Guerra ao câncer e o ufanismo médico

Essa era a guerra contra o Câncer que foi iniciada pelo governo Nixon nos anos 70. Nesta época toda a pesquisa era direcionada pela ideia de que os tumores tinham origem viral. Houve uma euforia desmedida com a possibilidade de encontrar um elemento exógeno – os vírus – que estariam na gênese dos tumores. A Revista Realidade, uma publicação importante daquela época, deu destaque a esta luta contra uma doença que parecia insuperável. Foi daí que o governo americano supriu de verbas e estímulos as pesquisas sobre os vírus. Também nessa época surgiu no cenário da medicina americana uma figura que depois ficaria famosa e controversa (para o bem e para o mal): o virologista Robert Gallo. Foi ele o deflagrador da “guerra à Aids”, e sobre ele muito foi escrito e debatido.

Assim como a “guerra às drogas”, a “guerra ao terror” e a “guerra ao crime”, a “guerra ao câncer” foi um retumbante fracasso, mesmo que alguma avanços tenham sido conquistados. A doença continua a ser principal causa de morte no primeiro mundo. E não há nada no horizonte a nos mostrar que ela está para desaparecer. Pelo contrário: seus números continuam a crescer de forma assustadora. A estratégia tipicamente americana de tratar estas questões como enfrentamentos maniqueístas ao estilo “bem contra o mal” e usando vocabulário de guerra (inimigo, armas, defesas, etc.) esbarra no fato de que câncer, drogas, criminalidade e terror são produções humanas multifatoriais, e não são males em si, mas consequências quase óbvias de desajustes orgânicos e sociais que a humanidade produz.

Enquanto não for aceito que a abordagem sistêmica (o fim do capitalismo e o respeito ao meio ambiente) é a única solução para estes dilemas continuaremos a colecionar fracassos como estes.

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Os gays e as culturas

Segundo Joseph Ratzinger, “o conceito de casamento homossexual está em contradição com todas as culturas da humanidade”.

Não vou me deter a pesquisar a totalidade das culturas do mundo para avaliar a veracidade dessa afirmação porque ela me parece irrelevante. O mundo todo já acreditou na Terra plana e tivemos a ousadia suficiente para romper com estas crenças guiados pela luz de novos conhecimentos. Já acreditamos na Lava Jato, que ocorreu há poucos anos, e pudemos ver sua falsidade. Por que haveríamos de manter crenças anacrônicas sobre a sexualidade que, como uma roupa velha, já não nos servem mais?

A visão que as sociedades humanas até hoje tiveram da sexualidade não precisa ser uma cláusula pétrea para o comportamento sexual. Ela foi forjada na vigência do patriarcado e tinha funções que já não condizem com a cultura contemporânea. Diante de novas descobertas, e da evidente decadência do patriarcado – além das pressões pela livre expressão da sexualidade – o mais justo é rever posturas antigas e recalcitrantes, que nada ajudam na felicidade e na realização dos sujeitos sexuais.

Sugiro ao Papa que deixe de lado seus bloqueios e se permita perceber o mundo por cima de sua perspectiva dogmática. Sua Bíblia já foi por tantas vezes confrontada com os avanços humanos e esta não seria a primeira vez, e nem de longe a última, que seria necessário rever suas orientações.

Um beijo Ratz!!!!

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Sociedade drogada

Para consideração…

Na minha época de infância, antes dos remédios serem a maior indústria do planeta, existiam os “moscões”, sujeitos desatentos e lerdos, e as crianças hiperativas, falantes, inquietas e com “bicho carp’inteiro”, mas ambas as pontas do espectro eram vistas como formas de se comportar dentro dos limites da normalidade. Era o “jeitinho” da criança.

Foi a indústria farmacêutica que induziu a medicina a tornar patológicas as características individuais. Assim como fez com a tristeza e o pesar, assim como medicalizou o nascer e o morrer, criminalizando-os e controlando-os, tornou a adaptação escolar forçada como distúrbio. Nada poderia ser mais errado. Aliás, penso que a patologia está exatamente no oposto: qualquer sujeito que se adapta muito bem às prisões, hospitais e escolas deveria ser investigado.

Tenho exemplos na minha família de gente que, por sorte, não foi medicado em função das suas condições “diferentes”. Tivesse sido e hoje por certo não seria quem é, pois teria perdido a maior parte do que aprendeu com o seu jeito especial de ser.

Não digo que os medicamentos para as crianças são inúteis, assim como nunca disse isso das cesarianas, mas apenas que o ABUSO de tais intervenções é um grave problema de saúde pública derivado da influência do capitalismo na assistência médica.

