Arquivo da categoria: Citações

Medicina e Ciência

A prática da medicina se apoia na ciência apenas quando o conhecimento científico oferece sustentação aos seus interesses corporativos ou quando garante mais poder aos profissionais. Monitorização eletrônica foi introduzida sem nenhuma evidência clara de seus benefícios. Episiotomia e ultrassons de rotina, igualmente. Em contrapartida, décadas de estudos científicos bem desenhados que provam a ineficiência e/ou a maleficência destas condutas são insuficientes para desbancar tais procedimentos de nossas rotinas. Evidência científica só é boa se nos beneficia ou nos enriquece.

Henrico di Blasio “L’Uomo e la Scienza”, ed. Metaphisis, pag. 135

Henrico di Blasio é um médico italiano, especialista em medicina de Família. Nasceu em Nápoles e fez mestrado e doutorado em farmacologia na Universidade de Nápoles Federico II. Escreveu “L´Uomo e la Scienza” como um manifesto contra a medicalização extrema da sociedade e o totalitarismo que ocorre com a Medicina Baseada em Evidências quando não se aplica sobre ela uma visão holística e humanista. Mora em Nápoles e é casado com a pediatra Laura Stefanni.

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Amor

Quisera falar do sexo
Mas não posso
Do céu subterrâneo de nossos afetos
Mas não devo
o mundo escondido de nossos desejos
Mas não nego
a fuga absurda de nossos retornos
Mas não quero
o sentido último de nossos abraços
Mas não vejo
a luz que meus olhos encontram no escuro
Mas não digo
o suspiro de um dia saber-te sem mim

Amália Quintero D’Arroyo, “Fugas”, Ed Pindorama, pág 135

Amália Quintero de Arroyos é poetisa e nasceu em Aveiro – Portugal em 1959. Estudou literatura na Universidade de Lisboa e posteriormente iniciou seu trabalho como professora de literatura nas escolas públicas da região do Aveiro. Em 1985 publicou um livro de poesias chamado “Algures” que recebeu boas críticas e um convite da editora Pindorama para escrever uma série de mais 3 livros de poesia, surgindo daí a trilogia “Chegadas”, “Esperas” e “Fugas”, lançados respectivamente em 1991, 1996 e 2000. Recebeu o prêmio Cordéis de melhor livro de Poesia em 2005 por “Fugas”. Mora na cidade do Porto e é casada com o desenhista Fernando Monturo.

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O perdão solitário

O perdão é o mais solitário dos sentimentos. Ele não se relaciona com o sujeito cujo crime nos ofende ou maltrata, mas com a nossa percepção do malfeito. Ele também não implica em inocentar quem nos fez o mal. Perdoar não é esquecer ou relevar, mas apenas reconhecer em nós a mesma semente de mal que em outro floresceu por circunstâncias que jamais saberemos por completo. O perdão não é difícil pela gravidade do crime, mas pela imensidão de nossa arrogância.

Maurice Deschamps Faure, “L’épine et le clou de girofle”, Ed. Printemps, pág 135

Maurice Deschamps Faure é um escritor Belga, nascido em Bruges em 1966. Publicou “L’épine et le clou de girofle” (O Espinho e o Cravo) em 2015, durante o período internado no Hospital Center Universitaire de Nice, quando esteve à beira da morte após um acidente com Kitesurf em Nice, na França. Teve múltiplas fraturas e ficou com tração por vários meses. Este livro não foi escrito, mas ditado para sua secretária Marie Claire, para quem dedica o livro.

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Velhice

Se é verdade que “os cabelos brancos são bonitos, mas são tristes” eu vou mais além e digo que a velhice é bela porém lúgubre, e a nostalgia nada mais é do que a saudade de um mundo menos belo, mas cuja esperança o tornava mais feliz. A tristeza da velhice é a desilusão; a alegria da juventude é imponência das fantasias.

Carolina de Mont’Alverne, “Manuscritos da Guerra”, Ed. Shapiro, pág 135

Carolina Amaral de Mont´Alverne é uma poetisa maranhense, nascida em Imperatriz em 1950. Alfabetizou-se aos 18 anos de idade através do Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização – tendo concluído o ciclo secundário com a idade de 25 anos através do “Artigo 99”. Entrou para a faculdade de Letras logo a seguir e começou a escrever poesias assim que tomou controle das letras e das palavras. Publicou seu primeiro livro de poesia chamado “Vitupério” através de uma produção caseira, com mimeógrafo e “stencil”, distribuindo as cópias entre amigos, colegas e professores. Depois foi convidada a participar de coletâneas com escritores iniciantes até que pôde lançar seu primeiro livro oficial, “Imperoza” em que apresenta sua poesia romântica entrelaçada com o ambiente semiárido de sua região e sobre a Reserva Biológica do Gurupi, o que restou da mata Atlântica no Maranhão. Escreveu “Manuscritos da Guerra” como uma série de poesias sobre a fome, a falta de recursos, o abandono e os preconceitos de classe com as populações do interior do nordeste. Mora em São Luis, é casada e tem 4 filhos.

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Ética

Eu me acostumei a ouvir a acusação de “radical” por muitos anos. Na verdade este radicalismo que tanto eu ouvia como ofensa e com dedos rígidos apontados se resumia apenas a… cumprir a lei. Chamar de radical é uma forma usual de acusar o outro para desobrigar-se de fazer o que é certo. Assim quando você acha uma carteira na rua e se esforça para achar o dono e alguém lhe diz, constrangido pela sua atitude: “Ora, não precisa ser tão radical; achado não é roubado”...

… é sim; não existe “meia-ética”, e jamais será abusivo tratar com respeito aqueles com quem se divide essa curta estrada chamada vida.

Mary Lemont Ashcroft, “Pictures in Exhibition”, Ed. ELP, pág. 135

Mary Lemon Ashcroft é uma professora de direito em Yale Nasceu em Siracusa, USA e durante muitos anos exerceu sua profissão na famosa banca de advogados Cohen, Weisberg and Ashcrof. Nestes anos dedicou-se a muitas causas sociais, como o movimento “pro-choice” – pelo direito ao aborto legal – pelos direitos dos negros e o “Black Lives Matter” e igualmente pela defesa das pessoas trans. Suas experiências com os movimentos sociais americanos a estimularam a escrever “Pictures in Exhibition”, que mostra um mapa do preconceito sexual, étnico e de orientação sexual nos Estados Unidos através das inúmeras histórias reais retratadas no livro. É casada com Peter Ascroft, igualmente advogado e que serviu como consultor do governo democrata de Bill Clinton. Mora em Siracusa e tem dois filhos.

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Luz e Sombra

Muito poucos se preocupam em dar apoio e suporte aos cuidadores. Quando as perdas acontecem eles se tornam invisíveis ou se transformam em alvos fáceis para nossas frustrações. Humanizar o nascimento também é cuidar de quem cuida. Se para cuidar é preciso aparentar força e confiança, quem haveria de duvidar de uma máscara tão bem costurada à pele, a ponto de nos fazer crer que nada a pode perturbar, nem mesmo “a dor que deveras sente”.

Esta escolha é sempre complexa pois se baseia em fatores subjetivos e questões circunstanciais e, em verdade, ela está na base de toda a opção que fazemos por cuidar das pessoas. Você pode escolher o contato nos limites do necessário para realizar sua função específica; entretanto poderá entender que somente ao raspar as crostas superficiais do sujeito é possível entender o que se passa para além de sua epiderme.

Assim sendo, diante de nós duas portas se oferecem: uma delas nos leva ao mundo do aparentemente manifesto, do discurso, da evidência, do sinal aparente e do sintoma mais grosseiro. Um mundo muito próximo da biologia, da física e do real que (ilusoriamente) nos envolve. Já a outra porta nos leva ao mundo do simbólico, do relativo, do subjetivo e do pessoal. Um universo de significados e significantes dispersos e fora de ordem, onde moram nossas verdades mais sombrias. A casa das verdades perenes, das memórias sombrias e do medo.

Ambas as portas nos oferecem a oportunidade de conhecer os pacientes, mas enquanto a primeira permite um contato superficial a segunda nos obriga à criação de um vínculo que também nos impõe – em contrapartida – a conexão afetiva e emocional. Por isso mesmo adentrar desta forma no universo mais profundo dos pacientes nos leva obrigatoriamente à empatia e à conexão, à alegria e ao sofrimento.

Quem escolhe a segunda porta sabe que as alegrias serão sempre o tempero da vida; a luz que nos faz caminhar e seguir adiante. Todavia, sabe também que as perdas e os insucessos não poderão passar pela vida de quem cuidamos sem nos afetar da mesma forma.

A dor de perder na luta inglória contra a morte será sempre maior quando nossos corações se conectam com quem vestiu as capas do luto. Quem escolhe a com-paixão – o afeto compartilhado – sabe “a dor e a delicia de ser o que se é”. Sabe também que o preço das alegrias supremas é estar junto de quem sofre, para poder auxiliar quem se depara com as dores mais profundas que a vida pode reservar. Merece um abraço todo aquele cuja dor de hoje lhes rasga a alma, exatamente porque são pessoas de luz e espíritos especiais.

Reese Waldorf, “Who cares”, ed Epigram, pág. 135

Rose Waldorf nasceu em San Diego, na Califórnia, em 1977. Muito cedo se interessou pelas questões do parto e do nascimento e após terminar o “high school” na sua cidade resolveu estudar enfermagem para se dedicar à parteria. Foi criadora da “Heaven”, uma Casa de Parto que atua no mais puro modelo de parteria, atendendo a população pobre e as imigrantes mexicanas da fronteira. Escreveu seu livro “Who Cares” após sofrer uma crise de pânico por excesso de trabalho (burnout) e perseguições da corporação médica de sua região. Seu livro rapidamente se tornou uma espécie de “manual emocional para parteiras iniciantes”, pois descrevia não apenas as partes belas e sublimes da tarefa de atender partos, mas também as sombras, as violências, as agressões e as perseguições a que são submetidas. Rose continua atendendo partos e morando em San Diego. É casada e tem dois filhos, Jeremy e Jason.

