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Eduardo e Mônica

Afinal, quem queria impressionar quem? O jovem garoto simpático ou a menina intelectual? A questão colocada por algumas pessoas é: por que ela, tão inteligente e profunda, se interessaria pelo Eduardinho – que ainda jogava botão com o avô e vivia no esquema escola-cinema-clube-televisão?

Ora, porque é assim que funciona a vida. Cultura e erudição não são as únicas moedas de troca no jogo da sedução. Ela podia gostar desses autores e artistas e ser uma menina insegura e carente. Quantas meninas cultas se apaixonam por caras cuja maior virtude é cuidar do seu próprio gato? Aliás, até eu me apaixonaria por um cara que joga botão com seu avô.
Ou será que ninguém aqui conheceu em sua vida um rapaz limitado em seus conhecimentos e estudos mas que transborda autoconfiança e charme? E quantas mulheres brilhantes acabam se envolvendo com canalhas, broncos ignorantes e superficiais tão somente porque lhes falta amor próprio?

De outra forma, quantos homens igualmente capazes, competentes e com profundidade se envolvem com mulheres egoístas e interesseiras que possuem como patrimônio apenas curvas, bunda e sexo exuberante?

A discussão sobre quem estava tentando impressionar é como o debate Capitu – traiu ou não? Creio que qualquer das opções é válida, só o que não se pode é esterilizar o desejo tornando-o objetivo e racional. Dizer que era Eduardo, ou Mônica, diz mais de quem fala do que da realidade desse romance.

Como diria Freud, se você explica o amor é porque não é. Se você sabe – conscientemente – porque ama alguém é porque há razões para esse afeto, então não pode ser amor, um afeto irracional. O desejo não pode ser tratado de forma racional, pois que ele habita em estratos muito profundos e primitivos de nossa estrutura psíquica.

Essa escolha não é racional. Em verdade, na escolha de um novo amor, nada mais justo que sejam repetidos nossos objetos de desejo, já que a forma que os constrói é a mesma. Sim, o amor da sua vida pode ser um profundo canalha, porque estas escolhas dormem nos porões obscuros e úmidos do nosso inconsciente.

Parem de tentar simplificar o desejo humano, que é algo complexo e misterioso.

Existem argumentos bem interessantes para todos os lados. A premissa inicial é de que os caminhos do desejo não podem ser racionalizados, como o fez a menina com círculo vermelho que está na imagem acima. Ora, uma moça intelectualizada, ou erudita, pode muito bem pendurar seu fantasma num adolescente que estava recém saindo aos trancos e barrancos da infância. Eu mesmo tenho uma amiga linda, maravilhosa, culta, inteligente que namorava um sujeito que trabalhava como agricultor, a quem ela chamava de “homem das cavernas”, um neanderthal. Mas, como poderia ser possível alguém criticar essa fantasia e esse desejo que era estranho apenas na superfície?

E é claro que podemos, sim, imaginar na letra do Renato múltiplas interpretações que, como eu já disse, falam muito mais de nós mesmos do que da letra, de Renato ou da vida. Uma letra, como qualquer obra artística, é fruto de seu tempo e dos valores de então, e cabe a nós função antropofágica de “comer Renato, digerir sua letra e expelir nossa interpretação”, junto com nossos próprios sucos gástricos.

Temos todos o direito de fazer uma interpretação “não problematizadora”, mas acho interessante que a gente queira problematizar ao limite esse encontro entre dois jovens em uma festa nos anos 80. Afinal, o que é “problematizar” senão retirar da superfície tudo aquilo que seduz o olhar mais falseia o conteúdo?

Acho muito interessante todas as perspectivas nesse caso assim como em Capitu. Parece que todos tem a resposta definitiva, a mais certeira percepção. E até nos convencemos, mas esta certeza dura até que alguém traga outra série de argumentos igualmente bons e convincentes. Por isso é que esses truques da literatura (no caso de Machado de Assis proposital, no de Renato creio que foi totalmente inconsciente) a engrandecem e produzem aquilo que existe de mais sagrado para um escritor: fazer seu leitor pensar junto, provocá-lo e colocá-lo contra a parede para, só então, revelar-se.

