Arquivo do mês: julho 2026

Direita e identitarismo

Muitas pessoas à direita do espectro político, por falta de educação adequada e estudo mais aprofundado, confundem o identitarismo com “comunismo”, porque ignoram que, pelo contrário, o comunismo é uma poderosa arma anti-identitária. Basta estudar a Revolução Soviética para entender que o acesso das mulheres a todos os postos da sociedade se deu pela revolução socialista, e não por meio de leis discriminatórias e muito menos pela segmentação da nossa sociedade em “tribos” onde a lei vai ser aplicada de forma seletiva. Tudo isso ocorre porque a direita e os conservadores confundem a luta em favor de parcelas desfavorecidas da sociedade capitalista com a defesa de identidades, o que é um grande erro. O identitarismo é um projeto conservador, que invadiu o campo da esquerda usando essa confusão. O identitarismo enfraquece a luta de classes e coloca no seu lugar a luta identitária, que fragmenta a classe operária e impede a união de classes, fortalecendo o imperialismo e as mazelas sociais produzidas pela brutal concentração de renda inerente ao modelo capitalista.

Tal confusão é uma pena. Como sempre, a direita mais raivosa escuta o galo cantar, mas não sabe de onde. Reconhece como importante a luta contra o identitarismo, por ser contrária à sua perspectiva individualista. Entretanto, não consegue perceber o quão reacionário o identitarismo é, e confunde isso com o comunismo, a libertação do proletariado e a luta de classes. Pergunta: quem promove o identitarismo no mundo todo? A resposta pode ser acessada com dois ou três cliques do mouse: Open Society Foundations do mega investidor George Soros. Financia iniciativas de direitos humanos, democracia, igualdade racial, direitos LGBTQ+, direitos de migrantes e justiça criminal em dezenas de países. Ford Foundation – Investe em projetos de justiça social, igualdade racial, direitos das mulheres, inclusão econômica e fortalecimento da sociedade civil. MacArthur Foundation – Apoia projetos voltados para direitos humanos, justiça social e combate à desigualdade. Arcus Foundation – Uma das principais financiadoras globais de projetos voltados aos direitos LGBTQ+. Gill Foundation – Atua principalmente no financiamento de iniciativas em defesa dos direitos LGBTQ+. Robert Wood Johnson Foundation – Financia pesquisas e programas sobre equidade em saúde e redução de desigualdades. Ou seja: as grandes instituições capitalistas financiam projetos identitários de mulheres, negros, trans, etc.

Curiosamente, a direita acredita erradamente que os comunistas apoiam o identitarismo porque colocamos “um celofane verde na frente dos olhos”. Entretanto, não percebem que a leitura errada que fazem de Marx é exatamente pela ideologia, que nada mais é do que essa lente esverdeada que usam para traduzir a realidade, partindo de uma posição conservadora, anti-popular e capitalista. Aliás, Millôr Fernandes estava certo quando dizia, “o mundo esta cheio de canalhas, mas só na mesa do lado”. Só os outros usam viseiras, só os outros são manipulados por ideologias; já nós temos a visão cristalina do mundo. Será mesmo?

Para a direita a solução para problemas como a violência doméstica é muito simples: o endurecimento das penas. Assim, a direita demonstra que, na verdade, não possui nenhum apreço pela ciência. Acusam os comunistas de recusarem a solução de aumentar penas somente para “agudizar as contradições”. Que tolice!!! A razão para não engrossar o coro punitivista é porque o aumento de penas proposto (em especial por identitários) e a judicialização dos preconceitos cientificamente não funcionam!! Veja o erro dos “3 strikes” do governo Clinton, o aumento exponencial da massa carcerária braseira (inclusive nos governos do PT) e a inutilidade da banalização dos aprisionamentos. Nenhum balizador dos índices de criminalidade diminui com a proposta de colocar na multidões na cadeia. Basta mostrar os resultados pífios da Lei Maria da Penha na violência doméstica ou o resultado que se conseguiu com o aumento de penas para frear o aumento de feminicídios. O resultado foi paradoxal: a violência doméstica aumentou, tanto de homens quanto de mulheres. Por isso que a viseira moralista, impede que se enxergue a realidade, pois o endeusamento do modelo capitalista se comporta, efetivamente, como uma religião individualista.

