Partos extra-hospitalares

Grito primal

Sobre os debates em relação aos partos extra-hospitalares…

Debato estas questões há 30 anos, e virtualmente há 16 anos. Já participei de “pegas” muito mais violentos na minha comunidade “Parto Humanizado” no falecido Orkut. Aquilo sim era baixaria. Todavia hoje em dia – graças à muita idade – eu não participo de nenhum debate em que o nível esteja abaixo do padrão mínimo de civilidade. Descobri que “caps lock” e gritaria é proporcional à falta de argumentos. Quando o volume da voz ou, no caso virtual, agressões “ad hominem” ocupam o lugar de argumentos bem construídos, é hora de abandonar o debate. Faço isso sistematicamente. Já fui atacado por todos os lados por ter ideias que muitas vezes agridem o “senso comum”, mas prefiro a impopularidade à falsa luz dos aplausos fáceis.

Se querem saber minha opinião franca a respeito do parto domiciliar, eu até posso expressar. Existem temas muito interessantes escondidos nos argumentos de todos os lados, e eles são uma amostragem bem interessante do nosso código social valorativo.

Primeiramente, esse NÃO É um assunto médico, da mesma forma que “aborto” também não é. Essa é uma questão HUMANA, em que a medicina tem uma visão a oferecer, mas que está pareada com muitas outras tantas visões, como a sociologia, a antropologia, o direito, a psicologia, a psicanálise e tantas outras quantas forem as abordagens possíveis de um fenômeno de múltiplas interpretações. O erro é chamar médicos para mostrar sua visão sobre o tema e lhes oferecer a “opinião definitiva”, como se eles tivessem um conhecimento superior sobre a totalidade do fenômeno, quando em verdade dominam apenas uma parcela desse conhecimento.

O que você diria, por exemplo, se um médico fosse chamado a opinar sobre “açúcar” e, a partir de um posicionamento da corporação, lhe proibisse (e todos os demais) de comer qualquer doce, baseado em pesquisas relacionando açúcar com obesidade, diabete e infarto? Acharia um abuso? Pois é assim que muitas mulheres se sentem a respeito dos médicos proibirem (direta ou indiretamente) mulheres de terem seus filhos no lugar onde desejam.

Os riscos relativos (pois que os absolutos são baixos até para cesarianas) de qualquer ação humana não podem regular isoladamente os procedimentos, sejam eles quais forem. Quer um exemplo?

Se você viajar de ônibus para São Paulo (não importa onde esteja) o risco relativo é MAIOR se compararmos a mesma viagem feita de avião. Pergunto: é justo proibir que as mulheres viajem com seus filhos de ônibus para São Paulo porque existe uma opção mais segura? Se você responder NÃO, então concorda com todas as pessoas que defendem o parto domiciliar, mesmo que conseguisse (o que é improvável) provar que ele é mais arriscado do que a modalidade hospitalar. Se você responder SIM, entre na justiça agora mesmo e quebre todas as empresas de ônibus interestaduais.

Assim sendo, avaliar riscos relativos é uma forma fácil de entrarmos em erro. A outra questão é própria do debate: não há sentido algum em considerar o parto como sendo um ato médico, pela mesma razão que a alimentação, a evacuação e a atividade sexual não o são. Portanto, oferecer a última palavra sobre sua alimentação, trabalho intestinal ou vida sexual aos médicos é um equívoco, pois muito mais existe nestas ações que possam caber na explicação fisiológica que os médicos possuem. O desejo sexual, o gosto pelos alimentos e a excreção obedecem ordenamentos do simbólico que estão muito além do entendimento orgânico que um médico pode oferecer.

A partir dessas considerações fica mais fácil entender que parto domiciliar, ou “parto no local de escolha da mulher“, tem a ver com direitos humanos reprodutivos e sexuais, mais do que qualquer outra coisa. Não é por acaso que as pesquisas prospectivas na Inglaterra demonstraram que se trata de uma opção segura, que pode ser estimulada entre as pacientes do sistema público de lá. Os ingleses não são tolos ou idiotas e, como diria Sting, “The brits love their children too“. Local de parto é um DIREITO de escolha da MULHER, e não do médico (que serve para aconselhar e orientar). Portanto, o médico deve acompanhar estas decisões soberanas de suas pacientes, como expresso nos códigos de ética médica de qualquer lugar do mundo.

