O cisco no olho alheio…

Yuval Noah Harari, escritor israelense bastante popular, escreveu uma matéria ao Guardian onde afirma que “Putin já perdeu a guerra”. Seus argumentos parecem ter sido copiados das redes de TV americanas, mas chama atenção que um israelense seja porta voz deste tipo de raciocínio, que acusa a Rússia pela beligerância.

Não dá para dar ouvidos para um israelense que escreve sobre guerra, invasão de países e destruição de populações. Ora senhor Yuval, olhe a destruição que vocês promovem na Palestina com a invasão europeia e branca realizada na região desde o Nakba, em 1947. São VOCÊS que consideram a Palestina um “não-país” e os palestinos um “não-povo”. Olhe para a destruição da população que vocês oprimem, do qual o senhor é beneficiário, antes de acusar falsamente a Rússia.

Quando esse sujeito diz: “He may win all the battles but lose the war. Putin’s dream of rebuilding the Russian empire has always rested on the lie that Ukraine isn’t a real nation, that Ukrainians aren’t a real people, and that the inhabitants of Kyiv, Kharkiv and Lviv yearn for Moscow’s rule” (Ele pode vencer todas as batalhas, mas perderá a guerra. O sonho de Putin de reconstruir o império russo sempre se baseou na mentira de que a Ucrânia não é uma nação real, que os ucranianos não são um povo real e que os habitantes de Kyiv, Kharkiv e Lviv anseiam pelo governo de Moscou) ele está apenas mentindo. Uma farsa, uma narrativa claramente controlada pelo imperialismo.

A Rússia não declarou guerra à Ucrânia mesmo quando a população de origem russa estava sendo massacrada pelos nazistas que detém o poder neste país – estima-se mais de 14 mil mortos no Dombass desde 2014 (muito mais do que esta guerra aberta provocou até agora). Não declarou guerra nem quando sindicalistas e comunistas – russos étnicos – foram queimados vivos dentro do sindicato em Odessa por forças de extrema direita de inspiração nazista.

A guerra veio pela insistência dos nazistas ucranianos em apontar armas atômicas para Moscou através das promessas explícitas de Zelensky de fazer isso ao aderir à OTAN. Uma bomba dessas em Kiev atinge Moscou em 4 minutos.

NA MÃO DE NAZISTAS!!!!

A Ucrânia INICIOU A GUERRA em 2014 quando realizou um golpe de estado financiado pelos Estados Unidos – em mais uma revolta colorida – e colocou no governo um fantoche dos interesses do Império. A Rússia está se defendendo, e vai se defender até a morte. Está no DNA russo, um povo que foi invadido por Napoleão, depois pelos 10 exércitos estrangeiros (inclusive americano) que deram apoio aos mencheviques na luta contra os revolucionários bolcheviques na guerra civil e depois ainda por Hitler na II Guerra Mundial. Todos foram rechaçados, com custos altíssimos em vidas humanas. Não serão os nazistas mais uma vez que vencerão a Rússia.

Antes de decretar a derrota russa lembre que esta guerra é para a defesa russa. Sua ideia de que Putin deseja ressuscitar a “União Soviética” é pura narrativa fantasiosa para justificar os ataques à Rússia.

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Máscaras

Aliás, um dos efeitos colaterais dessa guerra na Ucrânia foi fazer caírem as máscaras de “progressistas” da esquerda americana, como Bernie Sanders. Quando se trata de proteger o Império todos tocam a mesma música. Internamente pode haver diferenças entre os “burros e os ursos”, mas para quem olha de fora são todos idênticos na proteção de seus privilégios, na defesa do “excepcionalismo americano” e na manutenção do Império.

Assim funciona nossa indignação seletiva. Somos obrigados a levantar quando um nazista se senta à mesa, mas nem um pigarro para quem solta bombas no Yemen, na Somália ou na Palestina, ou para as sanções assassinas no Afeganistão, Cuba ou Venezuela. E agora no Brasil você pode ser nazista, agir como nazista é até dormir com a foto do Führer debaixo do travesseiro. Só não pode falar ou admitir sua existência, e não pode criar um partido com esse nome. O mesmo tipo de hipocrisia que havia com os gays na minha infância.