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Sionismo colorido

Quem fica muito ligado nas redes sociais mais politizadas – com menos selfie e fotos de pratos em restaurante – deve ter percebido a avalanche de publicidade sionista que tomou conta das “timelines” de todo mundo. Trata-se de material cujo objetivo é desviar a atenção do massacre contra o povo palestino perpetrado pela ocupação sionista. A tática é, na verdade, bem conhecida. Realizam-se ataques ao islamismo, ao Irã, aos jornalistas, à ONU, à Francesca Albanese e, nos últimos tempos, aos humanistas da “undécima hora”, os convertidos que não querem deixar o apoio ao genocídio como legado e querem desligar sua imagem do governo assassino de Israel. O objetivo é criar a ideia de que existe uma ameaça muçulmana contra o ocidente, que os palestinos estão fingindo suas mortes ou que aqueles que acusam Israel são, na verdade, antissemitas.

Entre os alvos principais estão Tucker Carlson, Candace Owens, Jackson Hincle e até Piers Morgan, que se rendeu às evidencias de crime contra a humanidade. Todos estes são conservadores, “MAGA arrependidos”, que estão cansados de apoiar um governo responsável pelas mortes de milhares de crianças, mulheres e jovens palestinos. Isso sem falar nas personalidades judias que há muitos anos se opõem à barbarie de Israel na faixa de Gaza e na Cisjordânia. Entre eles Noam Chomsky, Norman Finkelstein, Miko Peled, Max Blumenthal, Gideon Levi e tantos outros. Agira suas vozes são desmerecidas e silenciadas, mas o montante de evidências é tao gritante que não há mais como esconder o volume de corpos e os gritos de dor do povo palestino.

A máquina de propaganda sionista – Hasbara – trouxe um comandante brasileiro das forças sionistas para fazer propaganda de Israel no Brasil. Sua fala é puro negacionismo, como se não houvesse provas contundentes das execuções, da morte intencional de crianças, inclusive com o depoimento dos líderes políticos da nação a favor do completo extermínio da população de Gaza – seja de fome ou na bala. Sua fala nas redes sociais é patética.

A imagem de Israel está destruída. O isolamento foi inclusive reconhecido por J. D. Vance, ao afirmar que os Estados Unidos é o único país do mundo que ainda apoia Israel. Mesmo que de forma pouco contundente, ao meu ver, os países todos estão se afastando da imagem criminosa de Israel, procurando se distanciar dos crimes e do genocídio que ocorre na Palestina. Entretanto, ainda é preciso muito mais. O Brasil precisa adotar a postura firme de romper definitivamente com Israel. Discursos inflamafos do presidente usando palavras duras, são insuficientes. Israel vai cair pelo sufocamento produzido pelas nações do mundo inteiro. Os Estados Unidos não vão aguentar serem controlados pelo dinheiro de Israel por meio do AIPAC, usado para comprar políticos. Isso vai acabar.

Isso precisa acabar.

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Indignação

Vejo alguns influencers da direita brasileira reclamando das dificuldades de manter um partido à direita do espectro político, de ideias conservadoras, com a enfase na família, propriedade e religião. Dizem ser muito caro, que encontram resistências legais, que sofrem processos, etc…

Sim, é engraçado ler isso. Imagine como é para nós, do PCO, que não temos nenhum empresário interessado em nos ajudar economicamente para comprar nossa consciência – e votos – no parlamento. Sério que perceberam que democracia liberal não funciona? Mas isso as vezes me deixa com um ouco de esperança. Essa turma da direita ainda conseguem se indignar, e o conformismo da esquerda liberal é muito mais paralisante. Infelizmente esses jovens ainda não sabem – ou ainda não perceberam – que o sistema que apoiam é o real problema do planeta. O capitalismo, a propriedade privada dos meios de produção e a sociedade de classes produzem a destruição do planeta, e são projetos que precisam ser suplantados.