Obstaculizar o acesso de médicos aos seus pacientes através de coerção, ameaças ou violências (explícitas ou implícitas) é um crime contra a liberdade de escolha e uma violência contra a autonomia. Qualquer ação nesse sentido deve ser repudiada em nome da democracia e da autodeterminação. Mais do que uma ação “feminista” (por proteger as mulheres e garantir a elas o direito de escolha) ela é uma agressão aos seres humanos, tolhidos da possibilidade de escolher seus valores e assim construir seu destino.

Para finalizar, melhor faria a corporação médica em se espelhar nas ações de grandes democracias europeias e regulamentar o parto extra-hospitalar, para que, assim debatido, ele pudesse ter os melhores resultados. Quantos resultados negativos nesta modalidade de atenção ocorreram pelo preconceito dos colegas ao receber uma transferência no hospital? Quantas vezes parteiras aguardaram mais do que deviam pelo medo da humilhação a que seriam submetidas por um sistema preconceituoso, fechado e que criminaliza as decisões soberanas tomadas pelos pacientes?

Para que as mulheres possam ter a máxima excelência na atenção precisamos nos desfazer de todos os resquícios de autoritarismo na atenção à saúde, ao mesmo tempo em que reforçamos a cidadania e a autonomia como valores fundamentais na assistência ao parto.

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Garotinhos inocentes

Futebol local

Você aí garotinho inocente, criado a leite de pera, com ovomaltino, na geladeira…

Você que torceu pro Barcelona ou pra Juventus na final da xêmpions. Você que compra camisa importada de time europeu para se fazer de chique. Você aí que despreza o que é do Brasil porque sofre de “xenofilia” e complexo de Macunaíma. Você que curte times comprados por mafiosos do leste europeu ou do oriente, que usam o futebol para lavar o dinheiro sujo do tráfico, venda de armas e da prostituição. Você aí que exalta o que é dos outros e despreza o que é seu….

Comece a valorizar os clubes locais, da sua cidade em especial. Isso demonstra grandeza e amor ao lugar que lhe acolhe.

Abaixo o futebol ovomaltino!!!!!!

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Padon pou mallonèt nou an

haitiano-capa

Há alguns dias apareceu nas redes sociais um vídeo sobre o encontro com um representante dos “Revoltados on Line” que humilhava um trabalhador negro haitiano em um posto de gasolina. Muitas reações negativas àquele abuso foram postadas, principalmente porque o próprio autor do ataque é obviamente descendente de imigrantes europeus que chegaram a este país em condições tão miseráveis e difíceis quanto estes haitianos que desembarcaram no país em busca de esperança para suas famílias.

Mais do que ressaltar o absurdo e a violência inaceitáveis neste comportamento, eu quero dizer que existem pessoas no mundo inteiro que abominam o racismo, o sexismo e a xenofobia. Existem, sim, pessoas espalhadas por este planeta que não aceitam estas barreiras artificiais, e que rejeitam ver seus semelhantes pela diferença da língua, da cor, do gênero ou da filiação religiosa. Eu ainda prefiro acreditar como verdadeiras as palavras de Max: “Se o visitante de um planeta distante alcançasse nossa pequena e tímida esfera de água e aqui encontrasse o bicho-homem em todas as suas variedades, muito mais se assombraria com as semelhanças do que com as diferenças”.

Ouso dizer que somos a maioria silenciosa, mas os brutamontes e suas atitudes violentas sempre recebem mais atenção. A guerra é sempre mais notícia do que a paz.

Esse vídeo, produzido na Lituânia, expressa em imagens o que senti vendo o haitiano humilhado por um brasileiro que não honra a delicadeza, a gentileza e a fraternidade do nosso povo. Em nome dos humanistas brasileiros eu digo aos irmãos do Haiti: “Padon pou malonnèt nou an” – Perdão pela nossa grosseria.

Sobre a fraternidade – Video da Lituânia

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Jesus Cura

Jesus cura

Como eu acredito que a cura é um processo interno, que se instala a partir da alterações profundas de rotas adaptativas inconscientes, eu não acredito que drogas, cirurgias, psicólogos ou médicos tenham a capacidade de curar um sujeito. Tais instâncias são elementos de auxílio para um caminho que é fundamentalmente solitário, e não a fonte da cura.

