Banho

banho hospital

Eu costumava dizer para não dar banhos em bebês recém-nascidos no hospital há mais de 20 anos, em especial quando ouvi pela primeira vez as teorias da preservação do biota do recém-nascido e a semeadura de bactérias “do bem” que a criança receberá ao nascer.

Em 2009 fui fazer uma palestra em Orlando, Flórida, no congresso do Healthy Children’s Center for Breastfeeding. Logo depois de falar fui procurado por um simpático senhor que se apresentou como o professor Lars Hanson, catedrático da universidade de Gotemburgo – Suécia. Ele parecia estar muito impactado e entusiasmado com as imagens de partos verticais que eu havia apresentado na conferência. Disse que isso era muito importante em função das questões microbiológicas envolvidas. Eu fiquei surpreso com a afirmação e disse que, até então, essa posição me parecia adequada porque facilitava o nascimento de bebês pelo aumento das “conjugatas”, os espaços ósseos da bacia, mas que não conseguia compreender nenhuma vantagem de caráter imunológico para o bebê.

Ele sorriu e me fez uma pergunta com um simpático sotaque nórdico bem carregado, cujo conteúdo lembro até hoje:

– Caríssimo amigo. Você já percebeu que todos os mamíferos superiores tem o introito vaginal próximo do ânus? Nunca se perguntou o porquê de tal proximidade?

Fiquei sem saber o que dizer, pois nunca havia pensado que essa proximidade pudesse ter algum propósito.

– Pense doutor… quando um bebê está para nascer, ainda no invólucro amniótico, ele se encontra em um ambiente estéril. No momento em que se encontra fora do útero, e rompida a bolsa que o envolvia, será imediatamente colonizado por bactérias. Mas… quem chegará primeiro na corrida para ocupar o espaço da superfície da pele desta criança?

– Bem, disse eu, imagino que sejam as bactérias maternas, se for um parto vaginal. Eu também penso que são bactérias para as quais o sistema imunológico da criança já está razoavelmente preparado pelo próprio convívio entre mãe e bebê.

– Mais do que isso, meu jovem, continuou o simpático professor. Ela será colonizada por enterobactérias (bactérias que vivem no intestino), que cobrirão a superfície corporal do bebê com bactérias anaeróbias – frágeis à presença de oxigênio – mas que protegerão o bebê contra os microrganismos maléficos do ambiente hospitalar por ocupar os espaços da superfície. Além disso, esse bebê vai deglutir as bactérias do sistema digestivo da mãe e colonizará seu próprio com bactérias maternas. Essa “semeadura” fará um amadurecimento adequado do seu sistema digestivo e neurológico. Desta forma, a proximidade dessas estruturas é benéfica para o ser que chega a este mundo, e funciona como uma “capa protetora” de bactérias maternas. Lavar a criança logo ao nascer é um absoluto equívoco, pois vai retirar dela a proteção microbiana e colocar em seu lugar patógenos potencialmente perigosos, pois cultivados em ambientes hospitalares.

– Faz sentido, respondi, e é provável que o processo de adaptação dinâmica que leva à evolução das espécies mamíferas nos colocou desde milhões de anos passados diante dessa condição: os recém-nascidos são banhados com elementos de colonização bacteriana materna, que os protegem do meio ambiente, ocupando o espaço dos elementos potencialmente perigosos e nocivos do local onde nascem.

– Exatamente, meu rapaz. Por isso que as posições verticais, em especial as de cócoras que você mostrou na sua apresentação, facilitam sobremaneira esta estratégia. Essa é a maneira mais fisiológica e saudável de nascer, e por isso mesmo a “esterilização” do ambiente de parto – o períneo – é tão inadequada. Para que haja saúde é fundamental que a criança seja semeada com os elementos do sistema digestivo de sua mãe.

Fiquei vivamente encantado com as palavras do mestre. Recebi como presente seu livro “Immunobiology of Human Milk: How Breastfeeding Protects the babies” (veja abaixo), o qual foi muito útil para escrever meu capítulo nas últimas três edições do livro de Marcus Renato de Carvalho e Luiz Tavares “Amamentação – Bases Científicas”, pois me mostrava que muito mais do que os elementos nutricionais e afetivos relacionados com a amamentação havia uma importante faceta microbiológica muito esquecida pela ciência médica no que diz respeito ao contato do bebê com a mãe, imediatamente depois do parto.

A perspectiva centenária de Koch-Pasteur, que demoniza as bactérias e venera os ambientes estéreis, está em seu ocaso. Muitas pesquisas estão sendo feitas para mostrar a importância de um biota – conjunto de seres vivos que nos compõem – saudável e o quanto o parto normal pode influenciar positivamente nessa condição. Muitos anos depois desse encontro revelador com o professor Lars Hanson eu pude assistir ao documentário “Microbirth” e pude constatar todas estas teses confirmadas pela ciência contemporânea.