Infelizmente a direita ainda acredita nos mitos da guerra fria e, em nome de uma liberdade ilusória, atacam os projetos de emancipação da classe trabalhadora. Mas, assim como Israel sobreviveu por quase 100 anos por meio de propaganda e lavagem cerebral, o capitalismo também resiste e se mantém por aparelhos – o controle da mídia. Apesar disdo, sua desaparicao, assim como o modelo supremacista sionista, é uma questão de tempo. A propaganda um dia se esgota e a verdade vem à tona. O fim da sociedade de classes, a equidade e a fraternidade dos povos, por fim, será nossa vitória.

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Dor e luto

Eu entendo a dor, sei o quanto essa geração viu a importância da seleção brasileira decrescer no grande cenário mundial nos últimos 24 anos. Sei quanto dói perder para um país que tem a mesma população de alguns bairros de São Paulo. Porém…

Os ataques aos jogadores são injustos, porque nossos atletas são apenas comuns. Neymar é o nosso último craque excepcional e ele sofreu demais com as seguidas lesões, a falta de continuidade na equipe e também o excesso de dinheiro que nós pagamos a ele, assim como pagamos a todas estas estrelas. Quando o dinheiro de contratos e negócios paralelos é obsceno, e o futebol se torna apenas a vitrina que eles usam para vender seus produtos – entre eles as BETs – a fome passa. Como já dizia Renato Portaluppi, “só se joga com fome”, e por isso garotos de apartamento não prosperam no futebol. Da mesma forma, meninos milionários perdem o principal combustível para a excelência.

Uma análise mais ponderada por fim vai reconhecer a mediocridade dos nossos jogadores, a falta de talentos que desmontam nosdiscadversários e que possam decidir uma partida, assim como fizeram Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, etc. Não temos um Messi, um Mbapé ou um Haaland no nosso time, que decidem um jogo na única bola que recebem. Tivemos o jogo nas mãos por duas vezes contra os noruegos e não conseguimos marcar, por falha dos atacantes. Incapacidade? Inexperiência, talvez.

A maturidade também vai surgir quando pararmos de criticar a personalidade de Neymar para justificar nossos fracassos em campo, usando para isso seu bolsonarismo, seus negócios e seu comportamento. Ele estava na seleção para jogar bola, e não numa seletiva para genro. Mas eu sei exatamente como é essa dor, por isso vou aguardar que o luto passe e comecem a surgir as análises mais serenas e mais racionais.

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Tudissquitaí

Já repararam como a direita do mundo todo usa sempre a mesma narrativa? Os ataques à esquerda sempre são moralistas, ad hominem, violentos quanto às virtudes inexistentes, jamais estruturais. Além disso, nesses ataques a culpa é sempre do “sistema”, como se eles não representassem o próprio coração do sistema capitalista. Nos últimos dias manifestações ocorreram na Europa patrocinadas pela extrema direita e prometendo acabar com os políticos e o “sistrema” a quem eles obedecem. Mas, afinal, o que querem dizer quando afirmam que o povo está “reagindo ao sistema”? Por que esse ataque à “classe politica” surge como um mantra, repetitivo e até enfadonho, a fórmula clássica de ataque da direita? Por que a direita, para atacar a própria expressão da politica, usa o refrão de que “todo político é ladrão”?