Por isso eu acho que Jesus não cura homofobia, como afirma o cartaz dos evangélicos “moderados”. Se curasse os cristãos seriam menos homofóbicos do que os ateus, mas o que observo é o oposto disso; os Felicianos e Malafaias não me deixam mentir…

Dizer que Jesus cura a homofobia tem tanto sentido para mim quanto dizer que a Bíblia condena os gays. Se Jesus foi mesmo o ser superior que nos fazem crer ele não se importaria com quem seus fiéis dormem. Isso, do ponto de vista do caráter ou da evolução espiritual não nos diz nada…

Deixem Jesus fora disso…

“Se vc não acreditar em Jesus como divindade, realmente não fará nenhum sentido para você dizer que Ele pode curar! “

É exatamente isso… Eu não acredito em nenhum guru, Messias, salvador…. nada. Não quero, não aceito e não desejo ser salvo por ninguém. Se alguma salvação existe ela será feita tão somente por mim.

Os evangélicos são os maiores porta-vozes da homofobia nacional, e é muito triste constatar que isso venha de uma organização religiosa que, a princípio, deveria se nortear pela fraternidade e pelo amor ao próximo. Aquele que for evangélico e não aceitar as palavras contra a opção sexual do seu semelhante que se manifeste publicamente contra isso, e mostre sua aversão aos Malafaias e Felicianos que pregam a exclusão. Eles disseminam de forma muito clara essa visão demeritória aos homossexuais e, quer aceitemos ou não, essa é a face dos evangélicos hoje em dia.

Sei que minhas palavras não agradarão boa parte das pessoas que cultivam suas crenças, mas sofro isso na carne há 30 anos, desde que iniciei a escrever. Ter coragem de desagradar as pessoas é tarefa que poucos aceitam. A maioria faz avaliações de suas opiniões baseadas na popularidade. Sou contra muitas coisas que as pessoas consideram óbvias, mas não por isso deixo de expressá-las, pois elas significam a minha verdade, parcial, passageira e frágil. Mas não foi Jesus ou Maomé quem me mandou dizê-las: elas são de total responsabilidade minha.

Aliás, há alguns poucos anos (uns 30) eu era crente nas realidades cristãs. Participei na minha juventude de grupos de jovens, algo que muito me ajudou a passar pelas atribulações da juventude. Depois joguei para longe toda e qualquer crença baseada em “livros sagrados“, “palavras do mestre“, etc. Entretanto, enganam-se os que pensam que eu me decepcionei com o tímido humanismo cristão. Não, eu me desencantei com a ideologia por trás de qualquer religião, que afasta os indivíduos do verdadeiro humanismo. Os evangélicos que combaterem de maneira FEROZ as religiões africanas não seguem nenhum preceito de fraternidade. Os católicos que fazem o mesmo sofrem da mesma falha ética. E assim com todas as religiões.

O salvacionismo evangélico leva a dissoluções e, acima de tudo, no caso dos pentecostais, uma “desmoralização” da religião, que de um artigo de fé passa a ser um produto a ser comprado no balcão dos bispos para o sucesso profissional. Basta ligar a TV e ver as vendas de “vassouras”, “pedaços da cruz”, “aspiradores de más energias”, e tantas outras bobagens que tentam enganar as pessoas e ludibriar fiéis, enclausurados em suas crenças e no seu misticismo.

Minha crítica, como pode perceber, não é ao católico fervoroso que tenta ser um bom cidadão, nem ao espírita religioso, ao umbandista caridoso ou ao evangélico que deu sua mente e seu coração para um ser etéreo (Jesus), mas para as religiões, criações humanas que lucram com uma visão mística, alienante, baseada em histórias que, quando literalmente entendidas, nos levaram a guerras, destruição, morte e dor.

Apesar das opiniões contrárias, continuarei pedindo que deixem Jesus fora deste tipo de debate sobre a homossexualidade, seja para acolher ou para repudiar os homossexuais. Se esse Jesus realmente existiu e foi o responsável pelo Sermão da Montanha, que é a síntese humanista da sua obra (e todo o resto – ressurreição, cruz, traições, etc. são apenas ficções que se repetem em quase todas as tradições para reforçar a mística do salvador) ele realmente não se importaria com a vida sexual das pessoas de bem.