É incrível o quanto se coloca de paixão nestes argumentos… e também muito divertido ver o quanto uma estrofe pode gerar tanta profundidade.

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Ritos

Existe um tema que ainda não foi suficientemente debatido nestes tempos de isolamento social. Talvez seja mesmo natural que se deixe para mais tarde, diante do terror que nos impacta pelas mortes que nos cercam. Mas a precisaremos falar da supressão dos rituais.

Minha mãe faleceu em fevereiro, poucas semanas antes do surgimento da pandemia. Por causa disso ainda foi possível passar pelos rituais de despedida. O último adeus, o velório, o encontro com parentes e amigos, o discurso do meu pai, as lágrimas. Um ciclo que se fechou com os rituais que nos protegem e auxiliam na construção do luto.

Hoje em dia não há mais despedidas. Não há também a celebração daqueles que nascem. Não comemoramos em conjunto a passagem de um giro solar, não cantamos parabéns, não compramos lembranças e não celebramos nossos rituais de passagem da forma como sempre o fizemos em milênios.

Resta a pergunta: que tipo de sociedade sobrará quando nenhuma passagem puder ser marcada em ritos que exaltam seus valores mais profundos? Como ficam os sobreviventes que não conseguem passar pela dor transformativa de enterrar seus mortos? E as famílias que, apartadas do evento do parto, revivem – sem saber – o mito da cegonha?

Estas são questões que a vida pós pandemia deverá responder.

Entretanto, sou cético quanto a esta simplificação da vida. Abolir os rituais seria o mesmo que pular a corte, a espiral concêntrica dos encontros sexuais. Abolir, suprimir ou cortar os “pick up lines” o “você vem sempre aqui?” ou mesmo o simples “conheço você de algum lugar?” é absolutamente inimaginável para nossa espécie, mas mesmo para a imensa maioria das que conhecemos – de cães, insetos e passarinhos. Seria realmente possível partir diretamente para os atos sem passar pela torturante ritualística dos encontros?

Não. Os rituais são tão intrinsecamente imbricados na ação humana que seria impossível imaginar a vida humana sem estes artifícios.

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Guerra de autoridades

Ficar citando a opinião ou a perspectiva de médicos, químicos, virologistas, pesquisadores famosos a respeito da pandemia pode ter valor de alerta ou para estimular um debate saudável, mas não para determinar as condutas.

O que temos visto ultimamente na arena da Internet é uma guerra de autoridades. Meninos brigando por tamanho de pau. Disputa de egos. Infelizmente esta não é a arena adequada para descobrir a verdade e não se faz ciência com argumentos de autoridade, mas apenas com evidências atualizadas e bem avaliadas. Ficar citando o nome dos cientistas é pura perda de tempo e muito mais útil seria mostrar os estudos que eles publicaram, as análises feitas, as críticas de seus pares e os resultados encontrados.

H-Index não tem valor NENHUM diante de casos específicos. É uma medida de relevância no mundo acadêmico. São aqueles quadradinhos coloridos no peito dos generais. Valem para dar respeitabilidade a um pesquisador, mas não para mostrar as evidências em um determinado problema.

Certa feita 400 cientistas assinaram um documento contestando achados de Einstein. Este, quando ele viu o documento, respondeu: “Puxa, 400!! Não precisava tudo isso. Bastava apenas um com boas evidências.”

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Felizes para sempre

Quando eu era criança as mulheres separadas eram socialmente marcadas. Lembro de uma artista local que foi impedida de frequentar o clube por ter se separado do marido. Era o tempo em que ser “desquitada” era uma vergonha, e muitas mulheres suportavam até espancamentos em nome da “união da família” e pelo “bem dos filhos”. Era também o tempo em que muitos homens procuravam sexo e prazer nos prostíbulos, já que a mãe dos seus filhos não precisava cumprir essa função.

Durante séculos, casamentos foram arranjos sociais e não projetos afetivos. Serviam para fazer filhos, juntar patrimônio, cuidar de propriedades. Não se propunham a servir de veículo para o amor.

Talvez esse seja o destino do casamento do futuro: um projeto para fazer filhos e dedicar cuidado a eles por um tempo. Sem vinculações afetivas profundas, sem conexões obrigatórias de ordem sexual. Tudo apenas em nome da reprodução.

