Arquivo da categoria: Pensamentos

Freud e Bolsonaro

Eu escutei uma fala do Breno Altman que serve para entender o bolsonarismo e a razão pela qual a evidência de corrupção em toda família Bolsonaro não parece abalar seu núcleo duro de apoiadores. Em sua fala Breno contava sobre uma convenção fascista na Itália de Mussolini. Em determinado momento, após falas violentas e inflamadas, um ativista se vira para outro e pergunta:

– Certo, eu entendi. Temos ódio aos políticos, à própria política e às instituições podres e corrompidas da Itália. Odiamos o sistema e queremos destruí-lo com todas as nossas forças. Sabemos que somente a morte desse modelo poderá produzir uma Itália livre e poderosa. Mas, e depois? Preciso saber qual é o nosso plano.

Seu colega, mais experiente e conhecedor do âmago da proposta fascista, responde:

– Você não entendeu, seu tolo? É o ódio. O ódio é o nosso plano.

Sem Freud não há como entender Bolsonaro…

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Dinheiro

Falso dilema. O dinheiro REALMENTE não compra a felicidade, mas dizer isso NÃO significa romantizar a pobreza, e tão somente reconhece que o dinheiro se relaciona aos desejos, os quais são infinitos por definição. Boa comida não é felicidade, apesar de nos propiciar momentos felizes. Pobreza é carência material no nível das “necessidades”, e para eliminá-la pouco dinheiro se faz necessário. A frase que mais bem sintetiza esse conflito vem de Sêneca: “A pobreza não surge pela carência dos recursos, mas pela profusão dos desejos”. Assim, quem muito deseja, muito sofre.

Para não se romantizar a pobreza acabamos seduzidos pelo seu antípoda e romantizamos o dinheiro, como se a riqueza material fosse capaz de dar conta da angústia essencial humana. O número gigantesco de milionários infelizes, adictos ou autocidas, cuja miséria humana se constata no vazio existencial que cultuam no seu mundo cercado de dinheiro e posses, mostra que a capacidade do dinheiro em produzir completude e felicidade é limitada – e talvez inexistente.

Já tive muito dinheiro e hoje tenho uma vida modesta. Não vejo nenhuma diferença de qualidade entre as vida que tive. Em ambas recordo os encontros e todas as coisas gratuitas que a vida me proporcionou. Tenho como ideia de que “todas as coisas na vida realmente valiosas são gratuitas”. O olhar do seu amor, o nascimento dos filhos e dos netos, as conversas com meu pai, o almoço com minha mãe, as brincadeiras com meus irmãos, as piadas, as histórias; todas lembranças feitas de encontro e convívio. Todo o resto, aquilo que pode ser comprado, não me traz nenhuma memória afetiva superior às coisas simples da vida.

Uma vez convidei um amigo para viajar à Europa comigo. Ele estava muito deprimido e declinou do convite. Diante da minha insistência respondeu: “Para quem está deprimido a beleza de Paris desaparece, seu encanto se esconde por detrás da tristeza e do amargor. De que valeria tanto brilho para uma alma incapaz de sentir sua luz?”

Uma pergunta sincera: vale a pena investir no enriquecimento e morrer de cirrose ou infarto aos 40 anos? Com a família destruída e os filhos se matando pela herança? Cheio de amores falsos e interesseiros? Vivendo de aparências? Colocando valor em coisas e objetos ao invés de afetos e relações? Sabendo que todos à sua volta valorizam o que você tem é não quem você é?

Bem… isso se chama romantizar o dinheiro, acreditando numa potencialidade falaciosa que lhe garantiria a compra de algo que – em verdade – não se pode comprar.

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Ludopédio e Saudosismo

“Contando com jogadores como Gabigol, Arrascaeta e David Luiz no elenco, o Flamengo divulgou balanço em 2021 que aponta que a folha salarial foi de R$ 199,1 milhões por ano, algo em torno de R$ 16,6 milhões por mês. Ou seja, sozinho, Neymar recebe por ano cerca de R$ 17 milhões a mais que todo o elenco flamenguista” (UOL, Julho de 2022)

A existência desse tipo de aberração, onde um único jogador ganha na Europa muito mais que todo o time mais caro da América Latina não é um problema do futebol, mas uma decorrência natural da sociedade bizarra construída pelo capitalismo. Não é o futebol, somos nós. Essa situação era mais do que previsível, na medida que o capitalismo fecha as portas para a realização pessoal do cidadão comum, restando a ele apenas a projeção. “Eu não tenho valor, mas meu time é campeão”.