Para Jesus, o “mestre nazareno”, tanto quanto para mim, qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá, e toda e qualquer segregação deve ser repudiada…

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Aventurar-se

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Muitas pessoas que conheço fizeram o árduo percurso de abandonar suas vidas insossas em busca do prazer e da realização pessoal. Largaram facilidades ou carreiras para se dedicarem a uma grande paixão. E isso não é uma opção de “riquinhos” ou “playboys“, mas de pessoas que valorizam suas experiências pessoais acima dos valores mundanos, como dinheiro ou “sucesso”.

Eu fiz esse caminho, mas o desaconselho a todos os desavisados que me perguntam se vale a pena segui-lo. Não estimulo que ninguém embarque nessa trajetória, até porque “quem disse que a chegada é o prêmio maior, e não o próprio caminhar?“. Uso dessa estratégia porque buscar sua própria realização só tem sentido se for natural, e quando essa for a única saída nobre para quem se aventura na busca pelos altos fins de sua existência. Não se força uma opção radical como essa; ela precisa ser livre e espontânea.

O que é preciso entender é o tipo de “escolha” que foi realizada pelo sujeito. Podemos pensar, erradamente, que todos os que escolhem a paixão e a realização pessoal tem “fontes alternativas de renda“, ou um “lugar quentinho para voltar“. Para isso precisamos acreditar, como única possibilidade, o estereótipo do playboy que ganha mesada e cria uma banda de rock para “fazer o que ama”.

Não é verdade, e esta generalização é pobre e injusta; muitos visionários arriscaram TUDO pelos seus sonhos. Albert Schweitzer é um bom exemplo, Nietszche também. Freud abandonou a “medicina” (queria se dedicar à neurologia), e a possibilidade de um trabalho tranquilo e estável com seu mentor Breuer, para se aventurar na Salpetriére com Charcot e estudar as histéricas. Dessa opção pela aventura no desconhecido pariu-se a psicanálise, e descortinou à humanidade os mistérios do inconsciente. Entretanto, Freud com 40 anos não tinha um mísero tostão no bolso, e apesar disso apostou na força que o impulsionava a seguir suas ideias.

Acreditar que é preciso aceitar a mediocridade de seus horizontes é um péssimo guia para a vida. Somos feito da poeira multimilenar das estrelas, e por isso mesmo fomos criados para brilhar. Se é preciso adaptar-se às contas, impostos, dívidas e dias de chuva, mais necessário ainda é exigir de si um compromisso com a paixão e o sonho.

Sem isso somos apenas corpos caminhantes, desprovidos de alma.

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Tsunami

Nos poucos segundos que se seguem às emoções tsunâmicas de um nascimento a lente capta uma fatia de luz, um fragmento de instante que se insere nas fissuras do tempo. Ali condensados, as esperanças, os desejos, as promessas e as expectativas de uma vida que brota se expressam de forma crua, expondo a nudez da alma humana em sua forma mais verdadeira. Naqueles poucos segundos encontram-se condensadas as dores, as alegrias, as frustrações e as esperanças, como de um átomo que explode em um big bang multicolorido de energia criativa. Poucos segundos depois, o olhar vívido e faminto já percorre o ambiente para consumir o mundo, deglutindo todas as suas cores, aromas e amores. Seja bem vinda Ava. Aqui está o mundo que tanto querias ver.

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Solilóquio

Concha Caracol

Fico nervoso ao debater com pessoas que tem uma carga muito violenta de ódio e que tem feridas difíceis de cicatrizar. Mas, aprendi com meu pai que “só me fazes mal se me fazes mau“. Assim sendo, a resposta a este tipo de agressão não pode jamais ser na mesma moeda. Não há sentido em devolver essa energia com a mesma direção…

Todavia, em alguns debates virtuais a máscara cai rapidamente.

Tem uma bela frase que diz que “um liberal é um fascista que ainda não foi assaltado“, e eu complemento dizendo que “um moralista é um grosseirão que ainda não foi contrariado“. A prova do democrata repousa no desafio do contraditório. Mandou tomar no fiofó? Perdeu, playboy, perdeu…

“Se não sabe debater escutando a opinião do outro, grite dentro de uma concha e tenha orgasmos auditivos ouvindo sua própria voz“.