As vezes eu fico tentando me colocar no lugar de um sírio, palestino, iraquiano ou iemenita escutando as pessoas chorando pelos ucranianos e pedindo o fim da guerra. “Oh, meu Deus, essa guerra precisa acabar!!!”. Sério? Agora? E porque só essa?

Quero ver gente colocando bandeirinhas da Somália no perfil em solidariedade. Nahh, branco matando preto ninguém reclama. Nunca o nosso racismo eurocêntrico ficou tão evidenciado.

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Representatividade

Quem é o sujeito de boné nessa reunião??? Não há um “dress code” para este tipo de encontro?

Na foto que mostra a reunião entre os representantes de Ucrânia e Rússia houve reclamações de grupos identitários de que não havia nenhuma mulher presente. A ideia é que as guerras são eventos “masculinistas” (palavra cuja definição eu desconheço) e que se houvesse mulheres a tomar as rédeas destas negociações “o resultado seria rápido, eficiente, haveria canapés deliciosos e ainda colocariam os homens para lavar a louça” (estes foram os comentários das mulheres, claro, com humor).

Há poucas horas tomei conhecimento do texto publicado na Revista Carta Capital de uma feminista chamada Esther Solano em que ela colocava a culpa da guerra não nos intrincados labirintos geopolíticos e estratégicos que se referem ao nacionalismo, fronteiras, espaços de poder, democracia, auto determinação dos povos, mas simplesmente porque esta é uma ação humana comandada por homens, e colocava a culpa desse tipo de desastre civilizatório no famigerado “homem branco de esquerda” – o “esquerdomacho”.

Não pretendo me deter no texto, que pode ser lido aqui, mas ele me parece um libelo anti masculino, uma brutal essencialização do homem como o ser que incorpora todo o mal do mundo, sendo analisado por uma mulher que não entende as razões de uma guerra e que acredita piamente que a condução de tais questões – estivessem elas nas mãos de mulheres – seria absolutamente diferente. “Mulheres jamais declarariam guerras”, pode ser a tradução de sua perspectiva.

Pois eu aconselho cuidado com a romantização e a essencialização. “As mulheres não…” geralmente é um péssimo início de frase; “os homens sempre…” também. Usando um pouco de imaginação, digam aqui como seria a delegação brasileira nessa mesa de negociações na Ucrânia objetivando acabar com a guerra? Certamente seriam enviadas as mulheres destacadas no surgimento do governo atual: Sara Winter, Joice Hasselman, Bia Kicis, Carla Zambelli… acham mesmo que fariam diferença? Seriam elas embaixadoras da paz?

A última guerra em que se meteu a América do Sul foi contra uma …. mulher, a Dama de Ferro, que sempre se mostrou tão fura e cruel quanto qualquer homem. E Hillary Clinton? Enquanto esteve à frente da Chancelaria americana 7 países foram invadidos e bombardeados. Milhares de mães no Oriente Médio foram calcinadas com seus filhos ao colo por ordem dessa mulher. E se Kamala assumir o cargo de Joe Biden, será diferente? Sim, por certo teríamos invasões e mortes no mundo inteiro, mas com um toque feminino. Entre 2010 e 2014 ela foi Procuradora-geral do Estado da Califórnia, função na qual liderou o órgão responsável por colocar centenas de negros na prisão através do doutrina da “lei e ordem”. Ou seja, uma punitivista.

Muitos enxergam diferença nos sexos que eu sou incapaz de encontrar. Mulheres são covardes e brutais…. tanto quanto homens. São geniais e nobres, tanto quanto eles. Estes podem ser tão maternais e amáveis como qualquer mulher, enquanto essa podem fazer prodígios de engenharia e ciência como qualquer varão. Falar de “essência” feminina e masculina é muito arriscado, pois estamos imersos em um oceano de patriarcado que deixa a visão inexoravelmente enevoada.

“Ahhh, mas e a representatividade?” Pois eu digo que ela é vazia se não for conectada a um propósito firme e profundo. Não nego sua relevância, mas me recuso a aceitar que a simples diversidade é a resposta para o governança ou mesmo para a solução de uma guerra. Sei o quanto ela é importante, mas veja como um parlamentar transexual famoso se São Paulo em nada melhorou a vida das pessoas desse segmento, assim como o reacionário negro e gay do MBL chegou a piorar a vida de pessoas desta cor e dessa orientação sexual na sua cidade.

