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Cirão da Massa

Uma análise curiosa que a minha filha Bebel fez: em 2018 os ciristas diziam que Haddad deveria desistir da eleição para que Ciro – com 12% de intenção de votos – pudesse vencer Bolsonaro no segundo turno com a tese de que Ciro “tinha menor rejeição”. Todavia, agora os mesmos apoiadores do Cirão da Massa acham absurdo que ele – com 6% da intenção de votos – desista da eleição para garantir Lula já em 2 de outubro, poupando o país de uma guerra suja pelos votos em segundo turno. Quem votar em Ciro no primeiro turno estará em frente ao dilema “Lula x Bolsonaro”. Por mais que eu critique os ciristas duvido que seu ódio irracional ao Lula seja tanto que os fará aceitar o voto num degenerado como Bolsonaro. Posso garantir que 70% votarão em Lula, menos por ele e mais pela rejeição ao Bolsonaro. Aliás, é o que dizem as pesquisas de segundo turno…

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Lula

Quanto mais se aproxima o dia das eleições para a presidência da República mais aparecem os velhos ataques ao candidato Lula, e o mais frequente é chamá-lo de ladrão. Estes ataques são ferozes e irracionais, infensos à qualquer abordagem racional. Todavia, o ódio a Lula diz muito mais de quem o odeia e despreza do que do próprio presidente. Outra tática comum que volta a ser utilizada é de descontextualizar as falas de Lula. Em uma delas Lula diz que “O pobre no Brasil sempre foi visto como número e como papel higiênico: usa-se e joga fora”. Ora, Lula estava criticando a postura histórica dos governos burgueses em buscar as populações desassistidas apenas na época das eleições. Foi exatamente contra isso que os governos de esquerda se rebelaram: a ideia de que essa gigantesca massa deveria continuar votando para eleger representantes da burguesia.

Outra crítica é dizer que Lula é condescendente com o crime, acusações estas que sempre são feitas contra os candidatos de esquerda, em especial aqueles que defendem os direitos humanos. Pois quando Lula contextualiza o roubo e outros delitos ele também acerta. Sim, o ladrão rouba para ter um dinheiro que o capitalismo lhe sonega. É para tomar uma cerveja com os amigos, fazer festa, se divertir, comer e vestir-se bem. Isso não significa justificar o roubo ou o crime, mas entender porque a sociedade capitalista – onde o sucesso está atrelado ao consumo – produz humilhação e frustração em níveis industriais entre aqueles setores da sociedade que são alijados do poder de consumir.

Mas é óbvio que a direita tenta forçar desta narrativa moralista, nos fazendo crer que um país se divide entre as pessoas de “bem” e as pessoas do “mal”, como se os sistemas econômicos fossem irrelevantes diante da “bondade” ou da “maldade” dos sujeitos sociais – uma tese que corre solta entre os religiosos, que (não por acaso) acreditam que, inobstante todas as ações malévolas que fazem, estão no polo positivo da disputa, pois acreditam em Jesus, fazem o sinal da cruz e dão esmolas para os “preguiçosos” na rua.

É contra essa perspectiva tacanha que o planeta precisa se insurgir. Combater essa visão moralista, alienante e tola é um dever de todas as pessoas que desejam um mundo justo e fraterno, mas isso só pode ocorrer com um elemento fundamental, ao qual os detentores do poder insistem em esconder: a consciência de classe. Votar na direita significa apoiar o “centrão” (aquele que Bolsonaro desprezava e acabou abraçando), dar suporte às elites e estimular o neoliberalismo concentrador de renda que deseja transformar o Brasil no grande Fazendão sonhado pelos conservadores.

As pessoas que insistem em chamar Lula de ladrão – sem jamais apresentarem uma prova sequer – não são conservadores, ou “liberais”, são de extrema direita, cegos de ódio pelo que Lula representa de esperança para o povo pobre, esse mesmo povo que foi destruído pela sanha privatizante dos governos de direita deste país. Uma direita pró imperialista e entreguista, como a de Bolsonaro.

Pois há quatro anos eu lancei o desafio: quem chama Lula de ladrão, prove que Lula roubou. Prove que Lula é desonesto. Mostre as evidências, as sentenças e as provas de que ele prevaricou. Desafio. Quem diz que o STF é corrupto e está atacando Bolsonaro explique porque não o acusou de corrupto quando prendeu Lula apenas para que ele não participasse das eleições? Por que aceitou que o mantivessem preso contra a Constituição Federal em seu parágrafo 5? Por que não reclamaram das arbitrariedades inconstitucionais contra Lula, que não pôde concorrer à presidência mesmo tendo direito a isso? Por que só agora começaram a reconhecer o que a esquerda sempre soube: o STF é uma instância pusilânime.

