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A burguesia e seus candidatos

Tenho visto muitas queixas sobre os candidatos para as próximas eleições. Leio posts de sujeitos que acreditam que temos uma representatividade desqualificada, feita de subcelebridades, figuras midiáticas, gente sem qualidade e/ou preparo. Queixam-se das candidaturas de atores pornôs, palhaços, cover da Dilma, cosplay do Wolverine, youtuber, ex jogadores de futebol e vôlei, técnico de futebol, humoristas, viúvas de celebridades, cantores de axé, ex BBB, atriz aposentada, filhos de políticos, cantores bregas, etc. Por certo que estas queixas tem um caráter inequívoco de classe, como a dizer que apenas pessoas com “preparo”, curso superior, cultura e refinamento poderiam decidir sobre os destinos das cidades, estados e da nação.

Mas eu pergunto: qual o real problema desses personagens aparecerem na política?? Que tipo de crítica moralista é essa, e ao quê serve? Apesar de haver nestas candidaturas uma supremacia da “notoriedade” sobre o trabalho político, estes candidatos ainda são muito mais representativos do Brasil de verdade do que os playboys, os farialimers, os empresários, os militares, os pastores e seu “rebanho”, os policiais (em especial os justiceiros e fascistas) e os latifundiários do agro que ameaçam o meio ambiente. A mim esta interdição “cultural” é uma imensa tolice, uma forma de excluir as classes populares do debate nacional, um deboche contra o povo brasileiro e suas figuras populares, como se o fato de ser palhaço, jogador de futebol ou cantor fosse indigno e traduzisse uma incompetência para a política.

Tenho certeza que as pessoas que insistem nas críticas à “qualificação” dos candidatos jamais se escandalizaram com o fato de dois terços dos 513 deputados federais eleitos e reeleitos são empresários e profissionais liberais, segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Isto é: dois terços dos representantes no Congresso não vivem de salário!!! Dois terços dos representantes parlamentares, aqueles que lançam e aprovam leis, não pertencem a classe trabalhadora. Na população em geral 10% dos brasileiros são empreendedores, mas no congresso são 66%. Para quem eles irão legislar??

Esses empresários e profissionais liberais vão cuidar da vida e dos proventos de todos brasileiros e exercerão controle sobre uma classe da qual pretendem se distanciar ou dar as costas. Todavia, esse tipo de disparidade típica das democracias liberais – um parlamento de ricos que controlam uma massa de pobres – não causa espanto, sequer nojo ou indignação. Já um ex palhaço parece insuportável.

A melhoria da nossa representatividade política jamais vai ocorrer em um sistema em que o gasto para ser deputado federal é altíssimo, completamente inatingível para um sujeito comum – mesmo da classe média. Um bom exemplo é o da Deputada Feederal Shéridan (PSDB-RR), que teve o valor mais alto na relação entre despesas e número de votos na última eleição (2018). Na disputa por manter sua cadeira no congresso federal ela recebeu 12.129 votos e declarou ter gasto R$ 2,3 milhões. Shéridan desembolsou R$ 190,22 por cada voto que conquistou.

Quem se escandaliza com isso? Por outro lado, o fato do sujeito ter sido atleta, ator pornográfico ou BBB parece ser inaceitável para a sensibilidade dos liberais meritocráticos ingênuos. Parece que ainda acreditamos que a classe burguesa tem melhores condições para gerenciar os destinos de uma nação, e existe um investimento pesado nesta crença. A forma mais simples e popular é debochar das candidaturas populares, de gente simples, de pessoas do povo e iguais a nós, da nossa classe. Quem pode esquecer o fato de que os candidatos do espectro de esquerda são tradicionalmente tratados como “cachaceiros” tão logo pretendam se candidatar?

A revolução do voto não será por aí; ela vai ocorrer pela real participação popular nos destinos do país, e isso jamais vai acontecer na vigência da democracia liberal burguesa. Para isso precisamos de uma revolução e um povo com a necessária consciência de classe para mudar seu destino.

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Rejeição

Há algumas semanas conversei com uma mulher sobre uma série de assuntos relacionados à sua gravidez e, depois de um certo tempo, ela fez um comentário de caráter político que me deixou curioso. Como ela tocou no assunto, resolvi espichar um pouco a conversa para entender onde ela se situava nesse espectro político. Por curiosidade, perguntei:

– Mas afinal, em quem você vai votar?

Ele fez uma cara de quem estava pensando e por fim, respondeu:

– Ainda não escolhi, mas vai ser qualquer um, menos o Lula.

Um pouco surpreso, perguntei a razão de eliminar preliminarmente o ex-presidente de suas preferências, ao que ela explicou:

– Não adianta, não gosto dele. E não adianta tentar me convencer do contrário. O Lula trata as pessoas como se fossem coitadinhas, incapazes, fracas. Eu jamais precisei de ajuda para chegar onde cheguei. Não é porque sou negra que preciso ser tratada como inferior.

Ela era, por certo, uma mulher negra de classe média baixa. Havia estudado, tinha acumulado alguns bens (normais para seu estrato econômico) e tinha seu próprio pequeno negócio. Perguntei como poderia ser essa a visão que tinha de um sujeito simples, nordestino, operário, etc. Na minha cabeça, era pouco compreensível que as pessoas mais prejudicadas por uma estrutura social injusta como a nossa rejeitassem o personagem que mais representa a esperança de reversão dessa dura realidade.

As respostas dela foram tão subjetivas que se tornam até inúteis para uma análise de suas causas. Falou coisas como “O jeito que ele olha para os pobres”, ou “as palavras (falsas) que usa para falar deles”, e até “essa mania de falar da própria mãe, pobre e retirante“. Eu me convenci de que não havia nada em sua fala sobre o que Lula havia feito de errado, mas seu rechaço se fundava sobre o que Lula é: um homem que, reconhecendo as dificuldades do povo mais oprimido – negros, pobres, mulheres, operários, gays, etc – lança sobre eles um olhar de reconhecimento e cuidado, mas que para alguns parece ofensivo.

Perguntei sobre os candidatos ricos, de outras classes sociais, preocupados com suas próprias realidades próximas, e como ela lidava com o fato de que nenhum olhar seria direcionado aos pobres e destituídos. Questionei também se ela entendia que esta rejeição a Lula nos levou a eleger um sujeito racista, homofóbico, misógino e que despreza os pobres e até a própria democracia. Sua resposta foi curiosa:

– Ora, todos são racistas; ele é apenas mais um. O Brasil é um país racista; você, lá no fundo também é – e não adianta negar. Esse presidente ao menos é sincero e verdadeiro. Transparente.

Por fim disse não aceitar nenhum tipo de postura, assim dita, assistencialista. Afinal, não é justo que os outros ganhem “de presente” o mesmo que ela batalhou tanto para alcançar. As ajudas do governo acabavam por diminuir o valor de tudo que ela havia conquistado em sua vida, algo inaceitável e injusto.

Isso me fez lembrar os médicos que reclamavam do pagamento dado às doulas. Um deles, antigo e reacionário membro do conselho médico local, dizia que as doulas eram como “verdureiras”, no sentido de atuarem em uma “profissão” sem qualquer regulamentação, e que seria injusto ganharem bem quando os médicos – após anos de esforço – ganhavam quase o mesmo que elas.

Sim, mais fácil depreciar o trabalho alheio do que reivindicar a valorização do seu.

Quando a esquerda oferece mais equidade e justiça social esta promessa incomoda algumas pessoas por parecer desmerecer suas conquistas, ao menos nesta percepção deteriorada delas. Acreditam que, para que suas coisas ganhem valor, é importante que outros só as obtenham mediante sacrifício.

As ideias socialistas geram desde sempre a ilusão de extermínio da meritocracia, como se a justiça que apregoam fosse oferecer “igualdade para os desiguais”. Na verdade apenas promete que ninguém poderá ser privado de suas necessidades fundamentais e que o trabalho deverá ser remunerado com equilíbrio e sem exploração. Porém, diante da proposta de que todos devem ser remunerados com justiça, é chocante ver o quanto de rejeição isso ainda provoca.

Desisti de convencê-la a trocar seu voto, mas ao menos deixei claro que sua escolha era muito mais baseada na aversão à ideia de justiça social e muito menos nos defeitos de Lula. Ou seja, seu preconceito estava mais ligado às virtudes do que às imperfeições do candidato. Por outro lado, percebi que esse tipo de discurso é muito mais prevalente do que se pensa, e que é importante escutar o que estas pessoas têm a dizer.

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Ditaduras

“Mas o Brasil de Lula apoiou ditaduras pelo mundo afora”…

Quem já não escutou esta frase provocativa vindo dos elementos mais afoitos da direita nacional? Quem já não teve que dar explicações para quem acusa os governos socialistas de serem antidemocráticos, cruéis e genocidas? Todavia, antes de explicar os governos petistas de terem uma política externa que favoreceu os países em desenvolvimento, cabem alguns esclarecimentos importantes sobre os países mais frequentemente acusados.

