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Cristo

PPCV – Post Pequeno pra me Cancelar de Vez

Quero dizer que se Cristo voltasse à terra agora seria preto, pobre, moraria na comunidade periférica, trabalhador do IFood e filiado ao PCO, mas poucos estão preparados para essa verdade.

Ahhh…“Partido do Cristo Onisciente”? Pode até chamar assim, mas sua pregação seria (de novo) pela causa operária. Falaria em nome dos oprimidos, os pretos, os malditos, os miseráveis e os pobres. Apoiaria as put*s, os vi*dos e os trabalhadores precarizados mas seria de briga e de rua, enfrentaria policia racista e fascistas na porrada – e “tirando a roupa”.

Ele estaria na porta das fábricas e subindo em caixa de verdura no CEASA para falar para as massas. Seria um Cristo marginal, carismático, intenso. Uma mistura de Luther King, Che Guevara e Malcolm X. Aliás, três que, como Ele, morreram assassinados por seus opressores.

Seria um mais uma vez um Cristo da quebrada e do enfrentamento, e não um Cristo de amor e perdão. Mas… como eu disse, vocês ainda acreditam que ele seria loiro, de olhos azuis e pregaria a ideia fantasiosa de uma felicidade em outro mundo, longe daqui.

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Política de estimação

É também curioso o malabarismo para criminalizar a política, como se os políticos fossem uma espécie diferente de ser humano e fossem corruptos em essência. Tratar os políticos todos como criminosos apenas abre as portas para ditaduras e “outsiders”, que se acham “gestores”, mas que fazem dissimuladamente política à direita do espectro ideológico.

É bem sabido o desastre que advém do descrédito com a política. Esse discurso produziu Berlusconi, Trump, Bolsonaro e poderia ter produzido Moro não fosse a Vaza Jato. A solução para os maus políticos é mais política, mais crítica, mais vigilância e um sistema mais justo.

Eu não cultuo”políticos” de estimação, mas por certo tenho uma POLÍTICA DE ESTIMAÇÃO.

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Punitivismo de esquerda

Todo o punitivismo ao estilo “cadeia neles”, “paredão” ou “manda prá Papuda” é reacionário e de direita, mesmo quando surge de alguém que de diz de esquerda. O encarceramento é a mais tradicional das retóricas fascistas e precisa ser expurgada do discurso da esquerda. Nunca se esqueça que para cada empresário que vocês mandam para a cadeia o MESMO judiciário de caneta pesada manda centenas ou milhares de negros e pobres para as masmorras do Brasil. E hoje sabemos como funciona o judiciário, cheio de provas forjadas, cegueira seletiva e depoimentos que nunca aconteceram.

A verdadeira esquerda é abolicionista.

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A Benevolência dos Bilionários

Eu fico um pouco espantado – não deveria – quando escuto manifestações de pessoas dizendo que “ao invés de irmos para Marte deveríamos estar lutando aqui mesmo para acabar com a miséria e a pobreza”.

Poucas frases poderiam ser mais ingênuas do que esta. Nada mais infantil do que pedir que a pedra de sustentação do capitalismo seja destruída….. pelos capitalistas. Dentro do modelo capitalista não existe a menor possibilidade de curar as mazelas do mundo, porque um mundo sem miséria seria intolerável para os ricos. A pobreza, e a divisão entre países ricos e pobres, está no CORAÇÃO do capitalismo, e é a base de sustentação do sistema de exploração. Também a eles não interessa o fim das guerras pois que estas geram riquezas imensuráveis para os países ricos produtores de armamentos. Um mundo dividido, desigual e em constante conflito é a única maneira de manter a iniquidade brutal que hoje observamos.

É como dizer para o sujeito rico: ao invés de comprar mais um carro importando poderia usar este dinheiro para pagar melhor seus empregados. Entretanto, se os seus empregados tivessem uma vida melhor não se submeteriam a trabalhar por muito menos do que produzem para o patrão. Desta forma, a pobreza e as baixas condições são o adubo para a exploração e a concentração de renda.

Pedir que o mundo se preocupe mais com os miseráveis é o mesmo que pedir o fim do modelo que os produz aos borbotões para servirem de escravos modernos para o capitalismo. Se isso fosse feito não sobraria dinheiro para construir foguetes ou fabricar mais armas.

Não devemos pedir que os ricos se preocupem mais com os pobres, isso é apenas ridículo. Devemos exigir que aquilo que é produzido o seja em benefício de todos e não apenas de quem controla o poder e o capital. Sem entender a luta de classes este tipo de manifestação ingênua só provoca risos entre os bilionários que controlam o mundo…

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Careca de Aço

Alguns articulistas da Imprensa de esquerda agora se derretem para a “coragem” do ministro Alexandre Moraes, o “careca de aço”.

Pois eu não poderia discordar mais desse entusiasmo. Não vejo bravura alguma, mas oportunismo com pinceladas de corporativismo. Aplaudir o judiciário – em especial o STF – quando faz pirotecnia para livrar o próprio r*bo é ingenuidade. Essa casa cassou o mandato de Dilma por inação e manteve Lula preso ao negar-lhe o Habeas corpus, e para isso contou com o voto calhorda deste Alexandre que agora chamam de “bravo”.

