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Frases

Toda mulher saber parir e todo bebê sabe nascer” é uma frase muito utilizada no mundo da humanização. Ela me parece uma boa frase, como tantas outras que usamos para nos alinhar a uma proposta. Fala da programação natural e inconsciente que todos possuímos para a garantia de nossas funções reprodutivas. Automática, inconsciente e natural. Em outras palavras, se deixarmos o processo ocorrer sem a interferência da consciência e da razão ele dará conta do desafio por si mesmo. Nosso corpo “sabe” o que faz e como faz.

Outras frases também nos servem de guias. “Tudo é possível àquele que crê“, “Ofereça a outra face“, “O amor cobre a multidão de pecado“. Entretanto, para serem bem usadas é necessário entender que são frases de estímulo e direcionamento, e não leis cósmicas imutáveis. Para usar qualquer uma delas é preciso bom senso e adequação. Tomadas literalmente e sem contexto são axiomas brutos e inúteis, que mais limitam e atrapalham do que auxiliam e apoiam.

A frase “Para mudar o mundo é necessário mudar a forma de nascer” é quase um lema da humanização do nascimento, mas pode ser facilmente mal utilizada se não a colocarmos no seu devido lugar. Usada com sensibilidade pode ser útil como um guia para as nossas atitudes diante da importância civilizatória de um nascimento digno e respeitoso. Todavia, se for usada como uma lei selvagem e rígida perderá todo seu valor e sua função.

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Mitos médicos

Como barrar um exame ritualístico que foi incorporado ao imaginário popular nas últimas três décadas? O sucesso das ultrasonografias ocorreu de forma avassaladora mesmo sem ter jamais comprovado seu impacto positivo sobre o parto, tanto para as mães quanto para seus bebês. Poderíamos chamar de “um case de sucesso“.

Entretanto, por agir sobre os mistérios que envolvem o amnionauta, jogando luz sobre as capas de escuridão que o envolvem, esse exame assumiu uma posição tão primordial quanto imerecida no cenário do pré-natal.

De lição nos resta o fato de que a medicina não se move por descobertas que vão imprimir qualidade e segurança aos pacientes, mas pelas mesmas regras que movem o capitalismo e o mercado. Muitas luzes e propaganda, quase nada de efeito real.

O que realmente tem valor no pré-natal é o contato, a vigilância sobre os possiveis desvios, o vínculo, poucos exames e medicamentos e uma atitude de confiança e positividade sobre o parto. Todavia, estas não são coisas que podem ser facilmente embrulhadas, colocadas em uma prateleira e vendidas aos clientes.

Veja aqui https://midwiferytoday.com/mt-articles/prenatal-ultrasound-does-not-improve-perinatal-outcomes/ os resultados das pesquisas sobre o uso de ecografias na gestação. 

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Quotas

Fernandinho Feriado, vereador negro e gay de SP, quer acabar com cotas para negros em concursos públicos para a prefeitura. Ele é um opositor ferrenho das cotas raciais em todos os níveis. Chama esse processo de coitadismo e vitimismo e usa a si mesmo como exemplo de meritocracia. “Se eu venci sendo negro, qualquer um consegue“.

Eu pergunto: quem seria a favor da discriminação? Se nascemos iguais deveríamos todos ser tratados iguais, certo? Portanto, seria justo pensar que qualquer sujeito que acredita que “somos todos iguais perante a lei” defenderia o fim das cotas raciais e sociais (positivamente) discriminatórias.

Verdade. Todavia, o fim das cotas não é a questão, mas quando. Eu mesmo serei o primeiro a festejar o fim das cotas quando elas não forem mais úteis e necessárias para acelerar o processo de equidade, e não precisemos mais dessa ferramenta para tapar o fosso que separa brancos e negros surgido com quase 400 anos de escravidão. Da mesma forma, quando tivermos uma sociedade economicamente mais equilibrada não quero mais que sejam oferecidas vagas sociais para pobres. Que todos lutem por seu espaço com igualdade de condições.

Enquanto houver racismo e a brutal iniqüidade social que separa os brasileiros em castas o dispensável não são as cotas, mas os capitães do mato que tanto a criticam.

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Atitude

Afinal, onde está a humanização? Será ela um protocolo, uma rotina, uma série de regras a seguir? Ou estará ela no espaço que separa as palavras e nas finas camadas etéreas que separam nossos olhares? Que corpo tem uma ideia que se expressa muito mais pelos silêncios do que pelos discursos?

