Se a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor, como já dizia Paulo Freire. Se a gente não combate o abuso em si, mais cedo ou mais tarde todos iremos exigir nosso quinhão de opressão no mercado da violência. Se a luta contra o arbítrio só nos inflama quando toca nossos interesses – ou nossas feridas – então não é paixão pela mudança, é apenas oportunismo.
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A Bruxa
O mundo ainda fala muito da Lady Di e se lembra dela com saudade, mesmo que seja alguém de quem conhecemos apenas sua face pública, a imagem na TV, as manchetes de jornal e quase nada da sua verdadeira personalidade – a não ser pelos relatos de amigos próximos que só podem falar bem dela. Ora, até eu terei amigos a me pintar com as cores da doçura quando partir, que dirá a “lady dos britânicos”.
Não creio – e fica claro que se trata de uma crença – que Diana fosse uma má pessoa; pelo contrário, acho que era uma mulher como qualquer outra, com sonhos, desejos, amores, filhos imersa em uma vida de luxos e holofotes. Acredito que, tirando de foco sua fortuna, seu casamento mágico, sua vida de contos de fada, sobraria apenas uma garota entre milhões de outras, que teve a chance de viver o sonho dourado de tantas meninas.
Mas, talvez no casamento de Diana Spencer com Charles haja algo muito mais importante a aprender do que a história pomposa de final trágico. Como em todo conto de princesa, há uma bruxa. Esta personagem encarnou na figura de Camilla Rosemary Shand, também chamada Camilla Parker Bowles pelo seu casamento com o oficial Andrew Parker Bowles. Ela era 14 anos mais velha que Diana e mais velha até que Charles, um pouco desengonçada, sem atrativos físicos, com dois filhos do primeiro casamento e sem o glamour da “princesa do povo”. Contra tudo e contra todos, foi ela quem roubou o coração do príncipe, mesmo que aparentemente não tivesse nenhum dos dotes de beleza, simpatia e delicadeza tão evidentes na princesa Diana.
A imprensa e o povo inglês jamais a perdoarão por ocupar o lugar da icônica Lady Di. Bruxa, aliás, foi dos apelidos mais leves que recebeu dos tabloides. Entretanto, já se passaram mais de 28 anos do seu casamento com o atual Rei Charles II, e parece (como várias vezes disse meu pai) que ela sempre foi a verdadeira princesa, sendo sua antecessora uma ocupante temporária. Pelo menos ao olhos de Charles.
Acho que esta é uma história de amor real (pun intended) que desafiou convenções, bloqueios legais, a imprensa, a opinião pública e a própria realeza britânica. Camilla deve ser a versão mais clara na vida real da Gata Borralheira, a mulher comum, sem beleza fulgurante que rompeu todas as amarras e fisgou o coração do príncipe.
Isso me faz recordar uma conversa com Alfredão, psicanalista, que me dizia que a história humana se iniciou quando dois antropoides observavam duas fêmeas limpando a carne de um animal à beira do rio. Um deles aponta para uma delas e diz “Quero aquela!!”, ao que seu amigo pergunta “Por quê?”, recebendo como resposta uma cara de espanto e a frase “Não sei…”
Charles escolheu Camilla para estar ao seu lado até a morte e lutou contra todas as convenções para ter a mulher que desejava. Talvez se fossem a ele perguntadas as razões de sua escolha por Camilla teria a mesma resposta dos antropoides à beira do rio e, apenas por isso, podemos dizer que esta é uma história de amor. Apesar de compreender o culto que se faz à Diana, pela sua imagem e seu fim trágico, eu sempre tive pelo temperamento reservado e pelo pudor de Camilla um grande respeito, e hoje até uma grande admiração.
Como Duquesa da Cornualha, Camilla auxilia Charles em suas responsabilidades como representante do Estado. Ela é financiadora e presidente de muitas organizações de beneficência, atuando para despertar conscientização em áreas como a osteoporose, abuso sexual e alfabetização.