Reza a lenda que pesquisadores adentraram na África bravia em meados do século passado e encontraram uma tribo nativa muito primitiva. Passaram a trocar experiências e presentes com o uso de um intérprete da região. Num dado momento um pesquisador ligou o rádio de ondas curtas e os aborígenes escutaram pela primeira vez a música captada de uma estação distante através das ondas de rádio. Perguntado sobre o que achava daquela “máquina de música” o chefe da tribo respondeu:

“Que vida triste a de vocês que precisam usar caixas cantantes ao invés de cantarem vocês mesmos”.

Nós não nos divertimos mais jogando futebol com a garotada (ou a velharada) do bairro como fazíamos antigamente, improvisando meias de mulher enroladas como bola. Não há mais “campinhos”, várzeas, terrenos baldios onde se possa jogar nosso sagrado ludopédio. Terceirizamos a emoção do gol para os ídolos, figuras geralmente desprovidas de qualquer qualidade além do talento futebolístico, alçados, entretanto, à condição de “gênios” ou “semideuses”. Triste sociedade que paga fortunas para que os escolhidos gozem por nós.

Quando eu era garoto os jogadores eram seres humanos. Frequentavam lugares comuns, como padarias, mercados ou cinemas. No edifício na esquina da Getúlio Vargas com a Botafogo (Menino Deus, bairro que Caetano cantou) moravam Carpegiani e Tovar – campeões nacionais pelo Inter – e o Opalão verde do Carpegiani dormia na rua; a gente passava por ele quando ia pra escola, o Infante Dom Henrique. Falcão (do Inter) dava carona escondido para o Iúra (do Grêmio) até o Estádio Olímpico; eram amigos pessoais, mais ferrenhos rivais em campo.

Uma vez eu encontrei no ônibus – o famoso T2 – altas horas da noite um zagueiro titular do Internacional conversando com um amigo. Nos Grenais a distância entre as torcidas era de 3 metros, separados por duas linhas de “brigadianos” e metade da arquibancada era oferecida para o adversário. Todos saiam juntos do estádio, e as brigas eram raras.

Mas, repito, é errado pensar que foi o futebol que mudou; o futebol nada mais é do que o espelho da sociedade onde está inserido. Foi a sociedade, o capitalismo e sua influência nefasta que transformaram esse esporte num negócio de milhões. O futebol, enquanto veículo da angústia social, transformou-se a partir das mudanças sociais, que nos fazem jogar a fragilidade de nossas vidas nas mãos (e principalmente nos pés) de nossos ídolos.

“Rollerball”, filme de 1975 com o falecido James Caan, fala dessa realidade distópica, numa sociedade futurista onde os jogadores são gladiadores modernos que morrem em nome do circo midiático. Todavia, é preciso reconhecer que não existirá nenhuma mudança no futebol sem que haja uma transformação profunda na sociedade. Até lá veremos jogadores medíocres e suas fortunas, gastando seu dinheiro em baladas milionárias, cercados de garotas de capa de revista, usufruindo dos milhões que são pagos pela nossa neurose.

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Blindagem

“No momento em que você declara que um conjunto de ideias será imune à crítica, sátira, escárnio ou desprezo, a liberdade de pensamento torna-se impossível”.

Eu sempre lamento quando vejo pessoas fazendo declarações públicas cujo principal objetivo é agradar sua plateia – grande ou pequena – ao invés de representar a manifestação clara e honesta de seu pensamento. Também me entristece a censura, em especial a mais dolorida de todas: a “autocensura”, aquela que sequer é regulamentada por lei, mas controlada pelas patrulhas ideológicas e pela crueldade dos cancelamentos. No passado este comportamento foi chamado de “cinismo”, uma atitude canina e covarde, mas hoje recebe o nome de “lacração”, algo que o mundo começa a entender como uma ação falsa, injustificável e deplorável.

Não existe nenhum assunto para o qual se possa estabelecer blindagem à crítica, ao deboche, ao desprezo, sob pena de transformar essa questão em um dogma inamovível, que cristaliza o progresso do pensamento. Quem acredita que este tipo de ação protege as minorias – tratando-as como crianças e deficientes – está profundamente equivocado, pois estará produzindo, em verdade, um poderoso elemento para a manutenção do arbítrio e do preconceito contra os grupos que aparentemente pretendia proteger.

