Arquivo da categoria: Medicina

Dom Quixote

Acho que, no lado das esquerdas, serei sempre visto como um Dom Quixote por não me furtar de fazer duros questionamentos à Big Pharma. Todavia, hoje em dia parece obrigatório ao campo democrático e progressista vestir a camiseta das vacinas, e qualquer crítica mais séria sobre este tema é vista como uma “traição”.

Tudo isso porque o tema “vacinas” se tornou um tabu alicerçado no desespero das pessoas diante do inimigo invisível – mas com resultados dramáticos e visíveis. Com isso se permitem inúmeros deslizes éticos (vide fundação Gates em África) com a desculpa de que os fins (salvar a humanidade) justificam os meios (abusos, coerções, danos irreversíveis, mortes, etc).

Pior…. tudo isso ocorre sob o rótulo de “Ciência”, como se a ciência fosse uma entidade mítica e monolítica, e não uma medusa com milhares de cabeças, cada uma delas com suas pesquisas conflitantes e contraditórias. E isso que não estamos citando a corrupção evidente na ciência inserida no capitalismo, que faz com que o pesquisador Peter Gotzsche (Fundador da Cochrane Library) não tenha pruridos para chamar a indústria farmacêutica de “Máfia” e Márcia Angel (editora durante duas décadas do New England Journal of Medicine) se permita dizer que é impossível acreditar em estudos e pesquisas contemporâneas.

Mas… questionar – a ética, os custos, a segurança, a aplicabilidade, a eficácia, etc – das vacinas ainda é tratado como bolsonarismo e terraplanismo. Na verdade esta postura não passa da aplicação de um dos princípios mais importantes da ciência: o saudável ceticismo. Aliás, o mesmo que nos fez desconfiar da Cloroquina como “bala de prata” e panaceia universal.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Medicina

Tonto

Todos os posts

“A esquerda tem dessas coisas… para proteger uma mulher que sofreu abuso não se esquiva de fazer ataques ao homem negro que o cometeu, no limite tênue que separa a justa indignação do racismo deslavado. Muitos no afã de defender a “ciência” contra o obscurantismo também não se importam de se aliar às corporações mais violentas e mafiosas do mundo capitalista, como as farmacêuticas, para se distanciarem do irracionalismo anticientífico e paranoico. Quem quer pensar com a própria cabeça acaba ficando tonto…”

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina, Política

Surdez

Acabei tomando contato com a medicina americana em diversas ocasiões, seja ao consultar com um terapeuta “holístico” em Cleveland há uns dez anos, seja pelos inúmeros contatos que tive durante as consultas a que fui convidado a assistir de amigos meus que moram por lá.

Eu já descrevi anteriormente as minhas impressões sobre a assistência médica americana, que pode facilmente ser considerada a mais tecnocrática das práticas de saúde do mundo, entretanto, pensei em mais uma vez descrever minhas ideias. Para a medicina americana – ou estadunidense – o ápice da atenção é oferecido através do acesso e uso da tecnologia – o mito da transcendência tecnológica. Quando mais sofisticados os testes e tratamentos, mais valorizados são os médicos pela cultura como um todo – e isso inclui médicos e pacientes. A adesão ao paradigma exógeno de doença e adorcista de terapêutica é explícito e propagado como superior: tecnologia é sinal inequívoco de qualidade.

Para além desse paradigma existe um afastamento quase religioso dos profissionais em relação aos pacientes. A vida do médico fora do ambiente das consultas é algo interditado àqueles. O cenário onde se encenam os encontros são os únicos locais onde os médicos serão acessíveis. Lembro vividamente do assombro do marido americano de uma paciente que atendi em Porto Alegre quando ofereci a ambos um cartão onde constavam os telefones da minha casa e o meu celular. “Eu nunca vi isso em toda a minha vida“, disse ele assombrado.