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Labotois
Sonhei essa noite que estava carregando um grupo de amigos na caçamba de uma caminhonete. Esta caminhonete havia sido assaltada e o banco do carona foi roubado. Ou seja: não havia “banco”, mas ainda assim era possível dirigir o veículo e dar carona aos meus parças. Dirigi pelas ruas tortuosas até que precisei entrar na rua Independência, mas para isso precisaria acessar primeiro a rua “Labotois”. Perguntei a alguém na rua como seria possível subir por esta rua, mas não obtive resposta. Acordei com esse nome na cabeça – uma rua que eu bem sei que não existe – e anotei no celular. Pela manhã voltei a pensar no que esta palavra poderia querer me dizer.
Labotois (Labotoá)??? Essa palavra, aparentemente não existe em nenhum idioma. Vejamos onde ela pode se situar…
* La Bote (restaurante antigo da cidade). Pizza, com meus amigos…
* La Boîte (a caixa, a lata). “Alors j’ai commencé à chercher à l’extérieur de la boîte.” – Então comecei a pensar fora da caixa…
* La Boîte aux Lettres (a Caixa de Correio, restaurante em Paris). Tudo a ver com minha estrutura sofisticada, que curte “haute cuisine française”, só que não. Ou será que estou para receber uma correspondência importante? I bet that’s the best choice.
* La Boétie (Étienne de La Boétie, cuja obra mais famosa é seu Discurso da Servidão Voluntária, escrita em 1548, após a derrota do povo francês contra o exército e fiscais do Rei, que determinaram um novo imposto para a cobrança do sal. A obra se estabeleceu como um hino à liberdade, com análises muito pertinentes sobre as origens do autoritarismo e da dominação de grandes grupos por alguns poucos poderosos. Também trata da necessária indignação pela violência da opressão e as formas como enfrentá-la. Morreu com apenas 32 anos de idade e foi o grande amigo de Montaigne, que jamais se recuperou de sua perda).
Lígia Víctora, onde estás?
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Religião e paz
Religião não tem nada a ver com guerras ou pacifismo. Aliás, a imagem acima, com cavaleiros Cruzados em batalha, pode dar a falsa ideia de que esta foi uma guerra “religiosa”, de cristãos contra o islã, algo tão errado quanto a luta de “católicos contra protestantes”, na Irlanda, algo que era ensinado quando eu estava na Escola – uma forma imperialista de descrever o conflito. As religiões não produzem guerras – nem paz. Ninguém mata pelo Deus do outro ou pela forma de fazer pão. O que nos leva à guerra são interesses materiais bem mais palpáveis.
Como diria Marx, “a história do mundo é a história das lutas de classe”. Pegue qualquer guerra, em qualquer período da humanidade e verá que em todas elas vamos encontrar interesses econômicos e geopolíticos determinantes, e não disputas ideológicas ou de caráter religioso. As religiões, entretanto, são usadas como “cola”, uma forma de seduzir o povo para o esforço de guerra, clamando por uma identidade ou pela defesa de valores culturais que estariam sendo “ameaçados”, questões estas que são absolutamente desprezíveis para aqueles no poder e que estão interessados economicamente no conflito.
