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Seu Passado Condena

Os fatos atuais, que mostram de forma explícita e inequívoca a barbárie do colonialismo racista de Israel, tornaram ainda mais vergonhosas as visitas de Caetano, Gil e Jean Wyllys à Palestina há poucos anos. A visita destes ocorreu mesmo depois dos avisos reiterados – inclusive de Roger Waters – para não visitarem um país que tinha uma imensa ficha corrida de abusos e violações de direitos humanos contra a população original daquela terra.

A ideia dos ativistas pela Palestina era reforçar o bloqueio cultural à Israel como parte do esforço para isolar um país que tem o supremacismo étnico e a invasão de terras palestinas como cimento cultural. Apesar dos avisos, estes personagens, identificados com a esquerda brasileira, foram a Israel, fizeram shows e palestras de cunho identitário e tiraram fotos com notórios terroristas – como Shimon Perez. Cabe também dizer que outro queridinho da esquerda liberal festiva do Brasil, Gregório Duvivier, também proferiu palestras a convite de Israel em sua campanha de propaganda e “whitewashing” do colonialismo. Esses convites “boca livre” de Israel são tradicionais para a compra de mentalidades na América Latina. Há poucos dias uma nova leva de influencers (como Rogério Vilela e André Lajst) foi para Israel receber uma versão distorcida e mentirosa para o ataque do Hamas em 7 de outubro. 

As imagens de Jean Wyllys na universidade sionista e dos músicos brasileiros ao lado do ex-presidente de Israel são as mais chocantes – e das mais difíceis de engolir. Quanto ao político israelense, Shimon Peres, nasceu na Polônia em 1923, em Wiszniew, Polônia (hoje Vishnyeva, Bielorrússia) e seu nome original era Szymon Perski. Ele foi um os fundadores de Israel, mas também de sua milícia terrorista mais cruel, chamada Haganah. Este comando terrorista se ocupava em exterminar e expulsar palestinos de seu território com o suporte das forças imperialistas para criar uma grande base militar no Oriente Médio. Anos após, foi Shimon Peres quem negociou o apoio imperialista para que Israel tivesse armas atômicas.

Shimon Peres foi também primeiro ministro e presidente de Israel – parte de uma longa lista de terroristas que se tornaram políticos de destaque naquele país. Nesta condição é responsável direto pelas violências, abusos, massacres, bombardeios, execuções extrajudiciais e múltiplas violações dos direitos humanos aplicados ao povo palestino durante mais de sete décadas. Peres foi ideólogo do terrorismo israelense em sua mais clara manifestação. Ele é responsável pela nomeação de Ariel Sharon, que o sucedeu, para o comando das tropas que invadiram o Líbano, as mesmas que posteriormente estiveram presentes no massacre de Sabra e Shatila. Não por acaso, Shimon Peres foi parceiro dos mais sanguinários ditadores genocidas latino americanos, como Pinochet, Videla e Hugo Banzer.

Não deveria causar surpresa que Shimon Peres (que faleceu em 2011) pertencia à esquerda israelense, do partido trabalhista, porque para Israel a esquerda e a extrema direita são visceralmente unidas no etnocentrismo racista que sustenta a ideologia sionista.

A culpa que estas personalidades da cultura brasileira carregam eu não gostaria de ter sobre as minhas costas. Não há justificativa para ser fotografado ao lado de reconhecidos genocidas ou para posar sorridente à frente de uma universidade erguida sobre terra Palestina furtada pelo estado terrorista que a controla. Todavia, espero que eles tenham a capacidade de rever suas posições (algo que até agora não ocorreu de forma clara), reconhecer seus erros e, enquanto ainda houver tempo para limpar suas biografias desta nódoa, colocar suas vozes a favor da independência, da autonomia e da liberdade do povo da Palestina.

