Medicina e Ciência

A prática da medicina se apoia na ciência apenas quando o conhecimento científico oferece sustentação aos seus interesses corporativos ou quando garante mais poder aos profissionais. Monitorização eletrônica foi introduzida sem nenhuma evidência clara de seus benefícios. Episiotomia e ultrassons de rotina, igualmente. Em contrapartida, décadas de estudos científicos bem desenhados que provam a ineficiência e/ou a maleficência destas condutas são insuficientes para desbancar tais procedimentos de nossas rotinas. Evidência científica só é boa se nos beneficia ou nos enriquece.

Henrico di Blasio “L’Uomo e la Scienza”, ed. Metaphisis, pag. 135

Henrico di Blasio é um médico italiano, especialista em medicina de Família. Nasceu em Nápoles e fez mestrado e doutorado em farmacologia na Universidade de Nápoles Federico II. Escreveu “L´Uomo e la Scienza” como um manifesto contra a medicalização extrema da sociedade e o totalitarismo que ocorre com a Medicina Baseada em Evidências quando não se aplica sobre ela uma visão holística e humanista. Mora em Nápoles e é casado com a pediatra Laura Stefanni.

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Partos domiciliares

As críticas que afirmam que os estudos sobre segurança em parto domiciliar são feitos em países onde este local de parto é reconhecido pelo sistema de saúde – portanto não serviriam para o Brasil – vão e voltam toda hora. Isso se diz há muito tempo e de diversas formas. É parecido com o discurso que diz que direitos humanos só funcionam em países civilizados. Isto é, aqueles que… respeitam direitos humanos.

Por outro lado, vejam como o discurso médico está migrando. Antes a oficialidade obstétrica afirmava que “parto domiciliar é perigoso”, ou como dizia um professor daqui, “Parto Domiciliar é violência obstétrica”. Hoje o discurso está se metamorfoseando para “sim, os estudos mostram segurança… mas só vale para países de primeiro mundo!!!” Em suma: “parto domiciliar só funciona para europeus”. Lembro que na faculdade professores enchiam o peito para bafejar tolices como “parto de cócoras é só para indígenas, assim como acupuntura é só para chineses“. Agora é “parto domiciliar é só pra europeu branco“. Como sempre, este tipo de afirmação não encontra respaldo em nenhum estudo sério, mas satisfaz as necessidades de quem deseja desmerecer a livre escolha das mulheres sobre o local de parir.

Assim, os latino-americanos estariam condenados a partos hospitalares violentos e/ou cesarianas até termos uma assistência centrada na mulher, e todos sabemos o desinteresse da corporação em lutar por este modelo. Todavia, este argumento também carece de sentido. No Brasil os partos domiciliares planejados são atendidos quase que exclusivamente na classe média, e por essa razão não há porque estabelecer essa diferença entre a assistência garantida à nossa classe média e aquela oferecida nos países europeus. Se o parto domiciliar ocorresse em favelas e sem o suporte adequado para transferências esta queixa poderia ser relevante. Não é o caso…

É claro que o objetivo é enganar; por trás dessa perspectiva existe uma evidente (e já bastante conhecida) “síndrome de vira-lata” – que surgiria da ignorância e do oportunismo dos interesses corporativos. Podemos encontrar aqui o mesmo discurso que censurava o cinema durante a ditadura militar ou de votar para presidente nos anos 70, usando a justificativa de que, ao contrário dos europeus, éramos primitivos e não sabíamos escolher o que assistir ou em quem votar. Parto domiciliar – ou parto onde a mulher assim o desejar – é um direito reprodutivo e sexual. O resto é estratégia para manter poderes intocados. “Humanização do nascimento é a garantia do protagonismo à mulher; o resto é tão somente sofisticação de tutela”.