Diante da criação de espaços para a atenção ao parto altamente sofisticados nos Estados Unidos, creio que se impõe uma análise  sobre os significados e perspectivas da criação destes Centros de Atenção ao Parto caro e acessíveis a uma fatia muito pequena da sociedade. Por certo que não acho errado a existência desses lugares, mas acho perigosa a relação que se pode estabelecer entre parto humanizado e “sofisticação de ambiência” tornando esse produto algo que apenas pessoas abastadas podem pagar; como se dignidade, respeito e atenção às evidencias cientificas fossem artigos de luxo, muito caros, cuja aquisição seria reservada apenas às elites econômicas de uma localidade. Este é um risco que precisa ser entendido e assimilado.

Há 32 anos quando comecei a atender partos pela perspectiva da humanização a ideia era outra: só teria condições de se submeter a um parto humanizado – de cócoras – quem tivesse “preparo”. Físico, sim, como se o parto fosse um desafio atlético para poucas mulheres determinadas e preparadas com denodo. “Eu queria muito parto humanizado (SQN), mas não tive como me preparar“. Lorota. O preparo para o parto emergia como a desculpa ideal para a desistência do projeto de um parto onde a mulher era protagonista. A alienação sempre é muito sedutora.

Essa foi uma das razões para começar a fotografar partos. Minhas primeiras fotografias – com maquininha Kodak – foram tiradas em hospitais do SUS de periferia, sem banqueta, sem mesa elétrica de parto, sem doula, sem óleos e essências, sem glamour, sem nada de sofisticado, apenas eu e alguém para escorar a paciente por trás, no chão da sala forrado de campos limpos sobre um colchonete.

Sim, a gourmetização é um risco ali na esquina e precisamos estar atentos à sedução que ela nos apresenta. Por outro lado, oferecer o melhor ambiente possível para o mais importante momento é um esforço que sempre vale a pena. Todavia, se é verdade que um atendimento humanizado pode ocorrer em qualquer lugar, por outro lado a humanização não exclui ambiência; só não pode se reduzir a ela

Podemos concordar que não é o óleo, o incenso, a banqueta, os quadros na parede, a música ou a parafina que se situam no centro da humanização, e não seria a sua presença o que caracterizaria uma atenção humanizada. Esta, nas palavras de Robbie, se constitui em uma ATITUDE onde os recursos externos – dos óleos essenciais às suítes de luxo – desempenham tão somente papel secundário. O cerne da humanização está no olhar de quem ajuda.

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Primeira ação

Edward Goldberg, do catalysta.net, me pergunta – e solicita uma videoresposta: “qual a atitude que seria recomendável a profissionais e estudantes para melhorar rapidamente a assistência ao parto?

Minha resposta é a mesma há 20 anos. Como sabemos, o parto foi expropriado da cultura, sequestrado pelos médicos e escondido em hospitais. Sua estética foi separada do mundo e modificada por aqueles que o controlam. Para isso, instituiu-se um sistema baseado no medo e na desconfiança das capacidades intrínsecas femininas de gestar e parir com segurança. Como diria Max, “o parto hospitalar é como um mapa cujo percurso verdadeiro a quase ninguém é permitido percorrer. Nossa informação não é mais obtida pela experiência concreta dos relevos, aclives, declives e barreiras naturais, mas apenas por sua tosca representação bidimensional num pedaço de papel.

O nascimento, assim controlado, tem sua força transformadora cerceada e tolhida em nome da vigília sobre os corpos dóceis de que se ocupa a reprodução. Sem sua espontaneidade livre, crítica e eminentemente sexual, o nascimento é amansado, domesticado e contido.

Minha receita para os estudantes e profissionais é simples e segue o caminho que Marsden me contou – e que eu mesmo vivi na pele. Para permitir que o parto impregne de sentidos a mente de um jovem médico permitam que ele se apresente livre, sem enfeites e maquiagens. Desfaçam as amarras do autoritarismo e cortem-lhe os grilhões do medo que o aprisionam. Libertem os corpos das mulheres para que elas possam parir em liberdade. FREE BIRTH!!!

Estimular jovens profissionais a assistir partos planejados fora do ambiente hospitalar seria a ação mais rápida, mais desafiafora, mais inteligente e mais gratificante de todas possíveis. Confrontar a estética puramente sexual de um nascimento, com seu espírito selvagem e indômito, apresentaria aos jovens cuidadores a face mais verdadeira de uma mulher, a qual ficaria marcada para sempre em suas retinas, moldando a forma como as tratariam pelo resto de suas vidas. Esta atitude simples não apenas os tornaria obstetras mais respeitosos e delicados, mas também seres humanos mais justos e dignos.

