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Pensamento monolítico

Sabe qual era um dos grandes slogans da minha juventude na luta contra a ditadura militar dos anos 60-80?

“ABAIXO A CENSURA”

Pois há alguns dias o YouTube CENSUROU milhares de páginas e canais que traziam uma visão crítica, alternativa, questionadora ou explicitamente contrária às vacinas. Assim, falar de vacinas fora da linha OFICIAL passa a ser algo passível de bloqueio e censura. Uma espécie de MacCartismo da indústria farmacêutica, que visa impedir o choque de perspectivas. Vi gente da área da ciência e da Academia aplaudindo…

A política de censura não tem nada de progressista, nada de avançada e nada a favor da saúde pública. Trata-se de criar um pensamento MONOLÍTICO, e que não vem de agora, pois iniciou-se lá atrás com a censura ao Trump, mas quando ocorreu todo mundo comemorou ou deu risadinhas debochadas. Pois agora as BigTechs decidem que um tema científico como vacinação não pode aceitar visões conflitantes, e a desculpa que usam para reavivar a censura são as MESMAS utilizadas pelos macartistas nos Estados Unidos para perseguir comunistas: é necessário em nome da segurança do povo, perigo eminente, disseminação de mentiras, etc.

Os meios de comunicação estabelecem, assim, uma DITADURA DAS COMUNICAÇÕES, e vendem estas atitudes como sendo ações para derrubar o “negacionismo” e a favor da “ciência”. Peço apenas que lembrem que proibições e visões únicas não combinam com ciência, a qual se baseia em choques e contraditórios. Não há produção científica sem conflito de ideias e disputas sobre pontos de vista.

A censura acaba com qualquer debate, e apenas denuncia que os grandes conglomerados de informação internacional – Google, Facebook, Twitter, YouTube – associados às grandes indústrias farmacêuticas podem fazer o que bem entenderem, inclusive ressuscitar a censura no mundo – e ainda fazer muita gente acreditar que é para o bem de todos.

Não quero debater validade das vacinas, mas esta censura provavelmente vai produzir um efeito oposto em médio prazo. No início o silêncio, mas depois muita gente vai se interessar por um tema que foi proibido pelos grandes conglomerados capitalistas do mundo.

Será que dentro de poucos anos teremos que voltar a exigir o fim da censura? Hoje é a vacina, amanhã será o comunismo, o socialismo, a liberação das drogas, o aborto livre etc. Vamos aceitar estas imposições e continuar quietos?

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Político ladrão

– Ahhh, mas esses políticos são todos ladrões…

Se você acredita nisso, pare de votar na direita e vote em alguém parecido com você. Isto é: alguém pobre. Ou melhor: candidate-se e faça o trabalho que eles não estão fazendo. Participe. Pare de votar em ricos e filhos de papai. Vote em trabalhador, dona de casa, operário ou alguém pobre e honesto para lhe representar, desde que tenha ideias inovadoras e que representem seus anseios de uma cidade, estado ou país mais justos. Pesquise as ideias do partido e sua visão de sociedade. Filie-se. Participe. Seja parte da transformação social, e não um entrave às mudanças. Não caia na conversa de gente que parece boa só por que distribui ranchinho ou lhe oferece vantagens e favores. Pense no político que melhor representa a COMUNIDADE inteira, e não apenas a sua corporação ou seus interesses pessoais. Não confunda assistência social com política. Político que faz serviço miúdo pra comunidade é apenas clientelista. Um verdadeiro político pensa nas estruturas sociais profundas, e não em casos isolados ou pessoais.Vote com consciência e pensando em todos.

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Política de estimação

É também curioso o malabarismo para criminalizar a política, como se os políticos fossem uma espécie diferente de ser humano e fossem corruptos em essência. Tratar os políticos todos como criminosos apenas abre as portas para ditaduras e “outsiders”, que se acham “gestores”, mas que fazem dissimuladamente política à direita do espectro ideológico.