Portanto, se você acha que as religiões produzem guerras, então foi reprovado em suas disciplinas de história
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Ahh, como eu te amo Facebook, paraíso das frases feitas, dos conselhos para desmerecer conselhos, da autoajuda, da glorificação do sujeito, da imagem própria fátua e gloriosa no espelho da tela, das imagens retocadas, dos recados cafonas em guardanapos, dos textões, das indiretas, das comidas ajeitadas, das fotos na praia, da Turrefél ao fundo da foto, da roupa suja lavada em público, dos linchamentos de personalidades, das citações, das lacrações, dos comentários políticos, das ideias geniais, da foto do diploma, dos cortes de cabelo, das poesias, dos xingamentos, das frases bíblicas, dos ateus proselitistas, das dores morais, dos arrependimentos, das imagens de casais e suas juras de paixão eterna, o carro novo, o livro que está lendo e suas páginas sublinhadas, as fotos de biquíni, as fotos na academia, das resenhas, dos cancelamentos, da ironia, das ofensas dissimuladas, da inveja, da saudade de quem se foi, dos lugares comuns escritos com sofisticada empolação, das declarações desabridas de amor, das paixões incontidas, das teses longas que ninguém lê, das fotos antigas do tempo do colégio, das homenagens aos pais, das fotos da mulher quando era mais jovem, os gatinhos, os cãezinhos, os bebês, os netos, a casa e o quintal, as fotos antigas do marido sem barriga, das conquistas dos filhos, dos memes, dos clipes de música e da alienação dolorida, brilhante e colorida que se choca contra nossa retina tão logo toca o despertador do celular.
Vou sentir saudades…
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In Vino Veritas
Creio ser importante que se faça uma reflexão a respeito dos fatos ocorridos na Serra Gaúcha referentes ao trabalho análogo à escravidão (e não “trabalho irregular”, como foi noticiado pelas empresas de mídia daqui).
Primeiro, é gravíssimo. Nós estávamos acostumado a pensar que esse tipo de abuso só acontecia nos rincões distantes do Brasil, onde não haveria um aparato estatal civilizatório suficiente para coibir tais ações. Mas não; os crimes ocorriam na região mais desenvolvida e rica do Estado, do nosso lado, nas nossas barbas.
Em segundo lugar é imprescindível que algo seja feito e que os responsáveis sejam punidos pelo rigor da lei. Estes responsáveis são as empresas terceirizadas que contratam estes empregados e os tratam como lixo, mas igualmente as empresas que lucram com a desumanidade no tratamento desses trabalhadores e fazem vista grossa para o tratamento desumano que recebiam. Não há sentido algum em “passar pano” para Salton, Aurora e Garibaldi, e não aceitaremos que terceirizem suas culpas evidentes neste caso, saindo ilesas de crimes contra a dignidade humana. Hoje também sabemos que as empresas haviam sido denunciadas muitas vezes ao Ministério Público do trabalho, e nada foi feito. Por que tanta negligência com fatos tão hediondos?
A situação é grave demais para qualquer tipo de condescendência. Agora surgiram informações que sugerem a participação de membros da polícia militar nos castigos, pressões, constrangimento e torturas aplicados aos trabalhadores. Quanto mais investigamos, mais fundo fica o buraco, e começa a se configurar uma participação disseminada dos crimes pela sociedade local, seja por ação ou por omissão.
Não só as três empresas acusadas devem ser punidas, mas todas as outras das quais ainda não temos notícia. Muito mais ainda resta para ser apurado, e talvez tenhamos batido apenas na ponta do iceberg e isso explica o manifesto do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves, que mostrou que os líderes de classe acreditam que o problema de escassez de mão de obra na cidade é “culpa dos trabalhadores que vivem de benefícios governamentais” e não querem trabalhar, “sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade“. Ou seja, a culpa do trabalho escravo é do “Bolsa Família”, e não da ganância dos empresários, seja do vinho ou da mão de obra terceirizada. É sempre útil lembrar que estes municípios da Serra Gaúcha tiveram uma votação marcadamente bolsonarista, da ordem de 70% dos votos, e isso explica muito do que observamos agora.
Por fim, aqui vai uma reflexão mais delicada para as lutas proletárias. Hoje uma rede de supermercados do Rio anuncia que vai suspender a compra de vinhos da Serra e vai até devolver os estoques ainda existentes. A razão? Não deseja ter seu nome envolvido com empresas “sujas” no mercado. Aqui mesmo no sul do Brasil a palavra de ordem é “boicote”, uma forma de punir as empresas que promovem – ou são coniventes – com a barbárie do trabalho análogo à escravidão.
