Arquivo da categoria: Pensamentos

Freud, sempre ele…

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A frase original é de Sigmund Freud é “O que João diz de Pedro fala mais de João do que de Pedro”.

Essa é uma técnica de análise que sempre achei válida. Nunca peça para alguém descrever a si mesmo, pois somos os piores avaliadores de nossas próprias almas. Todavia, ao descrevemos a outrem, deixamos escapar o que pensamos de nós mesmos, e estas imagens aparecem refletidas no espelho que o próximo nos oferece.

Assim, fuja daqueles que ostentam dedos acusatórios apontados contra tudo e todos; eles, na verdade, apontam para a própria sombra.

Sempre…

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Liberdade, liberdade

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A liberdade sexual das mulheres incomoda – e muito – no sexo e no parto. Incomoda porque TODA a estrutura patriarcal se assenta sobre a dominação e o controle da capacidade reprodutiva. Portanto, não se trata apenas de um sentimento subjetivo de posse sobre o corpo do outro (esse as mulheres também possuem) mas um sentimento cultural, esparso e arraigado de que o corpo da mulher precisa ser controlado para manter a ordem social. Por essa razão a liberdade sexual das mulheres nos incomoda a todos – homens e mulheres – porque desafia o paradigma atual que nos oferece alguma paz momentânea nesta zona de conforto patriarcal.

Quem assistiu o documentário sobre Amanda Knox no Netflix percebeu que, na perspectiva da opinião pública italiana, seu pior crime não foi ser suspeita de um crime bárbaro que vitimou uma menina brutalmente assassinada. Seu crime se tornou imperdoável quando descobriram seu diário na prisão. Nas páginas do diário ela assumia já ter se relacionado com 7 meninos durante toda sua vida de 20 anos. Isso fez a reviravolta da opinião pública. O roubo do diário, e estas revelações, criaram a ideia de uma puta, uma devassa que matou sua colega que se “negou a participar de uma orgia“. O crime de Amanda foi assumir publicamente sua liberdade sexual em uma comunidade conservadora e puritana.

A liberdade sexual de uma mulher abala as bases do patriarcado.

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Sorrisos

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Existem dificuldades inquestionáveis em toda a tentativa de modular nossa ação e nossa fala em função do outro. Como será recebida a mensagem? Por mais que a intenção seja clara em nossa mente a chegada aos olhos e ouvidos alheios dependerá do meio (palavras, gestos, entonação, local, circunstância, etc.) e do universo de signos que dão sentido a quem as escuta e vê.

Por isso mesmo, eu entendo o quanto deve ser difícil para uma mulher controlar o conta-gotas da simpatia para não errar o ponto e oferecer aos outros uma falsa sensação de abertura. Enganam-se, portanto, os que pensam que ao homem cabe o ônus da iniciativa. Não, ela é sempre feminina e, via de regra, não verbal. E é nesse gestual intrincado e sofisticado, elaborado em milhões de anos de aprimoramento, que um sorriso simpático dirigido a uma alma sequiosa de atenção e carinho pode ser confundido com um convite.

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Fetiches

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Fiquei pensando sobre os fetiches e me veio à mente a pergunta é: não temos um preconceito irracional sobre a expressão dos fetiches, desconsiderando sua natureza e aplicando sobre eles valores morais? Poderia um homem que expressa seus fetiches aparentemente bizarros – fazer sexo vestido de mulher, vestido de bebê ou caubói, em lugares exóticos, com múltiplas(os) parceiras(os), etc. – ser criticado, humilhado e censurado pelas sua “escolhas”, a forma como recobre de realidade suas fantasias?

A questão, entretanto é mais complexa. Os fetiches e as fantasias não são escolhas racionais e livres; são emanações do inconsciente e vinculadas aos estratos mais profundos do psiquismo humano. Nenhum sujeito escolhe racionalmente (apesar da expressão do desejo ser racional) ser espancado durante o sexo como forma de gozo, mas estas atitudes expressam significados muito profundos e da ordem do inconsciente.

Todavia, não seria o romantismo uma manifestação fetichista socialmente aceita e valorizada? Essa foi a ideia que algumas amigas mulheres me trouxeram e que eu achei muito interessantes. O romantismo de homens e mulheres é tão fetichista quanto uma orgia ou uma fantasia “bizarra”. O romantismo pode fazer diferença para o(s) parceiro(s), pois que são convidados a participar ou ser cúmplices dele; todavia ele é igual a qualquer outra fantasia para o sujeito que a produz.

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Desejos, Fantasias e Vibradores

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Sobre desejos, fantasias e vibradores…

A propósito de um debate sobre uso de vibradores por mulheres casadas – ou com parceiros fixos – eu lembrei de uma frase que ele tratava de algumas particularidades da sexualidade feminina: “o pênis é uma parte do corpo feminino que fica pendurada nos homens“. Mas, se a discussão é sobre a fantasia feminina e o prazer que dela se produz, o auto erotismo, a luxúria solitária, o que haveria a debater? Um homem pode até esconder um vibrador, mas pode amarrar os dedos, queimar o travesseiro, aplicar um torniquete nas fantasias? Não creio…

Mas se o debate for sobre a representatividade do falo no vibrador… bem, essa seria uma linda discussão.