É bem sabido o desastre que advém do descrédito com a política. Esse discurso produziu Berlusconi, Trump, Bolsonaro e poderia ter produzido Moro não fosse a Vaza Jato. A solução para os maus políticos é mais política, mais crítica, mais vigilância e um sistema mais justo.

Eu não cultuo”políticos” de estimação, mas por certo tenho uma POLÍTICA DE ESTIMAÇÃO.

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Gancho

Fiquei de castigo por 3 dias no Facebook. Tomei um gancho por “discurso de ódio”. Querem saber por quê?

Fiz um breve comentário na foto, colocada em um site de piadas americano, onde se via uma criança negra chorando ao lado do caixão em que jazia seu pai, soldado morto em batalha no Afeganistão. Abaixo da foto se lia a legenda: “Militares americanos mágicos: ficam 3 anos fora de casa e voltam transformados em uma bandeira”.

Pode-se dizer que é uma piada de mau gosto, ou inadequada. Cruel talvez, mas preferi levar a sério o tema. Respondi dizendo:

“Não é difícil descobrir o segredo desta magia. Basta parar de mandar pretos, pobres e latinos para matar outros pobres e periféricos em nome do “Exército Imperial”. Só no governo do democrata Obama foram SETE países destruídos pelos imperialistas. Centenas de milhares de mortos e mutilados, entre eles mulheres e crianças. Enquanto estes sujeitos forem tratados como heróis, e não como marionetes do Império para fazer os ricos ficarem ainda mais ricos, estaremos no caminho errado. E não esqueçam: antes de morrer este pai de família deixou órfãs várias crianças que agora choram também a falta do seu pai. Se é para lamentar pela tragédia e pela tristeza da cena, vamos chorar pela imagem completa, e não só por parte dela”.

Gancho merecido, não?

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Bruxas?

“Era uma vez, quando a Líbia (“Viemos, vimos, ele morreu”) oferecia ao mundo espetáculo imperialista humanitário sangrento estrelado pelas Três Hárpias Norte-americanas: Hillary Clinton, Samantha Power e Susan Rice, de fato quatro, caso se inclua a mentora e alma mater de Hillary, Madeleine Albright.” Crônica de Pepe Escobar no blog do Alok.

Pois vejam só… a grande ameaça para o resto do mundo com a possível vitória do senil Joe Biden se concentra em 4 mulheres poderosas, Senhoras da Guerra, frias comandantes do Imperialismo Americano mais abjeto e belicoso. Foram elas as responsáveis pela destruição de países inteiros no Oriente Médio, África e Ásia. E não há nada na figura de Kamala Harris – cria das poderosas Big Techs americanas – que nos dê esperança em um planeta mais fraterno e mais cooperativo. Em suma, mais “feminino”.

Não faz mal lembrar que a última guerra em que a América Latina esteve envolvida foi conduzida e liderada por uma mulher. Sim, Margareth Thatcher, além de ter jogado o mundo na espiral destrutiva do neoliberalismo, foi protagonista da última incursão bélica do primeiro mundo na parte de baixo do Equador.

Digo isso porque confio na tese de que “A Revolução será feminista ou não será”, mas com isso deixo claro que a simples entrada das mulheres na política não permite que esse modelo seja modificado. Uso para isso a minha experiência com o parto: a entrada das mulheres não deixou o parto mais feminino, mas deixou as obstetras mais masculinas. Eu canso de dizer que não existe nenhuma diferença moral ou intelectual entre homens e mulheres, brancos, negros, indígenas, amarelos e mistos, gays e héteros, e que estas diferenças são determinadas pelos sistemas e pelos contextos, jamais pela essência. Portanto, de nada adianta apostarmos nas aparências sem levarmos em conta o âmago – por vezes invisível – das lutas e anseios que habita aqueles corpos.

Conhecemos muito bem como a escolha por uma mulher apenas por seu gênero pode ser desastrosa. Mais salientes do que os dotes de sua biologia ou sua identidade sexual deverão estar seus compromissos com a equidade de gênero, o fim da violência contra as mulheres, o término da velada violência obstétrica, o rechaço ao punitivismo, ao racismo e ao sexismo de todas as formas, além de um compromisso com a construção de uma nova sociedade baseada na fraternidade e não mais na competição e na guerra.