Entretanto, a ação nefasta da Operação Lava Jato, comandada pela nata da corrupção judiciária do Brasil, deixou claro que punir as empresas acaba destruindo aqueles que são sua alma: os empregados. O vinho que nós tomamos é feito pela mão dos trabalhadores da agricultura, os transportadores, os funcionários da vinícola, os engarrafadores, os burocratas e seus diretores. Todos estes serão punidos por uma culpa que não é deles. Precisamos aprender que a punição não deve atingir o povo trabalhador inocente, mas as pessoas diretamente relacionadas com os crimes cometidos, para que os empregos possam ser preservados e as famílias que sobrevivem das vinícolas não sejam sacrificadas. Não podemos admitir que a destruição planejada das empresas de construção civil e da indústria naval protagonizada pela Operação Lava Jato, que ocasionou a perda de pelo menos 4.4 milhões de empregos, tenha continuidade nos ataques à indústria do vinho (e do turismo), com o mesmo desastre social que já vimos.
Exigimos punição exemplar para diretores das empresas e para todos aqueles relacionados aos crimes contra a dignidade humana que foram coniventes com o trabalho análogo à escravidão, a tortura e aos maus tratos. Todavia, também desejamos que os trabalhadores honestos não paguem este preço, preservando as empresas da necessária punição aos responsáveis.
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Gisele
Lembrando pra galerinha da treta:
A Gisele não é o problema; ela é apenas uma das manifestações do problema, que é o capitalismo. O caso dela é escandaloso porque o fosso que a separa das pessoas humildes que a cercam é obsceno. Todavia, culpar a Gisele, o Neymar, o Elon ou o Paul McCartney é fulanizar um problema sistêmico que só serve para estimular o proletariado a se dispersar, caindo na armadilha identitária de criar ataques entre os mais e os menos oprimidos.
Nos próximos passos previsíveis dessa treta vamos acusar a professora por ganhar muito mais do que a tia do cafezinho esquecendo que AMBAS são brutalmente exploradas pelo mesmo sistema, inobstante o fato de serem de raças e salários diferentes. Numa sociedade socialista a obscenidade dessa disparidade desumana e indecente não seria tolerada, pois a consciência de classe não aceitaria tamanha ofensa à dignidade humana.
Ahhh, nao esqueçam que Gisele vende sua imagem, que é o seu trabalho. Ganhar 10 milhões para que sua imagem seja vinculada à uma cerveja não é o problema. O escândalo mesmo é uma empresa do Lemann PAGAR por isso.
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Mundo às escuras
Sempre que eu vejo as representações do surgimento do planeta, ou mesmo o aparecimento posterior desse profundo mistério chamado “vida” – a organização complexa que surge da matéria inerte – eu tenho uma sensação estranha. Apesar das maravilhosas demonstrações do que poderiam ter sido as etapas de vulcanismo, das chuvas infinitas, a criação dos oceanos e as primeiras estruturas vivas surgidas em suas águas mornas – já mais recentemente – eu me surpreendo que toda esse período enorme da história do planeta ocorreu “às escuras”.
Sim, porque a complexidade dos globos oculares surgiram há poucos milhões de anos, ainda no período Cambriano, por volta de 545 milhões de anos passados. O período Cambriano, meio bilhão de anos atrás, foi um pico de produção e diversidade de vida, como poucos na história da Terra. Nenhuma evidência da existência dessa estrutura é encontrada em períodos anteriores a ele, mas uma grande variedade de olhos é encontrada no registro fóssil de Burgess Shale, que ocorreu no Cambriano Médio.
Assim, os 3.5 bilhões de anos anteriores a este período ocorreram sem testemunhas oculares. Ressecamento da crosta, vulcões em erupção, o surgimento da flora, o aparecimento das primeiras bactérias, os moluscos, os maremotos, nada disso foi visto por nenhuma criatura. Foi necessária a criação da Geologia e das imagens geradas por computador para podermos imaginar como teria sido esse período e transformá-lo em imagens majestosas e impressionantes.