Os consultórios padrão de médicos americanos ficam em “centros profissionais”, um modelo multiprofissional que tentam implantar no Brasil também. São salas gigantes onde muitos funcionários trabalham, desde as recepcionistas até as “auxiliares de médicos”, que são profissionais formadas para dar assistência ao trabalho de consultório. São elas que medem seus sinais vitais – vestidas com as indefectíveis roupinhas de bloco cirúrgico – fazem perguntas típicas da anamnese, escrevem suas queixas, avaliam sua receita anterior e anotam tudo em sua ficha. Saem da sala com um sorriso e avisam que o doutor em breve chegará.

Minutos depois chega o(a) medico(a) acompanhado(a) por esta assistente, a qual segura o tablet com as anotações na mão. Fica claro pela sua postura e atitude que a conversa não vai demorar mais do que 5 a 10 minutos. Também é óbvio que as consultas obedecem um modelo “fordista” de linha de montagem. Enquanto a auxiliar aplicava o questionário o médico estava em outra sala, com outra auxiliar, e enquanto nos atendia outra auxiliar já preparava a próxima paciente. Via de regra, o médico dá uma olhada superficial nas anotações da assistente (queixas, drogas, exames, etc) e faz algumas perguntas absolutamente simples sobre o caso. Faz a consulta de pé, na frente da paciente, com a fantasia típica de médico (avental, estetoscópio no pescoço, canetas, brilhantina no cabelo, perfume, etc). Quase nunca olha nos olhos; 70% do tempo olha para a ficha.

Quando minha amiga explicou que eu era “um médico do Brasil visitando o país” apenas sorriu como que a dizer “poderia ser o Papa, não faz diferença alguma”. Não foi arrogante, sequer antipática, apenas agiu como se eu não estivesse ali. E pela conversa, minha presença não faria mesmo nenhuma diferença. Inobstante a especialidade do profissional a consulta é absolutamente técnica, objetiva e específica, nenhuma questão pessoal, afetiva ou emocional é tangenciada, por mais que estes temas sejam evidentes na queixa principal.

Qualquer pergunta que seja de outra especialidade – por exemplo, perguntar para um gastroenterologista sobre o aparecimento de feridas nos pés – é rechaçada imediatamente com a indicação para procurar um colega. Não se misturam as especialidades. A consulta termina com a paciente sendo orientada a passar no guichê para pegar a receita, a nova solicitação (gigantesca) de exames e os remédios, que são vendidos ali mesmo.

Para um profissional com formação em homeopatia, como eu, ou que fez um longo percurso pela psicanálise – onde uma consulta pode durar 60, 90 minutos divagando por inúmeros pontos significantes da vida do paciente – o modelo técnico das consultas americanas é chocante. Olhar para um paciente como sendo formado por órgãos estanques e desconectados, com um corpo fatiado em especialidades, medicado de forma ostensiva, desconsiderado enquanto sujeito, objetivado e coisificado em seus constituintes químicos e hormonais, é uma experiência impressionante e chamativa.

Não posso dizer que esse é o pior modelo de atenção à saúde que eu já vi, até porque não me sinto em condições de ser o juiz desse certame. Todavia, a incapacidade de enxergar a energia vital imanente do corpo que sofre, o laço etéreo e espiritual que une os significados aos sintomas e o sofrimento psíquico como ferramenta diagnóstica que denuncia as características últimas do sujeito é para mim um desperdício brutal da arte médica.

Se é verdade que “aquilo que o paciente traz como sintoma é seu verdadeiro tesouro”, a surdez contemporânea aos lamentos profundos das almas é o mais claro sintoma da doença da Medicina. Que não sejamos também nós surdos à dor que ela tão evidentemente nos mostra.

Veja mais sobre “Medicina Americana” neste outro post publicado em 2017.