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Velhos

Muitos dos meus conterrâneos e contemporâneos, nascidos – ou que viveram a infância – durante a ditadura militar brutal que nos acometeu, se tornaram reacionários patéticos e subservientes ao imperialismo. Uma boa parte ainda exalta o autoritarismo da direita e os golpes contra a democracia que ocorreram em um passado não muito distante. Alguns deles hoje são auto exilados no exterior, e justificam o abandono do Brasil dizendo que viver fora do país sempre foi “o sonho dourado da sua juventude”.

Em verdade, esta fuga ocorreu porque não suportam o cheiro da brasilidade e o jeito do nosso povo. Doentes de xenofilia, amam tudo que não é Brasil, veneram a cultura branca europeia e amam sua história repleta de violência colonizadora. Mais ainda, desprezam tudo o que representa nosso povo e nossa cultura e odeiam tudo que é nosso: a música, as peles escuras, o samba, as artes, os livros. Afinal, para tudo isso existe uma versão melhor, mais limpa, mais sofisticada e mais nobre na América do Norte ou no velho mundo.

Tamanho é o nojo que sentem do que aqui deixaram que a eles mais vale serem cidadãos de segunda classe no exterior do que se olhar no espelho e enxergar um brasileiro na terra em que nasceram. Distantes daqui, aplaudem a Lava Jato e debocham do pleito justo da Venezuela sobre seu território histórico. Por certo fariam o mesmo para proteger as “Falklands” das reivindicações abusivas dos argentinos sobre a soberania das ilhas já que, como nós, estes não passam de sul-americanos grotescos e ignorantes.

Exaltam figuras execráveis como Bolsonaro, Moro e Dalanhol, três notórios meliantes despudorados, que por pouco não destruíram por completo a soberania deste país, vendendo nossa dignidade e nossas riquezas à sanha colonialista dos emissários do Império. Tratam Lula com epítetos maldosos, injustos e covardes, insistindo em fake news há muito derrubadas, mas vomitando a cada frase o preconceito de classe que jamais lhes permitiu aceitar um nordestino oriundo da classe operária como supremo mandatário do seu país. “Burro”, “nove dedos”, “cachaceiro” é como expressam seu despeito, revelando que as justificativas para odiar o presidente descrevem muito mais a si mesmos do que ao próprio Lula.

Minha geração é composta por velhacos ranzinzas, ressentidos, egoístas e conservadores. Falsos puritanos, defensores das ditaduras, apoiadores de Israel, violentos e antidemocráticos. Os anos de chumbo não marcaram em suas almas qualquer lição duradoura de valor, e sequer a velhice os ensinou a esconder seus preconceitos mais infames. Por fim, não me venham dizer que “no meu tempo é que era bom“, pois se a minha época juvenil produziu tantos velhos de camisa da CBF e tantas senhoras de laquê com palavras de ordem racistas ela não pode ter sido boa.

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Decepção

Durante muitos anos eu achei que Robert Kennedy Jr, por atacar de forma muito dura a indústria farmacêutica – um empreendimento maior que o PIB de inúmeros países – e por ser um defensor do meio ambiente, poderia ser uma esperança para o comando dos Estados Unidos, fugindo da dualidade entre os “elefantes” e os “asnos”. Ele parecia a muitos ser uma esperança de renovação e uma forma de garantir um contraponto ao poder imenso das grandes corporações que controlam o “deep state“: indústria farmacêutica, indústria bélica e as big techs do vale do silício.

Entretanto, quando vi sua última entrevista a respeito da Palestina, ficou evidente que sua posição é tão ou mais imperialista que a dos outros candidatos. Diante da evidência dos massacres, da morte das crianças, dos ataques a civis, da humilhação constante dos palestinos e dos ataques à Cisjordânia, tratou o conflito da forma mais maniqueísta possível, usando os mesmos clichés que são distribuídos nos balcões da propaganda racista de Israel. Chamou o Hamas de “terrorista”, criticou a resistência palestina, tratou de forma condescendente o horror dos bombardeios aos hospitais e mostrou enorme amor pelo estado racista de Israel.

Ou seja: seja quem for o próximo presidente a sentar naquela cadeira em 2024 continuará a política genocida e imperialista do país, pois o imperialismo está para os americanos como o sionismo está para os israelenses: religiões que cimentam a coesão social de ambos os países. É ingenuidade imaginar que algum mandatário americano trairia a visão de “polícia do mundo” e o excepcionalismo americano.