O “politicamente correto”, uma tragédia para a liberdade do pensamento, deverá ser enterrado e lembrado para a posteridade como um erro compartilhado por ingênuos e oportunistas, mas que produziu um estrago imenso na cultura e nas relações humanas.

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Dia dos Pais

Pela primeira vez em anos minha página do Facebook não foi inundada por agressões aos pais na passagem do seu dia. Minha fantasia – pouco provável – é de que as pessoas finalmente descobriram que em cada ano existem 364 dias para criticar a pequena porcentagem daqueles que não entenderam a paternidade como um dos elementos mais importantes na estrutura psíquica dos filhos, e apenas um único dia para homenagear e reconhecer a importância do pai na vida de qualquer sujeito.

Talvez a triste realidade seja apenas que estas pessoas há muito não frequentam meu Facebook e não convivem na pequena bola em que estou inserido. Atacar a paternidade – e também a maternidade – é ferir a todos nós que nos tornamos pais ou que somos filhos de alguém. Eu ainda prefiro acreditar que estamos deixando de ofender as figuras paternas porque aos poucos estamos percebendo que não é justo que todos paguem pelas experiências ruins de uma pequena minoria.

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O Homem de Mil e Uma Faces

Após a morte de Jô Soares acontecida em 5 de agosto de 2022, muitas pessoas lembraram de outro gênio do humor brasileiro que nos deixou há uma década. O “homem de mil e uma faces”, o cearense Chico Anysio, coloriu minha infância com a multiplicidade de personagens hilários. Dono de um humor refinado, sutil e essencialmente brasileiro, suas caracterizações eram plenas de sofisticação e genialidade.

Não acredito estar exagerando ao dizer que nenhum artista brasileiro teve tanto ecletismo, tanta veemência e tanta diversidade. Músico, poeta, ator, comediante, humorista, roteirista, escritor e criador obstinado. Era dono de uma voz possante e de um olhar penetrante. Saltava em uma fração de segundos da doçura de uma mulher para a mais grosseira caracterização de um machão. Transitava da seriedade à mais escrachada palhaçada sempre com refino técnico e apurada capacidade de apreensão dos costumes. Mais do que fazer rir, nos fazia pensar com seu humor.

Seus inúmeros e eternos personagens farão parte do acervo artístico desse país. Perdemos o homem, muito precocemente para os padrões atuais, mas a sua obra se manterá viva na cabeça de milhões de crianças sexagenárias como eu, que cresceram dando gargalhadas intermináveis da fina ironia deste que foi o maior artista brasileiro do século XX.

Chico Anysio está no panteão dos maiores e mais inteligentes artistas brasileiros. Desde sua morte está encarregado de fazer os anjos sorrirem e aplacar com tuas piadas e histórias a ira dos Deuses. Sua imagem multifacetada ficará para sempre presente nessa cabeça de menino que me nego a abandonar.

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Adeus Eugênio Soares

É curioso que quase todo mundo lamenta a perda do Jô Soares e fala das suas entrevistas, mas na minha cabeça eu lembro de forma muito viva da Família Trapo (um brincadeira com a família Von Trapp, da Noviça Rebelde) na antiga TV Record (antes de ser um antro de pilantras como agora), com Ronald Golias; Renata Fronzi; Otello Zeloni; Ricardo Corte Real; a (agora) vereadora Cidinha Campos, Ronald Golias (Carlo Bronco Dinossauro) e o gordinho desengonçado Jô Soares. (vide abaixo)

Também recordo vivamente dos seus múltiplos personagens, os quais apresentava em seus programas de humor, como Planeta dos Homens, Satiricom, Faça Humor não faça Guerra, Viva o Gordo etc, maravilhosos, cada um deles uma aula de psicologia, comportamento, política e sociologia. E tudo isso durante a ditadura, onde o talento tinha que ser contido e cuidadoso, basta lembrar o nome do seu show de stand-up: “Viva o Gordo e Abaixo o Regime!!”.

Queria ressaltar apenas os meus personagens prediletos: Capitão Gay (identiraries hoje cancelariam), Múcio, Gardelón, Alvarenga, Bô Francineide, Padre Cosme, Padre Carmelo, Zé da Galera e tantos outros. Penso naquele humor da ditadura e percebo que era muito mais livre – e engraçado – do que este controlado pela geração woke.