Deixe um comentário

Arquivado em Histórias Pessoais, Medicina

Médicos

Não vejo possibilidade em curto prazo de uma modificação substancial no perfil dos médicos e da própria Medicina no Brasil. Minha descrença é fácil de entender, basta ver de onde vem os alunos da medicina. Eles são egressos das melhores escolas, dos melhores cursinhos preparatórios, são filhos das famílias que podem bancar esses anos de estudo, tem sobre o corpo a “melhor” cor de pele e as famílias possuem o melhor saldo bancário. É possível dizer o mesmo do judiciário e do Ministério Público, onde verdadeiros feudos dominam o cenário da justiça. A esquerda é francamente minoritária nesses cursos superiores e certamente nas corporações. E essa minoria é muito pequena MESMO.

Sou capaz de contar nos dedos da mão os colegas claramente de esquerda que conviveram comigo durante anos de percurso pela medicina. A imensa maioria tem discurso e atitude meritocrática, acreditam piamente que estão cursando estes cursos apenas pelo seu esforço pessoal, deploram o socialismo e suas vertentes, apoiam o fim do SUS, aplaudem PPP (parcerias público-privadas) na saúde, acreditam no paradigma tecnocrático da medicina de forma quase religiosa, acham que a iniciativa privada é superior (mesmo alguns tendo sido empregados do Estado a vida inteira), acreditam que os médicos são “especiais” e merecem privilégios e enxergam a saúde pública e a medicina de família como espaços menores da atuação médica – quando comparadas com especialidades tecnológicas como neurocirurgia, medicina por imagem ou algumas novidades mercantilistas.

Não acredito que o pequeno número de médicos com consciência de classe e com uma visão progressista e popular farão diferença em curto prazo. O que precisamos é de uma reformulação no ingresso e a abertura de “faculdades populares de medicina” para produzir novos médicos educados dentro do paradigma social e com ênfase na saúde pública e na prevenção. Questionar e aprofundar a crítica à visão capitalista e elitista da medicina deve ser uma grande tarefa para o século XXI.

No nosso atual contexto a corporação médica é reacionária, elitista e alienada em sua grande maioria, e alguns setores são francamente fascistas – bastam 5 minutos na comunidade “dignidade médica” para confirmar isso.

O Brasil precisa de uma medicina para seu povo, ligada às comunidades, e não uma profissão adjuvante das empresas de saúde e da fabricação de drogas.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Medicina

Selvageria

Qualquer generalização no campo da interpretação dos sintomas pode cair na vala profunda da selvageria – mesmo quando correta. O diagnóstico não pode servir como julgamento ou condenação sumária, por mais que alguma teoria metafísica nos seduza nesse sentido. Uma consulta não pode se transformar em uma brincadeira de adivinhação.

É preciso entender que o cuidado com os pacientes – em especial as grávidas em suas fragilidades – requer uma atenção amorosa, isenta de preconceitos e sem julgamentos de ordem moral. As ferramentas diagnósticas e mesmo a visão ampla e psicossomática da doença não podem ser instrumentos de tortura medieval, imputado culpas e criando ressentimentos.

Mesmo que os sintomas, quaisquer que sejam eles, nos permitam inferir suas origens emocionais ou psíquicas, não cabe aos profissionais usar este conhecimento como arma. A prática do cuidado não pode ser o exercício da crueldade.

Se as terapias de qualquer tipo são “fraternidade instrumentalizada” então qualquer palavra, ato ou silêncio de um terapeuta só podem ser guiadas pelo sentido do cuidado amoroso. Sem esse guia perdemos toda a dimensão humana e fraterna da arte de curar.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina

Fantasias

Ela contou algumas histórias sobre seu cotidiano, suas insônias, as dores nas costas e o antigo refluxo que a incomodava. Depois falamos de seus sonhos, do casamento recente e do desejo de ter um filho. Eu escutava e só desviava ocasionalmente o olhar para anotar uma passagem que fosse significativa. Após algum tempo ela olhou direto em meus olhos e, depois de uma pausa, me disse:

– Isso é um pouco pessoal, mas preciso falar de uma coisa sobre o meu casamento.

Larguei a caneta sobre o papel, ajustei o óculos sobre o nariz e cruzei os dedos sobre a folha rabiscada. Entendi que a consulta dava um giro importante, talvez chegando ao ponto que a tinha originado.