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Boxe

Boxe

Um fato interessante aconteceu no mundo das lutas, em especial no Boxe, mas que pode produzir uma reflexão interessante sobre parto, e em especial a segurança relacionada à sua condução. A Federação de Boxe deliberou que a partir da próxima Olimpíada não mais serão usados os capacetes especiais acolchoados dos lutadores. A razão? Boxeadores com capacetes tinham o DOBRO (ou mais, me corrijam) de lesões cerebrais quando comparados àqueles que lutavam sem capacete.

Como? Não entendi…

Exato. O uso do capacete estava relacionado com muito mais lesões pois o capacete oferece uma falsa sensação de segurança. Desta forma os lutadores usavam menos técnicas de autoproteção. Isto é: eles levam mais socos e trombadas pois se preocupam menos em proteger a cabeça. Os pequenos traumatismos constantes acabavam por produzir lesões em maior quantidade do que quando o capacete não era usado.

Retirar algo que aparentemente protege gera mais segurança e proteção!!!

Pense agora nos hospitais e o abuso de cesarianas. O hospital parece proteger, mas quando se “retira” o hospital da assistência não aumentam drasticamente os problemas, na medida em que as pessoas passam a não se comportar de forma temerária (ocitocina exógena, confinamento ao leito, analgesia, amniotomias, monitorização eletrônica, etc.). Isso ficou muito claro no “Place of Birth” (Inglaterra, 2012) e suas repercussões no NICE (National Institute of Care Excellence) e no último estudo da MANA (Midwives Alliance of North America).

O resultado é que sem o “capacete institucional” altera-se o comportamento dos atendentes. Mudam os valores, muda a “psicosfera” e modificam-se as condutas. E os resultados são igualmente bons, mas com maior satisfação por parte das mulheres.

Faz sentido para vocês?

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Enfermeiras

enfermeira

Elas sempre me olharam com desconfiança, mas – verdade seja dita – eu nunca consegui transmitir simpatia a elas. Algumas já reclamaram que sou sério e fechado; mal-humorado, emburrado. E, confesso, não ajudei muito, nos últimos anos, a desfazer essa impressão. Todos os sujeitos sobre quem repousam críticas ou suspeitas acabam desenvolvendo algum nível de paranoia. E não é só com enfermeiras; não converso com meus colegas também, e devo passar a ideia de que sou uma espécie de arrogante depressivo.

Não é verdade. Sou reservado e desconfiado, e tenho receio de constranger pessoas com a minha presença.

As enfermeiras me tratam como alguém que está constantemente desafiando sua autoridade no centro obstétrico, mas isso não está muito longe da verdade. A “escolha de Sofia” a que gestantes se submetem, tendo que optar entre o marido e a doula, sempre me causou inconformidade e indignação, e as enfermeiras chefes percebem isso, de forma muito evidente. Resolvi que a melhor tática seria aceitar a atitude arbitrária e esperar que a pressão das pacientes influenciasse a ação dos gestores do CO.

Minha estratégia parece estar, aos poucos, funcionando, pois sinais de reversão das medidas autoritárias começam a aparecer, de forma gradual, porém sensível. Entretanto, a desconfiança das enfermeiras sempre se mantém.

“Doutor Ricardo, não pode tomar café aqui“, disse a jovem enfermeira chefe. “Se a doula ficar infelizmente o marido tem que sair“. “Não, não pode entrar outra pessoa“. “São as normas, não posso fazer nada“. “Não Dr., ainda não está no sistema. Tenha paciência e aguarde“.

Não, não, não….

Por isso quando a jovem enfermeira me chamou às falas, em voz baixa e quase sussurrando, eu imaginei que estava, mais uma vez, cometendo alguma pequena contravenção, que poderia colocar sua autoridade em risco.

No entanto, a bela enfermeira se aproximou com um pequeno volume branco na mão e colocou-o sobre o balcão que nos separava. Abriu com cuidado até aparecer um disco, um DVD.

Jogou para mim um sorriso tímido e me falou um tanto sem jeito.

– Doutor Ric, poderia dar um autógrafo na minha cópia do ” Renascimento do Parto”? Esse filme foi muito importante na minha formação.

Deu um nó na garganta, e um peso no peito. Trinta anos de relações difíceis e agora a nova geração começava a entender pelo quê tanto lutamos.

Deu vontade de chorar. Quem não?

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Escolha difícil

Perucas

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1 de junho de 2015 · 23:29