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Causas

O totalitarismo nos ensinou que um passo seguro para a desumanização é quando sua ideologia – seja ela qual for – atropela e destrói indivíduos na sua caminhada. Quando a vida e a honra de alguém valem menos que uma ideia é porque esta é apenas ilusoriamente positiva. Mentir em nome de uma causa, por mais nobre que esta seja, nunca ajudou a construir nenhuma obra de valor.

(Sir) Watson Doherty, “The Chambers of Birmingham”, ed. Peebles, pág. 135

Watson Jeremy Doherty é um escritor inglês nascido em Dover em 1959. Foi um jovem prodígio, escrevendo seu primeiro livro com a idade de 10 anos, “The Hills of Dover”, onde descreve as aventuras de um garoto e seu cachorro na busca por um tesouro Viking enterrado nas colinas de sua cidade. Depois disso iniciou uma importante obra de literatura infantil, sempre falando da vida simples do interior da Inglaterra, o que lhe valeu vários prêmios literários e a sua nomeação para o título de “Sir” oferecido pela rainha Elisabeth II. Sua entrada na literatura adulta se deu em 1980 com o romance “The Chambers of Birmingham”, onde ele visita os sentimentos anticomunistas que se apossaram da imprensa inglesa em função da pressão exercida pela guerra fria, expondo suas mentiras, falsidades e contradições. Mora em Dover e é casado com a decoradora Margareth Atkins. Tem um filho chamado Peter.

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Futebol raiz

Sou do tempo em que jogador de futebol usava chuteira preta, jogava bola e fazia gols por nós. Nunca soube nome de suas namoradas nem mesmo se eram casados. Hoje o futebol é apenas a vitrine para seus verdadeiros negócios. No futebol – mas também em outros esportes – o gol, o drible, a firula, a vitória e a taça no armário são apenas elementos que ajudam o “esportista personagem” a fechar contatos de barbeador, cerveja ou desodorante.

Bernie McLaren, entrevista ao semanário “Sports in the Wire”, Edimburgo, pág. 135

Bernie McLaren é um renomado jornalista escocês especializado em futebol. Escreve em vários jornais escoceses sobre os campeonatos locais e internacionais. Tem dois livros sobre o esporte: “Sports in the Wire” e “Celtics – a Resistance Symbol”, onde mostra a história do clube escocês e suas origens na resistência de católicos e imigrantes irlandeses. Também nesse livro ele descreve a incrível conexão entre a torcida do Celtics e a luta pela liberdade da Palestina. Uma das mais tocantes partes do livro se relaciona à demonstração protagonizada em 18 de agosto de 2016 em um protesto pró-Palestina durante a partida contra o time israelense Hapoel Beer Sheeva, na primeira fase de classificação para a Liga dos Campeões, no estádio Celtic Park, em Glasgow. Membros da torcida organizada do time escocês, a Green Brigade, levaram para o estádio milhares de bandeiras da Palestina, associando-se a outras organizações de direitos humanos no posicionamento político pelo reconhecimento do Estado palestino, que tem seu território ocupado por Israel desde 1948. Mora em Glasgow e é casado com a jornalista Melinda Abraham.

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Gente boa

Há muita gente má que vai ao consultório do psicólogo achando que este vai lhe convencer de que é “boa gente”. Estas pessoas, em verdade, estão rodeadas de gente boa, as quais não suportam, pois lhes fazem recordar a toda hora de sua própria perversidade.

Samuel Büettner, “Da perversão de Zigmund”, Ed Caravelas (port), pág 135

Samuel Bartles Büettner é um psicólogo austríaco e escritor. Escreveu vários livros técnicos da área da psicologia até se aventurar pela ficção. Seu livro mais famoso é “Nas barbas de Freud”, onde ele descreve os dramas e paradoxos da vida de uma cliente fictícia do mestre austríaco. Em “A Perversão de Zigmund” ele explora a mente de pacientes perversos e as tentativas de escuta de suas contradições por um psicólogo freudiano iniciante. Mora em Zurique e leciona na Universidade local.

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Linchadores

Na internet há sempre um linchador de plantão cheio de esqueletos escondidos no armário e pronto para jogar acusações vazias em algum personagem. Assim o faz para que este pobre sujeito possa absorver suas culpas e aliviar suas angústias.

Zoe Papaniakos, “Media, Love and Hate”, Ed. Jasper, pag 135

Zoe Papaniakos é uma romancista grega nascida em Atenas, tendo estudado jornalismo nos Estados Unidos na Duke University, no Texas. Atualmente escreve artigos sobre feminismo, costumes e identitarismo numa perspectiva crítica, em especial ao “woke generation” e a “cultura do cancelamento”.

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