– Claro, disse eu, pode falar.

Ela baixou o olhar por alguns instante e depois começou a falar sem erguer os olhos.

– É o meu marido. Acontece que ele é muito possessivo. Eu diria que ele é até grosso. Não deixa eu sair com minhas amigas e controla meus vestidos. Não gosta que eu me comporte de forma muito alegre em público. Ciumento, muito. Não suporta que alguém se reporte a um ex namorado meu. Controla meus horários e cobra qualquer mínimo atraso…

– Alguma violência?

– Não!! Jamais!! Nunca me bateu ou qualquer coisa parecida com isso. Ele é – e sempre foi – um perfeito cavalheiro. Nem levantar a voz ele faz comigo. Eu também não aceitaria qualquer tipo de violência comigo. É só esse comportamento controlador dele, constante…

– Bem, mas você já pensou em dizer a ele que poderia pedir ajuda? Existem diversas formas de abordar esse comportamento, e muitos homens apenas repetem em sua vida madura o….

– Não Ric, você não entendeu. Não acho que ele precisa procurar ajuda. Não é esse o problema…

– E qual é?

Ela esperou um pouco antes de responder, e soltou as palavras como se estivesse a fazer uma confissão.

– O problema… é que eu gosto. Eu adoro um homem me tratando assim. É algo que me excita.

Bem, se há algo que aprendi foi não me intrometer na fantasia sexual de ninguém. Se há consentimento e respeito tudo é válido entre adultos. Apenas sorri e lhe disse que a mim não cabia julgar os laços eróticos que unem as pessoas. Ela sorriu satisfeita, como que aliviada por sentir-se livre para amar seu marido do seu próprio jeito.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina, Pensamentos

Duas vidas

“Ahhh, mas são duas vidas, e cabe proteger ambas. Para evitar basta se cuidar”.

Não é simples assim no mundo concreto. Vai depender do seu conceito de aborto e da época da gravidez em que ele foi realizado. No mais, é por haver vida – mesmo em potencialidade – que sou contra o aborto; prefiro preservá-la sempre. Porém, todas as vidas, e encarando sua manifestação concreta. Portanto, a realidade é outra, diferente das visões idealistas. No mundo real as mulheres vão acabar procurando métodos ilegais – portanto, perigosos – para interromper as gestações e vão correr sérios riscos; muitas delas vão terminar morrendo no auge da sua juventude.

Ser a favor da descriminalização do aborto e permitir que seja incorporado pelo sistema de saúde significa encarar o mundo como ele é, sem visões idealistas e aprendendo com as experiências REAIS de sua aplicação. As mortes evitáveis de mulheres em abortos clandestinos não nos permitem mais perder tempo debatendo aspectos metafísicos da vida e seu valor; é preciso agir com a ideia de “menor dano”, tirando milhares de mulheres do destino terrível da morte por abortos insalubres.

Em todos os países onde o aborto seguro foi instituído pelo sistema público houve diminuição da mortalidade materna e são essas vidas de mães e mulheres que nos cabe proteger, acima de qualquer outra consideração. Isso não invalida a ideia de manter e incentivar a educação de meninos e meninas sobre a anticoncepção e gestação conscientes, mas sim interromper o massacre sobre mulheres pobres que se submetem a métodos cruéis de interrupção da gravidez. Aceitar a realidade acima de nossas crenças e ideais é um passo importante para produzir uma sociedade de paz, onde as gestações sejam uma benção e não um peso ou uma sentença de morte.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Medicina

MBE

Medicina Baseada em Provas é uma MERDA, mas superior à todas as suas competidoras. Não se trata de desmerecer as evidências colhidas para a formulação de protocolos, mas lembrar que “evidente” é aquilo que é visível, pode ser visto e comprovado. Mas quando a verdade é escondida, como poderá ser “evidente”?

A verdadeira postura científica cartesiana é o ceticismo contumaz e metódico. Já dizia um verdadeiro cientista que “A ciência é feita com a dúvida, e as certezas foram dadas pelo criador aos homens como prêmio de consolação às mentes frágeis”.