A frase mais chamativa do filme é “Você é feito do que a sua avó comeu“.

Fantástico, não?

http://www.llli.org/llleaderweb/lv/lvaugsep05p88.html

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Bater panela

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“Vocês só batem panela contra Lula e Dilma. Não tentem passar a imagem de que se escandalizam com a corrupção. Se isso fosse verdade estariam horrorizados com a possibilidade de Temer e Cunha comandarem o Brasil. Sua postura reforça o absurdo de ver uma presidente honesta ser expulsa sem ter cometido crime algum, admitindo que canalhas e escroques assumam o poder no Brasil. Pois VOCÊS serão responsáveis perante a história por um golpe comandado por interesses internacionais e pela grave crise que se avizinha.

Quem vai se sentir obrigado a cumprir as leis se o Cunha assumir a presidência?”

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Uma graça

jesus diabo

Se o mestre Nazareno de mim se aproximasse e suas mãos vazadas pelas chagas segurassem as minhas oferecendo um pedido qualquer que enchesse meu coração de alegria, que diria eu a ele?

Eu pediria a Jesus que deixasse cumprir tudo o que a mim fosse destinado. Que caísse sobre mim o que for por mim merecido e justo. Jamais aceitaria receber o que fosse por uma graça, por um favor, por uma bênção.

– Quero todas as bolhas que meu caminhar mereceu. Quero todo suor que minha pressa escorreu. Exijo toda a sede que minha palavra produziu e todo calor que minha paixão expulsou. Não quero nenhuma dádiva, nenhum valor que não tenha vindo do meu esforço. Peço as punições que for merecedor, mas desejo que só cheguem a mim as recompensas a que fiz jus.

– Não me dê nada, Jesus. Que sentido teria essa vida se nossas conquistas fossem realizadas através de prêmios recebidos sem merecimento? Que justiça é essa que nos oferece benefício por loteria ou bajulação?

– Obrigado, senhor, pelo oferecimento. Guarde o presente para quem realmente o deseja. Para mim me bastam as alegrias simples e a harmonia fugaz que nosso mundo de expiações oferece.

Nesse momento o Jesus redivivo sorri, larga minhas mãos e desaparece em uma nuvem avermelhada, deixando no ar um inconfundível odor sulfuroso.

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Complô

sergio-moro-temer - cunha

O PT é vítima de um complô?

Não exatamente. É vitima apenas de um golpe jurídico-midiático unindo Globo e PIG de um lado e o braço jurídico do PSDB do outro através da justiça seletiva do Sr Moro. Mas vítimas nunca são sujeitos, são sempre objetos. Por isso o PT não é vítima, mas elemento deflagrador das transformações necessárias que elevaram o país à condição de nação protagonista. Cometeu inúmeros erros e pagará por eles, assim como recebeu o devido reconhecimento por acabar com a fome no país e resgatar milhões da miséria.

Vítima? Negativo… o PT foi responsável pela grande transformação política que este pais atravessou. Os negros na Universidade e os pobres que podem sonhar jamais esquecerão isso. As Jéssicas de todos os cantos deste país estão nas ruas e vão mudar a história do Brasil.

Neste episódio todos nós fomos derrotados. O golpe não é a tentativa de impeachment; ele é só o epílogo de uma ópera bufa patrocinada pela parte mais anacrônica e alienada do país, aquela que despreza os avanços no Brasil, os mesmos que o mundo inteiro exalta. O golpe foi antes; ocorreu a partir da paralisação do congresso e a inércia para retirar Cunha. Quase dois anos sem nada, apenas discutindo as tentativas do PIG em desestabilizar o PT, por medo de Lula. Foi a pior estratégia da história política do Brasil.

A parte boa foi a gigantesca manifestação popular de artistas, Universidades, organizações, movimentos sociais e do povo contra um golpe abjeto midiático-jurídico. Isso, sim, foi bonito de ver, em especial quando comparamos com os espancamentos e o ódio incontido da turma de lá.

Aí foi onde surgiu a parte sã do Brasil, a porção que defendeu a reconquista da democracia. Por isso, pela mobilização em nome do estado democrático de direito, valeu passar por toda esta provação.

Resta saber o que acontecerá com o Brasil sem o PMDB. Não terá toda essa dor e o martírio promovido pelos golpistas servido para alguma coisa a mais do que apenas aumentar a venda de camisetas da impoluta CBF?

Eu creio que o expurgo do PMDB pode ter sido o melhor que aconteceu. Agora Dilma estará desimpedida e poderá governar sem esse peso.

Não, na verdade o melhor que acontecerá vai ser o firme compromisso do país com a democracia. A liderança de Lula numa possível corrida presidencial mostra que o povo não aceita o golpe e vai lutar até a última gota de suor para impedi-lo. Os olhos do mundo inteiro se voltam para o Brasil. Não podemos falhar, caso contrário mergulharemos em uma espiral de descrédito e desesperança.