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Maremoto

“Então, um belo dia, eu acordei pela manhã e me dei conta que não havia mais sentido continuar sendo aquela antiga versão de mim mesmo. Foi um estalo; como acordar”.
Verdade, mas na realidade a transformação não é fruto de magia, não é sequer uma transformação repentina, da mesma forma como um maremoto ou a erupção de um vulcão não ocorrem de surpresa, surgidos do “nada”. Estas mudanças apenas externamente aparentam ser abruptas; elas ocorrem pelo movimento lento e gradual das placas tectônicas do nosso psiquismo, que insidiosamente se adaptam e se transmutam para acomodar nossa perspectiva de mundo. Um dia, sem aparente aviso, surge o tsunami, o tremor sob os pés e a lava percorre seu caminho junto às cinzas, o que nos leva à ilusão de que algo súbito e surpreendente ocorreu. Isso acontece apenas pela nossa incapacidade de perceber as violentas tensões subliminares que ocorrem nas profundezas de nossa alma.
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Futebol Moderno
Não há como comparar, na atualidade, o futebol europeu com o futebol praticado no resto do mundo. Na condição de tricolor, o jogo do meu Grêmio contra o Real Madrid em 2017 marcou esta diferença, que a partir de então ficou muito clara para mim. Eram (para usar a palavra da moda) patamares diferentes de futebol. No campeonato mundial patrocinado pela FIFA os sul-americanos chegam lá para fazer um “crime”, jogar por uma bola, tentar o milagre, fazer história. Parecemos clubes do interior jogando contra potências futebolísticas da capital. Já os gringos vão fazer compras e curtir os hotéis de luxo das cidades árabes. Estamos muito mais próximos do futebol da Arábia e mesmo da África do que do futebol da Europa. Prova disso é que nas últimas 10 semifinais os clubes da América Latina foram batidos por clubes africanos e de outras praças. O futebol dos anos 80-90 foi último suspiro dessa proximidade; a distância se tornou insuperável pela força do poder econômico; o dinheiro destruiu a competitividade no futebol; um fosso gigantesco se abriu separando o futebol praticado no centro do Imperialismo com aquele da periferia.
Eu sei: os clubes europeus são “legiões estrangeiras” cheios de jogadores da periferia, mas eles apenas arrecadam a mão de obra no sul global; o dinheiro, a organização, os estádios e o marketing é todo deles. Pensem apenas o seguinte: o jogador Neymar ganha sozinho mais do que todos os jogadores do Palmeiras e do Flamengo juntos – que já tem salários obscenos para a realidade do país. Ou seja: ele ganha mais que o plantel inteiro dos dois clubes mais ricos do país. Segundo dados da revista Forbes de 2022, Neymar ganha US$ 55 milhões anuais entre salários e bônus por metas em campo. Por mês arrecada ao redor de US$ 4,5 milhões, o que representa na cotação atual quase R$ 23 milhões. Ainda de acordo com a publicação, Neymar ganha mais US$ 32 milhões por seu trabalho fora de campo, principalmente emprestando seu nome para publicidade de inúmeros produtos. O jogador mais bem pago do Brasil ganha um décimo do que ganha o Neymar. É um poder econômico contra o qual não há como competir.
Com o futebol europeu sendo comprado por bilionários do petróleo ou novos ricos do leste europeu a tendência é que este esporte fique cada vez mais distante do povo. Cada vez mais concentrador de renda – e de títulos – e paulatinamente afastado do trabalhador pobre, o destino desse esporte é se tornar um jogo para as elites, controlado por magnatas, com uma estrutura que visa essencialmente o lucro, na mais acabada perspectiva neoliberal. Enquanto isso, vai se afastando das torcidas, expulsas dos estádios e cada vez mais alienadas das decisões do clube.
O futebol também precisa de uma revolução, para evitar que venha a desaparecer pelo extermínio de sua motivação mais primitiva: a paixão.
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