Não há esperança alguma com qualquer dos políticos que tenham o interesse de assumir esta posição. O dinheiro do sionismo compra todas as mentes. 

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Um Morto Muito Louco

Muitos ainda se perguntam: o que une as personalidades de Bolsonaro, Milei, Boris Johnson e Trump? Qual o traço que os transforma em íntimos e semelhantes? O que os fez surgir no mesmo lapso curto de tempo, quase contemporâneos? Como é possível entender este fenômeno de forma unificada, tentando traçar uma linha de coerência e causalidade em suas aparições no cenário político internacional?

Creio que a resposta, como sempre, está em Marx. As crises do capitalismo e a falha deste sistema em equilibrar um modelo econômico e político fadado às crises cíclicas, produz este tipo de aparições bizarras: o surgimento de salvadores da pátria, sujeitos enviados para resgatar nossa grandeza perdida, trazer de volta nossa perspectiva de futuro, políticos que desprezam a política, atores sociais “sem ideologia” mas que a transpiram por todos os poros. Eles são sinalizadores macabros da transformação, o desespero de um modelo falido em manter-se vivo. Gramsci já havia deixado claro que é exatamente nesse espaço entre a morte do velho e o nascimento do novo que surgem os demônios e toda a monstruosidade guardada vem à tona.

Ou seja: estas figuras já estavam previstas pela própria natureza íntima do capitalismo. Inclua Netanyahu nessa lista de psicopatas surgidos em meio a crises brutais (como Adolf surgiu) e percebam como o Estado Racista Colonial de Israel já morreu e está apodrecendo à vista desarmada. Entretanto, enquanto não floresce a revolução que levará à igualdade é inevitável o aparecimento deste tipo de monstros, e com eles os seus delírios. Todos esses personagens são filhos de seu tempo e de suas circunstâncias, elementos que surgem do desespero em manter vivo um corpo que já se decompõe.

Aos poucos se fortalece a consciência de que a mudança não ocorrerá usando as mesmas estratégias de sempre imaginando com isso encontrar resultados diferentes. Um novo “acordo de Oslo” não dará fim ao conflito na Palestina e muito menos ainda a deposição do líder monstruoso de Israel. A solução está muito distante das tentativas até agora utilizadas, todas falhas memoráveis que apenas agravaram a situação. Da mesma forma, a troca de Biden por Trump será apenas o câmbio de uma fantasia, pois no imperialismo quem o controla as grandes corporações farmacêuticas e de informação também detém o aparente poder político. Quanto à direita fascista da América Latina ela continuará existindo reciclando seus nomes, passando de crise em crise, trocando o salvador da ocasião, até que o próprio capitalismo seja substituído por um sistema menos violento em sua natureza segregacionista de classes.

Nenhum desses nomes representa o mal em si; todos eles são personagens que desempenham o papel de manter as aparências do capitalismo defunto, como na comédia “Um Morto muito Louco”, de 1989, onde uma dupla de camaradas carrega o amigo morto fingindo que ainda está vivo. Assim fazemos nós, transportando o corpo inanimado de um projeto de sociedade que já não é mais capaz de oferecer ao mundo a equidade, a liberdade, a estabilidade e o respeito ao meio ambiente que todos necessitamos.

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Direita limpinha

A vitória de Milei na Argentina vai reprisar o filme de terror que vivemos com o fundamentalismo neoliberal cristólatra que vivemos no Brasil. Será o caos para os hermanos, mas parece mesmo que os povos precisam passar por certos desastres para entender o significado e a importância da luta de classes. Agora, que eles estejam preparados para os mesmos capítulos de arrogância, estupidez, perda de patrimônio público e destruição econômica.

Vamos deixar claro que quem elegeu o Milei na Argentina não foi a extrema direita, nem os fascistas. Quem garantiu essa vitória foi a direita limpinha, os “centristas”, o pessoal que tem medo do comunismo, a classe média esmagada pela inflação. Agora todos seremos atingidos, direta ou indiretamente, pela grosseria explícita de um ancap descabelado e boquirroto. Mas é errado tirar essa responsabilidade da direita que, sempre que sente medo ou está sob ameaça, se abraça nos fascistas e nos golpistas. Não esqueçam que “um liberal é um fascista que ainda não foi assaltado”, ou ainda, alguém que carrega o fascismo como colete salva vidas, para vestir sempre que a água bater na bunda.

Boa sorte aos envolvidos.

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Mais censura do bem….

O comediante Danilo Gentili foi multado pela justiça em 20 mil reais por fazer uma piada com a deputada Sâmia Bomfim em que debochava do seu peso. Quase todos aceitam que fazer piadas com o corpo das pessoas – em especial das mulheres – é algo de mau gosto. Com os homens – já que são “opressores” – as piadas são liberadas, e multiplicam-se os gracejos com carecas, baixinhos, magricelas, submissos às mulheres, barrigudos, etc. No caso dessa piada de Danilo Gentili, um juiz fazendo uso de uma interpretação da lei totalmente “free style”, usou a lei do racismo para aplicar a sentença, usando esta lei como paralelo para penalizar a “gordofobia”. Ou seja: uma ação totalmente ilegal, pois que não existe possibilidade de usar a lei do racismo para aplicar em casos de transfobia (como tem sido usado) ou (pior ainda) gordofobia. Por certo que os identitários e a geração woke está feliz com a pena aplicada, achando que isso vai penalizar um humorista chato de direita, em uma vingança pelas piadas que fez contra a esquerda, expondo nossas imperfeições e falhas.

Infelizmente a nossa esquerda liberal não perceberam que este tipo de censura – e não há outra forma de chamar essa ação – que impede que se façam piadas, vai atacar a todos – em especial a própria esquerda. Quem terá coragem de contar uma piada que pode desagradar as suscetibilidades de um magistrado, e custar as economias e a carreira de um humorista. Ou seja: esta multa não serve para arrancar dinheiro ou punir um artista, mas para deixar todos os outros com medo de fazer críticas. Aliás, o marido da deputada Sâmia acabou de receber uma multa injusta, abusiva e arbitrária de 1 milhão de reais, mas parece que ela não ainda percebeu o risco tremendo que é depositar a liberdade de expressão e o direito à crítica no arbítrio da justiça burguesa.

Ou seja, dependendo do humor de um juiz, ou de um grupo de magistrados brancos, gordos e que fazem festinhas em hotéis, a partir de agora qualquer piada corre o risco de causar uma multa desproporcional ou até mesmo a prisão para quem a faz. A esquerda entorpecida ainda não tomou consciência de que, ao colocarmos nossos direitos de livre manifestação mas mãos de representantes da burguesia, o resultado será sempre a multiplicação dos ataques à classe operária, mesmo quando ocasionalmente a vítima possa ser um chato direitista e sem graça. A esquerda liberal continua dando aulas de ingenuidade e falta de visão politica ao aceitar passivamente a “censura do bem”

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Representações

Pensem por esta linha: se a representatividade fosse realmente determinante para a mudança dos modelos não seria de esperar que a entrada de mulheres na obstetrícia (onde hoje já são a maioria) deveria transformar as práticas de atenção ao parto de forma que se tornassem mais humanizadas? Ou seja, com tantas médicas mulheres atendendo partos, não deveriam os nascimentos ser mais centrados na autonomia das mulheres, na vinculação com a saúde baseada em evidências e na abordagem interdisciplinar do evento? E por que isso não ocorreu? Por que a prática obstétrica se mantém violenta e “iatrocêntrica” (centrada no médico) a despeito da entrada massiva de mulheres na profissão?

Ora, esse fenômeno ocorre por razões até simples de entender. As mulheres que entram num ofício caracteristicamente masculino como a obstetrícia que opera na lógica da intervenção (ao contrário da parteria, que é essencialmente feminina e opera na lógica do cuidado) adaptam-se à ideologia hegemônica, tornando-se veículo de uma ordem de poderes e de uma ideologia que mantém o poder nas mãos dos médicos. Nessa ideologia os corpos das mulheres precisam ser controlados e domesticados, retirando-se deles a natural energia selvagem e criativa. Via de regra, não se observa nenhuma diferença marcante na atenção prestada por homens e por mulheres no que diz respeito às práticas condenáveis como episiotomia, posição de litotomia, Kristeller, corte prematuro de cordão, cesarianas, etc. Da mesma forma, na atenção médica ao parto não há diferença alguma entre homens e mulheres quando avaliamos as boas práticas e as posturas que estimulam a humanização. Portanto, as obstetras mulheres claramente se adaptam ao sistema de poderes no qual se inserem e não foram – até então – capazes de transformá-lo pela identificação de gênero que teriam com as gestantes.

Da mesma forma, uma mulher negra representando o imperialismo, como Linda Thomas-Greenfield, que vetou o acordo de paz da guerra de Israel contra os palestinos, jamais se posicionaria ao lado das populações negras (ou não brancas) que lutam contra o sistema imperialista, a opressão, o apartheid e a violência de Estado que ela própria representa. Ela também se adapta ao sistema que a abriga, tornando-se uma emissária dos interesses imperiais, e não uma mulher negra em posição de comando. Sua negritude e sua feminilidade desaparecem diante da magnitude de sua posição.

Pois é exatamente por isso que esse modelo de representatividade, que é apregoado e disseminado pela direita – mesmo a direita travestida de esquerda identitária – é uma falácia. Esta estratégia divisionista foi criada pelos “neocons” americanos para produzir a divisão da classe operária entre suas múltiplas identidades – pretos, gays, mulheres, transsexuais, etc. – oferecendo a estas identidades uma pífia representatividade, enquanto mantém intocados os poderes do capitalismo e obstrui a luta de todos nós – a luta de classes. Em troca oferece uma fatia do bolo para essas personagens, mantendo os milhões de representados na mesma condição de miserabilidade e exclusão.

Não existe possibilidade de avançar nas lutas por uma sociedade equilibrada através desses truques narrativos. Assim como mulheres, negros, gays etc. assumem a roupagem do poder que os acolhe, suas ações serão sempre reflexo desse poder, e não das identidades que carregam.

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Uma escolha difícil?

É lamentável ver a defesa que alguns fazem de Israel, em especial entre aqueles que se consideram de esquerda. Olham para a ação desesperada de alguns dias atrás de forma maximizada, como se não houvesse por trás dessa ação mais de 7 décadas de abusos, torturas e morte. Agem como o Estadão e sua “decisão difícil” ou a turma do “nem-nem”, que colocavam no mesmo patamar um político vagabundo é o maior estadista do Sul global. Tentam equiparar as reações dos palestinos aos crimes brutais a que são submetidos desde o Nakba.

Estas mesmas pessoas, há poucas décadas, estariam criticando os insurgentes do gueto de Varsóvia pela sua violência “injustificável” contra os nazistas, recomendando àqueles que se mantivessem impassíveis diante da morte certa que se aproximava de sua família e de si mesmos. E se houvesse qualquer reação, mesmo que fossem os gritos lancinantes ao ver a morte se aproximando, mesmo essa indignação seria censurada, pois que demonstra uma rebeldia que precisa ser calada.

A falta de empatia com milhões que sofrem, e a solidariedade com a dor ocasional dos invasores, é algo que não é possível entender, a não ser pela lavagem cerebral produzida pela propaganda sionista massiva, intensa e obliterante.

Nunca houve paz duradoura sem que os opressores fossem vencidos. Não haverá paz com a continuidade do apartheid de Israel, com o racismo, com as prisões arbitrárias, com as mortes à granel. Como dizia Nelson Mandela, “Sabemos muito bem que nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos”

Israel, pária internacional.

#BDS

FREE PALESTINE

https://fb.watch/nHCK20fBM2/?mibextid=Nif5oz

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Bibi

Creio que as críticas à Netanyahu como primeiro ministro de Israel seguem há décadas o mesmo roteiro repetitivo, para posteriormente serem disseminadas através do sionismo de esquerda que se espalhou pelo mundo. A ideia de construir uma disputa fulanizada onde, de um lado está um líder corrupto e assassino e do outro uma organização terrorista, sempre é usada para nos impedir de ver a realidade do colonialismo na Palestina e seu sistema de opressão. No caso de Benjamin Netanyahu ele é sempre a desculpa perfeita para os sionistas diante da barbárie cotidiana contra a população de Gaza e da Cisjordânia, mas está na hora de olharmos este personagem de uma maneira mais realista para entender as verdadeiras origens de sua ascensão ao poder.

Em primeiro lugar, é possível que Netanyahu seja o mais moderado entre os chacais fascistas que o acompanham no Knesset. Basta escutar e ler as declarações de alguns ministros e membros do Likud para ver o nível de barbárie racista e genocida que são capazes de expressar. Portanto, dizer que o problema de Israel é o seu líder inconsequente e a extrema direita que tomou conta do país há muitos anos, e afirmar que a queda de Netanyahu seria mandatória, é no mínimo uma proposta ingênua. Imaginar que um outro primeiro ministro teria uma atitude mais humana, condescendente e que objetivasse a paz com a Palestina não encontra respaldo algum na história recente. Nunca houve um representante de Israel que aceitasse a paz com os palestinos, seja através da constituição de uma nação plurinacional seja através da combalida proposta dos “dois Estados”. Os acordos de Camp David (1978) e Oslo (1993) demonstram de forma inequívoca que nunca houve real interesse em Israel para negociar. Assim sendo, a simples retirada de Netanyahu do poder não deveria nos oferecer qualquer esperança de mudança. Talvez até o pior viesse a acontecer: seu substituto poderia apoiar a “solução final”, que está na boca de muitos israelenses desde há muitos anos.

O que é preciso entender sobre o Estado Sionista de Israel é de que essa “rogue nation” está assentada sobre a criação de um “Estado Judeu“. Ou seja, foram muito mais adiante do que até a própria África do Sul se aventurou a fazer, criando um país artificial para uma única etnia. Seria como se o Brasil criasse um país cristão onde todas as outras religiões não teriam acesso à plena cidadania; ou se nosso país se tornasse a nação para apenas uma cor de pele, a qual teria direito exclusivo à moradia ou a postos no governo. Todavia, ao contrário do que a farsa da esquerda sionista tenta nos convencer, esta não é uma proposta do governo de extrema direita que governa o país, mas um projeto de Estado, um modelo excludente e racista que vai se manter inobstante o governo que estiver à frente dos cidadãos israelenses. O sionismo que apregoa a exclusão dos habitantes da Palestina e que nega a própria existência do povo palestino, é a espinha dorsal da sociedade de Israel, e nenhum governante chegaria ao topo da escala de poder sem respeitar suas premissas. Como dizem muitas autoridades israelenses, para o cidadão Palestino só restariam 3 opções: 1- emigrar, 2- submeter-se aos israelenses como serviçais e 3- morrer.

Gritar “Fora Netanyahu” é um ato diversionista, incapaz de produzir qualquer solução em médio prazo. Esta não passa de uma tentativa desesperada de maquiar a estrutura apodrecida de Israel, ao conectar os dramas atuais à contingência política, como se o governo de Netanyahu fosse diferente dos demais. Na perspectiva dos palestinos todos os governos sionistas são idênticos. É preciso entender, de uma vez por todas, que esse primeiro ministro é tão somente a consequência de uma estrutura colonial e opressora sobre a região, e não sua causa. Afastá-lo do poder sem entender as forças que o conduziram para lá apenas retira o tirano da ocasião, sem estabelecer um novo paradigma. Tanto quanto Bolsonaro, Trump ou Milei, estes sujeitos são construções sociais que obedecem à demanda de um sociedade que os comanda, e é esse povo que precisa ser transformado – ou vencido.

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Imprensa

Eu costumava escutar rádio pela manhã, ao dirigir para o consultório. Sempre ligava num programa de informação e entrevistas de uma estação filiada à Globo da minha cidade. Em uma dessas manhãs, próximo do impeachment da presidente Dilma, o programa matutino entrevistou o então promotor do MP Federal Deltan Dalanhol, que naquele momento desfrutava a condição de celebridade, e estava no auge da fama. Acumulava palestras e viagens, inclusive nos mais importantes “talk shows” da TV brasileira. Logo após a entrevista, que descrevia com entusiasmo mais uma das operações midiáticas da Lava Jato, o âncora da estação de rádio fez uma declaração apaixonada para o “garoto de bochechas rosadas”, deixando clara sua admiração pelo “grande brasileiro” que estava acabando com a corrupção e os corruptos, colocando a impunidade dos poderosos em nocaute. Nada poderia ser mais explícito do que a admiração daquele jornalista ao justiceiro da Lava Jato.

No horário do almoço, no intervalo das consultas, eu escutava o programa mais longevo do rádio do meu estado: o Sala de Redação, uma resenha de futebol, cotidiano e costumes que ocorre todos os dias de semana a partir das 13h há mais de 40 anos. No dia em que o ex-juiz Sérgio Moro assumiu o Ministério da Justiça o debate (sobre futebol) foi interrompido para transmitir seu discurso de posse. Quando ele terminou sua “elegia ao punitivismo”, o programa foi retomado com aplausos e elogios rasgados ao ex-juiz por parte de toda a bancada, tratando-o como um herói nacional, um ícone da justiça, que estava diante da chance de colocar seu nome na galeria de grandes personagens históricas da República. “Ele é a nossa grande esperança”, disseram alguns. Por “nossa” eles, por certo, falava em nome da classe média ressentida, aquela franja da população que sempre foi o suporte para o bolsonarismo.

Lembro com detalhes dessas datas porque estes foram os últimos programas de notícias e opinião que escutei no rádio. Deixei de ouvi-los ao notar que a imprensa estava totalmente cooptada, agindo em sintonia para dar apoio a um governo de absurdos, capturada pela propaganda anti-esquerda, anti-Lula e em ataque constante ao PT, que fechou os olhos durante vários anos para o despreparo de Bolsonaro, sua incompetência e sua desonestidade, assim como para os abusos evidentes do Ministério Público Federal e do juiz Sérgio Moro. A mesma imprensa que fez livros exaltando o juiz Moro e a Operação Lava-Jato e que jamais empreendeu uma mea-culpa, jamais se desculpou das mentiras e dos “canos de esgoto“, e que nunca realizou a necessária autocrítica sobre o desastre de sua cobertura jornalística, das jornadas de junho até a prisão de Lula.

Quando na noite de domingo de 9 de junho de 2019 foram divulgadas as provas do “hacker de Araraquara” – Walter Delgatti – inicialmente pelo Intercept na figura do seu antigo representante, o jornalista americano Glenn Greenwald, o Brasil parou. Daquele momento em diante os caçadores se tornaram caça, e o mundo de fantasias criado para elevar à condição de heróis nacionais um juiz parcial e procuradores alucinados do Ministério Público começou a se desmanchar como um castelo de areia com a chegada da maré alta. Essa foi a primeira etapa de um longo processo de desconstrução, e que agora joga os personagens Moro e Dalanhol no fundo do poço. Pessoalmente, senti alívio ao constatar que estivera certo o tempo todo, e que não errei ao abandonar a audiência das empresas do jornalismo corporativo que deram o suporte para os golpes em sucessão que se abateram sobre nosso país, jogando na lama sua credibilidade. Não sinto falta alguma da manipulação a que todos somos submetidos cotidianamente pelo jornalismo burguês e hoje posso dizer que perdi a confiança em qualquer empresa jornalística cujos compromissos com quem a financia impede a emergência da verdade. Jornalismo só existe se for livre; sem isso temos apenas propaganda e jogo de interesses travestidos de notícia.

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