Quem acredita que Lula prevaricou (prevaricar significa, por exemplo, comprar 107 imóveis com salário de político, 51 deles com dinheiro vivo) traga aqui um cheque, uma mansão, um carro importado, um depósito no exterior, um telefonema, um bilhete, um recibo, uma nota, uma promissória, uma foto comprometedora, uma sentença condenatória transitada em julgado, uma gravação, joias, uma confissão, casas, propriedades, sítio, triplex, lojas de chocolate, mansões em Brasília, festas suntuosas, apartamentos em Paris, rachadinhas, empresas fantasmas, enriquecimento suspeito, familiares que ficaram ricos, laranjas, propriedades, grana no exterior, conta na Suíça, conta em qualquer lugar, instituto de fachada, etc…

Ahhh mas não tenho esses elementos… Então aceite que não tem nada contra Lula e todas as acusações são baseadas em fofocas, fake news e no desejo de colocar um líder popular fora de qualquer disputa. Quem grita de forma histriônica “Lula é ladrão” fica parecido com aquelas crianças que dizem “feio, feio, feio”. Repetem por acreditar que uma mentira contada centenas de vezes por fim se torna verdade. Todavia, mais do que repetir, é necessário provar que ele foi desonesto, baseada em que elementos, quais evidências, quais juízos e qual a conexão com a verdade dos fatos.

Quem grita de forma histriônica “Lula é ladrão” parece aquelas crianças que dizem “feio, feio, feio”. Repetem por acreditar que uma mentira contada centenas de vezes por fim se torna verdade. Todavia, mais do que repetir, é necessário provar por que ele foi desonesto, de onde vem essa crença, baseada em que elementos, quais evidências, quais juízos e qual a conexão com a verdade dos fatos.

– Fulano é criminoso!!
– Mas por quê você diz isso?
– Porque sim….

Essa retórica de afirmar que alguém é ladrão “porque é“, sem a necessidade de apresentar provas, abre espaço para que esse mesmo tipo de acusação seja feita a qualquer um de nós, dependendo apenas dos sentimentos e não da realidade. Isso nos faria retroceder milhares de anos na história do direito, onde a realidade era desprezível diante do desejo e dos interesses dos poderosos. O direito surgiu exatamente para se contrapor ao império da brutalidade e da força, determinando critérios para estabelecer inocência, culpa e responsabilidade. A partir do surgimento do direito não bastaria mais apenas o uso da força; seria preciso provar – através da materialidade dos fatos – que o sujeito acusado havia realmente praticado um malfeito.

Por isso o desafio: provem que Lula é desonesto… ou então, tanto quanto vocês, ele continua inocente. Como sempre foi.

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Censura

Hoje, assistindo o noticiário, escutei de um jornalista de esquerda a ideia de que a liberdade o autoriza pensar, “mas não pode externar“. Ufa… quer dizer que ter pensamentos livres ainda é permitido?? Sim, mas falar o que pensa é “crime de opinião”, por certo…

É esse o pensamento de esquerda? É assim que defendemos a ampla liberdade de expressão? Quem arbitra o que pode ou não ser dito? O Ministro colocado no cargo pelo golpista Temer????

Quando o cortador de pé de maconha voltar suas baterias contra a liberdade de imprensa e contra as esquerdas será que esses liberais de esquerda vão continuar a exaltar o careca dessa forma subserviente e genuflexa como o fazem agora? O PCO é um partido pequeno e foi covardemente atacado pelo ditador de toga, mas nessa ocasião poucos reclamaram. Rui Costa Pimenta foi censurado “preventivamente” em vários canais pelo crime de acertar em quase tudo. O Brasil 247 teve centenas de vídeos censurados, mas afinal foi para combater “fake news”, certo?

Quando os ataques forem contra o governo Lula quem estará a postos para defender a liberdade de expressão? Preciso citar o pastor luterano Martin Niemöller mais uma vez aqui? “Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas…” etc.

Pois eu já sei quem estará na defesa da liberdade irrestrita de expressão: o PCO – combatente da primeira hora – mas terá ao seu lado não o conjunto de partidos à esquerda do espectro político, mas a direita mais fascista que temos, porque a esquerda de hoje se junta aos reacionários do judiciário em nome da luta contra o Bolsonaro, como se ele, e não o fascismo que representa, fosse o inimigo. A franja reformista liberal dos nossos dias é o maior exemplo de bundamolismo de que se tem notícia. É triste reconhecer isso quando a luta contra a censura já foi a grande bandeira na minha juventude, e agora esta turma brada aos quatro ventos “Somos contra a censura…. mas depende”.

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Representatividade?

A bancada feminina do Congresso Nacional de 2018 conta com 77 mulheres, das quais 55 são bolsonaristas.

Faz alguns poucos dias um articulista de esquerda liberal reclamava da baixa representatividade feminina na Câmara de Deputados. Exaltava a importância das mulheres nos espaços públicos e afirmava de forma categórica que “se houvesse mais mulheres no poder legislativo a legalização do aborto já teria sido aprovada”.