Veja mais aqui sobre a Corrupção da Medicina pretensamente baseada em evidências.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina

Passe livre

Cesariana = passe livre.

Médicos podem até matar seus pacientes se o fizerem dentro do modelo médico intervencionista, pois a medicina se assenta exatamente sobre o “controle e manipulação da tecnologia”. Quem respeita essa normativa está seguro. Cesarianas oferecem total segurança; partos normais serão sempre arriscados para quem os atende.

Tipo, você pode até matar um paciente durante uma cirurgia de ponte safena, mas se ele morrer porque você o estimulou a comer melhor e mudar seu estilo de vida será tratado como um “negligente”. E de nada adianta mostrar evidencias; medicina não se move por elas, mas por interesses corporativos. Aliás, como toda corporação.

Qualquer médico cujo paciente for a óbito obedecendo a estes cânones sagrados estará protegido pelos seus pares. Toda a corporação promoverá um círculo de proteção a este profissional, porque assim estará protegendo a SI MESMA.

Todavia, qualquer profissional que desafie a ideia de supremacia médica sobre a saúde questionando seus pilares de sustentação, será execrado, perseguido e, por fim, eliminado.

Desta forma, questionar a atenção cirúrgica, hospitalar e médica ao parto cabe exatamente na definição de “heresia”, por desafiar a crença da superioridade do conhecimento médico sobre o nascimento. Vi isso muito de perto; o pior crime sequer é o local extra-hospitalar do nascimento, mas reconhecer o conhecimento autoritativo das parteiras profissionais como válido.

Todo aquele que assim proceder será tratado como traidor.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina, Parto

Obstetras ou “Obstétricas”

Model in studio isolated on white background

Afinal, é “enfermeira obstétrica”ou “enfermeira obstetra”?

Bem, aqui vai a minha opinião…

Eu discordo da tese que nomeia as enfermeiras com pós-graduação como “obstétricas”. Para mim o nome mais indicado é “enfermeira obstetra” por algumas boas razões, e acho que essa deveria ser uma luta da enfermagem em nome de sua valorização.

A primeira é que colocar “obstetra” no nome não se adjetiva o trabalho, mas o substantiva, coloca-o em uma pessoa. Querem um exemplo simples de entender? Quando me perguntavam minha profissão eu dizia “médico”, e se depois perguntassem a especialidade dizia “obstetra”, jamais “médico obstétrico”. E por que com as enfermeiras deveria ser diferente?

Ora… porque aos olhos do poder médico hegemônico na enfermagem NÃO existem obstetras, mas tão somente “enfermeiras que fazem serviços obstétricos“, o que retira delas esta denominação, essa função e esse poder.

Para mim fica claro que há um truque semiótico e semântico na retirada desse denominador, mas não contem comigo para usar um nome que pode servir para diminuir a importância da enfermagem obstétrica no cenário contemporâneo.

Se não houver uma determinação (equivocada, ao meu ver) para retirar o nome de “obstetras” das parteiras profissionais é assim que vou continuar a chamá-las. “Obstétrica” fala da função, “obstetra” da pessoa; prefiro reforçar o que SÃO, não o que fazem. Aí está a chave para entender a disputa.

Portanto, eu pessoalmente prefiro chamar as profissionais que atendem o parto de “parteiras profissionais” – para reforçar o nome e os valores da parteria – mas na esfera da enfermagem o nome que me parece justo é obstetra mesmo, pelo que eu expus acima.

Semiótica é tudo. Os nomes com os quais batizamos as coisas desvelam o valor que nelas colocamos. Por isso chamamos “paciente” quem nos espera para ser atendido ou descrevemos menopausa como “falência ovariana”. Não existe nome inocente. E não se trata de debater o português, mas as intenções inconscientes do seu uso.

Ahhh, a outra razão? Não acho legal uma profissional cujo nome termina em “tétrica”.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina