Vi alguém afirmando que “quanto mais o sujeito defende a família, a moral e os bons costumes, mais safado é”.
Hummm, calma lá…
Uma frase assim, fora de seu contexto, e generalizando de forma bruta, é apenas lacração. Existem fanáticos moralistas que são castos, justos, corretos e tem uma conduta ilibada e honesta. Traçar uma linha reta de causa e consequência é um erro facilmente cometido. Por certo que existe um perfil cujas críticas à conduta moral dos outros nada mais são do que denegações de seus próprios vícios; jogam nos outros o que não suportam em si. Entretanto, se isso pode ser frequentemente observado, não deve ser considerado como regra geral.
Não há como desmerecer todas as críticas à moral alheia apenas com esse argumento. Tipo “se você é homofóbico só pode ser um gay enrustido e frustrado”. Não é verdade; muitas vezes é apenas um heterossexual idiota ou preconceituoso que precisa se sentir superior à alguém por ter sua autoestima combalida.
Esse “furor interpretans” não nos ajuda a entender o fenômeno do preconceito e do ódio social disseminado aos diferentes, e tais afirmações peremptórias nada mais são do que pura selvageria diagnóstica
Esta semana surgiu a notícia de que sujeitos ligados ao bolsonarismo estariam se infiltrando em ambientes progressistas, seja no Facebook ou nas outras mídias sociais, para pintar um cenário de derrota iminente da candidatura Lula. O objetivo é óbvio: desmobilizar, esmorecer, refrear as manifestações a favor da chapa liderada por Lula. Porém, esta é uma estratégia eleitoral. Para a libertação do nazifascismo bolsonarista a estratégia em longo prazo deve ser a orientação sedimentada pela razão. Não vejo futuro na troca de uma mistificação por outra, mesmo que a segunda seja infinitamente melhor que a primeira. A tarefa de libertar o sujeito só virá através do único atributo que nos diferencia dos outros animais: a razão, esta fina camada de verniz, a tênue fachada que nos livra dos medos e nos permite entender os fatos para prever o futuro
Entretanto, não se combate uma ideia que surge irracionalmente usando argumentos racionais. Portanto, para combater o fascismo e a pulsão de morte que Bolsonaro representa, precisamos usar e canalizar emoções.
Para derrotar Bolsonaro e seu plano totalitário nestas eleições é necessário usar as armas da sedução, do afeto e das emoções e mostrar o rastro de destruição crua causada por essa ideologia macabra. Esta é a estratégia para as eleições, em curto prazo, mas não o caminho em longo prazo que teremos de trilhar. O bolsonarismo não vai desaparecer apenas com a eliminação do seu mais importante expoente. Será necessário um processo muito mais complexo e difícil para desentranhá-lo da mentalidade do brasileiro. Para exterminar o fascismo é preciso educação é paciência.
Temos que manter o foco e a esperança. Lula nunca esteve atrás em nenhuma pesquisa. Ganhou o primeiro turno contra a máquina dinheiro e corrupção do governo de contra o derramamento de fake news. Não há porque esmorecer agora. Na última manifestação em Porto Alegre havia 70 mil pessoas na rua. O mesmo aconteceu em Recife, Curitiba, em Padre Miguel – multidões gigantescas nas ruas clamando por Lula e o que ele representa para as ideias de solidariedade e progresso com distribuição de renda. Apesar de estarmos presenciando a eleição mais desonesta da história da República, Lula continua na frente, desafiando as gigantescas quantias de dinheiro do governo derramadas com o objetivo de comprar votos, além da enxurrada de fake news que foram usadas neste ano. Desta vez o “banheiro unissex” toma o lugar do “kit gay” e da “mamadeira de piroca”.
Para aqueles que estão, como eu, à esquerda de Lula, o momento é de apostar no pragmatismo. Lula está muito mais próximos dos ideais revolucionários do que seu oponente – que representa o oposto desta perspectiva. Portanto, está em nós continuar ao lado de Lula nas ruas e em todos os ambientes que formos chamados à luta. Não acredito que as provas da obsessão sexual do atual presidente por adolescentes, o desprezo pela população das favelas e as agressões ao nordeste não terão uma resposta das urnas. Precisamos livrar o Brasil da tragédia que representaria Bolsonaro por mais 4 anos.