Será mesmo?

Vejamos: temos 77 parlamentares mulheres em um universo de 513 representantes, onde 15% das vagas são ocupadas por quem representa mais de 52% da população brasileira. Por certo que é pouco, mas já houve avanços: em 1982 eram apenas 8 mulheres no congresso, e em 1998 somente 28. Hoje já se pode dizer que existe uma real “bancada feminina” no Congresso Nacional. Não há dúvida que as mulheres são uma categoria sub-representada e que isso certamente tem consequência nas políticas que são defendidas pela casa legislativa. Entretanto, seria possível dizer que se elas fossem 52% da casa (a real representatividade do gênero) seria muito diferente? Haveria uma facilidade para aprovar pautas que as feministas desejam ver aprovadas? Haveria progresso na equidade de gênero, distribuindo de forma igualitárias ganhos, deveres e direitos?

Creio que esta suposição não passa de uma fantasia, um desejo sem lastro na realidade, e apresento alguns dados que podem confirmar minha perspectiva. Não acredito ser possível desenhar uma linha reta ligando a representatividade de gênero com as políticas em favor da mulher. O mesmo em relação aos não-brancos, igualmente pouco representados. O que vemos hoje é que a maioria das parlamentares da bancada federal é conservadora e aliada de Bolsonaro. Surpresos? Pois não deveríamos estar, pois as mulheres no Brasil não tem uma postura muito diferente daquelas dos homens no que se refere à posição no espectro político. Das 77 deputadas eleitas em 2018 para a atual legislatura 55 votam com Bolsonaro. Ou seja, 71% das mulheres representantes no Congresso Nacional são conservadoras e não seria difícil perceber que sua posição frente ao aborto seria absolutamente contrária à legalização. Segundo a reportagem, a pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero e Política (Gepô) da Universidade de São Paulo (USP), Hannah Maruci frisa que “mais da metade das mulheres eleitas estão à direita no espectro político -– ou seja, mais próximas à posição política do presidente”.

Podemos reclamar de Damares Alves, pela sua postura reacionária e dogmática no que diz respeito aos direitos femininos, mas é injusto dizer que ela não representa a média das mulheres brasileiras.

Contrariamente a outros países do mundo, a participação das mulheres na política representativa é extremamente baixa no Brasil. O país com a maior representatividade é Ruanda com surpreendentes 63% de parlamentares mulheres, país da África que foi devastado por uma guerra civil que matou mais de um milhão de habitantes nos anos 90 do século passado. Cuba em segundo lugar, tem uma representatividade que se aproxima do percentual de mulheres no país, e a maior presença de mulheres na esfera política é um dos claros e inquestionáveis resultados do processo revolucionário cubano. O Brasil ocupa a vergonhosa posição 145, entre a Índia e Gana.

Em um estudo realizado na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com quase 1500 mulheres entre 15 e 49 anos de idade, apenas 30% delas se posicionaram positivamente à legalização irrestrita do aborto – como é o desejo de muitas feministas – o que está em sintonia com a representação de mulheres progressistas na atual composição das mulheres do poder legislativo.

É evidente que não se pode dizer que a representatividade é inútil e/ou supérflua. Muito pelo contrário: ter pessoas que sentem na pele a “dor e a delícia” de serem mulheres, negros, gays, trans, indígenas e outras minorias, representando os interesses de sua identidade, é um fato que devemos perseguir para uma sociedade mais plural e mais diversa. Todavia, o erro está em acreditar que a simples mudança no gênero, cor da pele ou orientação poderá fazer este trabalho. Não, ele só ocorre quando se acresce à representatividade um elemento essencial para as lutas populares: a consciência de classe.

“Representatividade sem consciência de classe é ciranda”. Pouco efeito teve para as lutas históricas da comunidade negra o acesso de Fernando Holiday à câmara de vereadores da maior cidade do país, muito menos a eleição de “Hélio (Bolsonaro) Lopes” pelo Rio de Janeiro. Igualmente não ocorreu nenhum progresso significativo com a entrada de Thammy Miranda na vereança de São Paulo – representando a comunidade trans – ou uma melhoria para a mulher trabalhadora e seus filhos com a eleição da “Comandante” Nádia em Porto Alegre, ambos filiados aos grupos políticos mais reacionários do atual cenário político-partidário brasileiro. As mulheres pouco ou nenhum avanço vão alcançar tendo Joyce Hasselmann, Carla Zambelli, Simone Tebet, Bia Kicis ou Major Fabiana a representá-las, pois que estas mulheres estão alinhadas aos setores financeiros, ao empresariado, ao agronegócio, aos rentistas e algumas (senão todas) aos mais abjetos interesses do imperialismo. Portanto, as conquistas para a franja mais desassistida da população só serão atendidas quando os representantes – de qualquer identidade – estiverem empoderados para encampar as lutas da população mais oprimida, o que inclui negros, mulheres, gays, trans, etc…

A representatividade vazia é como um corpo sem alma. Pode impressionar por pouco tempo e dar a impressão de que os cidadãos vão se reconhecer no parlamentar, mas a falta de sintonia e conteúdo com o tempo fará crescer a decepção pois os valores conservadores que estes parlamentares carregam ultrapassam as graves questões sociais pelas quais deveriam lutar.

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A esquerda que não aprende

Ontem (11/08) ocorreu a leitura da “carta pela democracia“, que foi lida em mais de 20 capitais do país, numa festa pelas liberdades democráticas. Entretanto cabe a pergunta: que democracia é esta que os participantes desejam? Que tipo de manifestação recebe apoio da USP, através do seu Reitor Carlos Alberto Carlotti, Telma Andrade, a secretária da CUT, a representante das lutas antirracistas Beatriz Lourenço Nascimento e muitos militantes de esquerda, mas também Blairo Maggi (homem forte do agronegócio), Guilherme Peirão Leal (o presidente da Natura), Eduardo Vassimon (banqueiro ligado ao BBA), Horácio Piva (da Klabin), Walter Schalka (da Suzano), Roberto Setúbal (do Itaú), Pedro Moreira Salles (da Febraban) e muitos outros bilionários que abrilhantaram com suas fortunas o manifesto lido ontem em nome da democracia e das liberdades constitucionais.

Com esta pluralidade de integrantes cabe a pergunta, que nos parece mais do que natural, mas necessária: a que tipo de “democracia” se referem estas personalidades? Como podemos imaginar que a mesma democracia seja defendida pelos trabalhadores, antirracistas, representantes da universidade e ao mesmo tempo por banqueiros e industriais bilionários que controlam o país e o mantém como eterna esperança de “nação do futuro”?

A resposta triste é que sobra um ilusório fervor patriótico onde falta consciência de classe. A democracia que serve aos banqueiros e industriais não pode ser a mesma que anima a militância de esquerda, pois para aqueles a democracia é o respeito aos seus privilégios intocáveis, enquanto para esta existe o desejo de que as riquezas imensas desse país sirvam para melhoria de vida de sua população. Esta democracia liberal, que interessa à classe burguesa e que acredita nos mecanismos eleitorais para a solução dos grandes dilemas nacionais, não pode ser a motivação da classe trabalhadora. A realidade não nos permite ter dúvidas quanto à potencialidade limitada dos mecanismos eleitorais e representativos para suplantar o capitalismo no Brasil. Mesmo os governos progressistas do Partido dos Trabalhadores, que operaram transformações mínimas na questão da distribuição de renda, se mostraram insuficientes para debelar a tragédia da exclusão, e bastou a chegada de um maníaco à presidência – através de um claro golpe institucional e midiático – para que as conquistas tímidas da esquerda fossem jogadas no ralo.

É necessário que as esquerdas percebam o quanto estas “cartas”, “abaixo-assinados”, “marchas pela paz” e “manifestos” são inócuos para os donos do poder. Tais manifestações servem como “cortina de fumaça”, uma fantasia de democracia para esconder o corpo disforme da tirania. Funcionam como a representatividade negra na cultura, que exalta personalidades e exibe uma “face de diversidade”, mas que jamais desafia o modelo de exclusão que nos atinge através de um rígido sistema de classes que serve se presta à acumulação de dinheiro e poder.

As armadilhas e arapucas da democracia liberal precisam ser expostas e denunciadas. Não há como compor com banqueiros e industriais, pois que os seus interesses são antagônicos àqueles das classes operárias e da imensa maioria da população brasileira. Abandonar a ilusão de uma “frente ampla” com a burguesia é um passo à frente na plena consciência de classe, elemento importante e essencial para as lutas de libertação.

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Relativismos

Charge de Larte Coutinho

E o que dizer quando falam que o STF abusou de filigranas e ritos processuais para “forjar” a anulação das condenações de Lula???? Esta turma que agora, oportunisticamente, reclama do STF é a mesma que há poucos anos aplaudia a inação da Suprema Corte quando a bandalheira do “impeachment” rolava solta. É a mesma que aplaudiu o impedimento de Lula assumir como ministro por uma canetada obscena de Gilmar Mendes. Foi a mesma que achou justo impedir que Lula concorresse, mesmo estando preso, e a mesma que soltou foguetes quando Lula foi trancafiado em uma masmorra sem trâmite em julgado. Essa turma de “justiceiros” precisa se definir!!! Afinal, os ritos do processo judicial valem ou não?? Quando forjaram a posse de um apartamento e apressaram os ritos – pulando na frente de 256 processos no TRF4 – aí os ritos do judiciário valiam e estavam corretos para serem usados explicitamente para atingir um “inimigo”. Quando foram mostradas as provas de que o triplex não poderia ser dado pela construtora porque também não era dela (estava alienado à Caixa Federal) aí são apenas detalhes técnicos.