Corajoso??? Sério??

Quando foi para manter encarcerado Lula, sobre quem nunca houve prova de delito impedindo-o de concorrer, onde estavam a coragem e a bravura do Sr Alexandre? Pois não passa de um medroso de capa….

Não aplaudo arrependidos de última hora como Bonner, Alexandre Frota, ou mesmo Joice, também não vou exaltar um STF acadelado, que foi incapaz de lutar pela democracia quando o beneficiado era Lula. Por que deveríamos aplaudir um ato do STF que ocorreu apenas quando a água do fascismo bateu-lhes na bunda???

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Censura gringa

Dar a uma empresa americana o direito de censurar o que se fala no Brasil é uma tolice inaceitável e uma ação suicida. Uma burrice e um tiro no pé. Hoje é o idiota propagador de Fake News, mas amanhã será alguém da esquerda por liderar uma marcha contra o governo. Aplaudir esse cancelamento é como elogiar o Bonner por bater no Bolsonaro.

“Cria cuervos y ellos te comerán los ojos”

Nossa esquerda está recheada de liberais que não conseguem perceber a estupidez de armar os inimigos. Festejar ações do judiciário (como muitos fizeram com as ações de Moro na Lava Jato) ou das empresas americanas de mídia só porque circunstancialmente nos beneficiam é uma declaração inacreditável de imaturidade política.

Se você acha que o Alan dos Santos passou dos limites que seja julgado pela justiça brasileira e não por burocratas do Vale do Silício (ou gente contratada por eles). Se ele cometeu crimes que a lei brasileira o puna, mas que não seja apagado pelos critérios morais do Mark Zuckerberg!!!

Pessoas que lutam contra o apartheid de Israel e contra o genocídio palestino são continuamente censuradas no YouTube e no Facebook, sendo tratadas como “terroristas”, apenas porque o dono do Facebook é conhecido apoiador do estado de Israel. Mesmo os pacifistas são cancelados!!! A liberdade de expressão não pode estar sujeita ao humor e às paixões de um ou outro milionário.

Entendem agora como é grave dar a estes caras o poder de escolher quem eles “cancelam” e quem promovem?

Acordem liberais.

Os liberais infiltrados na esquerda são uma praga. Defensores da censura deveriam voltar para a escola para entender que nossa soberania não pode ser entregue a um fascistinha americano para ELE decidir o que pode ou não ser publicado aqui.

Se as TVs não podem falar o que quiserem – por serem concessões públicas – porque não usar a mesma regra para o Facebook? Por que permitir que uma narrativa americana e imperialista controle as mentes dos brasileiros?

Muitos agora se aprisionam à figura nefasta do Alan dos Santos e não conseguem perceber o monstro da censura gringa que está por trás. No esqueçam que Alan dos Santos é bolsonarista e trumpista, e todas as Big Techs do Vale do Silício apoiaram Biden. Não se pode admitir ingenuidade nessa guerra de narrativas.

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Preconceito de classe

A fala do promotor Januário (foto acima), um primor de elegância e sofisticação, foi a parte dos diálogos da Vaza Jato que mais expõe o componente de preconceito de classe presente na perseguição ao ex presidente. O que era insuportável para estes janotinhas (de terno importado e mesada de 50k) era o fato de que Lula era povo, era gente, era migrante nordestino, corintiano e gostava de cerveja. Lula, aos olhos dessa catrefa, tomava pinga, não acondicionava corretamente os vinhos, falava errado, cuidava mal do “seu” sítio e sua mulher usava vestidos bregas.

A maioria não confessa, porque essa é uma chaga moral, mas Lula jamais foi aceito por esses engravatados – e boa parte da classe média – porque, pela primeira vez na história do Brasil, o presidente teve a cara e a história de seu povo. Isso, para esses europeus deslocados, é inaceitável e uma afronta aos “cidadãos de bem”.

Marilena Chauí tem razão sobre os adjetivos que lança à nossa classe média brasileira.

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Sobre mandatos coletivos

A detentora desse mandato aparentemente deu um gigantesco tiro no pé. Anotem. Esta atitude pode pavimentar o caminho para a extinção dessa modalidade. Afinal, quem pode aceitar “puxar votos” para uma candidatura coletiva correndo o risco de ser expulsa posteriormente por uma canetada causada por discordâncias de ênfase? Quem se arriscaria a colocar sua representatividade fora por meras antipatias ou brigas intestinas?

Um mandato coletivo tem outra dinâmica, outra ideia, outra proposta. A pessoa defenestrada pelo “Mandata” era co-deputada, e não assessora!!! Essa é a imagem vendida para todos na eleição. Nunca foi dito que aquela que encabeçava a candidatura era a deputada e as outras suas auxiliares, mas que se tratava de um MANDATO COLETIVO!!! Por isso é que muitas pessoas votaram nessa candidatura: para dar poder à cada uma das participantes e às suas propostas – assim como para as outras.