Homens não querem a paz… mas tampouco as mulheres a desejam; somos seres de conflito. A ideia de que as mulheres são mais pacíficas é ridícula. Este preconceito tem tanto valor quanto dizer que “os homens são mais inteligentes porque tem mais prêmios Nobel”. Ora, ambos os casos – o pacifismo feminino e os prêmios masculinos – são resultado do patriarcado. Ofereça poder para uma mulher – Cleópatra, Messalina, Merkel, Dilma, Thatcher, Golda Meyr, Bachelet, Indira, Cristina Kirchner e tantas outras e elas vão se comportar como qualquer outro humano carregado de poder, sofrendo as pressões que este poder determina. Aliás, coloque um bisturi na mão de uma mulher obstetra e verá a mesma violência que se observa entre os homens. Por que a entrada nas mulheres na obstetrícia não diminuiu os casos de violência obstétrica? Exatamente porque mulheres, nestas posições, se comportam como a sua função determina. Seu gênero muito pouco, ou quase nada, poderá influenciar.

Coloque homens a a maternar e cuidar e em muito pouco tempo serão tão bons cuidadores quanto as mulheres; o mesmo se puser um rifle nas mãos de uma mocinha, como Liudmila Pavlichenko, a matadora de nazistas. Coloque mulheres em qualquer posição outrora ocupada exclusivamente pelos homens e rapidamente elas os alcançam.

A falta de mulheres nesta mesa é resultado do patriarcado, mas quando Argentinos e Ingleses sentaram nas mesmas condições para discutir a paz na Guerra das Malvinas o resultado não foi amoroso e maternal para os perdedores, mesmo tendo uma mulher poderosa a comandar a cena.

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Feito em casa

Temas instigantes…

“Muitas pessoas entendem a opção pelo parto domiciliar em analogia com o ensino doméstico, já que ambos desinstitucionalizam estes processos, oferecendo liberdade para que a família possa afirmar seus valores, tanto no nascimento quanto na educação. Eu acho que se trata de um equívoco, já que são coisas bem distintas. Um parto é mesmo um evento da família, e pode ser realizado em casa obedecendo-se critérios conhecidos de segurança. Já a educação tem outros valores e sua institucionalização tem um sentido oposto, e serve exatamente para retirar a criança do círculo doméstico, socializando-a e servindo de reforço à formação sua identidade e independência. A função da escola é resgatar a criança de um mundo aconchegante – mas que também pode ser dramático e ameaçador – e apresentá-la ao mundo”

Maximilian Trebreh, comunicação pessoal, abril 1986

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Ilusões

Sempre imagino que a mesma ilusão que alimenta a ideia de uma cura para a neurose é a que hoje percebo que não se trata de curar desvios de processos adoecidos e disfuncionais, erros acumulados pelo caminhos ou traumas estruturantes, mas a tentativa ilusória de subverter a essência neurótica humana ou a perversidade inerente ao sistema capitalista. Para transformar a essência dessas estruturas só através do seu extermínio – pela morte e com o fim do capitalismo.

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Imperialismo e Guerra na Ucrânia

Existem algumas opiniões dobre os conflitos na Ucrânia que trazem a ideia de que a Rússia estaria “agindo de forma imperialista”. Sério? Pergunto: de onde tiraram essa ideia??? Veja da seguinte maneira: o seu vizinho faz acordo com um inimigo histórico para instalação de ogivas nucleares cujos mísseis poderiam atingir Moscou em 4 minutos. Deveria a Rússia cruzar os braços e acatar uma decisão que ameaça de morte o país? Ogivas apontadas para Moscou em solo historicamente Russo? E acham mesmo que a Rússia deveria aceitar isso?

Quem não lembra da crise dos mísseis em Cuba? Lembram que Cuba ia apontar ogivas nucleares russas para o território dos Estados Unidos??? Por que os americanos impediram? Por que isso parecia – e continua parecendo – inadmissível, mas em solo ucraniano seria legítimo?

E, por favor, não entrem nessa de desmerecer o Putin. Isso é infantilidade política. Putin é um fascista, anticomunista e tem poderes ditatoriais, mas seu pleito é JUSTO, inatacável – inclusive pelo direito internacional pela assinatura dos acordos de 1997, que estão sendo repetidamente desrespeitados pela OTAN. Até mesmo a comunidade internacional está apoiando Putin na luta contra o imperialismo genocida.