Quando Lula teve suas sentenças anuladas porque foi julgado por um juiz ladrão em conluio criminoso com a promotoria, aí se trata de tecnicismo, “forjando” uma absolvição. É verdade que não foi apenas Moro o juiz corrompido; há também que se responsabilizar os juízes venais do TRF4. Para esses magistrados que romperam com a legalidade – e que igualmente são incapazes de dizer qual o crime cometido por Lula – não deve haver perdão algum. Agiram da forma mais criminosa e premeditada possível. Crápulas. Entretanto, quando ministros do supremo se escandalizam com a ladroagem aberta, descarada, inacreditável e vergonhosa do judiciário – com fartas provas materiais – aí o judiciário erra e usa elementos “meramente formais”

Quando mantém Lula preso por mais de 500 dias, ferindo o artigo 5o da Constituição, apenas para que não pudesse concorrer à eleição – sem provas e por “atos de ofício indeterminados”(!!!) – o judiciário acerta. Porém, quando é libertado por uma TONELADA de evidências de inocência, aí o judiciário está sendo fraco e “meramente técnico.”.

Quando se afirma que a família do presidente manda eliminar uma parlamentar de oposição, que poderia competir pelo Senado com o filho do presidente, aí torna-se necessário comprovar, o que me parece muito justo. Não basta o bandido ter chamado por ele, em sua própria casa, horas antes do crime. Também não basta todo mundo ter visto que a facada que levou o presidente ao hospital é altamente suspeita, é preciso provar. Entretanto, para acusar Lula as provas são desnecessárias, bastam as convicções. Para chamar Lula de ladrão basta a sua impressão, sua vontade, sem evidências, pois para ele e os partidos de esquerda as provas se tornam apenas ……

…. meros tecnicismos.

Existe um lado violento nessa história sim. Produzir uma falsa dicotomia é absurdo. Por acaso os dois lados “nazistas e judeus” eram agressores? “Sionistas e Palestinos” são ambos violentos e produzem massacres? Essa é uma forma fácil de passar pano para a opressão, tentar tapar o sol com a peneira do relativismo. Não há como aceitar que o bolsonarismo, que surgiu sob o signo da violência e da eliminação simples dos adversários, possa ser igualado aos governos de esquerda que jamais tentaram dividir o país entre uma parte que representa o “bem” e a outra o “mal”. Só os fascistas agem assim, só eles acham que a solução do conflito está em matar, “fuzilar a petralhada” ou a simples destruição dos adversários.

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Requentando Celso Daniel

Deixa eu explicar dessa forma: Élcio de Queiroz, o assassino de Marielle e Anderson, horas antes de cometer o crime foi ao Vivendas da Barra, condomínio de luxo na Barra da Tijuca, e apertou no número 58, exatamente a casa de Bolsonaro. O porteiro contou à polícia que, horas antes do assassinato, em 14 de março de 2018, Élcio adentrou o condomínio e disse que desejava ir à casa do então deputado Jair Bolsonaro. Não se trata de uma especulação; há provas materiais disso. Marielle era desafeto de Flávio, mal vista por Carlos e inimiga das milícias cariocas – a cloaca que sustenta Bolsonaro. Façam as contas…

Existem muito mais provas de que Bolsonaro está envolvido na morte dessa moça do que suspeitas para colocar culpa em alguém do Partido dos Trabalhadores na morte de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André – ele próprio um integrante do PT. A partir de insinuações de que houve uma possível motivação política envolvida na morte de Celso Daniel o caso foi foi amplamente investigado em São Paulo por uma polícia ligada ao PSDB, que teria todo o interesse em jogar a culpa deste caso no PT.

Enquanto isso, resultado de todas as investigações conduzidas mostra, de forma inequívoca, que a morte de Celso Daniel foi comprovadamente um crime comum. Sequestraram o sujeito errado. Não resta dúvida sobre isso. Vinte anos depois, pelo desespero da mídia e pela falta de realizações do governo atual o caso está sendo requentado para atacar Lula e o PT e – de novo – forjar a narrativa mentirosa de que o partido dos trabalhadores é uma organização criminosa, enquanto os partidos patronais e do grande capital são honestos e virtuosos, mesmo que todas as provas e a nossa experiência recente apontem para o oposto disso. O ex delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Lima Carneiro, afirma que se “Sombra” – amigo de Celso Daniel – tivesse sido condenado como mandante do crime, como querem os conspiracionistas, este seria um dos maiores erros da história do judiciário brasileiro.

O caso Celso Daniel foi julgado há mais de 20 anos, e nada foi comprovado além do óbvio: crime comum. Houve 4 inquéritos independentes: um da polícia federal e três da polícia civil que levaram à mesma conclusão: um crime comum. Atualmente a deixa para reabrir o caso estaria em um depoimento do condenado Marcos Valério que teria feito delações a respeito do caso. Mais ainda, Marcos Valério disse essa barbaridade para ganhar alguma vantagem. Seu depoimento é o seguinte: “ouvi de algumas pessoas que me falaram que….”. Marcos Valério também fala de um dossiê com provas sobre o caso que teria sido escrito pelo próprio Celso Daniel, mas que teria sido destruído. A própria Lava Jato não aceitou a cena feita por Marcos Valério, por ser inconsistente e carecer de provas. Até ela…

Vamos combinar que o espetáculo midiático protagonizado por Marcos Valério é pior que uma delação sem materialidade; trata-se da exata definição de uma “fofoca”, uma mentira contada para ganhar algum benefício espúrio, porque o Valério sabia que na Lava Jato aceitariam qualquer coisa que envolvesse o PT. Além disso, pense bem. Caso Celso Daniel tivesse sido morto por alguém do PT, o que o PT enquanto instituição teria a ver com isso? Por acaso a morte do petista em Foz do Iguaçu, cometido por um bolsonarista fanático, significa que o próprio Bolsonaro ou seu partido o mandou matar? É isso que a direita pensa sobre o caso? A culpa é do partido dele? Até onde o lavajatismo mais tacanho, misturado com o bolsonarismo paranoico pretende levar essa fábula?

A história requentada de Celso Daniel, agora com especial na TV Globo, jogando dúvidas sobre um caso mais do que esclarecido, é mais uma cartada goebbeliana conhecida e muito utilizada pela grande mídia e pelo esgoto do “Gabinete do Ódio”: repetir uma farsa ad nauseum, para convencer aqueles que assim desejam se deixar enganar. Não importa que o caso esteja encerrado e não interessa que nunca tenham surgido provas. Pouca relevância tem o fato de que Marcos Valério usou este estratagema para conseguir algum benefício em sua pena através do recurso de agradar os abutres do Ministério Público, sedentos de – literalmente – qualquer coisa para implicar Lula e o PT em algum tipo de escândalo. O objetivo sempre foi político, jamais policial e nunca pela busca da verdade.

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Dicotomia é o meu pai de óculos

É um erro (ou oportunismo) difundir a ideia de que nós estamos “dicotomizados” agora; de um lado a “extrema esquerda” (o PT) e do outro a “extrema direita” (o bolsonarismo). Está se tornando corriqueiro um discurso patético que tenta colocar a esquerda como antípoda do bolsonarismo, como se fossem as duas faces da mesma moeda do extremismo. O ápice dessa perspectiva veio hã poucos dias quando parte da mídia corporativa anunciou que o ato terrorista – onde um bolsonarista fanático atirou e causou a morte de um petista – foi decorrente de uma “troca de tiros”. Seria o equivalente a noticiar que Israel “troca agressões com os militantes Palestinos”.

Durante anos o PT disputou com o PSDB – um partido de direita – a hegemonia da nação. De um lado FHC, Alckmin, Serra e Aécio pelo PSDB e de outro Lula e Dilma pelo PT. Nesses sucessivos embates o PT foi vitorioso em todas as eleições limpas deste século, mas exatamente por isso foram necessários golpes – com o STF com tudo – para evitar que uma nova vitória ocorresse na última eleição presidencial. Entretanto, o caso mais grave de agressão nesses anos todos foi uma bolinha de papel que levou o candidato José Serra para um hospital para fazer uma tomografia cerebral.

Até a derrota de Aécio em 2014 nunca houve relatos de mortes, assassinatos, ameaças à democracia ou golpes. Foi com Aécio que se abriu a caixa de Pandora do fascismo, quando o candidato derrotado disse (na verdade ele prometeu) que o “PT não ia governar” e que eles boicotariam toda e qualquer possibilidade de governabilidade. Depois dessa manifestação – a semente do mal – vieram os golpes sucessivos. Primeiro o impedimento de Lula virar ministro, depois o golpe contra Dilma, em seguida a prisão ilegal de Lula, seu impedimento concorrer, a facada falsa, a ausência de Bolsonaro nos debates e a eleição deste fascista. Tudo isso a mando dos Estados Unidos para nos roubar empresas estatais estratégicas como Petrobrás, Eletrobrás, e Embraer, assim como para acabar com as empreiteiras multinacionais brasileiras e a indústria naval.

Enquanto não havia fascismo no governo a “dicotomia” estava confinada às ideias e ninguém temia ser morto ou ameaçado por pensar diferente. Tudo isso mudou com a chegada dos milicianos ao poder, inaugurando a barbárie e o vale tudo. Já não há mais “dicotomia” entre partidos e ideias como outrora; a diferença de hoje é entre civilização e barbárie, Estado ou milícia.