Ensinar partos aos estudantes apresentando seu fac-símile hospitalar é o mesmo que orientar a sexualidade de adolescentes através da apornografia”

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Snow flake

 

Uma das minhas manias mais radicais é com a questão da liberdade de expressão; sou fanático por isso. Não aceito de forma alguma cerceamento de consciência. Não vejo erro em defender vacinas, putaria, homeopatia, transexualismo, futebol, parto humanizado, homem, mulher, gays, nazismo, comunismo e neoliberalismo. Tudo, literalmente tudo, e sempre no terreno das idéias.

Infelizmente vemos a censura da geração “overly woke”, ou “snowflake” que nao suporta que determinados grupos ou ideias possam ser submetidos a críticas e – muito pior do que isso – ao humor.

Ontem assisti dois espetáculos de stand up que tratam exatamente dessa questão: Rick Gervais e Brimbilla. Ambos traziam uma temática provocativa sobre temas complexos, passando dos transgêneros aos abusos sexuais. Evidentemente, com graça e humor, mas sem fugir do tema e sem sacralizar grupos e sujeitos.

Sim…. é possível fazer humor com qualquer tema. Morte, estupro, mulher, homem, gay, judeus ou palestinos. A questão é a forma, a circunstância e o contexto. Se a piada visa humilhar um grupo, sendo apenas um veículo desse ataque, somente os preconceituosos serão parceiros nas risadas. Porém, se a piada serve para puxar o tapete de nossas certezas e nossa arrogância – para qualquer sujeito ou grupo – essa piada precisa ser PROTEGIDA dos batalhões snowflake, pois ela está na essência humanizadora do humor, a mesma que percorria o coração dos menestréis quando ridicularizavam a vida palaciana e apontavam a nudez dos soberanos.

Uma vida onde o humor é sufocado pela simples possibilidade de ferir suscetibilidades é uma vida onde os poderes são estanques, a existência imutável e o sorriso criminalizado.

Quem se leva muito a sério e não consegue rir de si mesmo está condenado a jamais entender sua própria existência, sufocado pelo mau humor e por uma falsa idéia de proteção.

Para exercício de alteridade aconselho refletir sobre os perigos de uma postura pusilânime em relação aos grupos minoritários. E claro, assistam “Humanidades” de Rick Gervais.

E sobre o humor, invoco Belchior:

 

“Não me peça que eu lhe faça

Uma canção (piada) como se deve

Suave limpa, muito linda muito leve

Sons e palavras são navalhas

E eu não posso cantar (contar) como convém

Sem querer ferir ninguém”

Salve o humor.
O humor não morrerá jamais.
Chega de caretice.
Abaixo toda forma de racismo.

 

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Doulas aqui e lá

 

Poucos dias atrás tive uma conversa interessante e esclarecedora com Zeza, Debra e um maravilhoso grupo de doulas de Austin – Texas. Temas principais: organização das Doulas em grupos para otimizar o trabalho e garantir a elas tempo para suas vidas privadas, trabalho, estudos e filhos. A outra questão fundamental debatida foi o processo de certificação de doulas através de critérios abrangentes e adequados para realidades plurais e – até mesmo – divergentes, evitando a “padronização” do ofício das doulas e mesmo sua vinculação a correntes ideológicas de qualquer natureza. .

Debra ficou espantada com a ideia que eu lhe expus da criação de cursos de 160 horas ou com a proposta de criar a “profissão” de doulas. Aqui nos Estados Unidos a tendência é não aceitar qualquer tipo de “licença” ou profissionalização pelos riscos de submergir na burocracia sufocante das corporações.

Estas idéias me deixaram mais seguro de me contrapor às decisões de um congresso de doulas recentemente realizado que aponta para direções opostas das que foram aqui debatidas. Cursos caros e demorados, curriculum complexo, redundante e ideologicamente direcionados, certificações, conselhos nacionais e todos estes pesos a carregar não me parecem auxiliar as doulas e suas clientes, mas apenas criam uma estrutura de caráter controlador, punitivo e regulador, tirando de suas associadas a liberdade para agir de acordo com seus valores e ideias.

Por outro lado, as doulas de Austin me contaram que nenhuma maternidade da cidade estabelece qualquer constrangimento para o livre exercício das doulas, o que demonstra que os hospitais brasileiros – e suas políticas medievais de ataques e agressões às doulas – são a vanguarda do atraso no que diz respeito à liberdade de escolha.