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Conversa com Roger

Bolsonaro, de tanta tolice que fez, ao menos nos fez um grande favor: nos livrou de um mal muito maior, a Lava Jato. Ela significava a União da Globo com judiciário e com o pior da classe média punitivista, essa mesma que pede AI5 e volta da Ditadura, das velhas de laquê solicitando tortura e dos aposentados com camisa da CBF.

A Lava Jato era a extrema direita no poder, com o supremo, com tudo. Seria um bolsonarismo de terno, gravata e toga. Moro seria o super-herói justiceiro, acima da lei, talvez o presidente. O promotor Deltan estaria montado em R$ 2.6 bilhões da sua instituição fascista montada com dinheiro da Petrobrás.

O “modus operandi” lavajatista disseminado por todo o país continuaria a produzir delações sob tortura, prisões midiáticas, juízes acertando sentenças, as “10 medidas” fascistas do Dalanhol e a disseminação de um Estado policial.

A luta de Bolsonaro com Moro fez o segundo se refugiar no exterior, onde podemos ver seu brilho aos poucos se apagar. Bolsonaro e o Hacker colocaram o poderoso juiz no chinelo, restando apenas o Barroso/Globo a lhe dirigir algum elogio póstumo.

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Escrita

Tenho plena consciência da mediocridade da minha escrita. Não vejo nela nenhuma qualidade ou virtude. Quando leio crônicas, textos ou excertos de obras famosas sempre tenho a impressão que, se o que faço se diz escrita, deveria haver um nome diferente para o que leio. Existe um abismo entre intenção e ato… eppur, scribo.

Comecei a escrever há uns 30 anos. Escrevi um texto cômico chamado “O Círculo do Gelo”, que na época me parecia hilário, mas que hoje seria apenas constrangedor. Depois escrevi, a pedido de uma jornalista, um texto chamado “Pelo direito de nascer direito” que foi publicado em um jornal local, no dia de Natal de 1994. Alguns anos depois surgiram a internet, as listas de discussão e a minha compulsão por escrever tomou corpo e desabrochou.

“Onde falta qualidade que sobre a vontade”, pensava eu. Mas eu nunca escrevi pensando em escrever bem, e sempre achei que fazer isso seria um caminho fácil para o desastre. Como o amor, ele só está “onde não está”. Quem encontra alguém com o objetivo de amar, nada encontrará. O amor é sempre um subproduto; a boa escrita só pode ser o subproduto de escrever muito.

Eu me relaciono com a escrita de forma diferente: escrevo para registrar. Penso numa história e sei que preciso contá-la. Expurgo as ideias porque sei que tenho pouco tempo de vida e não quero levar estas lembranças para o túmulo.

Antes de morrer meu pai disse que gostava de ler o que eu e meu irmão escrevíamos. “Menos política”, dizia ele, que quase nada deixou escrito em vida. Talvez ele visse nos meus escritos algo que nem eu via.

Para mim, escrever é uma necessidade. Hoje, enquanto fazia minha caminhada diária na Comuna, percebi que muitas vezes penso escrevendo. Isto é: meus pensamentos são ordenados no formato de uma escrita, como se eles apenas temporariamente pudessem ficar restritos à minha mente. Terminada a caminhada eu os transbordo para a tela e o mundo.

Se pudesse voltar atrás começaria a escrever desde a infância. Registrar o mundo é uma tarefa edificante e um exercício fabuloso.

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À Esquerda?

Alexandria Ocasio-Cortez e sua amiga estilista Aurora James.

Para mim AOC – Alexandria Ocasio-Cortez – a congressista americana nascida no Bronx que já foi garçonete e bartender, é o maior exemplo do desastre das esquerdas da América. Há poucos dias ela foi para um baile de gala do Metropolitan usando um vestido onde se lia “Tax the Rich”, em letras vermelhas sobre o vestido branco. O caso gerou manchetes no mundo inteiro e debates acalorados se seguiram.

A questão é que, antes de se tornar congressista, AOC participou de vários protestos, tomando borracha da polícia no lombo e levando adiante sua palavra contra as elites e a plutocracia americana. Já no baile, encontrou-se e confraternizou amistosamente com elementos do “deep state”, que é formado pelas indústrias de armas, drogas, petróleo, tecnologia e por Wall Street, os mesmos que há pouco xingava e combatia. Por certo que os poderosos riram dela, mas é claro que fingiram respeitar seu “protesto”.