Talvez a liberdade sexual das mulheres, esta novidade introduzida no século XX, produza uma sociedade com o mesmo tipo de liberdade de que os homens dispunham nos séculos passados, só que agora compartilhada pelas mulheres, tanto dentro quanto fora dos casamentos. É possível imaginar um futuro sem corpos presos…

De resto, casamentos duradouros não são uma virtude social. Mostram apenas rigidez nas estruturas que sustentam a sociedade patriarcal. A mim parece que ainda é melhor uma sociedade de relações instáveis do que casamentos rígidos e insatisfatórios, mesmo que duradouros.

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Superando cancelamentos

Não é de se espantar que Noam Chomsky, J. K. Rowling e Margareth Atwood também se preocuparam com o tema sobre o qual escrevi diversas vezes. Intelectuais como eles estão participando de um movimento que visa estabelecer um freio à política de “cancelamentos” que ocorre entre os progressistas. Junto com Salman Rushdie, Gloria Steinem, Martin Amis e outros escreveram uma carta aberta denunciando a intolerância entre os ativistas de esquerda nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Para mim, os cancelamentos são atos de covardia. Servem para calar vozes e silenciar discordâncias. Seguem-se a percepções moralistas da realidade, julgamentos superficiais e ações oportunistas. Muitas vezes o sujeito é cancelado por um detalhe menor em seu percurso – uma piada que pode ser interpretada como racista ou homofóbica, um gracejo quando tinha 15 anos de idade ou uma acusação vazia de violência de um ex-parceiro(a) – para, assim, atacar a obra inteira, e evitar ter que enfrentá-la com argumentos e evidências.

A “cultura do cancelamento” é uma das marcas da pós-modernidade e das mídias sociais. Personalidades e reputações são transformadas em pó por grupos de guerrilheiros fanáticos que usam da manipulação de emoções compartilhadas para seu intento destrutivo, movidos por vingança e ressentimento. Como eu já disse, não me convidem para cancelar pessoas cujos crimes eu mesmo já cometi. Chega de hipocrisia.

Chega de tribunais midiáticos cheios de juízes raivosos de bunda suja.

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Declarações desastrosas

Qualquer interação com a polícia ou a imprensa tem o risco potencial de produzir devastação. Uma pessoa sensata, vivendo em tempos de ódio, se afasta disso. Hoje a atitude que parece ser mais racional é o silêncio. Para quem tiver estômago e pendor suicida, um “raid kamikaze” contra os fogos antiaéreos pode ser a última entrevista.

Lembro quando as rádios e os jornais ligavam no início do inverno para a Liga Homeopática em busca de um homeopata para dar entrevista sobre vacinas. Partiam do princípio de que, por questionarem a medicalização abusiva da sociedade e cultivarem uma postura crítica diante da indústria farmacêutica, os homeopatas automaticamente repudiavam vacinas.

Nem sempre.

Quando o telefone tocava e a secretária avisava que o jornalista estava na linha a gente dava risadas, avisando que estávamos em atendimento. Essas entrevistas eram ciladas, criadas especificamente na busca de conflito e polêmica. Entretanto, a gente sabia que não teria a mínima chance de um debate justo. Bastaria uma resposta titubeante para que o massacre fosse iniciado.

Uma das rádios que ligava tinha todo o seu setor jornalístico controlado pela corporação médica – até hoje. O Conselho, o sindicato e a Unimed local patrocinavam pesadamente os programas noticiosos. E por quê o faziam? Que produtos ou bens um CRM ou um Sindicato têm para que os ouvintes possam comprar?

Ora, vendem sua credibilidade e influência na cultura da cidade. Propaganda institucional da categoria. Todavia, pelo montante de verba aplicada, por certo que controlam as pautas. Precisa ser ingenuo para acreditar que tal aporte de publicidade não demandaria contrapartida.

Uma mensagem qualquer durante uma entrevista, por mais ingênua ou suave que fosse, poderia desencadear uma resposta violenta das instituições. Lembram do ativista do parto humanizado que ousou falar de partos domiciliares no Fantástico – respaldado por evidências científicas – e foi atacado duramente pelos membros da corporação de outro estado?