A menção de que em algumas cidades se insinua que doulas só poderiam atuar se fossem profissionais de saúde (enfermeiras, fisioterapeutas, etc) causou espanto entre elas. A pressão dos consumidores aqui faz com que os hospitais se esforcem para ser “doula friendly” e assim atrair mais clientes.

Não houve em nossa conversa história alguma de médicos rejeitado as doulas ou se negando a atender ao lado delas. Afinal, até a ACOG (a associação dos obstetras) já reconhece oficialmente a excelência do trabalho das “baratinhas”. Isso me dá esperanças de que no futuro tenhamos evoluído nessa direção, mas esse tempo só depende da nossa capacidade de aglutinação e luta.

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Debates com Debra

Debates com Debra

Continuando minhas conversas com a doula Debra Pascali-Bonaro sobre o futuro das Doulas – no Brasil e no Mundo – acabamos debatendo sobre a capacitação e o credenciamento, já que ambos tomamos como claro o fato de que a profissionalização e o “licenciamento” nos levarão a um beco sem saída que colocará em risco a própria continuidade do movimento de doulas. A ideia de transformar doulas em “profissionais da saúde” é inadequada, equivocada e – ainda pior – pode vir a destruir a própria essência do trabalho das doulas.

Nossa ideia é que, para manter essa essência intacta, faz-se necessário entender quais os pontos fundamentais do trabalho da doula. Estes não estão relacionados a nenhuma corrente ideológica, nem ao conhecimento aprofundado da anatomia ou da fisiologia e nem tampouco a qualquer entendimento de política, etnias, feminismo ou qualquer outro tema correlato. Uma doula dá suporte afetivo, emocional durante o parto. Só isso, ou melhor, TUDO isso.

Como então reconhecer quem é e quem não é uma doula? O sistema nos Estados Unidos e no Brasil ainda é bastante descentralizado, o que não é de todo ruim. Um grupo abre um curso de capacitação de doulas em uma cidade, forma novas doulas e estas vão para o mercado. Carregam um certificado comum que lhe serve de reconhecimento, de valor limitado. Entretanto, quando as doulas nos Estados Unidos desejaram o pagamento por reembolso pelas empresas de seguro saúde (ou pelo Medicare), começaram a exigir uma documentação oficial de sua graduação como doulas. Aí é que entra o papel da DONA.

A questão é: como oferecer um certificado que seja reconhecido em todo o país para garantir – através de um órgão central oficial – que esta moça que enviou os documentos pedindo reembolso é verdadeiramente uma doula?

Uma coisa ficou muito clara para nós: a inadequação de qualquer tipo de teste. Nenhum teste de conhecimentos objetivos é capaz de avaliar o trabalho de uma doula. Um teste apenas poderia aferir conhecimentos objetivos de matérias completamente desimportantes para o trabalho das doulas. Seria como um teste para ser pintor, artista plástico. Ora, as questões afetivas e emocionais relacionadas ao cuidado prestado por uma doula não são mensuráveis ou quantificáveis. Como diria Einstein, “muito do que se conta não conta, mas o que verdadeiramente conta não se conta

Se esse não for o critério, qual será? Creio que a resposta vem da entidade mais antiga na questão, qual seja, a DONA. Para elas o que conta é a formação que você teve e quem foram as pessoas que lhe auxiliaram nessa caminhada. Por isso, é mais eficiente garantir que os FORMADORES de doula tenham uma visão clara dessa função e tenham experiência.

Não posso deixar de lembrar a frase de Lacan sobre a maior virtude de um psicanalista. Sua resposta foi contundente e rápida: “A idade”. Sim, mais do que qualquer atributo cognitivo e racional a bagagem de experiência de vida seria fundamental para burilar as capacidades de escuta de um psicanalista. Para as doulas algo parecido poderia ser aplicado. Sim, não o critério etário, como em Lacan, mas a experiência que acumulou na atenção aos partos. Isto é: para ser uma formadora de doulas é necessário comprovar um número de partos atendidos como doula.

O número sugerido pela organização das doulas americanas é de 100 partos, mas é importante entender que existem 12 mil doulas associadas à DONA e mais de 20 anos de atuação. Ontem mesmo conversei com uma menina que, em dois anos de atuação, atendeu 60 partos!!! Isso não é a nossa realidade, e talvez seja necessário adaptar para um número mais razoável (eu sugiro 50 partos atendidos) como limite para ser formadora de novas doulas.