Hoje um correspondente brasileiro na Alemanha disse que não há como apoiar Putin porque ele é (adivinhem) contra os gays. Meu Deus, o que fizemos de errado no mundo para produzir estes pensamentos identitários tão infantis? É a mesma turma que condena a expulsão (vexatória) dos americanos do Afeganistão porque o Talibã seria “machista”. Agora as sanções americanas ao Afeganistão estão matando essas mesmas meninas de fome, mas importante mesmo era o seu direito de frequentarem a escola. Credo… crianças mortas indo ao colégio. Quando as bombas americanas matavam seus pais e irmãos não havia problema, desde que chegasse aqui a notícia que elas podiam assistir as aulas.

Sim, o Putin é um fascista grosseirão, mas com um pleito justo. Alguém acha que, por causa dos modos e do temperamento de Putin, deveríamos apoiar um comediante fascista e um governo fruto de um golpe nazista como neste da Ucrânia? Você apoiariam um governo em que ministros são declaradamente nazistas? É possível apoiar um país abertamente nazificado?

Entenda: se os Estados Unidos atacassem o Brasil prometendo o paraíso identitário eu estaria do lado até de Bolsonaro defendendo a soberania nacional. Não existe NADA PIOR do que a escravidão de um povo. Nada é mais humilhante e destrutivo do que a invasão de um país.

Todo e qualquer apoio à Ucrânia nazista é apoio ao imperialismo americano. Todo o direito internacional dá razão à Rússia, e até a oposição, como o partido comunista da federação russa, está apoiando Putin. O pais está unido no esforço de defesa contra a OTAN e suas ameaças. A GUERRA é responsabilidade do estúpido do Biden, que insiste em aceitar a Ucrânia como parte da OTAN, ameaçando a própria existência da Rússia.

Não esqueçam… a Ucrânia é russa!!! Sua história e duas origens se confundem com a própria história da Rússia Imperial. O Império russo nasceu em Kiev. Agora Putin está protegendo as novas repúblicas que se separaram da Ucrânia dos ataques do “presidente comédia” da Ucrânia. Leiam o que disse Kissinger, Carter e Madeleine Albright sobre o tema. Não há defesa para mais essa aventura estúpida dos americanos agora associados aos nazistas ucranianos.

E a Rússia não é e nunca foi imperialista. Digam um pais europeu onde há bases mitares russas. Não lembram? Pois dos Estados Unidos há mais de 700 bases espalhadas por todo o continente. A OTAN é uma farsa e sequer deveria existir; nada mais é do que uma representante dos interesses americanos. Uma guerra contra a Rússia é uma guerra perdida e um genocídio sem igual no planeta.

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Moral de Cuecas

Está rolando na internet um texto em que o comediante Sacha Baron-Cohen utiliza a velha lógica liberal ao dizer que “as más ideias e as grandes tragédias (ele cita, claro, o holocausto) não acontecem apenas porque as pessoas são más, mas porque são apáticas”.

Pois eu acho muito interessante ver um sionistainveterado como o Sacha Baron-Cohen pagando de “humanitário” enquanto o governo e o sistema de Apartheid que ele tanto preza em “so called” Israel já m*tou 2 milhões de civis Palestinos desde a implantação do Nakba em 1947. Para ele o holocausto é uma memória ruim, mas para os milhões de Palestinos que sofrem há mais de 70 anos com a ocupação a violência contra seu povo é algo que ocorre ainda hoje. Para o holocausto nazista seriedade e respeito, para o massacre palestino cotidiano e atual piadas, mentiras, dissimulação e acobertamento.

O que esses liberais querem é acabar com a marca “Nazi” para poderem exercer estas mesmas “filosofias de extermínio do outro” através de outros nomes. Por certo que a lacrosfera brasileira aplaude esse humanismo de fachada, criticando a liberdade de organização e expressão, imaginando que fechar um puteiro exterminaria a prostituição. Entretanto, fecha os olhos para os massacres e violências contra os pobres e negros desse país.