E agora o presidente fascista diz que a população deve se armar para dar tiros em nome de Cristo, para proteger a propriedade privada acima da vida humana, e para garantir que os ricos fiquem cada vez mais ricos…. e que os pobres continuem a sustentá-los.

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Guerra sem fim

Não carrego muitas esperanças de que o conflito na Ucrânia tenha seu fim em pouco tempo. Essa guerra não foi planejada para ser curta. Entretanto, tenho certeza que apenas apenas quando a OTAN realmente acatar o destino inexorável de uma nova ordem mundial e o multilateralismo essa guerra poderá acabar definitivamente. Por enquanto estamos testemunhando as vitórias da Rússia sobre os nazistas do Batalhão Azov, conquistando território, liberando as novas repúblicas, eliminando a resistência e obrigando os ucranianos à rendição. O que precisamos agora é incrementar o esclarecimento para todos do que significam as ações da OTAN na Europa e estancar qualquer apoio ao imperialismo cruel e estúpido que está usando a população europeia para seus interesses.

A guerra ora em curso não é – como via de regra são as guerras imperialistas – uma guerra para atingir uma vitória. Não; ela se presta a uma guerra continuada, insidiosa, eterna, pois serve para fomentar quem está por trás desse conflito: o complexo industrial armamentista americano. É para eles que jovens ucranianos e russos estão morrendo em campos de batalha gelados da Ucrânia. Também era para eles que morriam vietnamitas, coreanos, sírios, líbios, afegãos e tantos outros, vítimas da máquina de guerra do Império. Desta forma, não esperem da OTAN um ataque direto, decisivo e definitivo. Ela continuará a usar os ucranianos como bucha de canhão para, em uma guerra de desgaste, enfraquecer a Rússia e atingir a China. A guerra é essencialmente contra os BRICS e a esperança de um mundo multipolar.

Todavia, a tática de ataque econômico à Rússia até agora deu errado. O rublo está mais forte do que nunca, a economia russa está florescendo, os bloqueios apenas afastaram a Rússia dos mercados europeus e a atiraram nos braços da China e dos BRICS. A Europa agora está em recessão, com fome e inflação crescentes. Há o perigo iminente de paralisia das indústrias alemãs se houver o bloqueio completo de envio do gás russo.

Além disso, nenhum país da OTAN mandou tropas para combate, muito menos os Estados Unidos. A “ajuda” se limita a enviar armamento, que será inevitavelmente desviado pelos governantes corruptos da Ucrânia, algo que já está ocorrendo agora. “Vamos vencer essa guerra até o último ucraniano!!” dizem os senhores da guerra dos Estados Unidos da América, enquanto os contribuintes de lá se tornam cada vez mais insatisfeitos com o destino dado aos seus impostos. O presidente Biden vem sofrendo a maior rejeição da história dos presidentes americanos, com altas taxas de inflação, colapso da economia e agravamento dos problemas internos, em especial com os mais de 300 tiroteios com vítimas que ocorreram apenas este ano. O contribuinte americano vê voltar, como em flashback, o mesmo sentimento da segunda metade do século XX: a guerra do Vietnã levava à morte de pessoas numa guerra distante que não lhes dizia respeito; o mesmo se repete hoje nas fronteiras da Rússia.

Já os países europeus sabem o que significa um ataque direto à Rússia: a destruição completa do que hoje conhecemos como Europa. A Rússia tem o DOBRO do arsenal atômico de todos os outros países do planeta somados. Esse ataque à soberania da Rússia seria o último do mundo civilizado, pois sobrariam apenas escombros do que hoje entendemos como “velho mundo”. Nenhuma das potências imperialistas quer correr o risco de uma palavra mais forte, e muito menos de ser o primeiro a apertar o botão de uma guerra onde a humanidade inteira será afetada ou destruída.

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Roe vs Wade

Foto: Lorie Shaull / Wikimedia. Norma McCorvey é a da esquerda ao lado de sua advogada Gloria Allred

A Suprema Corte americana derrubou nesta última sexta-feira (24 de junho) a sua própria decisão de 1973 sobre o tema do aborto – tomada no ápice das manifestações americanas por direitos humanos e contrárias à guerra do Vietnã – que ficou conhecida como “Roe versus Wade”.

O nome “Roe vs Wade” surgiu em um caso famoso nos Estados Unidos protagonizado por uma mulher solteira chamada Norma McCorvey que, insurgindo-se contra uma lei do Texas que considerava o aborto ilegal, processou os Estados Unidos exigindo que os princípios de autonomia e inviolabilidade do seu corpo fossem garantidos para que pudesse realizar uma interrupção legal da sua gestação. Para garantir sua privacidade em um julgamento que envolvia a questão delicada do aborto, ela foi chamada de “Jane Roe”. No final, este julgamento histórico da Suprema Corte derrubou a constitucionalidade da lei do Estado do Texas que considerava o aborto um ato criminoso. O promotor público do caso se chamava Henry Wade, e por esta razão o caso se tornou mundialmente conhecido como “Roe vs Wade”.