O ingresso para a festa custava a bagatela de 30 mil dólares (tipo, 150 mil bolsonetas) e por certo que, para aqueles que lá estavam, esse valor cai na rubrica “investimentos” de suas empresas. Por outro lado, fora do Metropolitan uma multidão protestava enquanto levava porrada da polícia, os mesmos que há alguns anos eram seus parceiros de luta. O poder a fez mudar de lado. AOC agora se juntou às corporações e depois disso não votou mais nas leis importantes para a esquerda como “saúde universal”, “defund the police”, “stop fracking”, “climate change”, “minimum wage”, etc. Em outras palavras, uma Tábata “with steroids”.

Mas isso não é o mais chocante. O que me deixou estupefato é a história do vestido, que é especialmente pedagógica. Ela descreveu sua amiga estilista, Aurora James (foto acima, com Alexandria), como “uma mulher negra, da classe trabalhadora e imigrante, que chutou a porta do Metropolitan para viver o seu sonho”. Isto é…. nada de creches, moradia para todos, saúde universal… mas uma mulher negra e trabalhadora conseguiu chegar ao topo. Uau, que vitória!!!.

Essa é a essência do individualismo identitário. Cada um por si, lute por você. Não desista. Chegue ao topo. O resto que se vire. Mais ou menos o discurso que me acostumei a escutar por aqui também.

A parte engraçada da história é que a “estilista negra imigrante” Aurora James veio de… Toronto, no Canadá. Faz tanto sentido quanto chamar John Lennon em Nova York de “imigrante de uma ilha da Europa”. Além disso ela é namorada de um sujeito da família dos Lehman Brothers que tem uma fortuna estimada de 100 milhões de dólares. Fica difícil imaginar essa moça como representante das milhões de imigrantes latinas, negras, pobres, operárias sem creche e sem saúde universal que fazem parte da franja mais pobre e necessitada dos Estados Unidos.

Com este tipo de esquerda (o partido democrata americano é o melhor exemplo), que tem milhares de representantes tanto lá quanto aqui no Brasil, quem precisa de direita?

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O Amor

Elize foi condenada pela assassinato de Marcos Matsunaga, que foi morto e esquartejado por ela em 2012, num crime que escandalizou o país.

Surpresos? Pois aceitem, o amor tem dessas coisas. Não vejo nenhuma contradição em uma assassina confessa declarar, de forma explícita e desvelada, seu amor por alguém, em especial sua filha. Em verdade, o amor (e seus desvios) é capaz de produzir o horror, o drama e a tragédia, pois que é tecido pelas finas tramas do desejo. A declaração dela pode ser legítima e sincera – e assim acredito que seja – o que não apaga seus crimes ou suas falhas. O amor, em sendo humano, é cheio de contradições e repleto de paradoxos.

Entretanto, o que de pior podemos fazer a um condenado é desumanizá-lo, e retirar dele a capacidade de amar; é negar-lhe a condição mais primitiva que nos constitui. Retirar de uma prisioneira a possibilidade de “amar para além da vida” significa tirar dela a esperança, o fio tênue que pode fazê-la suportar a vida que lhe restou. O curioso é ver uma declaração de amor banal como esta ser tratada com espanto, como se a nossa própria estrutura psíquica mais profunda não contivesse as dualidades conflituosas de amor e ódio, horror e transcendência.

Minha única crítica é que parece fácil “perdoar” a Eliza humanizando-a, colocando-se no seu lugar, olhando o mundo pelos seus olhos, caminhando pelas trilhas da vida, calçando seus sapatos. Muito justo. Entretanto, por que só Eluize e não Nardoni, Bruno ou mesmo o marido de Maria da Penha? Por que só alguns podem ser humanizados enquanto os outros são condenados à monstruosidade eterna?

Identificação é a chave.

Pois, “tudo quanto seja humano não me será estranho”, como diria o poeta e dramaturgo romano Publius Tererentius Afer. Consigo me identificar com os monstros tanto quanto com os anjos, pois sei que ambos habitam em mim, e também em cada um de nós.

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A Sedução dos Atalhos

Na série de artigos que escrevi ultimamente sobre George Soros e a “benemerência colorida” era exatamente sobre essa perspectiva que eu me debruçava. Muitos de nós estamos tão fortemente aprisionados na perspectiva capitalista que sequer percebemos as armadilhas do realismo capitalista para a captura de consciências. Por isso eu vi com um certo horror a passividade com que grupos de assistência ao parto saudavam a intromissão da “Open Society” – uma organização internacional com tentáculos em todo o planeta e gerenciada pelo bilionário Soros – nas nossas organizações, e a justificativa dada era de que “Bem, não há como combater a perversidade desse sistema; assim, nada mais nos resta a não ser jogar a toalha. Porém, não custa nada aproveitar um pouquinho destes valores oferecidos para mitigar os efeitos devastadores do capitalismo na cultura, nos povos, nos trabalhadores e nas minorias“. É neste exato momento que nos iludimos com a ideia de que o auxílio às vítimas do capitalismo pode ser feito usando os próprios recursos dos capitalistas, sem perceber o quanto isso reforça seus pressupostos.