A razão é simples: a política é a única e frágil salvação que as pessoas têm para resistir ao controle absoluto do capitalismo. Por mais defeituosa que seja, a política ao menos oferece a ilusão da participação do sujeito nas decisões do Estado, mesmo que pelas vias tortuosas da representatividade. Lembrem: políticos precisam de votos e podem ser excluídos pelo voto. Cadeiras no parlamento ainda precisam da escolha popular através do voto. Um presidente é escolhido dessa forma e com ele sua política e perspectiva de governança. Agora, digam qual foi a última vez que alguém votou para eleger o presidente da Meta, da Amazon, ou mesmo das Americanas!! Nunca, não é?

Pois é exatamente isso que a extrema direita deseja: um mundo controlado por corporações transacionais, onde o povo perdeu todas as razões objetivas para escolher representantes. Nesse mundo distópico de direita, controlado pelo capital, o Estado é tão diminuto e insignificante que de nada serve o seu voto, pois tudo seria dominado pela casta dos proprietários, dos burgueses, dos donos de tudo. O povo só poderia trabalhar, olhar, chorar e morrer; afinal não há como mudar o mundo privado.  A utopia capitalista seria materializada num tecno-feudalismo com classes sociais estanques e pétreas.

É por esta razão que tantos representantes da direita atacam o “sistema”. Na verdade, para eles o “sistema” é a própria democracia burguesa, o voto, as instâncias populares e a possibilidade de escolher representantes. Mesmo com todas as falhas das eleições e da escolha pelo voto, ainda assim essa possibilidade surge como uma ameaça ao totalitarismo ultra direitista. Estes se referem à “classe politica” com desdém porque odeiam qualquer anteparo democrático que exista entre a burguesia, suas posses e a riqueza produzida por todos nós. Quando você escuta um bolsonarista dizendo “tem que mudar tudissquitaí” ele, no fundo, está se referindo ao projeto direitista de eliminar seu direito participar do jogo.

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Censura, de novo

Deixa eu entender: a esquerda quer votar uma lei para censurar as pessoas quando falarem mal de mulheres, é isso? Curiosa essa proposta. Na minha adolescência, nós comunistas lutávamos para extirpar o câncer da censura, porque ela impedia a livre expressão do nosso ideário. Pois agora (quem diria!), a esquerda quer ela de volta. No meu tempo as mentiras eram combatidas com a verdade, com o contraditório, no debate livre e aberto; agora a solução volta a ser aquela tradicionalmente apregoada pelos fascistas: censurar aqueles com quem não concordamos.

Ou seja, a fala idiota do neto do ditador, afirmando que “mulheres votam mal”, não poderia ser dita, e nunca saberíamos o que ele realmente pensa. Entretanto, dizer que mulheres votam mal não representa nenhuma ameaça à integridade física delas, a não ser que alguém consiga me provar essa ligação. Falar mal do Bolsonaro ameaça sua vida? E criticar as posturas do Lula? Quem inventou essa ideia de que palavras de crítica ou ofensas equivalem a ameaças de morte? Por que insistimos no combate às ofensas se elas fazem parte do repertório de manifestações humanas? Por acaso o ódio e as diferenças desaparecem quando somos impedidos de expressá-los?

E qual seria o benefício da censura? Positivo, nenhum, mas censurar faz crescer os laços de união entre aqueles que pensam diferente. O nazismo é proibido e censurado no Brasil e na Alemanha, e mesmo assim – e talvez por isso – multiplicaram-se as células nazi nesses países nos últimos anos. Vejam o que virou Santa Catarina e muitos bolsões supremacistas em São Paulo, agora lotados de núcleos de apoio ao nazismo. A censura estimulou seu crescimento nas sombras, onde a luz do debate e da livre exposição das ideias não consegue penetrar. Impedir que idiotas falem – nos limites da lei – é uma estupidez autoritária. Por certo que a incitação ao crime continua sendo ameaça criminosa, mas as criticas – mesmo as preconceituosas e idiotas – devem ser combatidas sem a judicialização, ferramenta controlada pelas forças burguesas da sociedade e que, exatamente por isso, servem apenas para encarcerar negros e pobres.

As mulheres não merecem ser tratadas como seres inferiores e incapazes de se defender.

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