* É bom lembrar que o caso foi julgado 3 anos depois da queixa, quando ela já havia ganhado seu filho e dado para adoção. Mais um exemplo de justiças que falham por tardar *

Estranhamente, Norma McCorvey aderiu ao movimento anti-aborto americano em 1995, tendo sido “convertida” por um pastor de sua cidade. Seu arrependimento foi expresso no livro “Won by Love” (Vencida pelo Amor), mas depois descobriu-se que ela foi paga pelos conservadores americanos dos movimentos “pró-vida”, tendo sido sustentada por eles até o fim de sua vida. “O ex-líder da Operação Resgate Rob Shenck, que mais tarde renunciou ao movimento antiaborto, disse aos jornalistas que eles temiam que ela pudesse desertar, então foi paga para permanecer do lado deles. Quando apareceu o depoimento de McCorvey sobre ser paga, Flip Benham, o pastor que a batizou na piscina, afirmou sem qualquer sinal de arrependimento: “Sim, mas ela escolheu ser usada. Isso se chama trabalho, é isso que você é pago para fazer”.

Foto: Washington Post

Esta decisão da suprema corte garantiu em todo o território americano o direito ao aborto, baseado nas ideias liberais de autonomia e cidadania. Com a decisão do dia 24 não haverá uma proibição ou criminalização imediata dos abortos, mas a decisão será garantida aos estados da federação, que por sua vez terão o poder de definir se garantem ou proíbem aos seus cidadãos esse tipo de procedimento. O temor dos grupos “pro-choice” (a favor da escolha soberana da mulher) é de que metade dos Estados americanos terão normas proibindo ou dificultando ao máximo a realização de abortos, em especial os estados do meio-oeste – o “Bible Belt” (cinturão da Bíblia) – mais conservadores, religiosos e ligados ao partido Republicano.

Diferente da Suprema Corte brasileira (o STF) a Suprema Corte dos EUA é composta por apenas 9 membros. No atual julgamento, seis deles votaram a favor da derrubada da decisão “Roe vs Wade”, enquanto outros 3 permaneceram ao lado do direito das mulheres de disporem livremente sobre seus corpos, inclusive para interromper gestações indesejadas. Os 3 ministros da suprema corte indicados por Donald Trump (Gorsuch, Kavanaugh e Barrett) votaram, como era de se esperar, a favor da derrubada da jurisprudência que garantia o direito ao aborto em nível nacional.

Aqui se pode estabelecer uma linha clara entre a decisão da suprema corte americana e os abusos do STF no que diz respeito à livre expressão, conforme determinado pela Constituição Federal. O fato é que os judiciários americano e brasileiros se tornaram órgãos legisladores. Por incompetência do legislativo de ambos os países, ou pelo furor que o poder desperta nesses personagens, o debate sai do parlamento e adentra as salas dos tribunais constitucionais. No caso do Brasil, pela fragilidade das instituições e pelo oportunismo político, permite-se que ministros – como o famigerado Alexandre de Moraes – use de seu poder para interpretar da sua maneira pessoal a Constituição Federal, inclusive indo de forma despudorada contra o que está explicito em seu texto. Assim, uma instância decisória não eleita tem mais poderes do que o executivo e o legislativo. A ditadura jurídica que se instala no Brasil é muito mais dramática e trágica do que o desastre do bolsonarismo, tendo em vista o fato de que podemos trocar o presidente em menos de 100 dias, mas o ministro – inobstante as agressões que fizer à Constituição – só poderá ser retirado em 2043 (dentro de 21 anos) quando for pego pela aposentadoria compulsória.

Suas atitudes impondo censura à imprensa do PCO e contra as críticas realizadas à sua atuação como ministro sequer merecem ser chamados de “censura”, pois que esta se aplica à ação prévia à publicação de uma notícia ou opinião que desagrade aos poderosos. Não, é pior do que isso: ele impede que a imprensa funcione dentro do preceito constitucional de livre e irrestrita expressão, o que configura uma ação ditatorial digna das ditaduras mais fechadas do mundo.

Um país que se pensa democrático jamais poderia tolerar que sua constituição fosse usada de forma arbitrária por juízes que, no caso de Alexandre de Moraes, só entrou para o STF após um golpe de estado claro e inquestionável, com a retirada da presidente Dilma e o surgimento da figura nefasta de Michel Temer, patrocinado pelos grupos mais reacionários e golpistas deste país.

Desta forma faz-se urgente uma reforma na Suprema Corte do Brasil, que limite os abusos de ministros e que diminua a poder desmedido que estes personagens tem nos destinos do país. Caso contrário, as eleições serão tão somente encenações patéticas para ludibriar o povo, que continuará governado por um judiciário venal, acovardado, anti democrático e ditatorial.

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