A única mácula foi o programa reacionário com a nata do jornalismo golpista da Globo chamado de “As Meninas do Jô”, de triste memória, mostrando que o atraso e o fascismo estavam entranhados há muito tempo na emissora onde trabalhava.

Os meus heróis do humor da juventude já se foram: Golias, Chico Anysio e Jô Soares. Sobra a esperança de que eu possa desfrutar do talento deles depois que eu me for também.

A pergunta que me fizeram hoje foi: Jô ou Chico Anysio? Minha resposta foi que Chico era superior como humorista e ator, enquanto Jô foi o melhor enquanto artista e personalidade pública. Mas… vamos combinar que estas comparações acabam desmerecendo sem necessidade. Ambos são, para, mim as melhores lembranças de humor da minha infância. A dobradinha Jô Soares-Max Nunes está no mesmo nível de Chico Anysio-Arnaud Rodrigues. Aliás, acho que está acima. O humor de personagens no Brasil teve nessas duplas o seu ápice.

Lembrei uma característica engraçada do meu pai. Ele era um sujeito sério e intelectual, reservado e sofisticado; um verdadeiro lorde inglês. Um domingo cheguei para almoçar e escutei gargalhadas vindo de um quarto da casa dele. Quando cheguei na sala de TV o vi se dobrando de rir com uma piada dos Trapalhões. Imediatamente o “repreendi” confessando minha surpresa por vê-lo dar risadas das trapalhadas circenses de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Ele deu de ombros e continuou rindo…

Pode ser uma imagem de 16 pessoas e texto

PS: a respeito do Chico Anysio, eu lembro da manifestação do meu pai quando estreou o programa “Chico City”, onde ele circulava com enorme talento entre inúmeros e diversificados personagens. Ele me confessou, muitos anos depois, que não percebeu que era o Chico em todas aquelas figuras e só descobriu porque foi avisado no dia seguinte pelos colegas de trabalho. (veja aqui outro texto que escrevi sobre Chico Anysio)

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Polícia

Meu amigo Max ligou hoje como faz regularmente de vez em quando, ou mais provavelmente quando lhe dá na telha. Parecia agitado, como quem acordou e teve um sonho muito louco. No meio da conversa ele me disse que teve uma visão, e que precisava me contar.

– Diga…
Max pigarreou e começou a me contar sobre seu devaneio.
– Cara, é o seguinte. Imagine que as polícias de uma hora para outra acabassem. Escolha o método: epidemia, terremoto, desistência, demissão, ataque externo, ETs etc. Não importa a forma do desaparecimento para minha ideia; elas apenas desapareceram. O que ocorreria?
– Caos…
– Ok, eu concordo. Seria caótico. Saques em supermercados, ataques a concessionárias de carros. Roubo de postos e estoque de gasolina. Mais ou menos como na distopia de “Ensaio sobre a cegueira”. Mas e depois? Conte como seria o “day after” dessa catástrofe.
– Bem, as pessoas teriam que se proteger de alguma forma contra aqueles que tentam roubar o que é seu. Sua casa, seu carro, sua loja, sua comida.
– Sim, mas as pessoas não fariam isso sozinhas, certo? Logo depois eles pediram ajuda do companheiro, da esposa, dos filhos, dos amigos, dos parentes; depois dos vizinhos da rua do bairro, etc. Todos juntos com tacos de beisebol, armas, facas, defendendo as suas coisas. Barbárie explícita, ao estilo “Walking Dead”.
– Exato…
– Mas lá pelas tantas grupos maiores iriam se organizar, não apenas para guardar suas coisas, mas pela via da força pegar e garantir a propriedade de tudo que fosse possível pegar. Pura sobrevivência.
– Sim, pode ser…
– As cidades então seriam divididas em grandes grupos de milícias, que garantiriam a posse para seus líderes. Estes controlariam as propriedades saqueadas da cidade, tornada sem lei, pois que a força e a organização das milícias seria a única regra neste mundo distópico.
– Sim, parece plausível.
– Mas imagine que, eventualmente, alguém tem a ideia de unificar as milícias para que o saque seja repartido entre os líderes, com menos disputas e mortes, mas mantendo a garantia da posse do saque para o grupo de líderes. As propriedades saqueadas estariam na mão dos líderes que mais bem se organizaram no caos e as milícias unificadas seriam a proteção do que foi recolhido de todos durante o período de rapina.
– Sim, como um cartel de milicianos controlando tudo sob o mando dos líderes.
– Exato…
– E daí?
– Sabe como seria o nome dado a estas milícias?
– Hummm, não sei… qualquer um…
– Ora, como se chamaria a instituição criada para evitar que as grandes massas reclamem o que é seu e para proteger as posses saqueadas pelos líderes que as tiraram o povo?
– Bem, você quer dizer que…
– ……
– Max, você está aí? Alô?

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Comércio dos corpos

Algumas mulheres (por certo que uma minoria) não tem ideia do quanto estas generalizações ao estilo “os homens só querem nosso corpo” são infantis, mas não só isso; elas criam barreiras desnecessárias para o enfrentamento das causas básicas dos sofrimentos evitáveis, como a real exploração dos corpos pelo capitalismo. A moda agora é dizer que “homem tem mesmo que pagar o jantar”, pois o objetivo deles é ter acesso ao corpo das mulheres sem nenhuma contrapartida. Que paguem!!! Ou seja: vamos escancarar que é comércio mesmo.

Primeiro de tudo: qual o erro ou a imoralidade em desejar estes corpos – oferecendo-se em contraponto? Por que diabos tais movimentos identitários ressuscitaram vozes puritanas fortuitamente soterradas pelo tempo? A quem serve este tipo de posição belicosa que acredita que os movimentos de aproximação dos homens são sempre mal intencionados e o das mulheres eternamente dóceis e puros?

Ao apostar nesse sexismo, criando a fantasia de que os homens são eternos e irrecuperáveis aproveitadores e opressores, enquanto as mulheres são essencialmente dadivosas, nobres e oprimidas, criamos generalizações injustas que desembocam em uma falsa dicotomia moral dos gêneros, que só gera sentimentos negativos. Tanta energia seria muito mais bem utilizada no combate ao capitalismo, que explora a todos sem preconceito de raça, credo ou gênero. Se há algo positivo no capitalismo é de que ele destrói em nome do capital e seu acúmulo, não se importando a cor ou a crenças de suas vítimas.

Combater sexismo com mais sexismo é a mais abissal das tolices. E sim, é fácil me cancelar, difícil é cancelar esta realidade.

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The Jetsons

Seja bem-vindo, George Jetson!

George J. Jetson (nascido em 31 de julho de 2022) é um personagem fictício e pai da família Jetson, com 40 anos de idade e que vive no ano de 2062. Ele é o marido de Jane Jetson e pai de dois filhos: a filha adolescente Judy e o filho em idade escolar Elroy. Além disso a família possui uma empregada doméstica robô chamada Rose e um cão que se chama Astro.”

George Jetson tinha 40 anos e já era pai de uma filha adolescente. Aqui está uma coisa que os criadores da série não imaginavam: a queda na idade de início da paternidade. Nos dias de hoje um sujeito como ele teria uma criança de colo nos braços. Quantas pessoas de classe média vocês conhecem que tiveram filhos na terceira década de vida, dos 20 aos 30 anos – além de mim? Quais as repercussões que as sociedades experimentaram a partir dessa mudança radical na época de iniciar a vida reprodutiva, alargando em mais de uma década a adolescência?

Uma delas é evidente: a diminuição da relevância dos avós na cultura contemporânea, que deixaram de ser figuras presentes na vida e na educação dos netos para passarem a ser fotos nos álbuns de família e histórias contadas pelos filhos aos netos. As pessoas nos dias de hoje entram na “avozidade” depois dos 70 anos, na oitava década de vida. Com uma expectativa de vida que gira em torno dos 80 anos no ocidente criamos uma civilização cujos avós não conseguem acompanhar a adolescência dos netos, o que é uma perda brutal para ambos.

Sim, é verdade, eu não tenho nenhuma resposta a este dilema e também sequer sou capaz de oferecer uma proposta, mas acho necessário perceber o quanto nossa vida humana se afasta paulatinamente das regras do paleolítico superior, criando uma desajuste entre o que somos e a estrutura psíquica e física para a qual fomos criados.

De qualquer maneira, salve George!! Um dos primeiros heróis da TV (junto com Fred Flintstone, seu antípoda do tempo das cavernas) que mostrava uma típica família americana com a conformação clássica das séries que estariam por vir (Simpsons, Family Guy, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, A Familia Adams, A Família Dinossauro, etc.) onde os homens são atrapalhados, confusos, feios e tolos, e as mulheres são sempre bonitas, sensatas, espertas e ponderadas.

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