Tenho a ideia de que a fantasia feminina é insuperável. Em “Eyes Wide Shut”, derradeiro filme de Stanley Kubrick (2001, uma Odisseia no Espaço) ele explora isso, baseado na obra Traumnovelle de Schnitzler. No filme a fantasia erótica de Alice (Nicole Kidman) aparece em todas as suas nuances, detalhes e riquezas. A descrição pormenorizada ao marido Bill do não-encontro com o capitão do navio deixou o protagonista, Dr Bill (Tom Cruise), absolutamente abalado. Não se tratava de um ciúme materializado por um ato de infidelidade; era a fantasia inalcançável, impossível de controlar ou proibir; era a riqueza do erotismo feminino, o espaço infinito no qual suas mãos jamais poderiam controlar ou alcançar, constituindo-se no fato que que mais lhe torturava. Esse relato sôfrego, é interrompido bruscamente pelo telefonema de uma cliente, e ali se inicia sua busca, uma aventura angustiante através de um percurso masculino.

O que ele encontrou foi um universo gélido, tétrico e insípido criado por mulheres nuas e sem rosto. Sobrava-lhes corpo, matéria; faltava a elas alma e desejo.

Quanto a estes fantasmas femininos, que os deixemos livres.

(essa foto é do momento em que Alice descreve suas fantasias ao marido, deixando-o atônito e em pânico)

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Antropologia do Nascimento

Homo erectus man. Model of a male Homo erectus, an early type of human. Homo erectus, or erect man, lived between roughly 1.8-0.3 million years ago and originated in Africa. They were the first humans to leave Africa, reaching Asia and possibly southern Europe. H. erectus had prominent brow ridges and a projecting face, and some specimens had brain volumes of over a litre. They stood upright, being a bit shorter than modern humans, but more heavily-built. They were nomadic hunters and gatherers. This model, from an exhibition by Nordstar, was photographed at the Naturkundemuseum in Stuttgart, Germany.

A tese sobre a inadequação evolutiva das cabeças fetais é do Michel Odent, mas não tem nada a ver com bebês grandes ou comorbidades, ou mesmo com mães diabéticas que engravidam. Ela tem o ver com os limites do crescimento encefálico e o fim da barreira que se criou ao longo dos milênios para obstaculizar seu aumento. É simples de entender. A gestação humana foi abreviada exatamente por causa do crescimento cerebral. Por isso a exterogestação e o crescimento fetal fora do útero. Essa “fetação” se tornou obrigatória pela pequenez pélvica (relativa) e a duplicação do volume craniano com o surgimento do gênero “homo”. Assim sendo, uma criança que tivesse cérebro maior teria que nascer antes da maturidade neurológica, sob pena de entalar e morrer. Isso criou a altricialidade – dependência extremada do outro – e a humanidade desejosa e sofredora como a conhecemos.

Todavia, se a “penalidade” (a desproporção e a morte) para cabeças maiores for retirada através do recurso cirúrgico – a cesariana – os genes ligados a esta característica podem passar às gerações seguintes e imprimir um novo padrão, tornando paulatinamente mais difícil, doloroso e até impossível o parto normal.

Os animais artificialmente construídos geneticamente como os buldogues ingleses já sofrem dessa desproporção, tornando a cesariana um recurso muito necessário. Este é um caso em que a troca genética não natural apressou o processo, mas que na espécie humana poderia ocorrer em um futuro não muito distante.

Isso não tem nada a ver com bebês gigantes por alimentação inadequada. Em uma população de veganos com IMC padrão, mas que usa cesariana como recurso salvador, isso também tenderia a ocorrer, mas não se trata de condenar a operação de extração fetal nesses casos, apenas uma ponderação sobre o destino sombrio e/ou incerto do parto humano.

A questão é que nós interrompemos o curso natural, o caminho da natureza. Sabe porque existe diabete tipo I no mundo? Por causa da insulina!!! Se não houvesse insulina a maioria dos diabéticos morreria ainda criança, antes de ser capaz de se reproduzir, e assim não passaria adiante seus genes. A insulinoterapia permite uma vida praticamente normal para estas pessoas e com isso são competentes para atingir a maturidade sexual e manter os genes da diabete no pool genético da humanidade.

Com a cesariana a mesma coisa. Imagine um feto que tenha genes para nascer mais tarde, uma gestação mais prolongada, e com isso desenvolver uma cabeça ainda maior. Se isso acontecesse há 100 anos morreria, mas agora sobrevive. Um cabeçudo nascido de uma gestação de 43 ou 44 semanas. Ele tem genes mutantes que deixam sua cabeça maior no útero, mas não é “penalizado” pelas leis de adaptação. Com isso poderá transmitir essa tendência aos seus descendentes, da mesma forma como o foi com a bipedalidade há 5 milhões de anos passados.