Aliás…. nós, os comunas, levamos a sério seu conselho de combater a indiferença: não nos tornamos apáticos diante da barbárie que o sionismo implanta com uma mão enquanto seca as lágrimas do holocausto com a outra. Quem quer que o nazismo verdadeiramente desapareça deve lutar contra sua implantação REAL, e não apenas contra a exaltação patética e cafona de seus nomes e símbolos.

Veja aqui como ele trata os palestinos…

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Palmadas

Os esforços da corporação médica por subverter palavras e esconder as ações que elas descrevem – no ataque sistemático que fazem ao uso do termo “violência obstétrica” – são produzidos por duas vertentes majoritárias: a dos ignorantes e a dos cínicos.

Permitam-me uma analogia simples: eu acredito que muitos bateram em seus filhos na infância por pura ignorância, por acreditarem que a violência poderia produzir neles os limites necessarios à vida social. Minha geração esteve nesse exato ponto de inflexão: foi a última que apanhou como regra, e a primeira que resolveu não bater. Hoje o pensamento se direciona todo à condenação das palmadas, da surras e das violências psicológicas, mesmo que as agressões contra a crianças ainda sejam recorrente em nossa cultura. Estes pais de outrora ignoravam o mal que causavam aos seus filhos e a evidência de sua própria sobrevivência lhes oferecia a certeza de que “uma palmada bem dada corrige uma criança”.

O segundo grupo é formado pelos cínicos, que bateram e ainda defendem esta violência, mas se negam a receber o rótulo de violentos – por julgarem injusto. Afinal, como poderiam ser eles os salvadores, os pais amorosos e poderosos os mesmos a impor este tipo de opressão aos pequenos? Não “violência” é uma palavra por demais injusta.

Faço essa digressão porque as grávidas – pela sua fragilidade e sua posição de dependência do cuidado de adultos – muitas vezes se encontram nessa posição fragilizada e infantilizada, na mesma posição em que as crianças enfrentam o longo período da infância. A posição infantil das gestantes é um “projeto”, porque – assim minimalizadas – tornam-se muito mais facilmente manipuladas, controladas e conduzidas. Desta forma as parturiente colocam-se nas mãos desses profissionais e esperam deles o cuidado que uma garota espera de seus pais.

Todavia, o medo como pano de fundo e a assimetria de poderes são o caldo de cultura ideal para os abusos. A realidade – dura de admitir – é que o nascimento institucional é palco de violências múltiplas, onde a infantilização da mulher e seu desempoderamento, conjugados com a exaltação da autoridade dos médicos (e da Medicina) produzem o quadro atual.

Entre os velhos professores de Medicina estão os representantes da última geração que bateu impunemente. Cinicamente se defendem, exigindo que suas ações violentas sejam vistas e julgadas dentro de um contexto de “necessidade”; parecem repetir “ad eternum” o adágio: “acredite, é para o seu próprio bem”. Mas para se livrarem desse rótulo se obrigam a negar as dores, o silenciamento, os cortes e tantas feridas produzidas na alma. Tentam esconder o que as lágrimas de milhões de mulheres nos revelam todos os dias, acreditando que a simples ocultação de uma palavra poderá mudar uma realidade cruel e injusta.

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Diplomas vazios

Gente que estuda, se forma, que entra na universidade, faz mestrado e doutorado pode ser muito mau e muito cruel. Pode até ser burro em muitas coisas, mas será tudo isso com bons modos à mesa. Não há nenhum ganho de caráter com o prolongamento dos estudos, apenas sofisticação intelectual envolvendo uma boa ou má personalidade.

Jeffrey Burns, “No public connection”, ed. Warren, pág. 135

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Heróis

Receber uma avalanche de críticas, ver antigos amigos tomando distância, perder a respeitabilidade até de seus pares, ver a promessa de sucesso se esvaindo pela contrariedade de produz em todos ao seu redor. Beber o vinho do desprezo e comer o pão da incompreensão: essa é a receita do herói, a marca inquestionável de todo sujeito que decide pela fidelidade a si mesmo, defendendo suas próprias ideias. Para todos aqueles que almejam o reconhecimento em vida, o sucesso merecido, a glória e o poder que dela emana, e que não são fortes o suficiente para suportar o peso da originalidade, aceitem sem queixas o destino da mediocridade.

Ronan de Lafayette, “Souvenirs d’un clochard de génie” (Memórias de um vagabundo genial), ed. Foche, pág. 135

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