Veja o último estudo aqui

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Amor

Quisera falar do sexo
Mas não posso
Do céu subterrâneo de nossos afetos
Mas não devo
o mundo escondido de nossos desejos
Mas não nego
a fuga absurda de nossos retornos
Mas não quero
o sentido último de nossos abraços
Mas não vejo
a luz que meus olhos encontram no escuro
Mas não digo
o suspiro de um dia saber-te sem mim

Amália Quintero D’Arroyo, “Fugas”, Ed Pindorama, pág 135

Amália Quintero de Arroyos é poetisa e nasceu em Aveiro – Portugal em 1959. Estudou literatura na Universidade de Lisboa e posteriormente iniciou seu trabalho como professora de literatura nas escolas públicas da região do Aveiro. Em 1985 publicou um livro de poesias chamado “Algures” que recebeu boas críticas e um convite da editora Pindorama para escrever uma série de mais 3 livros de poesia, surgindo daí a trilogia “Chegadas”, “Esperas” e “Fugas”, lançados respectivamente em 1991, 1996 e 2000. Recebeu o prêmio Cordéis de melhor livro de Poesia em 2005 por “Fugas”. Mora na cidade do Porto e é casada com o desenhista Fernando Monturo.

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A máscara caiu

Branquesia racista se manifestando a pleno nas redes sociais. Aplausos ao governador genocida se escutam por toda parte. Estão se sentindo soltos, não? O que antes era falado apenas em voz baixa – e entre risos – nos churrascos das famílias italianas e alemãs agora é dito abertamente no Facebook. Bolsonaro liberou o que existe de pior em cada um de nós, mas para alguns este é o momento sublime de libertação de todo seu ódio, seu ressentimento e seu racismo mais abjeto.

A turma reacionária abriu a gaveta de baixo da cômoda e tirou de lá a caixinha que se escondia debaixo da pilha de papéis. Dentro dela, entre fotografias obscenas, a máscara do racismo por tanto tempo escondida agora pode ser vestida sem pudor. É “cool” ser preconceituoso; está na moda aplaudir e festejar execuções públicas, em especial de negros e pobres de periferia. É bacana desprezar o meio ambiente e atacar gays e transgêneros. Ser perverso e canalha está na “crista da onda”. Ser mau… é bom.

Abrimos a caixa dos nossos sentimentos mais baixos. Estamos nos tornando o país mais pervertido do planeta. Somos a escória do mundo. A banalidade do mal triunfa enquanto a solidariedade agoniza.

A máscara caiu…

Somos o país onde a escravidão mais resistiu e seremos o último a apagá-la de nosso cotidiano. O mesmo racismo que motivou as massas na Alemanha à destruição é o motor das manifestações que comemoram morte e extermínio – de gentes e natureza.

Só a catástrofe salvou a Alemanha. Só a catarse nazista limpou este país do racismo e do desprezo aos outros povos. Acredito que o Brasil terá o mesmo destino; só uma hecatombe provocada pela indignação coletiva de pretos, pobres, periféricos, favelados e a gigantesca legião de desprezados fará a limpeza que o país precisa.

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Diagnóstico

– Mas doutor, afinal o que tenho?

Tudo o que o paciente mais quer é um nome, uma categoria diagnóstica, um rótulo para colocar por sobre sua dor. Esta ação simples, inobstante a complexidade do mal que escolhermos para lhe oferecer, é capaz de produzir, ao menos, um alívio. Nomear é basicamente delimitar, oferecer um começo e um fim.

– Pelo menos agora já sabemos, não?

O problema é que ao batizar o mal que lhe aflige calamos todos os seus outros sintomas, as expressões múltiplas do seu sofrer. Obrigamos o paciente a se conter dentro da caixa do que nós esperamos dele, e não escutamos a voz única e surpreendente do que ele em verdade sente. Sem o diagnóstico o paciente fica livre para sentir o que desejar, mas quem suporta tal liberdade?

Experimente, diante de um quadro de sinusite, dizer ao seu médico que sente frio, ansiedade ao anoitecer ou saudade de um amor do passado. Imagine contar ao medico que sente sua alma vazia e seu ânimo escorrer como a agua do banho. Como se comportaria seu doutor se voce lhe dissesse que, além da tosse produtiva – que ele chamou de bronquite – você sente coceira nos pés, peso no estômago e que este mal estar veio depois de um grande pesar?

O diagnóstico é a grande mentira da medicina. Ele distorce a realidade como a foto de um sorriso: mostra o fragmento de uma expressão e esconde todas as outras faces possíveis.

Médicos não deveriam ser catalogadores ou rotuladores. O exercício mais interessante e produtivo é atender seu paciente como se ele fosse o único doente do mundo.

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Ciência

Querem mais um pouco da barbárie patrocinada pela medicina? Ciência à venda.

Ainda me choco – mesmo nos dias de hoje – com os positivistas da ciência que a enxergam como uma entedidade espiritual, pura e neutra, que não é contaminada pelo seu tempo, a política, os interesses e os contextos onde aparece. É comum ouvir “mas a ciência diz que…” ou ainda – a pior vertente – “os cientistas chegaram à conclusão que…” como se isso fosse uma determinação divina, uma revelação sobre a qual não se poderia questionar. Não, estas são manifestações de sua época, formas de ciencia direcionadas por valores que só fazem sentido quando olhadas em conjunto com o ambiente político e econômico.

É evidente que entender a falibilidade da ciência, em especial pelos contextos e circunstâncias sociais, significa tão somente humanizá-la, a não suprimi-la. A pior ciência ainda é melhor do que o mais sublime misticismo. Entretanto, a ciência é uma vela firme e poderosa que precisa de vento para nos levar adiante, mas quem produz esse vento somos nós.

Sem reconhecer a face humana e corruptível da ciência ela não pode evoluir.

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O perdão solitário

O perdão é o mais solitário dos sentimentos. Ele não se relaciona com o sujeito cujo crime nos ofende ou maltrata, mas com a nossa percepção do malfeito. Ele também não implica em inocentar quem nos fez o mal. Perdoar não é esquecer ou relevar, mas apenas reconhecer em nós a mesma semente de mal que em outro floresceu por circunstâncias que jamais saberemos por completo. O perdão não é difícil pela gravidade do crime, mas pela imensidão de nossa arrogância.

Maurice Deschamps Faure, “L’épine et le clou de girofle”, Ed. Printemps, pág 135

Maurice Deschamps Faure é um escritor Belga, nascido em Bruges em 1966. Publicou “L’épine et le clou de girofle” (O Espinho e o Cravo) em 2015, durante o período internado no Hospital Center Universitaire de Nice, quando esteve à beira da morte após um acidente com Kitesurf em Nice, na França. Teve múltiplas fraturas e ficou com tração por vários meses. Este livro não foi escrito, mas ditado para sua secretária Marie Claire, para quem dedica o livro.

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A mais bonita

Em verdade, apesar do natural estranhamento causado por esta afirmação, não existe momento mais pleno de sexualidade do que o parto. Lembro de Ferdinand Celine, médico e polêmico escritor francês, escrevendo “Querem sexualidade de verdade? Procurem no parto“. Quem não concorda, tudo bem.

Vi algumas mulheres defendendo maquiagem e tratamentos para o cabelo para o momento das fotos na maternidade. Não me meto nesses assuntos e acho que cada um faz como quer, mas me incomodou a justificativa: seria para que ela ficasse “mais bonita” quando fosse gravar o momento em imagens.

Acho isso muito estranho, e posso dizer que não há nada mais belo do que a imensa balbúrdia de suores, gemidos, cabelos desgrenhados, lábios inchados e olhos molhados que testemunhamos no momento em que um bebê nasce. Não discuto os diversos conceitos de beleza, que precisam de poses, ângulos, iluminação e acessórios, mas repito que esta beleza crua e selvagem desse momento é muito mais significativa na construção de nossa própria sexualidade.