O linchamento midiático que recaiu sobre o casal do Rio (o engenheiro e sua parceira) é um exemplo de como a punição nos tempos de internet é veloz, destruidora e até mesmo desproporcional quando opiniões impensadas são jogadas diante de uma câmera e um microfone. Não é preciso debater o quão errados, em muitos níveis, eles estavam, mas fica claro que hoje em dia se deve adotar o silêncio como proteção. Debater temas sérios como o racismo, feminismo, Venezuela, Israel, Cuba pode causar um massacre terrível produzido pelas patrulhas à esquerda e à direita.

É uma lástima que estas patrulhas engessem as discussões, imobilizem o debate e promovam a “lei do silêncio”. E digo isso apenas porque ontem passei o dia recebendo mensagens inbox me dizendo “eu não concordo, mas não ouso dizer para não ser linchado”.

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Benemerência

Cara… não posso aceitar gente cobrando caridade dos ricos deste país, como se os milionários tivessem que fazer aparições públicas de distribuição de presentinhos ou cestas básicas…

Silvio Santos sequer deveria ajudar. Não é função dos ricos fazer isso. Não é obrigação de nenhum rico fazer a caridade que ELES querem para quem ELES querem. Isso é caridade e caridade é HUMILHANTE. O Brasil não precisa da bondade do Silvio Santos, do Neymar, do Huck, do dono da Ambev ou do Gerdau. Não é certo esperar que eles sejam bonzinhos ou caridosos. Ponto.

O que a gente precisa é de uma LEI para cobrar IMPOSTOS DURÍSSIMOS dos ricos, para que NÓS utilizemos esse dinheiro onde NÓS acreditamos ser o melhor para o país, e não mais admitir estas propagandas onde os capitalistas abonados usam as migalhas que dão como publicidade.

O Sílvio Santos NÃO DEVE DAR NADA como benemerência, mas tem que ter sua fortuna TRIBUTADA DURAMENTE. Não quero favor dessas pessoas, quero que o seu dinheiro (que em última análise foi retirado de nós) reverta para o bem do povo, e não para falcatruas ou para essa publicidade barata que os ricos fazem.

Desconstruam essa ideia de que ricos devem distribuir dinheiro do jeito que desejam. Eles devem PAGAR IMPOSTO PESADO!!

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Corretivos

Eu sei que é piada. Sei que “psicólogos” poderia ser colocado entre aspas. Não quero ser o “problematizador das piadas”. Sei também que entre as pessoas da minha idade é raro ver alguém que não tenha sido submetido a surras ou ao menos umas palmadas, em especial os meninos, já que a cultura dizia que “não se bate em meninas“. (Até nesse aspecto é interessante combater o patriarcado: nesse modelo são os meninos as principais vítimas das sevícias parentais).

Entretanto, não acho mais aceitável a glamorização do espancamento de crianças com a desculpa de que isso produz bons cidadãos, com adequada “castração” e “leais respeitadores das leis”.

O que me deixa abismado é ver a enorme aceitação desse tipo de “pedagogia da violência” entre as pessoas da minha geração. No fórum onde essa imagem foi apresentada a aceitação foi quase unânime. A exceção foi de algumas poucas mulheres que disseram “não apanhei, mas meus irmãos, muito“, e eu.

Crianças que passaram por estas torturas cresceram traumatizados, marcados pela dor, inseguros, raivosos e carregando uma ferida profunda e inconsciente, até porque a fonte de seus males inconfessos é a mesma dos seus amores mais profundos e primitivos, produzindo uma insuportável dicotomia em suas almas.

Crianças que foram surradas por seus pais não são adultos saudáveis; são sobreviventes da dor, cheios de cicatrizes que são obrigados a carregar por toda sua vida. Não há nenhuma razão para se romantizar espancamento infantil, e não é verdade que estes recursos produziram “cidadãos de bem”; sua única função foi criar uma geração de ressentidos que acreditam na violência como solução dos problemas.

Muitas dessas crianças hoje fazem o sinal da arminha ou carregam cruzes flamejantes.