Esse é o ponto central, o que que me fez pensar ainda mais sobre o tema: o cancelamento de uma co-deputada cancela ao mesmo tempo um número enorme de MÃES que se viam representadas pelo seu discurso e pela sua luta contra a violência obstétrica. Quem vai solucionar essa falta e esse buraco representativo?

Repito a pergunta: quem vai aceitar, a partir de agora, a posição de mero “puxador de votos” de uma candidatura pela qual não terá NENHUMA ingerência e de onde poderá ser demitida sumariamente pela detentora do cargo, sem precisar dar qualquer explicação? Quem votará em uma co-deputada que defende suas ideias ou sua identidade sabendo que o seu voto pode ser jogado no lixo por uma canetada autoritária?

Por outro lado, é saudável ver um projeto autoritário ser exposto publicamente.

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Fracassos

“Somos o que resta de uma montanha de escombros”, já dizia meu amigo Max. Os fracassos, mais do que as conquistas, são o que nos moldam e aperfeiçoam. Esta semana tivemos a vitória esmagadora de alguém que representa o atraso, o machismo, a corrupção e a perversão na política para ser o chefe do legislativo federal, numa reprise macabra da eleição de Eduardo Cunha. Tivemos a queda das máscaras lacradoras no Big Brother e o fim do sonho autoritário e farsesco da Lava Jato.

Os ídolos com pés de barro, Moro e Dalanhol, caíram das alturas: um queria ser presidente, o outro desejava uma estátua. Ambos terão que se contentar com o esquecimento. Também vimos um partido à esquerda “cancelar” uma co-deputada de um mandato coletivo – sem direito a defesa – por discordar de um texto publicado nas mídias sociais, na mais escandalosa demonstração de amadorismo político e falta de preparo para as discordâncias naturais e o contraditório.

Se não soubermos aprender com estes fatos então teremos perdido uma oportunidade histórica de fazer a necessária depuração nos quadros da esquerda.

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Poder e Ciência

Basicamente quando se procura um tratamento lançamos mão da melhor evidência sobre uma determinada doença, com o estudo mais abrangente possível e com o maior rigor científico que se possa aplicar. Não creio que possa haver algum profissional da saúde que esteja em desacordo com esta afirmação. Se a medicina não é uma ciência – mas uma arte e um saber – ela certamente se apoia na ciência para aplicar tratamentos e implementar exames e terapêuticas.

Entretanto, esse não é – nem de longe!! – o problema da aplicação de conhecimento científico aos pacientes e seus sofrimentos. O drama reside na adaptação destas evidências aos choques de poder inevitáveis que vão ocorrer quando se está diante de descobertas capazes de abalar sistemas de poder bem sedimentados. No caso das vacinas, para usar um exemplo em voga, são BILHÕES de dólares que estão sendo disputados pelas “biotechs” de vários países na luta feroz por fatias bilionárias de mercado com essa pandemia. A experiência nos mostra que nenhuma ética na história da humanidade resiste a tanto dinheiro – e o poder que dele emana.

Pensem bem: se as evidências funcionassem no sentido de implementar mudanças ou determinar protocolos, 90% dos remédios de uma farmácia comum seriam jogados no lixo, pois são comprovadamente inúteis e/ou perigosos – em especial os psicotrópicos. A maioria das cirurgias seriam abandonadas, em especial algumas altamente lucrativas como as intervenções cirúrgicas cardíacas. Muitos exames inúteis (boa parte das ecografias, por exemplo) seriam abandonados, assim como as mamografias de rotina. No campo da obstetrícia, não haveria episiotomias, cesarianas seriam exceções (nem 15% dos casos) e sequer haveria médicos atendendo partos, pois as evidências comprovam que eles são os piores atendentes de parto disponíveis, atrás de parteiras e médicos de família. A presença de doulas seria obrigatória em todos os hospitais.

Percebam como a “verdade” que emana dos estudos e das pesquisas não é suficiente – por si só – para implementar mudanças. É preciso haver pressão política para que uma verdade deixe de ser oculta e passe a ser a vertente hegemônica de entendimento de um fenômeno qualquer na sociedade.

Olhar para a ciência como uma entidade mítica e isenta, amorfa e imparcial, é um erro brutal. A ciência que nos chega aos sentidos é trazida por sujeitos como nós e feita por homens e mulheres com interesses, preconceitos, desejos e falhas. Seu trabalho sofre todo tipo de pressão para apresentar resultados. Acreditar que a ciência possa se expressar num vácuo cultural, infensa à vaidade humana e ao poder, é pura ingenuidade – que pode custar vidas.

Sobre essas drogas que são propagandeadas como “positivas para tratar a Covid19” existe um conflito muito grande. A respeito da Ivermectina há uma verdadeira cisão entre especialistas. Novos estudos – em especial um que surgiu há poucos dias na Argentina onde esta droga foi usada em profissionais da saúde – confirmam que pode existir um resultado muito positivo com seu uso, o qual não pode ser desprezado por preconceitos de ordem científica ou política.

Recomendo esse vídeo do senado americano para ver o quanto o debate por lá é muito mais intenso e aberto do que por aqui.

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