“Bonita para receber seu filho“? Acham mesmo que um bebê vai se importar com a tonalidade do batom? Ou os presentes vão levar isso em consideração? Eu creio que o belo da cena está na superação e na própria vida que se revigora. Claro, uma forma mais sutil de beleza.

Na perspectiva do ser que nasce, inseguro e incompleto, desalojado de sua casa de idílio absoluto, a fagulha de esperança que lhe acalenta é o brilho das duas estrelas que, ao se aproximarem de seu rosto, informam que a única alternativa é o amor. Estas estrelas são os olhos brilhantes e úmidos de sua mãe.

O resto é comércio.

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Medicina totalitária

Palavras da Melania que eu subscrevo. Aliás, falo sobre isso há 30 anos. Eu dizia algo mais radical ainda: “Não existem exames inofensivos”. Na verdade, não existe consulta médica, mesmo que consista de uma simples troca de palavras, que seja incapaz de fazer algum mal.

Quando eu era estudante de medicina, e nos primeiros anos da minha prática, estava no auge uma filosofia de atenção médica centrada na prevenção. Entretanto, a prevenção não se baseava numa modificação do estilo de vida – como se fala hoje – mas no incremento de exames e avaliações na esperança de “descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente”.

Uma cena não me escapa da memória. Andando na rua depois de um atendimento domiciliar fui parado por dois sujeitos sentados na mesa de um bar. Perceberam que eu era da área da saúde pelo uniforme e pela ambulância estacionada. Eles me chamaram com um “psiu” e um deles perguntou:

– Nesse seu pronto-socorro quanto custa um “checápe total”, dos pés à cabeça, tudo quanto é exame?

Sorri e disse que no pronto-socorro não se faziam exames desse tipo. O amigo então, do alto de suas várias cervejas, dispara:

– Liga não doutor, o que ele queria saber mesmo era só o exame de próstata.

Pois passados 40 anos eu vejo a derrocada de um modelo de atenção que fez sucesso e agora reconhece seu ocaso. Fica cada vez mais claro que investir freneticamente em exames e investigações em excesso, como forma de triagem, não demonstrou nenhuma melhora da saúde ou sobrevida de pacientes.

Nem exames da próstata.

Tidavia, atacar uma ideologia medica higienista de “controle absoluto” e vigilancia é tocar nas estruturas badikares da orofissao. Quem resolve enfrentar a ignorância só pode receber ignorância como resposta. Existem muitos interesses envolvidos na proposta de um “Estado Médico Total” onde o sujeito só pode comer, urinar, trepar, reproduzir e até respirar se for supervisionado e autorizado por um médico. É a sociedade se vergando à medicina como ideologia totalitária. Chegará um dia onde o sujeito só terá autorização médica para defecar cada 48 horas.

Opsss…


“E já que há tanta gente chocada com a ideia de que não é necessário exame ginecológico de rotina anual em mulheres assintomáticas (com mais um tanto me mandando estudar, como sempre), vamos acrescentar algumas outras informações chocantes, principalmente para quem adora ir ao médico e já vai dizendo que quer realizar os famosos “exames de check-up”. Mais de uma pessoa já me disse que tinha o sonho de entrar em uma máquina que rastreasse seu corpo inteiro procurando os mais mínimos tumores.

Então: a revisão sistemática Cochrane atualizada em 31 de janeiro de 2019 incluiu 17 artigos dos quais 15 contribuíram com dados, um total de 251.891 participantes. Check-up de rotina não reduz a mortalidade global, nem a mortalidade por câncer e doença cardiovascular. Não houve efeito na incidência de doença coronariana isquêmica fatal e não fatal nem de AVC fatal e não fatal. A conclusão dos autores é que é improvável que os exames de check-up geral sejam benéficos.

Na verdade, mesmo a efetividade de exames para rastreamento de alguns cânceres tem sido fortemente questionada, como tireoide e próstata.