Mais uma vez, não se trata de condenar os recursos salvadores da medicina. Salvamos diabéticos de uma morte precoce e os fetos com desproporção ainda mais precocemente. Mas é importante saber o preço que pagamos. No diabete é bem claro, mas os “cabeçudos” podem ser o fim do parto como nós o conhecemos dentro de alguns milhares de anos.

Resta repetir a pergunta: o que será da humanidade quando nenhuma criança mais nascer do esforço de sua mãe?

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Juízo Final

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Creio que o dia do julgamento final de cada um deve ser marcado pelo assombro. De um lado a surpresa com as culpas injustas e inúteis que carregamos e de outro o susto diante do mal que causamos sem jamais termos consciência de nossa participação.

Eu penso muito no fato de que vou encontrar no dia do meu julgamento muitas pessoas que me odiaram durante a vida. Imagino que elas estarão lá, e esse encontro é tão duro e pesado quanto inevitável. Porém é possível que algumas delas sejam boas e caridosas o suficiente para terem me perdoado as falhas e erros. Talvez elas estejam lá para me receber de forma carinhosa e bondosa. Se acredito que algumas pessoas que me odeiam seriam recebidas carinhosamente por mim, por que o contrário não poderia ser possível?

Por outro lado, e essa é a parte que me apavora, é provável encontrar pessoas totalmente desconhecidas. Homens e mulheres que foram prejudicados por algo que deixei de fazer, palavras que eu não disse, sujeitos a quem eu ofendi sem me dar conta ou mulheres que se sentiram ofendidas pelas minhas palavras sem que eu nunca tenha tomado conhecimento de sua dor ou tristeza.

Esses encontros talvez sejam a maior surpresa que alguém pode enfrentar logo após partir. Se alguns deles podem ser um alívio às culpas carregadas durante toda uma vida, outros podem ser surpresas terríveis e difíceis de suportar.

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Mestre

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“Professor é aquele que diante do assombro da própria ignorância aceita o desafio de ensinar como único remédio.”

Um agradecimento especial àquelas que, sendo o evangelho que ilumina as mentes inquietas, oferecem a generosidade do seu saber como a maior lição.

Parabéns professores.

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Das Tripas

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Uma pessoa que passou meses a fio chamando o ex-presidente de “Mulla”, “Lulladrão”, “9 Dedos”, “molusco” e a ex presidente de “Dilmanta” NUNCA teve um neurônio sequer dedicado à análise racional dos fatos. É inegável que as pessoas que assim se referem aos políticos em seus posts são contaminados por emocionalismos, paixão, fervor religioso (já que o antipetismo se configura como uma religião) e um viés moralista (petralhas corruptos!!!!) inquestionáveis. Meus amigos que assim agem podem dizer o que bem entendem e fazer todas as criticas que quiserem ao PT; metade delas até eu vou concordar. A única coisa que não vão conseguir é NOS convencer que suas posições são “racionais e isentas”. Como dizia Max, “Tal foi a intensidade da escuridão a lhe encobrir a visão que sequer conseguiu enxergar a própria cegueira“.

Ahhh… e TUDO o que escrevo é emocional, é afetivo e vem das tripas. Nossa racionalidade não passa de um verniz, uma fachada intelectual que nos afasta dos medos encobrindo-os com o conhecimento. Entretanto, por mais que esse verniz brilhe ele não é capaz de cobrir por completo os medos e mitos e nos definem e regulam.

Portanto…. não tenham medo de assumir sua postura não-isenta. Não há necessidade de esconder (ilusão!!) seu ódio ao PT. Ele é muito mais digno e respeitável do que uma isenção dissimulada. Eu não tenho vergonha alguma de abandonar as posições “equidistantes”; no ativismo é preciso paixão e amor pelas causas.

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Tempo

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Vou repetir, à minha maneira, a frase que Sartre uma vez teria dito para uma aluna: “Sei traduzir, pelo olhar de vocês, o quanto me consideram velho. Consigo perceber pelos comentários, risos e expressões que um fosso de tempo se abre entre nós. Todavia, esta percepção só se dá de fora para dentro; não consigo sentir-me da forma como me olham, apesar de aceitá-la como verdadeira e justa.” Lembrei disso ao fazer essa foto. Eu sei que me chamam de velho, e meus não-cabelos não me permitem dúvidas. Entretanto sinto como se fosse na semana passada que eu mesmo estava passeando com meu filho pequeno me segurando pela mão. A marcha do tempo é cruel e inexorável, mas sem ela teríamos caos e estagnação.

“Necessidades nos dizem da natureza, os desejos da fantasia. As primeiras do corpo, as outras da alma. As necessidades finitas, já que biológicas, os desejos infinitos, posto que etéreos e insaciáveis.”

“Em tempos de insensibilidade e pragmatismo a gratidão é um farol brilhante a nos indicar o melhor caminho. Lembre de agradecer e elogiar. É grátis, é simples e lhe permite mudar o mundo ao seu redor.”

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