Não acredito na possibilidade de avançar em campos tão sensíveis como a assistência à saúde – em especial à assitência à mulher – sem uma ruptura com a lógica subjacente ao sistema capitalista, onde a saúde está vinculada ao lucro e ao incentivo das intervenções. Um sistema que lucra com a piora da qualidade de vida dos clientes/cidadãos tem uma estrutura perversa, que não pode perdurar. Aceitar que os grandes capitalistas financiem ONGs que atuem no Brasil é aceitar que influenciem na forma como essas questões são abordadas pela população. Esta interferência é deletéria e ameaça a soberania de qualquer país.

Como seria possível deixar que o capitalismo curasse as feridas que ele mesmo produz pela adoção de uma sociedade dividida em classes? De acordo com Fisher:

“… o realismo capitalista conquistou de tal modo o pensamento público que a ideia de anticapitalismo não mais atua como a antítese do capitalismo. Em vez disso, é implantado como um meio de reforçar o capitalismo. Isso é feito por meio da mídia que visa fornecer um meio seguro de consumir ideias anticapitalistas sem realmente desafiar o sistema. A falta de alternativas coerentes, conforme apresentadas através das lentes do realismo capitalista, leva muitos movimentos anticapitalistas a deixarem de visar o fim do capitalismo, mas em vez disso mitigar seus piores efeitos, muitas vezes por meio de atividades individuais baseadas no consumo.”

É fundamental entender que o capitalismo é um sistema que está fadado a falhar, pois não é possível crescimento infinito em uma realidade finita, e a exploração de uma classe sobre a grande maioria da população é moralmente inaceitável. Os modelos de benemerência criados por bilionários, como tentativa de mitigar o sofrimento que o sistema (que os beneficia) impõe, apenas atrasa a adoção de uma mudança profunda na estrutura social. As maquiagens na assistência à saúde da mulher, ao parto e nascimento, não vão solucionar os problemas nevrálgicos dessa sociedade, mesmo que pontualmente possam trazer benefícios para indivíduos “agraciados” por esta ajuda. Este é o clássico “mudar os rótulos para que a estrutura se mantenha intocada”.

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Mentira

Creio ser necessário lembrar que não haveria vida civilizada sem as verdades escondidas. Digo mais, creio que não haveria sequer a multiplicação das células no caldo primitivo não fosse a mentira, a dissimulação, a hipocrisia e a falsidade. A vida humana se construiu a partir do falseamento do verbo, a troca maldosa dos sentidos, a mudança sorrateira da direção das palavras à sorrelfa da própria realidade, a qual desaparece diante do gigantismo implacável da linguagem. Como diria Lacan, “a palavra matou o Real”, mas quem lamenta? Ou alguém um dia experimentou alegria e genuíno prazer ao abraçar um feixe de nervos e tendões, suores e lágrimas, só para sentir junto ao peito as contrações rítmicas de uma bomba de sangue?

Jean B. Laviolette “L’art de mentir”, ed. Parole, pág. 135

Jean Benoit Laviolette é um psicanalista francês, nascido em Marseille em 1952. Fez formação na Sorbonne e formou-se em psicologia em 1978. Escreveu inúmeros artigos para a “Gazette Psychanalytique” quando morava em Paris e estudava com seu mestre, Jacques Lacan. Depois disso, já nos anos 80, passou a atender em sua clínica em Strassbourg, quando conheceu Madeleine Truffaut, escritora e poetisa, com quem se casou e teve 3 filhos. Escreveu três livros da área da psicologia, que poderiam ser entendidos como uma trilogia, apesar do autor negar que tivesse a intenção de continuidade para qualquer um dos seus livros. O primeiro foi “A Palavra Escondida”, seguida de “Ouvidos de Pedra”. Em 1995 escreveu “L’art de Mentir”, que, segundo ele, lhe ofereceu uma inesperada popularidade. Mora em Strassbourg com esposa e filhos.

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Conspiração

Eu ainda acredito que a pior teoria da conspiração é aquela que nada conspira, mas tudo crê, tudo aceita, nada questiona e mantém os modelos de dominação intocados. Opera na credulidade e na aceitação bovina de todas as notas oficiais, na opinião dos especialistas e na ciência capitalista. A “velhinha de Taubaté” é a mais perigosa de todas as conspiracionistas nacionais, porque sua aceitação passiva do que lhe é imposto pela avalanche midiática lhe torna a “cidadã perfeita”, sem qualquer traço de indignação, que é a mais intensa das forças motrizes de mudança social.

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