“Mas eu me sinto mais seguro e o exame não faz mal”. Ora, alguns exames fazem, porque geram resultados positivos que irão acarretar outros procedimentos ou o tratamento de doenças que não iriam nem prejudicar o paciente nem provocar a sua morte.

Notem que estamos falando de exames realizados de rotina em indivíduos saudáveis e não de exames indicados por algum motivo em indivíduos doentes. E aqui estamos avaliando globalmente os tais “exames de check-up”. A maioria das sociedades ou diretrizes irá ter recomendações específicas de rastreamento de diversas condições clínicas, considerando características individuais e fatores de risco.

Porém, é necessário ter uma visão crítica. Há estratégias muito mais efetivas para quem morre de medo de ter qualquer dessas doenças, que é a modificação do estilo de vida, com dieta saudável, prática de atividade física, abolição do fumo e restrição do consumo de bebidas alcoólicas.

Não adianta me esculhambar. Vão lá discutir com os revisores da Cochrane.”

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Vingança

Não é muito difícil aceitarmos que a moral individual não pode pautar a moral social. O fato de – em hipótese – eu não suportar que um assassino como Nardoni saia da prisão por um dispositivo legal não pode ser a regra a determinar uma proibição. Não se deve aceitar a “justiça das vítimas”, sempre carregada de emocionalismos. Aliás, a civilização e o próprio direito surgiram ha milhares de anos para ocupar o lugar da selvageria de um “direito pessoal”, a cobrança de dívidas sem intermediário.

A “Lei de Talião” e o código de Hamurabi devem ficar apenas nos livros de história. A civilização impõe condições para a sua existência e o Estado Democrático de Direito é uma delas. Não se pode mais admitir um estado vingativo e punitivo e existem várias razões para isso.

A primeira é a função educativa do estado, que deve compreender que a imensa maioria dos delitos cometidos na sociedade tem origem na própria iniquidade fomentada pelo Estado, cujas castas por ele produzidas e a desigualdade de oportunidades entre elas estimulam a criminalidade. Os estudos de variadas fontes demonstram que são as condições sociais (e não as questões morais do criminoso) a fonte principal de estímulo ao crime.

Em segundo lugar, pela evidente inefetividade de tais medidas punitivas. Se as penas duras e violentas fossem solução os Estados Unidos não teriam 20 mil assassinatos neste ano (até agora). Se a pena capital fosse efetiva ela diminuiria a criminalidade nos locais onde foi implantada no Brasil. Sim, aqui mesmo. A pena de morte é exercida nos presídios e entre facções do narcotráfico e do crime organizado. Alguma dessas organizações deixaram de delinquir sabendo que a pena é a morte se o seu agente for pego pelo inimigo? Evidentemente que a resposta é não….

A propósito… ABOLICIONISMO PENAL JÁ!!!!

Sobre o Nardoni eu pergunto: que tipo de risco corre a sociedade se esse sujeito, depois de passar 12 anos preso, tiver o direito de visitar seu pai em casa? O que isso pode ofender o direito? O que isso ofende a família da vítima? Desde quando o Estado deve defender a vingança e o sofrimento inútil como pena?

Ora… por mais difícil que seja, cultivar o perdão é um ato superior. Tratar criminosos com humanidade é medida civilizatória. Respeitar os direitos humanos é uma conquista dos LIBERAIS e não dos comunas!!!! Aceitar as regras do jogo do Estado Democrático é uma obrigação de todos que desejam que os governos respeitem seus direitos fundamentais.

Sim, eu insisto que a infelicidade deste criminoso não me traz felicidade alguma. Eu acredito no perdão e na superação, mas admito que esta é uma questão pessoal. Do ponto de vista legal se um sujeito paga sua pena deve ter direito a ser solto. Se alguém tem direito a sair da prisão por uma concessão humanitária, que saia. A sociedade não pode responder com vingança e inexorabilidade.

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