?

O texto nos remete a um falso dilema: Se quisermos a modernidade e o progresso, a alienação e a violência entram no pacote. É uma venda casada, na qual os médicos são os proprietários do parto, e a mulher um objeto sobre o qual eles atuam. Caso queira o parto natural, sem violência e protagonismo, então nós médicos não faremos parte, e seu destino é a selva e a desassistência.

O texto do colega sonega EXATAMENTE a humanização do nascimento, que vem propor a “terceira via”, o protagonismo restituído à mulher, a visão complementar e integrativa e acoplada às EVIDÊNCIAS científicas. Falta tocar no nervo exposto da assistência: a incapacidade crescente dos médicos de entenderem o parto normal como um direito das mulheres e um evento humano, para o qual a sua ajuda é bem vinda, mas não fundamental para a assistência direta.

Falta CORAGEM para olhar este cenário de frente. Por isso é que se cria essa dicotomia falsa e interesseira entre violência e tecnologia X desassistência e barbárie. MENTIRA. É possível oferecer partos humanizados, para todos os setores, públicos e privados, mas para isso é preciso sair das trevas, parar de pensar sobre conceitos estapafúrdios e anacrônicos, e encarar o desafio de oferecer a ética conjugada com a técnica, resguardando as mulheres de intervenções inadequadas no transcurso fisiológico dos seus partos.

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Violência Homem

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Para meus colegas homens – que enxergam com tanto assombro e aversão a proximidade entre as palavras “violência” e “obstetrícia” – eu proponho que façam este singelo exercício de imaginação:

Vejam-se em um hospital escola em posição para um toque e avaliação da próstata. Depois de um bom tempo de demora entram o professor e seus 16 alunos. O mestre descreve seu caso como se você estivesse ausente, e como se sua única função no mundo fosse carregar uma patologia no corpo para oferecer aos alunos como aprendizado. Logo depois, sem pedir ou avisar nada, enfia os dedos no seu ânus, descrevendo jocosamente o que encontra, entre um e outro comentário de futebol. Depois disso, pede para um aluno sentir a consistência da próstata, o que ele faz com mais vagar. Depois um segundo, um terceiro e um quarto. Quando você escuta o quinto aluno colocar as luvas, resolve perguntar se está certo ser tratado dessa forma. O nobre professor se indigna e diz, com rudeza, que aquele é um hospital escola, e que você DEVE isso aos alunos. Você concorda, em termos, mas tenta argumentar que existem formas mais dignas e respeitosas de fazer isso, mas é interrompido. Explicam-lhe, finalmente, que é assim ou nada. “Se você quer o atendimento tecnológico que temos a oferecer então deve se calar. Caso não queira, nada podemos fazer para lhe ajudar”.

Você baixa os olhos e se submete. Por medo. Engole em seco e permite, mais uma vez, ter seu corpo invadido e sua dignidade desmerecida.

Pensou? Talvez só assim seja possível a você enxergar porque se calam as mulheres diante das ameaças, explícitas ou dissimuladas. Talvez só passando por uma experiência assim você possa aquilatar a dor da humilhação e da violência. Não é por pouca coisa que as mulheres recalcam essa dor em suas almas.

Enquanto continuarmos a aceitar este tipo de violência contra mulheres todas as outras continuarão a ter sentido. Por outro lado, quando extinguirmos o parto violento, as outras formas de agressão passarão a ser cada vez mais inaceitáveis.

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Violência Mulher

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“O pior da violência é quando não é reconhecida como tal. É quando ela se mistura às normas e rotinas, procedimentos e protocolos, sendo institucionalizada e banalizada, a tal ponto que fica camuflada no cenário da atenção. Invisível ela cria raízes e se consolida na paisagem. Quando alguém, por fim, desperta e reclama, sempre aparece um outro que, amortecido pela mesmice das condutas repetitivas exclama: Mas como? Sempre fizemos assim e nunca ninguém reclamou“.

Acredite… quando um grupo de antropólogos e feministas aportou em terras de África para questionar a clitoridectomia em meninas adolescentes como prática ritualística e institucionalizada esta foi a EXATA manifestação do líder tribal. “Como assim “violento”? Esse ritual é realizado há milênios e jamais alguém havia reclamado!!”.

Para ter direitos é necessário conhecê-los. Para viver em um mundo melhor é preciso primeiro concebê-lo, depois desejá-lo e por fim construí-lo.”

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