Nossa experiência recente com Joice, Bia, Winter, Zambelli, Ana Amélia e tantas parlamentares ligadas aos valores conservadores nos prova que, mais do que ser mulher, é preciso levar a bandeira feminista da equidade e da paz.

Por mais bruxas e menos harpias.

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Conversa ao telefone

Meu pai, 90 anos, ao telefone hoje:

– Fui fazer um tratamento dentário que precisava fazer a tempo. Fiquei esperando pra ver se morria antes. Como não morri, resolvi fazer. Chato isso…

– Não se apresse, pai. Se precisar bote uma chapa novinha.

– Pois é. Ultimamente vejo filmes e leio coisas antigas. Não me sinto deprimido mas fiquei chorão vendo filmes e lendo os livros que vocês escreveram (eu e meu irmão Roger Jones)

– Leia coisa de qualidade, pai. Não perca suas energias com canastrões. Use os meus livros para ajeitar o pé da mesa da cozinha, que está desequilibrada.

– Estou falando sério, vocês escrevem bem. Quando você fala de parto é muito bom de ler e viajar por esse mundo desconhecido para um homem como eu. Só não leio mais porque tenho medo de ler alguma coisa que você escreveu sobre política. Meu filho, eu já te falei tantas vezes que…

– Pai, nós já falamos sobre isso.

– Sim eu sei, eu sei. Nao vamos entrar nessa seara. Tenho saudades da tua mãe. Penso em reencontrá-la. Não sinto tristeza, sinto curiosidade desse mundo que vou reencontrar.

– Quem sabe vou antes que você. Nunca se sabe.

– Tchau filho, fiquem em casa.

– Tchau pai, fique em paz

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Jean Wyllys e a Palestina

Eu gosto de algumas posições do Jean e muitas das causas que ele defende, apesar de ser critico de algumas outras. Por isso mesmo, por admirar sua coragem e apoiar algumas pautas (como a humanização do nascimento), eu fiquei profundamente decepcionado com sua ida à Palestina, através de um convite mequetrefe da Universidade para debater “diversidade”, caindo no alçapão do pinkwashing sionista. Enquanto estava lá, no “convescote racista” do qual participou, ele chegou a escrever alguns textos defendendo sua presença no seminário. As explicações eram eivadas do mais primário dos relativismos, ao estilo “os dois lados tem suas culpas”, “é preciso paz“, “o terrorismo precisa acabar“, “Israel tem o direito de existir“, “não aceitamos antissemitismo“, etc. Para terminar oferece a novidade de propor a “solução de dois Estados”, um judeu e outro árabe palestino.

Ora, qualquer um que se debruça sobre o tema sabe que a solução de dois Estados foi boicotada por Israel. O plano SEMPRE foi, desde 1948, a limpeza étnica e o genocídio. Hoje, com as invasões sistemáticas da linha verde, a solução de dois Estados é impossível, e só resta a solução de UMA Palestina – como nação multiétnica. Uma nação, vários povos. Como a Bélgica ou a Suíça, por exemplo, ou mesmo a África do Sul, que venceu o Apartheid. Jean é o representante da esquerda sionista no Brasil que precisa ser confrontada, que precisa parar de beber da propaganda de Israel e reconhecer os crimes à humanidade perpetrados contra a população Palestina nativa.

Entretanto, por Jean ser homossexual e negro, ele sabe muito bem o que é preconceito, racismo e exclusão. Tenho a esperança de que esta conversa com Lula seja mais um tijolo a edificar uma troca de postura diante da causa Palestina. As pessoas podem aprender com seus erros e rever suas posturas.

Espero que Jean tenha a sabedoria para apagar esta mácula em sua biografia.

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Consumismo

“Mas os pobres nada possuem e por isso já são treinados para evitar o consumismo”.

Infelizmente eles não são educados contra o consumismo!!! Em verdade, pobres consomem também, muitas vezes para além do que precisam, mesmo dentro das suas estreitas possibilidades. O consumismo não diferencia ricos e pobres, o CONSUMO sim!!!