Não vai ter golpe, vai ter luta.

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O parto de quem?

Médicos selfie

A foto é de inegável mau gosto, mas não acho que se pode ir muito além disso do ponto de vista médico. Não vejo risco para a criança. A foto é uma brincadeira, mas prefiro analisar o que existe por trás dela, que me parece muito mais revelador do que a simples imagem de médicos sorridentes e um bebê desconfortável.

Esta fotografia revela um conteúdo psicológico inconsciente bem claro: o parto foi “feito” por eles, os médicos. O bebê é um produto do seu trabalho, sua técnica e sua arte. A foto escancara a expropriação do nascimento, passando em poucas décadas das mãos das mulheres para as luvas estéreis dos cirurgiões. O nascimento humano deixou de ser um evento feminino para ser um processo controlado e dominado pela medicina, desconsiderando toda a construção histórica de sua adaptação.

A mulher, por certo, não cabe nessa foto. Ela é a inerme Bela Adormecida, dormindo o longo sono do patriarcado, objetualizada e imóvel. Para que ela possa existir é necessário que seja acordada (a cortada), mas não pela sua vontade e desejo, mas pelo beijo (bisturi) salvador de quem a resgata da crueldade de uma natureza madrasta.

A foto expõe de forma muito didática que o nascimento contemporâneo delegou a mulher a uma postura secundária e coadjuvante. O que outrora foi o maior e mais honrado desafio feminino hoje não passa de uma encenação na qual seu papel é cada vez menor.

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Palmada

palmada

Chego mais cedo ao terminal compelido pela minha neurose. A fila do check in está vazia, mas a tripa em pouco tempo se fará presente. Em tempo: na minha infância se usava a palavra “bicha” para designar fila, expressão que veio de Portugal. Hoje em dia “furar a bicha” é crime de transfobia; “bicha” está para fila assim como “gay” está para alegre. Os costumes sepultam expressões, mas para cada uma que morre outras tantas nascem ou são revividas pela fala.

Solicito a troca do meu assento. Outra neurose: só consigo viajar no corredor. Não adianta me dizer que “a vista quando se chega em… é linda”. Claustrofobia. Urina frouxa.

Troquei. “Viu como é bom chegar cedo?”. Poderei esticar as pernas e visitar o banheiro sem pedir licença.

Resolvo tomar um café com leite, mais para me acalmar de um dia cheio de atribulações do que por qualquer necessidade ou fome. Ao me aproximar do caixa escuto a conversa das atendentes enquanto faço o pedido da “média”.

– … e com cinco anos nunca apanhou. Não sei mais o que fazer.

Olho para a moça que havia falado. Loira, alemoa, carinha redonda de “colona”. Olhos verdes brilhantes e bochechas vermelhas. Parece uma figura que seria facilmente encontrada num “kerb” em Nova Hartz.

Pergunto, consciente da minha indevida intromissão.

– Quem aí disse que nunca bateu?

Elas se olharam intrigadas. Quem é esse velho se metendo na nossa conversa?

– Eu disse, falou a loirinha. Meu filho tem 5 anos e nunca apanhou, mas agora anda impossível. Não sei mais o que fazer.

– Bem, disse eu, não sei exatamente o que podes fazer, mas posso te garantir que bater no seu filho será absolutamente inútil. Se é verdade que as criança precisam descobrir limites para o seu ego em expansão, também é verdade que a violência apenas poderá oferecer a elas um idioma, uma linguagem de respostas imediatas, mas jamais uma comunicação correta ou adequada.

A moça do caixa, mais velha e talvez com filhos adolescentes, entrou na conversa.

– Mas a geração anterior, que recebeu castigos mais severos e até físicos, não é mais educada e respeitosa que esta? Não estou justificando espancar uma criança, mas uma palmada não seria adequada… talvez imprescindível?

A loirinha quis concordar, mas olhou para mim em busca de uma opinião de alguém mais ve…, digo, experiente.

– A minha geração e a anterior não produziu crianças mais educadas ou “com modos”; ela apenas criou crianças com medo. Muitas crianças tiveram sua criatividade destruída pelos castigos brutais que receberam. Não creio que esta opção possa lhe dar qualquer garantia de “educação” ou “bom comportamento”, mas certamente oferecerá a ela um “imprint“, uma marca afetiva e profunda, que determinará efeitos por toda a vida. Esta mensagem afirmará, por partir de uma figura importante e essencial como a mãe, que a violência é um artifício válido para a solução de conflitos ou frustrações. No futuro este adolescente ou adulto, diante de um desafio limítrofe qualquer, recorrerá ao depósito de suas memórias antigas e reconhecerá na brutalidade uma via lícita para resolver seus problemas ou descarregar suas angústias. O ciclo então se mantém: o espancado se identifica com o espancador e garante a linha sucessória da violência. É essa a herança que queremos deixar aos nossos filhos?