A verdade é que os caminhos que vi ultimamente nos leval para o lugar errado. Doulas não são profissionais da saúde, e não devem ser – segundo minha visão e a de Debra. A função das doulas deve ser livre, aberta, autônoma e sem qualquer exigência (ideologia, escolaridade, conhecimentos técnicos, etc.) que limite a sua atuação. “Doulas são a fraternidade instrumentalizada”, me dizia Max, tão logo conheceu o trabalho delas. Deixem as doulas livres!!

Deixo abaixo o resumo das exigências para ser formadora de doulas da DONA, deixando claro que talvez seja necessário debater exaustivamente a adaptação dessas regras para a realidade e brasileira e da América Latina.
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Minimum Candidate Qualifications

1. Proof of continuous and DONA certification and current membership (in good standing) with DONA International for two re-certification cycles (or 6 years).

2. Minimum number of births/families served:

Birth Doulas: Minimum of 100 births attended as birth doula, not as a nurse or midwife.
Postpartum Doulas: Minimum of 100 families served.

3. Proof of formal education/training (certificate) in childbirth education or adult education equivalent.

4. Proof of experience in adult education.

Birth Doulas: 120 hours teaching (at least 10 complete childbirth class series – minimum 12 hours per series.)
Postpartum Doulas: 10 complete childbirth preparation series totaling at least 60 classes and 120 hours to groups of 4 expectant parents minimum.)

5. Proof of volunteer experience (preferred but not required).

6. Signed memorandum of understanding.

7. Two successful interviews (Director of Education and trainer mentor from the education mentor council).

Mais informações em

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Vacinas e Religião

É impressionante como nos Estados Unidos o debate sobre os perigos e as inconsistências das vacinas é aberto e franco. As conferências reúnem milhares de pessoas de várias partes do país, com a presença de médicos, professores, bioquímicos, pais de crianças prejudicadas, pesquisadores e políticos. Entender a vacinação – seus riscos e benefícios – é um assunto sério e que mobiliza muitas pessoas. No Brasil o assunto é tratado com o mais completo escárnio e deboche. Questionar a validade da vacinação é tratado como “negacionismo” e as pessoas que o fazem são colocadas ao lado de sujeitos que negam o holocausto e os terraplanistas. Os pouquíssimos profissionais da saúde que ousam questionar e decidem apontar os perigos e os riscos evidentes da injeção de tantas substâncias perigosas e não testadas são levados ao ostracismo, quando não francamente perseguidos.

Falta muito ainda para tirarmos a religião de dentro da ciência. Vacinas são crenças de caráter religioso. Se elas funcionam ou não, ou se os malefícios encontrados são graves o suficiente para interromper seu uso, é uma outra questão. Todavia, a vinculação que temos com elas é de caráter dogmático e irracional. Elas ocupam o lugar das comunhões religiosas do passado: para ser aceito em uma determinada comunidade é preciso passar por um ritual de aceitação dos seus pressupostos básicos. Ontem, o batismo no cristianismo; hoje as vacinas no cientificismo.

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Lactância sem Mulheres

Eu vi a notícia sobre um congresso de aleitamento no México que não continha nenhuma mulher entre os expositores e achei absurda tal comissão que debateria o tema. Não gosto de nenhum tipo de sexismo e a exclusão de homens para debater amamentação – pelo simples fato de serem homens – é para mim um grosseiro equívoco. Digo o mesmo sobre o tema do parto e uso a explicação de que “homens nascem e homens são amamentados”, portanto, esse assunto igualmente nos atinge e nos diz respeito. Ressalvas sejam feitas aqui ao “lugar de fala”, por favor.

Eu convidaria aqui no Brasil Marcus Renato e João Aprígio sem pestanejar para um congresso como este, e poderia colocá-los inclusive na presidência do mesmo porque são grandes defensores e batalhadores incansáveis pela amamentação…. e são homens. O gênero importa menos que o engajamento no tema, mesmo que a vivência no processo de amamentar seja um fator relevante e significativo.

Entretanto, a ausência de mulheres na mesa fala muito mais de uma negação a elas do que de uma pretensa falta de especialistas sobre o tema da amamentação do sexo feminino. No Brasil – e posso garantir que também no México – existem médicas, enfermeiras, psicólogas ou nutricionistas capazes de levar adiante esta bandeira com pleno embasamento científico e com grande experiência no ativismo. Portanto, a ausência de mulheres e a presença de representantes da indústria láctea neste evento é um claro sinalizador de que as mulheres não estão presentes porque a sua “substituta” – a indústria de fórmula – veio para ocupar sua voz e seu espaço.

E isso é muito grave…

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