O fato de alguém não consumir não significa que não seja consumista, da mesma forma que um sujeito não beber não significa que deixou de ser alcoolista. O desejo de consumir é uma marca de personalidade estimulada pela “sociedade de consumo”, que vincula felicidade, alegria, poder e sucesso pessoal com a capacidade de adquirir coisas. Na realidade, existem muitos pobres que são muito mais consumistas que alguns milionários.

Sempre é bom repetir a frase de Platão: “A pobreza não vem da diminuição das riquezas, mas da multiplicação dos desejos“. O desejo permeia o humano, inobstante serem ricos ou pobres. Quem é mais rico, eu ou Bill Gates? Não procure os valores da conta bancária, mas encontre para onde aponta o desejo, este motor do comportamento humano que faz qualquer valor significar muito ou todos os valores serem insuficientes.

A dor que sentimos vem dessa falta subjetiva, desse vazio, desse buraco que enchemos com coisas – como carros, casas, comida ou até gente coisificada.

Certamente que ricos e pobres se beneficiariam de uma cultura em que os objetos que nos cercam tivessem menos influência na nossa felicidade. Contentar-se com poucas coisas é um dos melhores caminhos para a harmonia e o equilíbrio.

Nossa esperança é que essa crise nos ensine os prazeres das maravilhosas coisas gratuitas, um café fumegante, uma tarde de sol, o encontro com amigos e até o sorriso desdentado de uma criança.

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Mãe Floresta

O mundo não verá nenhuma mudança significativa através da caridade interesseira dos bilionários, por aplicativos maravilhosos que facilitam a vida burguesa, pelas doações de 1% de sua bebida predileta para os pobres da África, pela eliminação de canudinhos ou banhos de chuveiro mais rápidos. Nenhuma das transformações superficiais de que somos estimulados a participar tem capacidade de produzir qualquer impacto real na vida deste planeta, mas cumpre a função de nos enganar de que algo está sendo feito, o que permite ao capitalismo continuar a exploração do planeta de forma predatória, destruidora e injusta.

O que poderá mudar nosso destino serão coisas antigas e fora de moda: política, leis, mobilização popular e a penalização da usura através da taxação das fortunas. Tudo isso da base para o topo, através da conscientização das massas para que deixem de ser manobradas pelas elites, as mesmas que hoje espoliam o planeta em nome da imobilidade das castas – da qual são beneficiárias.

Kabir Patel, “एक हेरानका दा मोए फ्लोरस्टा”(A Herança da Mãe Floresta), Ed. Aichologi, pag. 135

Kabir Padel é um escritor indiano nascido em Lucknow, em Uttar Pradesh na Índia em 1962. Cresceu entre a alta sociedade da casta brahmane porque seu pai era um industrial da área de tecidos e sua mãe uma artista plástica. Muito cedo foi morar na Inglaterra para estudar economia a pedido do seu pai, mas rapidamente se deu conta que seu caminho não era nas salas climatizadas das empresas do pai, ou comandando empregados nas fábricas de corantes. Seu percurso seria compreender as disparidades da sociedade onde cresceu, nos limites da Índia, quase na divisa com o Nepal. Sentiu a necessidade de investigar as estruturas que sustentam tamanhas diferenças, onde a opulência e o desperdício convivem com a escassez e a miséria. Abandonou os estudos de economia e entrou para a faculdade de Sociologia onde passou a estudar os elementos de organização popular, em especial os grupos de mães e mulheres que surgem espontaneamente nas comunidades indianas. Escreveu um livro baseado na sua tese de doutorado, “Matriarcado na Índia Rural”, que foi muito bem recebido pela crítica e abriu suas portas para o interesse de outras editoras. Em “A Herança da Mãe Terra” Kabir traça uma linha entre a pobreza extrema de algumas regiões da Índia e o modelo neoliberal que pauperiza milhões em nome da acumulação predatória de poucos, dentro de um contexto de destruição sistemática da natureza que ameaça a própria sustentabilidade de Gaia.

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