Em primeiro lugar, entre as nações que “os comunistas do PT” protegeram por acaso uma delas é Israel, que ocupa com armas a Palestina após uma invasão que expulsou 750 mil habitantes da região há 70 anos? Ou talvez entre estes países favorecidos pelo PT está a Arábia Saudita, uma ditadura feroz apoiada pelos americanos em troca de petróleo, que enforca pessoas em praça pública e em pleno século XX pratica penas de morte por decapitação? Sim, porque ambos estes países são idolatrados por Bolsonaro. Tanto Israel quanto a Arábia Saudita foram visitados recentemente pelo mandatário brasileiros e seus filhos. Porém, aqui cabe uma pergunta: em alguma das “ditaduras” que o PT é acusado de apoiar alguma vez um presidente foi impedido de concorrer por um golpe envolvendo um juiz e procuradores corruptos? Pois, vale lembrar, Bolsonaro se tornou presidente apenas porque o ex-juiz Sérgio Moro acertou-se com o departamento de justiça americano, produzindo uma sentença condenada pela totalidade do meio jurídico independente. Este mesmo juiz posteriormente abandona a toga e se transforma no Ministro linha dura e punitivista Bolsonaro – a quem ajudou eleger. Isso pode ser considerado uma democracia?

Mas quando vocês se referem à Venezuela é bom lembrar que este país sofre um brutal embargo americano por ser um bastião da autonomia e da soberania das nações da América Latina. Seu presidente – legitimamente eleito – sofreu diversos atentados contra sua vida por forças reacionárias patrocinadas pelo imperialismo. A Venezuela está longe de ser um país socialista, quanto menos comunista, mas ousou declarar-se livre das imposições americanas para a compra do seu petróleo por preço vil. Esse país tem eleições cada dois anos, economia de mercado, imprensa livre, voto controlado e auditado por dezenas de países. Por que poderíamos chamar a Venezuela de “ditadura” mas nunca nos referimos assim à Colômbia, um país tradicionalmente controlado por uma direita brutal e assassina, associada aos Estados Unidos, onde 199 ativistas dos direitos humanos foram assassinados pelas milícias armadas ligadas ao governo, isso apenas no ano de 2020. Não seria justo chamar de ditadura um país onde lutar pelos direitos de seus compatriotas representa uma sentença de morte? Se você chama Cuba de “ditadura”, sabia que lá os políticos trabalham de graça para o povo? Os parlamentares em Cuba, de qualquer nível (provincial ou nacional), não possuem qualquer pagamento ou salário. Geralmente seguem atuando em suas áreas/profissões, ao mesmo tempo em que atuam em suas funções legislativas. Outro fato curioso é que não existe nenhuma proibição em Cuba para a fundação de outros partidos; não há lei alguma com essa restrição. Não existe exigência de filiação partidária para a participação política. Por que seria ditadura quando existe total liberdade para organização partidária?

Em 2018 a Comissão Nacional Eleitoral de Cuba ratificou os resultados das eleições gerais. Um total de 85,65% dos eleitores exerceram seu direito ao voto e 7.399.891 de eleitores compareceram às urnas, em uma população de 11 milhões e meio de cubanos. É importante ressaltar que o voto em Cuba não é obrigatório como no Brasil, mas opcional. Cada circunscrição (agrupamento de bairros) escolhe seu candidato em assembleias abertas, o qual irá para as eleições onde todos (cidade/província/país) poderão decidir se aprovam, ou não, por meio de voto facultativo e secreto. Outro detalhe muito interessante do sistema cubano é que algumas categorias (trabalhadores, mulheres, estudantes e pequenos agricultores) têm cotas no Parlamento, estabelecendo uma diversidade notável na política da ilha. Em 2018 as mulheres detinham 53% das cadeiras da assembleia do povo e os negros 40% – compare isso com os míseros 15% de mulheres e 24% de negros no congresso brasileiro. Esses elementos são o Poder Popular, que preserva o contato permanente entre lideranças e a base. Por que chamar Cuba de ditadura, mas não achar o Brasil uma ditadura onde quem manda são os banqueiros, os rentistas, os latifundiários e as redes de TV? (leia mais nesta reportagem de Jornalistas Livres)

E sobre a Coreia do Norte? Pois existem 3 partidos por lá e você pode ser eleito para a Assembleia Popular sem estar ligado a qualquer um deles, assim como em Cuba. Sabia que, assim como em Cuba, não existe nenhuma pessoa sem moradia ou vivendo em malocas na Coreia do Norte? Sabia que o presidente Kim Jong-Un é apenas chefe do executivo, eleito pela Assembleia do Povo, mas o país tem um sistema legislativo e judiciário independentes? Não esqueçam que Venezuela, Cuba e Coreia do Norte sofrem embargos brutais, um verdadeiro terrorismo econômico por parte do Império americano, apenas pela ousadia de se declararem independentes do poder central do capitalismo. Estes países enfrentam a escassez de produtos porque sabem que muito pior do que isso é a subserviência aos interesses do países imperialistas. Eles são exemplos de autonomia e soberania, povos altivos que perceberam muito antes do que nós, o valor de serem livres.

Enquanto isso, em nossa democracia liberal, existem mais armas nas mãos de bolsonaristas do que em posse das polícias e forças armadas brasileiras. Apenas Bolsonaro ameaça a ordem instituída dizendo que não vai aceitar o resultado das eleições. Uma democracia em que as Forças Armadas atuam constantemente ameaçando o legítimo desejo popular pode ser descrita desta forma? Pode ser considerada um governo do povo? Não há dúvidas de que estes países tão atacados por nossa mídia liberal burguesa têm problemas estruturais importantes. É fato que existem problemas sérios até mesmo em relação aos direitos humanos, mas é injusto acusá-los de “regimes ditatoriais” como o fazem os jornais do mundo inteiro sem conhecer sua história, suas particularidades, suas dificuldades, os crimes cometidos contra sua soberania por forças estrangeiras e seu empenho em manter independência dos poderes imperialistas que massacram populações inteiras por todo o mundo. E também é incorreto utilizar as democracias liberais como paradigmas de justeza e transparência quando, por certo, estão muito distantes dessa realidade.

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Justiça desbalanceada

Tenho plena convicção que qualquer dos delitos cometidos por Bolsonaro durante sua vida pública – das rachadinhas, passando pela Val do Açaí, pelos imóveis milionários com pagamento sem origem e até o uso da máquina pública para fazer campanha pessoal no 7 de setembro – seriam crimes inaceitáveis caso tivessem sido cometidos por Lula ou por alguém da esquerda. Esse é o viés da nossa justiça burguesa: pesos diferentes para os crimes na dependência do delito interessar ser punido – ou não.

Para essa justiça uma pedalada passa a ser crime hediondo, mas um criminoso apitar a campainha do presidente antes de matar uma vereadora não parece nada estranho. Também 107 imóveis comprados – metade em dinheiro vivo – não querem dizer nada (quem nunca, né?), mas visitar um apartamento e desistir da compra é algo muito suspeito e merece um julgamento em tempo recorde e uma sentença draconiana.

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Lavagem Cerebral

Recomendo o documentário “A Lavagem Cerebral do meu Pai”. Todavia, apesar da qualidade e da profundidade das entrevistas, reconheço que, por ter sido realizado nos Estados Unidos, ele perde um dos pontos mais essenciais do debate sobre a influência da mídia sobre o cidadão comum. A mídia é sempre a semente que é lançada sobre a população, carregada de ideologia, com a potencialidade de crescer e se multiplicar. Entretanto, para que a semente possa germinar é necessário que exista um terreno fértil e acolhedor, e só assim a semeadura terá êxito.

Se a propaganda fosse suficiente para a mudança de padrões de comportamento, bastaria fazer propagandas diárias contra a violência doméstica, contra latrocínios, abusos de cesarianas ou corrupção. Infelizmente (ou felizmente) o terreno é essencial, sem o qual a propaganda atinge a rocha dura e impenetrável das nossas seguranças.

O surgimento da direita feroz americana só pôde ocorrer pelas crises sistemáticas e recorrentes do capitalismo, produzindo um sentimento de ressentimento e rancor que atinge, em especial, os homens de meia idade, traídos pela promessa de serem o sustentáculo de suas famílias. Há uma crise do capitalismo conjugada com a crise do patriarcado, produzindo um contingente gigantesco de homens desorientados, cuja falta de norte os leva à violência – inclusive a violência política. Portanto, ao se analisar o crescimento de Fox News ou Alex Jones nos Estados Unidos (ou Rede Globo e Alan dos Santos no Brasil) é necessário entender o contexto de crise dramática do sistema capitalista, em especial a partir dos anos 80 e da aventura neoliberal iniciada por Thatcher-Reagan. Olhar para as hordas de homens de meia idade e suas senhoras amontoados na praia de Copacabana no 7 de Setembro pode ajudar a entender o que os move.

O que vemos hoje se reproduzindo no Brasil com o ódio bolsonarista, o império das Fake News e das mentiras, as famílias divididas por sujeitos de extrema direita disseminado ideias extremistas (racismo, xenofobia, homofobia, etc.) é a herança nefasta dos estertores de um sistema econômico quase defunto, cujo corpo apodrece ao ar livre até que seja retirado. Nas palavras de Antonio Gramsci, “O velho resiste em morrer, e o novo não consegue nascer”. Esse é o mundo em que estamos inseridos, escutando o tic-tac que fará o planeta explodir.

Por outro lado, o documentário mostra a impressionante máquina da imprensa burguesa americana ocupada na lavagem cerebral de milhões, fazendo com que creiam nas mais absurdas teorias, nas mais rotundas mentiras e nas mais inacreditáveis fantasias. Também mostra como, vencida a etapa dos jornais e da televisão, o novo campo de disputa é a Internet e as redes sociais, e para este tipo de batalha a modernidade precisa estar preparada.

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Cirão da Massa

Uma análise curiosa que a minha filha Bebel fez: em 2018 os ciristas diziam que Haddad deveria desistir da eleição para que Ciro – com 12% de intenção de votos – pudesse vencer Bolsonaro no segundo turno com a tese de que Ciro “tinha menor rejeição”. Todavia, agora os mesmos apoiadores do Cirão da Massa acham absurdo que ele – com 6% da intenção de votos – desista da eleição para garantir Lula já em 2 de outubro, poupando o país de uma guerra suja pelos votos em segundo turno. Quem votar em Ciro no primeiro turno estará em frente ao dilema “Lula x Bolsonaro”. Por mais que eu critique os ciristas duvido que seu ódio irracional ao Lula seja tanto que os fará aceitar o voto num degenerado como Bolsonaro. Posso garantir que 70% votarão em Lula, menos por ele e mais pela rejeição ao Bolsonaro. Aliás, é o que dizem as pesquisas de segundo turno…

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Lula

Quanto mais se aproxima o dia das eleições para a presidência da República mais aparecem os velhos ataques ao candidato Lula, e o mais frequente é chamá-lo de ladrão. Estes ataques são ferozes e irracionais, infensos à qualquer abordagem racional. Todavia, o ódio a Lula diz muito mais de quem o odeia e despreza do que do próprio presidente. Outra tática comum que volta a ser utilizada é de descontextualizar as falas de Lula. Em uma delas Lula diz que “O pobre no Brasil sempre foi visto como número e como papel higiênico: usa-se e joga fora”. Ora, Lula estava criticando a postura histórica dos governos burgueses em buscar as populações desassistidas apenas na época das eleições. Foi exatamente contra isso que os governos de esquerda se rebelaram: a ideia de que essa gigantesca massa deveria continuar votando para eleger representantes da burguesia.

Outra crítica é dizer que Lula é condescendente com o crime, acusações estas que sempre são feitas contra os candidatos de esquerda, em especial aqueles que defendem os direitos humanos. Pois quando Lula contextualiza o roubo e outros delitos ele também acerta. Sim, o ladrão rouba para ter um dinheiro que o capitalismo lhe sonega. É para tomar uma cerveja com os amigos, fazer festa, se divertir, comer e vestir-se bem. Isso não significa justificar o roubo ou o crime, mas entender porque a sociedade capitalista – onde o sucesso está atrelado ao consumo – produz humilhação e frustração em níveis industriais entre aqueles setores da sociedade que são alijados do poder de consumir.

Mas é óbvio que a direita tenta forçar desta narrativa moralista, nos fazendo crer que um país se divide entre as pessoas de “bem” e as pessoas do “mal”, como se os sistemas econômicos fossem irrelevantes diante da “bondade” ou da “maldade” dos sujeitos sociais – uma tese que corre solta entre os religiosos, que (não por acaso) acreditam que, inobstante todas as ações malévolas que fazem, estão no polo positivo da disputa, pois acreditam em Jesus, fazem o sinal da cruz e dão esmolas para os “preguiçosos” na rua.

É contra essa perspectiva tacanha que o planeta precisa se insurgir. Combater essa visão moralista, alienante e tola é um dever de todas as pessoas que desejam um mundo justo e fraterno, mas isso só pode ocorrer com um elemento fundamental, ao qual os detentores do poder insistem em esconder: a consciência de classe. Votar na direita significa apoiar o “centrão” (aquele que Bolsonaro desprezava e acabou abraçando), dar suporte às elites e estimular o neoliberalismo concentrador de renda que deseja transformar o Brasil no grande Fazendão sonhado pelos conservadores.

As pessoas que insistem em chamar Lula de ladrão – sem jamais apresentarem uma prova sequer – não são conservadores, ou “liberais”, são de extrema direita, cegos de ódio pelo que Lula representa de esperança para o povo pobre, esse mesmo povo que foi destruído pela sanha privatizante dos governos de direita deste país. Uma direita pró imperialista e entreguista, como a de Bolsonaro.

Pois há quatro anos eu lancei o desafio: quem chama Lula de ladrão, prove que Lula roubou. Prove que Lula é desonesto. Mostre as evidências, as sentenças e as provas de que ele prevaricou. Desafio. Quem diz que o STF é corrupto e está atacando Bolsonaro explique porque não o acusou de corrupto quando prendeu Lula apenas para que ele não participasse das eleições? Por que aceitou que o mantivessem preso contra a Constituição Federal em seu parágrafo 5? Por que não reclamaram das arbitrariedades inconstitucionais contra Lula, que não pôde concorrer à presidência mesmo tendo direito a isso? Por que só agora começaram a reconhecer o que a esquerda sempre soube: o STF é uma instância pusilânime.

Quem acredita que Lula prevaricou (prevaricar significa, por exemplo, comprar 107 imóveis com salário de político, 51 deles com dinheiro vivo) traga aqui um cheque, uma mansão, um carro importado, um depósito no exterior, um telefonema, um bilhete, um recibo, uma nota, uma promissória, uma foto comprometedora, uma sentença condenatória transitada em julgado, uma gravação, joias, uma confissão, casas, propriedades, sítio, triplex, lojas de chocolate, mansões em Brasília, festas suntuosas, apartamentos em Paris, rachadinhas, empresas fantasmas, enriquecimento suspeito, familiares que ficaram ricos, laranjas, propriedades, grana no exterior, conta na Suíça, conta em qualquer lugar, instituto de fachada, etc…

Ahhh mas não tenho esses elementos… Então aceite que não tem nada contra Lula e todas as acusações são baseadas em fofocas, fake news e no desejo de colocar um líder popular fora de qualquer disputa. Quem grita de forma histriônica “Lula é ladrão” fica parecido com aquelas crianças que dizem “feio, feio, feio”. Repetem por acreditar que uma mentira contada centenas de vezes por fim se torna verdade. Todavia, mais do que repetir, é necessário provar que ele foi desonesto, baseada em que elementos, quais evidências, quais juízos e qual a conexão com a verdade dos fatos.

Quem grita de forma histriônica “Lula é ladrão” parece aquelas crianças que dizem “feio, feio, feio”. Repetem por acreditar que uma mentira contada centenas de vezes por fim se torna verdade. Todavia, mais do que repetir, é necessário provar por que ele foi desonesto, de onde vem essa crença, baseada em que elementos, quais evidências, quais juízos e qual a conexão com a verdade dos fatos.

– Fulano é criminoso!!
– Mas por quê você diz isso?
– Porque sim….

Essa retórica de afirmar que alguém é ladrão “porque é“, sem a necessidade de apresentar provas, abre espaço para que esse mesmo tipo de acusação seja feita a qualquer um de nós, dependendo apenas dos sentimentos e não da realidade. Isso nos faria retroceder milhares de anos na história do direito, onde a realidade era desprezível diante do desejo e dos interesses dos poderosos. O direito surgiu exatamente para se contrapor ao império da brutalidade e da força, determinando critérios para estabelecer inocência, culpa e responsabilidade. A partir do surgimento do direito não bastaria mais apenas o uso da força; seria preciso provar – através da materialidade dos fatos – que o sujeito acusado havia realmente praticado um malfeito.

Por isso o desafio: provem que Lula é desonesto… ou então, tanto quanto vocês, ele continua inocente. Como sempre foi.

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Censura

Hoje, assistindo o noticiário, escutei de um jornalista de esquerda a ideia de que a liberdade o autoriza pensar, “mas não pode externar“. Ufa… quer dizer que ter pensamentos livres ainda é permitido?? Sim, mas falar o que pensa é “crime de opinião”, por certo…

É esse o pensamento de esquerda? É assim que defendemos a ampla liberdade de expressão? Quem arbitra o que pode ou não ser dito? O Ministro colocado no cargo pelo golpista Temer????

Quando o cortador de pé de maconha voltar suas baterias contra a liberdade de imprensa e contra as esquerdas será que esses liberais de esquerda vão continuar a exaltar o careca dessa forma subserviente e genuflexa como o fazem agora? O PCO é um partido pequeno e foi covardemente atacado pelo ditador de toga, mas nessa ocasião poucos reclamaram. Rui Costa Pimenta foi censurado “preventivamente” em vários canais pelo crime de acertar em quase tudo. O Brasil 247 teve centenas de vídeos censurados, mas afinal foi para combater “fake news”, certo?

Quando os ataques forem contra o governo Lula quem estará a postos para defender a liberdade de expressão? Preciso citar o pastor luterano Martin Niemöller mais uma vez aqui? “Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas…” etc.

Pois eu já sei quem estará na defesa da liberdade irrestrita de expressão: o PCO – combatente da primeira hora – mas terá ao seu lado não o conjunto de partidos à esquerda do espectro político, mas a direita mais fascista que temos, porque a esquerda de hoje se junta aos reacionários do judiciário em nome da luta contra o Bolsonaro, como se ele, e não o fascismo que representa, fosse o inimigo. A franja reformista liberal dos nossos dias é o maior exemplo de bundamolismo de que se tem notícia. É triste reconhecer isso quando a luta contra a censura já foi a grande bandeira na minha juventude, e agora esta turma brada aos quatro ventos “Somos contra a censura…. mas depende”.

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Representatividade?

A bancada feminina do Congresso Nacional de 2018 conta com 77 mulheres, das quais 55 são bolsonaristas.

Faz alguns poucos dias um articulista de esquerda liberal reclamava da baixa representatividade feminina na Câmara de Deputados. Exaltava a importância das mulheres nos espaços públicos e afirmava de forma categórica que “se houvesse mais mulheres no poder legislativo a legalização do aborto já teria sido aprovada”.

Será mesmo?

Vejamos: temos 77 parlamentares mulheres em um universo de 513 representantes, onde 15% das vagas são ocupadas por quem representa mais de 52% da população brasileira. Por certo que é pouco, mas já houve avanços: em 1982 eram apenas 8 mulheres no congresso, e em 1998 somente 28. Hoje já se pode dizer que existe uma real “bancada feminina” no Congresso Nacional. Não há dúvida que as mulheres são uma categoria sub-representada e que isso certamente tem consequência nas políticas que são defendidas pela casa legislativa. Entretanto, seria possível dizer que se elas fossem 52% da casa (a real representatividade do gênero) seria muito diferente? Haveria uma facilidade para aprovar pautas que as feministas desejam ver aprovadas? Haveria progresso na equidade de gênero, distribuindo de forma igualitárias ganhos, deveres e direitos?

Creio que esta suposição não passa de uma fantasia, um desejo sem lastro na realidade, e apresento alguns dados que podem confirmar minha perspectiva. Não acredito ser possível desenhar uma linha reta ligando a representatividade de gênero com as políticas em favor da mulher. O mesmo em relação aos não-brancos, igualmente pouco representados. O que vemos hoje é que a maioria das parlamentares da bancada federal é conservadora e aliada de Bolsonaro. Surpresos? Pois não deveríamos estar, pois as mulheres no Brasil não tem uma postura muito diferente daquelas dos homens no que se refere à posição no espectro político. Das 77 deputadas eleitas em 2018 para a atual legislatura 55 votam com Bolsonaro. Ou seja, 71% das mulheres representantes no Congresso Nacional são conservadoras e não seria difícil perceber que sua posição frente ao aborto seria absolutamente contrária à legalização. Segundo a reportagem, a pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero e Política (Gepô) da Universidade de São Paulo (USP), Hannah Maruci frisa que “mais da metade das mulheres eleitas estão à direita no espectro político -– ou seja, mais próximas à posição política do presidente”.

Podemos reclamar de Damares Alves, pela sua postura reacionária e dogmática no que diz respeito aos direitos femininos, mas é injusto dizer que ela não representa a média das mulheres brasileiras.

Contrariamente a outros países do mundo, a participação das mulheres na política representativa é extremamente baixa no Brasil. O país com a maior representatividade é Ruanda com surpreendentes 63% de parlamentares mulheres, país da África que foi devastado por uma guerra civil que matou mais de um milhão de habitantes nos anos 90 do século passado. Cuba em segundo lugar, tem uma representatividade que se aproxima do percentual de mulheres no país, e a maior presença de mulheres na esfera política é um dos claros e inquestionáveis resultados do processo revolucionário cubano. O Brasil ocupa a vergonhosa posição 145, entre a Índia e Gana.

Em um estudo realizado na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com quase 1500 mulheres entre 15 e 49 anos de idade, apenas 30% delas se posicionaram positivamente à legalização irrestrita do aborto – como é o desejo de muitas feministas – o que está em sintonia com a representação de mulheres progressistas na atual composição das mulheres do poder legislativo.

É evidente que não se pode dizer que a representatividade é inútil e/ou supérflua. Muito pelo contrário: ter pessoas que sentem na pele a “dor e a delícia” de serem mulheres, negros, gays, trans, indígenas e outras minorias, representando os interesses de sua identidade, é um fato que devemos perseguir para uma sociedade mais plural e mais diversa. Todavia, o erro está em acreditar que a simples mudança no gênero, cor da pele ou orientação poderá fazer este trabalho. Não, ele só ocorre quando se acresce à representatividade um elemento essencial para as lutas populares: a consciência de classe.

“Representatividade sem consciência de classe é ciranda”. Pouco efeito teve para as lutas históricas da comunidade negra o acesso de Fernando Holiday à câmara de vereadores da maior cidade do país, muito menos a eleição de “Hélio (Bolsonaro) Lopes” pelo Rio de Janeiro. Igualmente não ocorreu nenhum progresso significativo com a entrada de Thammy Miranda na vereança de São Paulo – representando a comunidade trans – ou uma melhoria para a mulher trabalhadora e seus filhos com a eleição da “Comandante” Nádia em Porto Alegre, ambos filiados aos grupos políticos mais reacionários do atual cenário político-partidário brasileiro. As mulheres pouco ou nenhum avanço vão alcançar tendo Joyce Hasselmann, Carla Zambelli, Simone Tebet, Bia Kicis ou Major Fabiana a representá-las, pois que estas mulheres estão alinhadas aos setores financeiros, ao empresariado, ao agronegócio, aos rentistas e algumas (senão todas) aos mais abjetos interesses do imperialismo. Portanto, as conquistas para a franja mais desassistida da população só serão atendidas quando os representantes – de qualquer identidade – estiverem empoderados para encampar as lutas da população mais oprimida, o que inclui negros, mulheres, gays, trans, etc…

A representatividade vazia é como um corpo sem alma. Pode impressionar por pouco tempo e dar a impressão de que os cidadãos vão se reconhecer no parlamentar, mas a falta de sintonia e conteúdo com o tempo fará crescer a decepção pois os valores conservadores que estes parlamentares carregam ultrapassam as graves questões sociais pelas quais deveriam lutar.

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A esquerda que não aprende

Ontem (11/08) ocorreu a leitura da “carta pela democracia“, que foi lida em mais de 20 capitais do país, numa festa pelas liberdades democráticas. Entretanto cabe a pergunta: que democracia é esta que os participantes desejam? Que tipo de manifestação recebe apoio da USP, através do seu Reitor Carlos Alberto Carlotti, Telma Andrade, a secretária da CUT, a representante das lutas antirracistas Beatriz Lourenço Nascimento e muitos militantes de esquerda, mas também Blairo Maggi (homem forte do agronegócio), Guilherme Peirão Leal (o presidente da Natura), Eduardo Vassimon (banqueiro ligado ao BBA), Horácio Piva (da Klabin), Walter Schalka (da Suzano), Roberto Setúbal (do Itaú), Pedro Moreira Salles (da Febraban) e muitos outros bilionários que abrilhantaram com suas fortunas o manifesto lido ontem em nome da democracia e das liberdades constitucionais.

Com esta pluralidade de integrantes cabe a pergunta, que nos parece mais do que natural, mas necessária: a que tipo de “democracia” se referem estas personalidades? Como podemos imaginar que a mesma democracia seja defendida pelos trabalhadores, antirracistas, representantes da universidade e ao mesmo tempo por banqueiros e industriais bilionários que controlam o país e o mantém como eterna esperança de “nação do futuro”?

A resposta triste é que sobra um ilusório fervor patriótico onde falta consciência de classe. A democracia que serve aos banqueiros e industriais não pode ser a mesma que anima a militância de esquerda, pois para aqueles a democracia é o respeito aos seus privilégios intocáveis, enquanto para esta existe o desejo de que as riquezas imensas desse país sirvam para melhoria de vida de sua população. Esta democracia liberal, que interessa à classe burguesa e que acredita nos mecanismos eleitorais para a solução dos grandes dilemas nacionais, não pode ser a motivação da classe trabalhadora. A realidade não nos permite ter dúvidas quanto à potencialidade limitada dos mecanismos eleitorais e representativos para suplantar o capitalismo no Brasil. Mesmo os governos progressistas do Partido dos Trabalhadores, que operaram transformações mínimas na questão da distribuição de renda, se mostraram insuficientes para debelar a tragédia da exclusão, e bastou a chegada de um maníaco à presidência – através de um claro golpe institucional e midiático – para que as conquistas tímidas da esquerda fossem jogadas no ralo.

É necessário que as esquerdas percebam o quanto estas “cartas”, “abaixo-assinados”, “marchas pela paz” e “manifestos” são inócuos para os donos do poder. Tais manifestações servem como “cortina de fumaça”, uma fantasia de democracia para esconder o corpo disforme da tirania. Funcionam como a representatividade negra na cultura, que exalta personalidades e exibe uma “face de diversidade”, mas que jamais desafia o modelo de exclusão que nos atinge através de um rígido sistema de classes que serve se presta à acumulação de dinheiro e poder.

As armadilhas e arapucas da democracia liberal precisam ser expostas e denunciadas. Não há como compor com banqueiros e industriais, pois que os seus interesses são antagônicos àqueles das classes operárias e da imensa maioria da população brasileira. Abandonar a ilusão de uma “frente ampla” com a burguesia é um passo à frente na plena consciência de classe, elemento importante e essencial para as lutas de libertação.

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