– Eu nunca consegui bater nele, moço.

– Então siga obedecendo seu coração. Não se conserta nada com violência. Pense nisso e…. parabéns.

Ela sorriu e entregou a bandeja com meu café, cujo vapor coloriu a atmosfera próxima com o aroma da nobre semente.

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Doulas e sociedade

DOULA

Sempre que o assunto “doulas” vai para a grande imprensa aparece a questão da formação curta que elas fazem quando comparadas aos médicos e enfermeiras. O que eu peço aos meus interlocutores quando tratam deste tema da formação é atentar para o fato de que doulas NÃO fazem qualquer ato médico ou de enfermagem, portanto não precisam ter uma formação voltada à destreza técnica nestas áreas. Assim, o curto treinamento pelo qual elas passam é para oferecer conforto para as pacientes, assim como estimulá-las física e emocionalmente para uma atitude positiva e uma postura ativa diante do parto e seus desafios.

Todavia, sabemos que o que se esconde por trás desta pergunta é uma inquietação silenciosa. Ela na verdade que dizer: “Por que doulas podem cobrar sem ter passado pelo mesmo processo de treinamento que eu passei durante os anos de escola, graduação e pós graduação?“.

Este é o principal incômodo de alguns profissionais de área de atenção à saúde. Quando uma doula se sobressai pelo seu trabalho uma onda de negatividade se instala, como se fosse pecaminoso vender seu tempo e sua dedicação e ser reconhecida por isso.

Doulas oferecem seu tempo e sua dedicação, além das qualidades aprendidas de conforto e reasseguramento para as grávidas. E isso pode ser cobrado, a despeito de ter ou não um curso extenso como formação. Entretanto eu creio que esta é apenas uma etapa a ser vencida. Com a continuidade do trabalho e a excelência dos resultados com o acréscimo das doulas não haverá mais como bloquear o acesso das gestantes a este benefício. Precisamos apenas de paciência e persistência.

O futuro do parto passa pelo respeito aos desejos de cada mulher. As doulas entram nessa luta como guardiãs do sagrado feminino e protetoras da fisiologia do nascimento.

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Ferocidade

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Ainda sobre a pediatra que negou atendimento a uma criança por ela ser filha de uma militante do PT.

Uma pergunta me ocorreu..

E se a questão não fosse a cor partidária, mas a cor da pele? Se a médica dissesse que não se sente bem por atender negros, orientais ou imigrantes, ainda sim o representante do sindicato da corporação diria que a médica deveria se orgulhar pela sua “sinceridade”? E se a mãe da criança fosse gay? Preconceito racial não pode, mas contra um partido pode? Alguns preconceitos são piores – ou mais aceitáveis – que os outros? É certo focarmos apenas na (necessária) sinceridade da profissional e esquecer o preconceito asqueroso e abjeto que a moveu?

Fiquei rindo sozinho (um sorriso triste, confesso) de imaginar o que diria o mesmo representante da corporação se uma médica petista (existem sim, acreditem) resolvesse escrever a mesma mensagem para uma mãe que veio à consulta com a camiseta da CBF e um adesivo “Fora Dilma” colado ao peito.

Alguém dúvida da ferocidade com a qual ela seria atacada por seus iguais?

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Valente menina

baby holding his mothers finger, selective focus

Volto para casa depois de 20 horas – passadas no domingo e no início da segunda feira – trancado num hospital para atender um parto cheio de desafios, mas que nos rendeu um nascimento maravilhoso e empoderador. Cansado, faminto e ao mesmo tempo eletrizado, sento à frente do computador para ver se chegou algum e-mail e escuto “Cinema Paradiso”, na versão de Josh Groban.

O primeiro refrão diz:

“Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d’allegria
Io trovo dentro gli occhi tuoi
E ignoro se è magia o realtà.”

(Se você visse através dos meus olhos apenas por um dia
Você veria a beleza que me inunda de alegria
Quando olho para dentro de teus olhos
É um misto de magia com realidade)

Quem já atendeu um parto e teve nas mãos o corpo quente, escorregadio e viscoso de um bebê, e pôde ver nos olhos de uma mulher a vitória emoldurada por suor e lágrimas, entende a sensação divina e transcendental de ter participado de um momento sagrado e enigmático, para além da compreensão.

Seja bem vinda, valente menina…

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Aforismos

golpe

15.

“A diferença entre as duas manifestações – contra e a favor do golpe – é que uma é a favor da democracia independente do partido e a outra é contra o partido independente da democracia.”

16.

“Quem precisa de mentiras para validar suas posições reconhece o fracasso de suas ideias.”

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