Sim, eu concordo. A estratégia identitária de excluir do debate o homem branco, cis, hétero e de classe média, como se fosse um leproso, o culpado de todas as mazelas sociais e o “estuprador em potencial”, jogou milhões de brasileiros nas mãos da direita ressentida e feroz. Esse é o eleitorado mais fiel ao bolsonarismo e, se não posso aceitar essas escolhas, posso ao menos tentar entendê-las, para que não seja necessário sofrer mais por elas.
“Então parça, se eu lhe escolhi é porque eu quero você, não por que eu precise de você”…
Eu entendo a mensagem, mas se uma mulher me dissesse isso eu virava as costas e saía caminhando. Fica claro que essa pessoa me trata como uma coisa útil, o que pode mudar a qualquer momento. Quando ela diz “eu te escolhi” deixa claro que a minha opinião ou o meu desejo não contam muito – ou nada. Eu fui o “escolhido”, e não alguém que fez – também – uma escolha.
Sim, sou da tese de que a homofobia é um fenômeno fortemente amplificado nos anos 70-80. Por certo que havia discriminação anterior a esta data, mas não do tipo que passou a ocorrer quando os gays resolveram assumir abertamente a sua orientação sexual. Antes disso eram eram tratados como doentes e degenerados, mas não eram uma ameaça a nossa “sexualidade normal”. Por esta razão foi possível no início dos anos 80, por exemplo, a criação aqui no sul da 1ª torcida (abertamente) gay do Brasil: A Coligay do tricolor gaúcho (formada pelo nome Coliseu, a boate que frequentavam, acrescido da palavra “gay”, que passava a assumir outro significado na cultura). Temo que, se esta torcida fosse criada hoje em qualquer clube brasileiro, ela ainda seria expulsa a pauladas do estádio.
Foi o “Stonewall Uprising” o fenômeno mais marcante da cultura gay na aurora dos anos 70. A boate Stonewall Inn, no Greenwich Village em Nova York, no dia 28 de junho de 1969 foi mais uma vez invadida pela polícia que, costumeiramente, batia e humilhava os frequentadores – em sua maioria homossexuais masculinos. Nestas “batidas policiais” os gays eram espancados, ilegalmente revistados e humilhados publicamente, demonstrando através da ação da polícia o ódio dissimulado aos gays. Os clientes eram presos temporariamente e os gerentes tinham a bebida confiscada. Entretanto, nesta madrugada de sábado, eles pela primeira vez reagiram. Fecharam a porta do estabelecimento, revidaram as agressões, bateram nos policiais com seus tamancos dourados e exigiram respeito à sua condição humana.
“Quando você viu um bicha revidar? Agora os tempos estão mudando; essa vai ser a última noite para essa porcaria acontecer”. Predominantemente, o tema era: “essa merda tem que parar!” (participante anônimo dos motins de Stonewall)
A partir de então os motins e manifestações de apoio à comunidade gay em Nova York se multiplicaram. Exigiam a liberdade de se encontrar sem serem humilhados, revistados e presos apenas por se vestirem com roupas do sexo oposto. As suas práticas e modos de vida eram toleradas apenas enquanto se escondiam no escuro da noite, em guetos, apartados da vida social e, em especial, longe das crianças. Leprosos e possuidores de uma doença contagiosa, eram dignos somente de pena. Todavia, com a emergência do “orgulho gay” e a reivindicação de cidadania por parte da comunidade, espalhou-se o vírus da insegurança, em especial entre aqueles cuja sexualidade conflituosa era motivo de tormentoso sofrimento silente. Em poucos anos esta nova consciência dos direitos gays se espalhou pelo mundo todo.
A saída do armário, entretanto, criou o contrafluxo brutal contra a manifestação pública da sexualidade, que fica evidente ainda hoje na fala dos conservadores: “Se quiser ser que seja, mas faça com discrição, não na frente de todos”. Ou seja: “não crie em mim esta angústia que me faz arder por dentro, e me consome de incertezas”. A visibilidade dos gays despertou os sentimentos recalcados em um contingente grande da população, o que, por sua vez, acabou gerando a homofobia como hoje a conhecemos.
O bolsonarismo nada mais é do que a organização desse desconforto sob uma sigla. Personagens como Bolsonaro e Damares, e sua fixação na temática sexual e na perversão, nada mais são do que a manifestação na sociedade deste sintoma social. O guru de ambos, Olavo de Carvalho era incapaz de falar três frases sem inserir descrições pormenorizadas de pênis e ânus – e o fatídico encontro entre eles. Portanto, a crítica à maior exposição das infinitas formas de manifestação sexual não se dá pelo medo da “degenerescência da sociedade” – apesar de ser este o slogan – mais do quanto essa manifestação desabrida da expressão do desejo sexual pode afetar a tão combalida sexualidade de quem dela secretamente desconfia. O que não é simbolizado retorna no real, e esse retorno do recalcado pode vir através da destruição do outro.
Freud tratou dessa questão há quase 1 século em seu texto “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, onde deixava claro que a sexualidade nos humanos não é natural e que a orientação homoafetiva é tão problemática quanto a construção heterossexual, e que ambas não são infensas aos traumatismos. Mais ainda: essa construção é um processo de ordem subjetiva, e cada um de nós é o responsável único por dar conta dessa tarefa. Poucos autores foram tão atacados na história da cultura humana por suas palavras quanto Freud ao abordar a questão da sexualidade, em especial sua visão aberta e progressista sobre o afeto homoerótico. Tão avançado era que até hoje seus conceitos geram inquietude.
O que vemos hoje através dos adeptos do bolsonarismo – uma legião guiada pelo ressentimento – tem a gravidade de retroceder 1 século no processo civilizatório. Aceitar esse “retorno” aos conceitos e visões de mundo do século XIX serve apenas para reviver e promover o horror e a mentira que milhões de pessoas eram obrigadas a suportar apenas para dar conta de uma máscara social. O mundo precisa rejeitar o que este atraso significa.
As pessoas que vivem fazendo textões exaltando a possibilidade do dinheiro de trazer felicidade e paz de espírito, romantizando e exaltando as coisas que o dinheiro pode comprar, deveriam conhecer a história do Thiago Brennand, famoso playboy pernambucano que foi preso hoje em Dubai. Sua longa história de abusos é tão extensa quanto a lista de pessoas que se afastaram dele, em especial sua própria família. Seu dinheiro atrai interesseiros(as) e oportunistas, mas afasta aqueles que o conhecem em profundidade.
Uma das irmãs, conhecida nutricionista da cidade, relatou que tanto ela quanto seus 3 outros irmãos não tem nenhum contato com Thiago há 20 anos. Gente, 20 anos sem falar com os próprios irmãos. Que riqueza é essa que destrói os laços familiares?
Eu não tenho interesse algum em desculpar as inúmeras atrocidades que este rapaz cometeu. Espero mesmo que pague suas dívidas e que possa reavaliar sua trajetória nesse mundo. Por outro lado, penso que este ódio e o desprezo imenso que tem pelos outros – em especial sua família – devem estar relacionados a feridas ainda abertas, traumas muito precoces na sua vida afetiva, desamores dolorosos que foram potencializados pela sensação de impunidade e onipotência que o dinheiro em excesso é capaz de produzir em qualquer um. Dinheiro, assim como a beleza e o talento, são fardos pesados para carregar. Aliás, o próprio nazareno já nos alertava que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um “burguês” (desculpe, preciso deixar claro) entrar no Reino dos Céus. E por quê? Ora, porque somos egoístas por natureza, e sem uma castração adequada em nossa propensão egocêntrica, acabamos acreditando mesmo que somos o centro do mundo.
O que este rapaz expõe como comportamento narcisista, violento, misógino, racista, homofóbico e aporofóbico (desprezo pelos pobres) nada mais é do que a visão crua das feridas afetivas que insidiosamente destroem seu espírito. Ele fez muitas vítimas pelo seu comportamento, mas por certo que ele também é mais uma delas.
“Eu sou playboy, não tenho culpa se seu pai é motoboy”. Esse foi o “grito de guerra” entoado por estudantes de medicina da Universidade Iguaçu (UNIG), neste último final de semana, nos Jogos Universitários de Medicina (Intermed) RJ-ES, que reúne estudantes do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, em Vassouras (RJ)
Enquanto não houver um projeto de real democratização do acesso ao ensino superior continuaremos a ver este tipo de espetáculo de racismo, preconceito de classe, desprezo pelos pobres e operários e falta de empatia.
Não esqueça: estes serão os médicos que atenderão a todos nós em poucos anos. São os mesmos que fizeram “corredor polonês” para agredir os médicos cubanos. São os mesmos que atacam a enfermagem e boicotam qualquer iniciativa de humanização do nascimento. São eles que perseguem os médicos da humanização, e também aqueles que aderiram de forma majoritária ao ideário fascista e classista de Bolsonaro. Precisamos falar sobre o perfil dos alunos que ingressam na Universidade, para que estes não sejam a reprodução – na academia – do ódio de classe que vemos nas redes sociais.
Clark Gable e Vivien Leigh em “Gone with the Wind”….
Passei os últimos 27 anos viajando para o Centro do Império, em especial para o Texas, e sempre admirei muito a fabulosa máquina de propaganda que hipnotiza os americanos, tornando-os os cidadãos mais controlados e manipulados do mundo. Entretanto, percebi também que as pessoas de lá são iguais a todas as outras de qualquer lugar do mundo – quando observamos sua essência e os sentimentos que a todos nós pertencem.
Todavia, a capacidade de transformar seus pecados em virtudes para consumo interno é assombrosa. Poucos países são tão iludidos quanto a si mesmos quanto os gringos. E mais: para todos os desastres que protagonizam eles produzem arte, muitas vezes de alta qualidade, mas com o claro interesse de mascarar as atrocidades e crimes hediondos cometidos em nome da consolidação e manutenção do Império.
Assim, diante do fato de que a guerra civil americana matou 600.000 em uma disputa fratricida que tinha a garantia da mão de obra escrava como “leimotif“, eles revisaram a narrativa e fizeram “E o Vento Levou“. Depois da violência descomunal e o genocídio da “Corrida do Ouro“, que levou à morte mais de 18 milhões de indígenas, eles fizeram “Daniel Boone” e “Os Pioneiros“, limpando a barra dos invasores brancos que protagonizaram uma matança inédita em terras do novo mundo. Quando 1/3 da população civil da Coreia foi morta pelas bombas americanas -que jogaram mais bombas nos 3 anos de guerra lá do que em toda a II Guerra Mundial – e a infraestrutura do país ficou completamente destruída, eles fizeram “M*A*S*H” uma das comédias de TV de maior sucesso da história.
Um cidadão médio americano acredita piamente que o exército americano foi o responsável pela derrota nazista, uma guerra onde 400 mil americanos morreram, mas que matou mais de 20 milhões de soviéticos. E isso porque a sociedade americana é bombardeada por este tipo de informação falsa (a exemplo das “armas de destruição em massa”), que também chega via Hollywood e TV. Quem não lembra de “Guerra Sombra e Água Fresca” (Hogan’s Heroes), que pintava de comédia a ação americana na guerra e “Combate“, que mostrava os americanos como nobres e corajosos e os alemães como covardes e traiçoeiros? Como não acreditar que os heróis dessa guerra foram eles?
Desmerecer a força poderosa da informação e da propaganda – imaginando que “a verdade no fim prevalecerá” – é uma ingenuidade que a esquerda não pode aceitar. Combater todas estas informações mentirosas é fundamental para criar um mundo livre e que reconheça o valor da justiça social.
“Porque o ser humano não é programado para se exercitar, segundo cientista”.
Essa foi a manchete da reportagem, que para mim produz uma grande confusão com o próprio conteúdo do estudo.
Através da simples observação de nossa anatomia, e estudando a história dos primórdios da humanidade, fica fácil entender que fomos programados para fazer exercícios. Nossa anatomia confirma isso; nossa estrutura hormonal e cerebral também. Por isso é lícito afirmar que nós não “envelhecemos”, apenas “enferrujamos”, exatamente por não termos na modernidade a quantidade adequada de exercício para o qual fomos programados.
Talvez seja verdade que não fomos programados para desejar os exercícios físicos, já que o cansaço e o esgotamento são desagradáveis e até dolorosos, mas isso é bem diferente de não estar programado para o esforço extenuante.
Aliás, nenhum animal é assim; se você oferecer a qualquer animal doméstico suficiente comida ele não vai sair e lutar para buscá-la. É exatamente por isso que nós temos cães dóceis, mas o avô de todos eles – o lobo – é bravo e violento; afinal, para este não havia ninguém para dar o alimento que só conseguia através do exercício.
Temos um corpo programado para caminhar 20 km por dia, fazer longos jejuns e carregar peso o dia inteiro. No início do neolítico a menarca (primeira menstruação) ocorria aos 15 anos e a vida sexual aos 18 anos de idade. Cada mulher paria 5,5 filhos, sua menopausa ocorria aos 47 anos, a dieta era pobre em gordura e a vida sexual bem ativa. A adolescência era curta. Em contrapartida trabalhávamos muito pouco e tínhamos muito tempo para diversão – conversas, canto, histórias, banhos de rio e jogos.
Essa é a programação que herdamos do paleolítico superior. Boa parte do nosso sofrimento diz respeito à falha da sociedade contemporânea de suprir o sujeito da carga de esforço para o qual foi genética e anatomicamente preparado por milhões de anos de processo adaptativo.
Por outro, é claro que o exercício na academia tenta se aproximar do trabalho produtivo que tínhamos no ambiente dinâmico de seleção natural de 100 mil anos passados. O problema é que um médico e um analista de sistemas jamais encontrarão em sua atividade profissional o tipo de esforço para o qual seus corpos foram preparados por milhares de anos de adaptação.
Por isso a academia – ou mesmo os jogos esportivos – são simulações das atividades que tínhamos no passado para a simples atividade de sobrevivência, como fugir, lutar ou buscar comida. Eles são usados para oferecer ao nosso corpo o quantum de sobrecarga para a qual somos preparados. Hoje em dia a ausência dessa parte importante da vida é um mal terrível das sociedades automatizadas e se chama “sedentarismo”, uma “enfermidade” que mata milhões todos os anos.
O estudo do Dr Lieberman vai na mesma direção da minha perspectiva. Entretanto, o título é mesmo extremamente infeliz, pois dá a entender que não somos preparados para esta atividade física, o que não é verdade. Entre tantas “velhas novidades” no meio do texto pode-se encontrar uma pérola.
“Os caçadores-coletores típicos se envolvem em apenas cerca de 2 ¼ horas por dia de atividade física moderada a vigorosa.”
“Apenas” 2h 15min por dia de atividade moderada e vigorosa? Só atletas e operários que vivem do trabalho físico pesado fazem isso hoje em dia. A imensa maioria das pessoas no mundo ocidental não faz nem um minuto de exercício diário. Sim, nossa vida no paleolítico era muito difícil, laboriosa e dura, mas realmente ninguém era musculoso, basta ver um caçador coletor San ou Kung! do Kalahari. Nesta época (e para eles, ainda hoje) éramos pequenos, fortes, magros e resistentes.
Concluo que somos programados e preparados fisicamente para exercícios vigorosos e constantes, mas também psicologicamente condicionados a evitá-los quando possível, para estocar energia e usá-la em atividades relevantes.
Eu creio que todos nós acreditamos que o amor que oferecemos é um bem muito precioso. E é mesmo; mas não é um ativo sobre o qual se possa exigir reciprocidade. Uma mulher abandonada vai dizer “e o amor, a dedicação, os filhos, os cuidados da casa, os sonhos compartilhados, a minha fidelidade? Vou ficar sem nada?” Cobram por essa carga enorme de afeto que foi por elas entregue, mas por certo esperando o retorno de quem um dia amaram.
Os homens da mesma forma vão falar do dinheiro, do tempo investido, do cuidado, do amor, da atenção e tudo que dedicaram à mulher a quem amaram – ou ainda amam.
Amores homoafetivos também não tem razão para serem diferentes. Quem é abandonado cobra a parte que lhe faltou na economia do amor. Essa é uma reação humana à mais antiga das dores – a dor crua e dilacerante do desamor.