Hoje tenho filhos adultos e netos. E se querem saber, dei palmadas nos meus filhos, mas aprendi que bater em crianças é sinal de fracasso, não ensina nada além de medo, e não produz cidadãos saudáveis e produtivos. Não condeno quem bateu, até porque eu também apanhei; condeno a ideologia da violência banalizada contra os pequenos, como se fosse algo inócuo ou parte do desenvolvimento normal das crianças.

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Lost in Space

Para que vocês possam aquilatar o que o confinamento é capaz de fazer com uma pessoa, hoje eu assisti o filme piloto dos “Perdidos no Espaço” o original de 1965.

O filme é profundamente tosco, primário mesmo, e serviu como base para a série que lhe seguiria, mas não tinha a figura do Dr Smith. Assim, a série que foi lançada logo após teve que começar do zero e inventar um novo início, incluindo o personagem de Jonathan Harris. O filme tem os mesmos personagens e nomes da serie que o seguiu, com exceção do Júpiter II, que se chamava “Gemini XII”. O ano de saída da terra foi 1997 e eles ficaram viajando até 2001, quando ocorreu a falha do sistema e acabaram descendo em um planeta desconhecido e montanhoso, mas com atmosfera.

No filme piloto as roupas ainda não eram o modelito da série, mas este traje, tipo papel alumínio. Aliás, o problema na nave – que os deixou “Perdidos no Espaço” – foi produzido por um acidente (ao contrário da série posterior, onde a culpa foi do Dr Smith), em que a nave foi atingida por uma chuva de meteoros – que mais pareciam bolotinhas de papel. Muito mal feitos… mas tudo bem, o ano da produção foi 1965. O monstro com o qual lutam no planeta onde desceram é muito pior do que a pior das criaturas do Spectreman. Absolutamente ridículo…

O piloto de Perdidos no Espaço pretendia ter como pano de fundo o que estava acontecendo naquele período: o programa Apolo e as naves Gemini. Apenas 4 anos depois do início da série a Apolo 11 pousaria na Lua. Quando perceberam que o projeto de “Perdidos no Espaço” seria um brutal fracasso (apoiada na ideia de uma nova “Família Robinson” perdida, agora no espaço), resolveram incluir dois elementos novos, essenciais para o sucesso (até inesperado) que tiveram: o Dr Smith e o robô, que salvaram a série.

Ahhh, e quando lançaram a série tiraram a música tema de “O dia em que a Terra parou” e colocaram a música do jovem e genial John Williams para a abertura. Inesquecível.

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Monogamia

Eu sou do tempo em que virgindade era um valor social. Caiu estrondosamente sem deixar vestígios. Por isso mesmo acredito nessa dinâmica e na ação do tempo sobre mitos e tabus. A monogamia é um passo mais longo e talvez sua queda leve mais tempo. Quem viver verá…

Entretanto, restará ainda o cuidado com as crianças, que demanda esforço conjunto. Eu vivi desde a minha infância a descoberta da paternidade e dos cuidados paternos. Escrevi sobre isso e desagradei algumas pessoas, mas é fato que os homens dessa geração são muito mais próximos dos seus filhos do que todas as gerações anteriores. Quando comparo os cuidados parentais do meu filho com aqueles oferecidos pelo meu pai e avô (e até por mim mesmo) existe um fosso gigantesco de proximidade, cumplicidade e cuidado direto com os filhos.

Assim, houve uma explosão do papel social masculino com os cuidados de bebês e crianças e um decréscimo inegável na importância da maternidade da vida das mulheres, a ponto de haver grupos que a rejeitam por completo. O que era o destino inexorável de todas elas passou a ser apenas uma de tantas vertentes de realização em suas vidas. Para os homens uma descoberta, para as mulheres uma libertação.

Se houve mudanças substantivas no terreno da “posse sobre corpos alheios”, e o questionamento contemporâneo sobre as relações “fechadas”, eu ainda fico reticente com os casamentos abertos onde há filhos para criar. “Abrir” para deixar mulheres (mais uma vez) desamparadas não me parece justo. Precisaremos criar uma nova instituição para isso, caso contrário os casamentos de coabitação e monogâmicos continuarão prevalecendo.

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